domingo, 6 de janeiro de 2019

Retomar o equilíbrio e ser mais positiva

Para o meu pai qualquer contrariedade é um drama. A minha mãe é uma pessoa, na maior parte das vezes, demasiado pragmática. Vivi com eles até ir para a universidade - continuando a sofrer da influência de ambos, embora de forma mais distanciada - e quando regressei da universidade, outros dois anos.

A verdade é que, às vezes, não somos nem sentimos outras coisas, ou não somos mais ou menos autónomos porque resultamos da educação dos nossos pais. Nós somos o resultado da mistura dos dois gametas, onde é a probabilidade a funcionar, e a influência deles. 

O casamento dos meus pais está muito longe de ser um bom exemplo. O meu pai é uma pessoa muito difícil e ultra conservadora, com os seus dramas sempre à flor da pele. A minha mãe é dura, uma lutadora, pouca dada a perder tempo com dramas e muitas choradeiras, com uma visão muito vanguardista das coisas.

Viver no meio disto, não foi fácil. Com o tempo e o meu casamento, afastei-me um pouco da influência emocional deles. Fiquei muito autónoma deles, evito contar coisas da minha vida, porque, de um lado, tenho um drama, do outro, tenho o lema do pragmatismo sem grandes floreados. Preciso de um certo equilíbrio entre as duas coisas. O meu irmão conta tudo, principalmente à minha mãe. O mesmo acontece com o meu marido que, já não tendo mãe, gosta muito da minha. Entendem-se bem. Aliás, quando comento qualquer sobre a minha mãe que não apreciei, que me doeu, ele quase sempre diz que eu falo "de barriga cheia". Acho que o entendo.

A minha cunhada diz que a minha mãe é uma mulher "de meninos", que não percebe nada de  raparigas

É dificil ser-se optimista numa casa de extremos. Mas fui aprendendo a trabalhar alguma coisa nisso, e obriguei-me por outras razões, a faze-lo em terapia.
Neste interregno de dois anos, nao fui optimista nem pessimista. Nem sei bem o que fui. Andei ao sabor do quotidiano.
Assumo que a chegada aos 40 me fez pior do que eu pensaria. Nunca achei que envelhecer me preocupasse. Quando falo nisso, refiro-me a rugas e cabelos brancos. Isso nunca me preocupou. Mas a chegada dos 40 fez me muito mal psicologicamente. Nao estava preparada para largar a luta, resignar-me ao factos. Eu achava-me bem resolvida, com tudo controlado. Talvez a tentar ser dura comk a minha mãe.
Os 40 foram o fechar de uma luta com 11 anos. Foi matar decididamente um assunto, porque a idade o impõe , assim mesmo. Achei que era mais forte que isso, mas dei agora conta, há dois meses, que andei dois anos às voltas com o luto, com a perda. Com a dureza qud tinha encarado as coisas. Temos de nos permitir chorar todas as perdas e seguir em frente. Eu nao me permiti isso. Só agora. E foi demasiado tempo.

Nunca dividi esta luta com os meus pais. Fiz questão que assim fosse. Sucumbir aos dramas do  meu pai, ou ao pragmatismo exacerbado da minha mãe iria tornar o meu  caminho mais penoso. Sou má a lidar com as emoções deles quando as minhas já são dificeis de digerir.

Gosto muito dos meus pais, a eles lhes devo o que sou, de bom  e de mau, contudo no meio dos dramas e pragmatismos deles eu fui pondo-me de fora, ao ponto de ser incapaz de lhes pedir qualquer ajuda.
Assumo que isso as vezes me dificulta a vida, mas prefiro continuar de fora dos dramas e atitudes secas. O equilíbrio é a melhor coisa e há que trabalhar por ele. 
E é isso que procuro. Que vou conseguindo encontrar. E por isso tenho conseguido tomar decisões com alguma leveza e sabedoria, sem grandes dramas, com sabedoria q.b.

[Este post era para contar como decidi tomar uma decisão sobre a cirurgia; depois isto toma outro rumo, e falo de tudo menos o que pensei...] 

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