Há cerca de quatro anos que tenho uma colega "ajudante"de trabalho.
Nem eu nem ela temos os melhores feitios do mundo. Sei que sou muito exigente e cheia de preciosismos. Ensinei-lhe tudo o que sei, anos de experiência acumulada. Mas uma coisa é ensinar, outra é querer aprender. Em termos técnicos ela é medíocre, porque vem da área das línguas e engenharia é coisa que pouco ou nada lhe interessa. À partida, o que não acontece sempre, se lhe derem uma receita ela consegue-a cumprir, mas é incapaz de distinguir dois materiais, ou fazer sua substituição por algo similar. Não tem estes atributos, dá-lhe muito trabalho adquiri-los, e simplesmente não está para se chatear. Ao fim deste tempo todo, acha que já acumulou tempo de casa para se acomodar, com o seu nariz empinado, dificilmente aceita sugestões ou críticas construtivas. Porém, tem uma mania que me deixa arrepiada.
O certo é que, não aceitando ouvir a voz da experiência, também me ignorasse noutros aspectos. Só que não.
Começamos logo pelas expressões que uso ao telefone para cumprimentar as pessoas. Se, naquele dia, eu disser a alguém, num tom quase cantarolado: olá, viva, como vai isso? É certo e sabido que vou ouvir a pergunta e o tom que usei, repetido por ela, indefinidas vezes. E, oh!, se ela tem muito jeito para as imitações! Mesmo.
Se eu usar uma palavra menos comum um dia, ela vai repeti-la vezes sem conta. Se atender alguém que é habitual tratar comigo, ela desmancha-se num simpatia (muitas vezes falsa) porque acha que, deste modo vai passar a ser mais requisitada, só porque conseguiu ser ainda mais simpática que eu. O inverso é igual. Há pessoas a quem eu deixo bem claro os meus limites e se me zango também o demonstro. Se calha eu faltar e ela tratar com a mesma pessoa, vai fazer a mesma coisa mesmo não se justificando.
Durante meses houve um lugar de estacionamento na empresa que, dada a sua acessibilidade, nunca era ocupado. Como eu era das últimas a sair, não me causava constrangimento estacionar lá. Como habitualmente chego primeiro que ela, é lá que costumo estacionar. Até ao dia que ela chegou primeiro e deixou de estacionar no seu lugar habitual para estacionar no meu. Nunca deixa o carro a jeito de sair mas eu, quando estacionava la, punha-o de marcha atrás, prontinho para qualquer eventualidade. Desde que consegue estacionar lá , também faz a mesma manobra. Mas só se conseguir estacionar lá.
E podia enunciar n coisas que faço que são indefinidamente copiadas por ela. Tenho pena que ela não seja tão dedicada a imitar-me quanto ao profissionalismo, já que passa horas a fio entre as conversas no telefone pessoal e o facebook.
Se, por qualquer razão, eu ligar ao meu marido fazendo-lhe algumas perguntas habituais, vou ouvi-la repetir as mesmas ao marido dela. Logo de seguida.
Eu não lhe disse que ia ser operada. Propositadamente. Porque já sei que ela me vai estar sempre a ligar por insignificância e depois quer saber coisas. Sei que ficou arreliada por não lhe ter contado. Só o soube porque o meu patrão se descaiu e perguntou lhe se eu já tinha dado noticias...
Fiquei a saber que cada vez que alguém perguntava por mim, ela se punha a contar pormenores que ela não sabia mas inventava. Gerou com isso uma carga de ciúmes noutra colega que achava que eu dava mais satisfações a uma que a outra...
Quando voltei achei o ambiente estranho. A outra colega estava fria comigo, a macaca de imitação estava numa grande excitação. Não percebi nada daquilo, estranhei, mas não dei grande importância. Sentia a outra minha colega quase muda. Ela mais que minha colega é minha amiga; conhecemo-nos desde que entrei para a empresa.
Mas só ontem percebi a gravidade da situação. Pus o dia de férias para tratar de uns assuntos, avisei-as com o devido tempo para depois a empresa não ficar descalça . Ela ligou-me a meio da manhã, para dizer uma insignificância qualquer e tentar perceber onde é que eu estava e com quem estava.
Sei que, depois do final da ligação, se virou para a minha outra colega e quase lhe disse em tom jocoso: eu falei com ela e tu não. Eu sei onde é que ela está e tu não. Eu sei que... etc.
E voltaram os ciúmes da outra porque achou que eu agora era amicíssima de uma pessoa com quem nada me identifico. Soube destes ciúmes e da estranheza do ambiente na empresa depois do meu regresso.
Ela quer sempre ser a primeira a saber de tudo, em primeira mão, mas tem um bocado de azar, porque eu não conto as coisas da minha vida nem questiono os outros sobre as suas.
Eu nem sabia que era uma pessoa assim importante ao ponto de ser tão disputada. E copiada. Essa é a parte que me incomoda mais.
Se eu contar uma anedota, vou ouvir ela reproduzi-la a alguém nos minutos seguintes. Se eu fizer piada com um acontecimento da minha vida, é certo que partirá dela algo semelhante para contar. Eu acho que ela ainda não arranjou nenhuma luxação no dedo igual a minha, porque ainda não conseguiu esbardalhar-se como eu...
Nunca na vida imaginaria ter uma stalker... e é coisa que me incomoda muito.
M-E-D-O! Esse tipo de pessoa pode arranjar tantos problemas! Tantos! E se sentir desprezada ou ignorada... muito cuidado! Convém que outras pessoas tenham consciência da personalidade dela para evitar futuras dores de cabeça.
ResponderEliminarAnónimo,
EliminarHá já quem tenha percebido. Não é fácil lidar com alguém assim nem estamos preparados para contornar a situação. Vamos ignorando. Nem sempre é fácil. Ver me replicada em gestos, palavras, acções preocupa-me. Mas se lhe dermos muita importância acabamos por lhe dar uma coisa que gosta muito:protagonismo.
Mas assumo que este comportamento é assustador.
Isso é assustador....
ResponderEliminarGaja Maria,
EliminarSim, é um pouco assustador. É eu só contei algumas histórias e muito pela rama...
Beijinho
F.... que idade têm ? 12/13 anos ? e um par de estalos, não ?
ResponderEliminarIsabel, garantidamente um par de estalos não resolveria. Obviamente que minha outra colega devia ter sido mais racional. Afinal já nos conhecemos há tantos anos... Mas a minha stalker também é uma espécie de sociopata. E tem arranjado uns quantos berbicachos aos outros... Ela gosta muito de manobrar personalidades mais fracas e depois fica nos bastidores, a vê- las cair do palco, e quando demoram a cair dá-lhes um empurrãozinho.
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