O meu pai cismou, até chegar aos 42 (já lá vão 23), que ia morrer com essa idade, porque a minha avó (que não conheci) tinha morrido também, com um ataque cardíaco fulminante. Andava sempre a dizer, e sublinho o sempre, que não durava muito porque a mãe tinha morrido aos 42. Uma conversa magnífica, portanto! não! completamente parva e estapafúrdia, é o que é! Houve uma altura que me peguei com ele por dizer isso, mas o homem vivia convicto que era o que ia acontecer. psicoses inexplicáveis!
Não sei se por ter crescido debaixo desta espécie de superstição do meu pai, tenho algum problema, não só com a morte mas também com a forma de morrer. Queiramos ou não, há mitos no seio familiar que acabam por se entranhar de tal forma que é difícil vermo-nos livres deles.
Confesso que sou apologista da medicina preventiva. Uma coisa é termos um problema que resultou dos nossos comportamentos pouco saudáveis, outra coisa é aparecer sem se saber porquê, ou sem se ter contribuído... Por isso, eu sou daquelas pessoas que deixa as consultas de rotina marcadas logo para a vez seguinte, mesmo que isso só seja daí a um ano. bem sei que morro na mesma, porém, pelo menos, não será por desleixo meu. [isto do nariz avariado que agora foi arranjado é uma história que contradiz o que acabo de defender, mas um dia eu falo nisso. agora tenho bons motivos para regressar todos os dias ao otorrino; importava-me muito, importava… :) ]
Há uns anos atrás, por conta deste comportamento preventivo, andei a chatear a médica de família para fazer uma mamografia. Influenciada naquela altura pela incidência do cancro em jovens mães, eu, ainda que não o sendo, achava que devia estar alerta. Sou muito de pensar que aquilo de que o que acontece aos outros, pode acontecer-me. Barbas dos outros a arder, ponho as minhas de molho. salvo seja.
A médica recusou. que eu não tinha histórico familiar nem idade para fazer esse exame. adiou-se para quando ela achou que devia ser. foi ontem. e foi uma experiência sui generis.
Depois de ter estado mais de uma hora à espera na CUF, coisa que não estava habituada, lá entrei para a mamografia, a técnica fez o exame, eu dei o corpo ao manifesto e passei para a ecografia. na sala de ecografia estava a senhora doutora a ditar o relatório do exame da mulher anterior. Ainda que não dominando a linguagem médica toda, percebi que o diagnóstico era complicado.
Entretanto a médica passa a ter acesso ao meu exame acabado de fazer e suspira um valente Ai!. morri logo ali.
Eu: não me diga que me vai já dar más notícias.
Ela: não, são as primeiras mamas que eu vejo em condições hoje. têm sido só desgraças.
disse isto tão alto que fiquei com ideia que o hospital inteiro ficou a saber o estado daquela parte do meu corpo.
Eu não consegui expelir o ar, mesmo ela dizendo isto. a minha auto-reanimação demorou até que ela passasse para as ecografias. Acabei sem perceber se posso ficar descansada ou não. estive 45 minutos lá com ela e nunca se calou. falou sobre o cancro pediátrico, sobre a depressão que arranjou quando foi estagiária, as más notícias que tinha e tem que dar, do IPO e dos profissionais que lá trabalham e beca, beca, beca… nem sequer me deixou falar. aliás só me fez uma pergunta, e nem a essa me deixou responder. vim num estado de alma completamente devastado com os relatos. a ignorância, nas doses certos, pode ser um óptimo placebo.
Saí dos hospital e cheguei a casa eram 22h; numa hora de caminho podia pensar em tanta coisa, mas a única coisa em que pensei foi em enfiar-me na cama. parecia que minha mente estava anestesiada. e se pensasse em rezar que os exames venham todos bem, não tive tempo. O cansaço venceu-me.
Há vidas de mulheres muito difíceis. sejam médicas ou sejam doentes. e quando o diagnóstico é reservado acredito que pomos tudo em causa. Vamos ver o que diz o relatório lá para o dia 26.
Até lá, vou deixar isto a aguardar em algum canto do meu cérebro. Espero que o vaticínio do meu pai não venha agora a atingir-me. pode acontecer a qualquer um. Há que ser positiva.
Já fiz a minha parte, agora não posso controlar mais nada. esperar é o que há a fazer.
Pela resposta dela penso que vão ser boas noticias, acima de tudo pensamento super positivo, mesmo que às vezes seja difícil!!!
ResponderEliminarTitica,
Eliminarquero pensar que está tudo bem, mas enquanto não vir o relatório não posso dar tudo como seguro.
Há que esperar e ter pensamento positivo. não há outra forma.
Se alguma coisa vier menos boa, há que ter coragem e seguir em frente. Lutar.
Beijinho
Não te preocupes. Se houvesse algum problema, ela dizia-te de imediato. É o procedimento a seguir quando algo não está bem até para poderem dar inicio aos tratamentos o quanto antes. Para além disso, lembra-te que ela disse que eram as únicas mamas em condições que tinha visto ontem. Dito desta forma, soa estranho, mas siga :P
ResponderEliminarNão estejas preocupada. Está tudo certo ;)
Lápis,
EliminarNestas condições nem se pode pensar naquela parte do corpo com a sensualidade inerente. é como se de outra parte do corpo se tratasse. mas a mulher falar assim foi meio estranho confesso. ainda mais alto e bom som.
Quero acreditar que ela não me escondeu nada, mas nestas coisas só depois do papel passado a atestar isso é que me convenço.
mas estou tranquila, qb.
Não vale a pena sofrer por antecipação. Pensamento positivo pois se tivesses alguma coisa diziam logo. Boa sorte. Bjs
ResponderEliminarGaja Maria,
Eliminarsei que não vale a pena sofrer por antecipação por isso guardei este evento aqui num cantinho sossegado.
ainda tenho a ecografia ao útero feita na mesma altura, e isso também me está a preocupar dado o histórico.
Vamos ver. não vale a pena stressar já.
Beijinho
Já eu sou exactamente o oposto! Só vou aos médicos quando já estou assim mais para morrer do que outra coisa. Fiz análises no final do ano passado só porque me vi encurralada, as últimas que tinha feito já tinham sido há uns bons aninhos - vinha tudo bem, felizmente. Acho que sou assim porque a minha mãe também é. Aliás, hoje em dia a gente faz "chantagem" uma com a outra "ok, ok, eu vou ao médico mas só se tu também fores!". Só costumo ir ao oftalmologista, dentista e ginecologista com mais frequência, de resto, fujo de médicos como o diabo da cruz lol
ResponderEliminarE não te preocupes, pensa positivo :)
Nini
olá Nini.
Eliminareu também não vou ao médico por causa de uma constipação ou uma dor de cabeça mas tento fazer as análises de rotina e o acompanhamento médico mínimo. Não sou hipocondríaca, mas gosto de ter algumas coisas sob controle. o que eu puder.
Estou a pensar positivo mas com a pulga atrás da orelha. Uma pulguinha pequenina…
obrigada e beijinho
Se tivesses algo que a médica achasse suspeito, tinhas saído de lá com uma prescrição para fazer uma biópsia. Eu dou graças a uma qualquer entidade divina ao calhas pela a ginecologista que me segue (cuf) ter-me mandado fazer a primeira mamografia muito antes do que o sistema nacional de saúde recomenda.. aos 39 já fui entalada naquela máquina do demo mais vezes que muitas mulheres durante a vida toda 😔
ResponderEliminarTranquila, não passa nada, vais ver!