oportunidade de estar calada
Anteontem, e contrariamente ao que é habitual, o pedido
feito ao patrão para faltar ontem foi feito em público e não no recolhimento do
gabinete dele. Costumo reservar-me muitas vezes sobre os motivos porque tenho que faltar.
Para algumas pessoas transtorna-as não saber porque falto.
Tínhamos uma formação à qual faltei, por isso tinha que lhe explicar
que o motivo era plausível: um funeral. Somos várias aqui e o motivo foi dito
alto e bom som. Também expliquei isso às pessoas que directamente dependem de
mim.
A criatura que está sentada à minha frente também ouviu. Esta criatura. Ela ouviu que eu ia a um F-U-N-E-R-A-L, não a
um casamento ou baptizado, ao circo ou aos Jogos Olímpicos bater algum recorde.
Ontem de manhã lá fui, foi tudo extremamente emotivo, chorei
uma boa parte do caminho de regresso ao trabalho [e ainda são 100 km]; os olhos
vinham inchados, houve quem me desse uma palmadinha de conforto, eu desabafei
duas ou três coisas. Toda a gente percebeu que estava combalida e não era
pouco. sabem que sou de me reservar, mas acharam que eu precisava de um mimo.
Sento-me à secretária para começar nos meus afazeres e saiu esta
pérola da boca dela, quando estava toda a gente calada e a dar-me espaço: então correu tudo bem?
Fiquei sem pinga de sangue. Apeteceu-me responder-lhe: então
não? estávamos todos reunidos na última homenagem, a pessoa levantou-se e disse,
vão à vossa vida que eu já estou porreiro.
A sério?
Há pessoas a quem
falta muita coisa e boas oportunidades para estar calada…
Ou então: ah foi uma animação, até houve bailarico e o falecido dançou com toda a gente.
ResponderEliminarHá pessoas cuja estupidez ultrapassa em larga escala a parca inteligência que (supostamente) possuem.
Um beijinho e os meus sinceros sentimentos.
Pandora, nem há explicação. mesmo.
EliminarObrigada. Beijinho.