Quando a ferida volta a abrir
E porque não adopta?
Foi esta a pergunta que o médico me fez, ontem, depois de mais uma de muitas vistorias ao nariz, enquanto falávamos na vida.
Respondi aquilo que já respondi à médica de família quando ela me aborda o assunto: tenho medo de não saber amar.
Amar aprende-se! ambos me responderam.
Eu sei que há a outra parte da frase que eu guardo para mim: tenho medo que a criança não me ame, tenho medo de não saber ser mãe. Afinal é-me confiada uma criança que não tem nenhum elo comigo.
Sei que o meu marido pensa muito nesse assunto; vejo nos seus olhos o brilho de esperança que eu possa estar finalmente preparada para essa hipótese, quando eu conto que me falaram nisso. Mas respeita e não insiste, quando digo que não sou capaz. Vejo que o brilho se apaga.
Amar uma criança é uma enorme responsabilidade. Amar uma criança a quem já falharam uma vez, é responsabilidade acrescida. Nenhuma criança (nem ninguém) merece ser mal amado.
Também escondo dentro de mim que, apesar de estar a perder a validade, um dia o milagre acontecesse. É a réstia de esperança a falar. E com isto posso contar pouco.
Como dizia o médico ontem, ter um filho é permitir que os nossos sentimentos sobre a morte não prevaleçam sobre as alegrias da vida. Há os que já partiram mas há quem precise muito de nós e nos apazigue as perdas.
(assumo que ando a caminhar sobre uma falsa serenidade sobre este assunto, porque a ferida volta a abrir e eu vou-me abaixo, como agora, que as lágrimas correm em bica.)
O meu irmão adoptou um menino, e o amor veio, veio com a necessidade que ele fosse amado, por o vazio que ele trazia... o amor por ele veio em todos nós de forma espontânea... Hoje com 7 anos é uma criança feliz, sabe que nasceu da barriguinha de outra senhora, mas que o meu irmão e a minha cunhada são os pais dele, assim como as minhas outras sobrinhas as suas irmãs.
ResponderEliminarNão deixes a chama do milagre apagar, não percas a esperança, mas se conseguires não deixes esta porta fechar...
Beijinhos de força!
Titica Deia,
EliminarObrigada pelo teu comentário. Obrigada por relatar és um caso de sucesso.
Ando a digerir o assunto. Ontem foi um dia extremamente emotivo pela perda prematura de um amigo, que me levou a pôr muita coisa em causa na minha vida. Pensei, pensei e ainda ando a pesar as coisas. Sei que se me sujeitar a este processo, vai ser outra caminhada dura emocionalmente (e talvez quase solitária-porque sei que há quem nos vá abandonar). Estar sujeita a escrutínio minucioso de muita gente, a avaliar se merecemos uma criança é duro, acho eu. A exposição da nossa vida pessoal enquanto pessoa e enquanto casal vai ser revirada de alto a baixo, ao que sei. Vamos ter consciência das nossas fragilidades que nem sabíamos existirem. E isto vai durar e durar e durar. E não sabemos se conseguimos ser pais. Nada é garantido. Vão ser os outros que vão dizer se conseguimos ser pais. Possivelmente os mesmos que não dão conta que há crianças em famílias de risco, que mais tarde ou mais cedo acabam por ser violentadas seja de que forma for.
Isto é um assunto tão difícil.
Beijinho e obrigada
Olá
ResponderEliminarEu há 16 anos que adotei o MEU FILHO e desde desse dia sou tão, mas tão, feliz.
Indescritível o amor por uma criança, que não nasceu da barriga mas sim do coração.
A minha vida antes do Francisco existiu? Não me lembro!
Bjs
Dulce,
EliminarObrigada pelo depoimento. Ainda bem que há casos de sucesso.
Calculo que o processo não tenha sido nada fácil, mas se valeu a pena, viva a felicidade!
Tudo de bom!
Beijinho
Já pensamos em adoptar também mas essa ideia esta posta de lado :) Adoptar só porque não consigo engravidar parace-me muito injusto para a criança que iria adoptar :)
ResponderEliminarMaria, não posso deixar de concordar contigo.
EliminarTalvez venhas a conseguir o teu positivo um dia destes.
Beijinho