domingo, 30 de junho de 2019

As lágrimas de um pássaro

Aprendera de pequeno a amar a Natureza. Embora adorasse répteis, como as cobras e lagartos grandes e verdes, ou insectos como as abelhas, eram os pássaros o que mais o fascinava.
Cedo aprendeu a reconhecer o canto do melro e das cotovias, irritava-se com o cu-cu dos cucos no meio do pinhal, e achava as poupas e as gralhas umas ladras de primeira. Eram estas as que primeiro provavam a fruta mal estando madura. Admirava o negro luzidio dos corvos; toda a gente dizia que roubavam tudo o que brilhava e conseguiam amealhar grandes tesouros, em buracos nunca descobertos.
Conseguia distinguir os machos das fêmeas pela plumagem ou a cor do bico; descobria quase sempre um ninho ou dois, de melros, no quintal do avô Manel. Espreitava, de vez em quando, com todo o cuidado, o ninho e contava os ovos. Suspeitassem os pais melros que o ninho era mexido e logo os ovos eram abandonados.
Devia ter pouco mais de seis anos quando começou a armar o visgo, uma espécie de argamassa que imobilizada os pássaros sem os magoar. Se tivesse o azar de apanhar um melro menos esperto, soltava-o. Tinha esperança de apanhar aves valiosas como pintassilgos ou pintaroxos. Foi assim que fez os primeiros cobres para umas botas que vira numa montra na cidade. Tinha conseguido apanhar dois ou três, e vendera-os ao Lopes, que queria dá-los ao homem da Câmara em troca de uns favores. Tinha ouvido dizer.
Um dia, guardou um para si, comprou una gaiola bonita na feira de Maio. Perdia-se em  tardes de muito calor, a contemplar, deitado no feno do palheiro, o pássaro na sua gaiola metalizada; adormecia enternecido com o canto. Havia reserva de alpista e a água era fundamental. Tinha privado o animal da sua liberdade, não o privaria do que lhe mantinha a vida.
Passaram-se dois Verões.
Começava a haver rumores de uma guerra iminente. Possivelmente iria ser chamado a prestar serviço. Conversava com o seu pintassilgo sobre isso, do medo de poder ir para a guerra. O pássaro contemplava - o atentamente, como se partilhasse a inquietude do dono. Ficava inerte no seu poleiro quando via as lágrimas do seu dono caírem. Punha o bico fora das grades como se o quisesse consolar, quando o dono punha o dedo junto às grades.
E o dia temido chegou. Iria para a guerra. Quem tornaria conta do seu pintassilgo, falar-lhe-ia docemente e adormecia ao sabor do seu canto?
O dono despediu-se do seu pintassilgo e partiu. O pintassilgo silenciou o seu canto, como se de luto estivesse. Como se tivesse prometido somente voltar a cantar quando o seu dono regressasse.
Quando a morte bateu à porta, anunciando que levara o dono, numa guerra sem sentido, o pintassilgo pareceu ouvir a notícia e cantou uma melodia fúnebre que nunca ninguém ouvira um pássaro cantar. E uma lágrima brotou dos olhos de um pintassilgo. A sua alma de pássaro sofria o desgosto da perda do seu dono. custara-lhe mais a perda do seu dono que a perda da sua liberdade.

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Este foi um exercício de escrita criativa, a propósito de um desafio lançado neste post, do blogue da Andreia Morais.
A palavra do mês de Junho é PÁSSARO.
O texto foi escrito quase, quase no fim do prazo, mas o prometido é devido. 😁

Participações anteriores:




sábado, 29 de junho de 2019

Vou, o porquê de ir, e não sei se será para durar

Já escrevi sobre tanta coisa, sobre o que sentia, sobre o que achava que ia ser, o que iria prevalecer no futuro, aquilo do agora vai ser assim, assado e cozido... E depois foi tudo menos isso.
O que tenho em mente pode ser mais uma mentira que vou usar para me ludibriar. Mas por agora que assim seja. Talvez venha a tornar-se uma conversa de chacha. Ou não...
Talvez ande à procura da minha felicidade nos outros. Ela pode até existir mas é tão pouco duradoura. Talvez porque ainda não descobri uma forma de a encontrar dentro de mim. Não se é feliz a todo o instante, mas projectar nos outros a nossa felicidade pode ser um jogo perigoso.
Há dois ou três dias percebi que a loucura me andava a querer devorar. Os níveis de ansiedade voltaram a uma escala que já muito não sentia. Mesmo que aqui e ali existisse um ponte de suporte para amenizar a questão. 
Custa-me pensar no que vai ser o jantar, o número de pães que compro, nos prazos das contas que tenho para pagar.  Até ninharias que podiam decidido, não querem. Basicamente tenho que pensar em tudo. Já tudo me cansa e deixa frustrada. Pensar em tudo para toda a gente é cansativo. Muito. 

Estou envolvida em tanta coisa, é certo. Mas quando me meti nelas foi para me divertir. Foi mesmo a pensar na diversão e na superação de medos. Não foi para ter um peso sobre os ombros igual ao que tenho no trabalho. A responsabilidade. Tudo se resume a esta palavra.
Porque as pessoas sabem sempre que podem contar. Que nunca lhes falho. Que não sou capaz de dizer que vou e depois não ir. Que me pedem para fazer, e eu depois não fazer. Dou a minha palavra quando me pedem ajuda e não volto atrás. Isto permite aos outros demitirem se da sua responsabilidade. E fazem-no com uma habilidade sagaz.
Ela faz, porque ela é que sabe fazer. Nós ajudamos. Mas ela faz. E no fim lá fico a fazer, sozinha, porque não consigo voltar com a palavra atrás. E os outros acham-se no direito de faltar. Sabem das garantias. 
O que devia ser una diversão, tornou-se uma responsabilidade, uma preocupação. O que devia deixar-me mais leve, tornou-se um peso. 
Não está a ser fácil gerir esta má energia. Sinto isso. E não estou a ser feliz com todas as coisas a passarem por mim. Gostaria que tomassem para si a responsabilidade que lhes cabe.
A minha cabeça anda cansada por falta de diversão. A minha parte emocional está sobrecarregada com tomada de decisões... 

Hoje, resolvi inscrever-me num ginásio. Fi-lo para tentar arranjar um escape a esta energia venenosa. Não o fiz para dizer que vou malhar pro ginásio. E para ser sincera, aquele ambiente intimida-me... Mas, resolvi que não posso deixar-me andar. Não tarda, tenho de comprar uma série de consultas na psicoterapeuta, que me custam, cada uma, tanto como uma mensalidade no ginásio. 
A miúda que me recebeu, cheia de entusiasmo, fez com que tudo parecesse fácil. Não é. 
Disse-lhe ao que ia. Que o meu objectivo principal era divertir-me, não arranjar mais outra coisa para ficar sob pressão, para ser analisada pelos resultados. Quase me saltaram as lágrimas ao dizer-lhe isto. Tive que ser sincera. No dia em que ir ao ginásio fosse uma questão de responsabilidade, de chegar a um patamar, eu desistiria. Ela arranjou-me logo um PT, para a questão da desmotivação. Na segunda quer-me lá. 

Vou tentar começar devagar esta desintoxicação. Por ter o cortisol nos píncaros. Vamos ver como vai ser a minha vida, neste aspecto, os próximos dois meses. 
Um passo de cada vez... À procura da felicidade. Ou de mais uma coisa para me torturar... 

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Seis meses

Há seis meses, por esta hora ainda não tinha saído da sala de operações. Desde as 15h que estava de robe e chinelos à espera. 
A cirurgia demorou bem mais do que o que estava pensado, além de que se levantou a suspeita de tumor, que não se veio a confirmar. O problema foi ter o nariz pequeno demais para tanta manobra que o otorrino tinha que fazer. Queixou-se depois. [eu prefiro ter nariz pequeno a uma narigueta de metro, típica na família paterna). 
Foi a melhor decisão que tomei em muitos anos e continuo sem me arrepender. 
Eu queria ir para a mesa de cirurgia sem contar nada a ninguém. Não havia necessidade de preocupar fosse quem fosse. Fui obrigada a contar aos meus pais, mas fi-lo já em cima do acontecimento. Avisei o chefe que ia ficar de baixa e tive de lhe explicar porquê. Ele foi um dos que me acompanhou o pós operatório, sempre preocupado. Não posso dizer mal...
Com ordens expressas do médico  a impedir-me de ir trabalhar - porque segundo eu, estava porreirinha  três dias depois - acabei por ficar três semanas de baixa... E este blogue voltou à vida. E eu também...
Com dois meses de acompanhamento pós operatório, o médico ria quando eu lhe respondia à pergunta: então como vai isso? Eu dizia-lhe: estou em fase de deslumbramento. Ficou triste, quando una das últimas vezes já não lhe respondi assim. Quando começava a ter dúvidas, que a narina não "colasse" . Valeu me a sua teimosia e persistência. E as nossas conversas também... 
Já não estou nessa fase, mas continuo francamente surpreendida o quanto a operacionalidade do nariz pode fazer muita diferença. 
Agora gosto ainda mais do meu perfume. Sinto-o na perfeição. Ou outros cheiros agradáveis, eu nem sequer imaginava que eram tão surpreendentes. Depois os maus cheiros que se dispensavam, mas o de esturro pelo menos evita algum incêndio.
Passei a respirar bem pelo nariz e nunca mais me deu aquele cansaço exagerado que me fazia adormecer em todo o lado. 
Um nariz arranjado, a somar a outras coisas, estimulou-me a viver mais intensamente, a tomar decisões mais espontâneas, a arriscar mais.

Podem perguntar-me, o que tem o nariz a ver com decisões? No meu caso tem tudo a ver: foi um abre olhos! Tanto tempo para decidir o que me faria vir a ter melhor qualidade de vida... Perco tanto tempo a decidir coisas, só por ter medo que algo corra mal. No caso do nariz, antes tinha corrido. Tinha medo de correr riscos novamente. Ainda bem que decidi. Se calhar tinha que ser aquele momento e não outro qualquer, com aquele médico e não um outro.
A vida deu uma grande volta. E não teve mais retrocesso em muita coisa. E este blogue ressuscitou graças às semanas de baixa e ao meu entusiasmo. Agora não sei se isto não vai parar. às vezes, mais vale... 

Das antigas...




Sempre que o vento te ralhe
E a chuva de maio te molhe
Sempre que o teu barco encalhe
E a vida passe e nao te olhe

Porque sou o cavaleiro andante
Que o teu velho medo inventou
Podes vir chorar no meu peito
Pois sabes sempre onde estou


um fardo. um peso. uma preocupação


Não sei porque não falas quando não andas bem... guardas tudo aí e as pessoas nem sabem o que te vai na cabeça nem na alma... - dizem-me.


Se as pessoas entendessem que temo ser um fado, um peso, uma preocupação para os outros, nem haveria lugar para esta pergunta.


Não quero sentir-me a mais. estar num estado mais ansioso só acrescenta chatices aos outros. acho eu. 

[e a minha vida nem para a coscuvilhice serve.]

Decepção e agradecimento

As pessoas que melhor nos conhecem, sabem muito como somos e agimos, quando estamos um pouco abaixo da nossa performance habitual, surpreendentemente ignoram a nossa escuridão - quando nunca, mas nunca somos alheios à sua - e empurram-nos para um lugar de onde queremos fugir. Que teimamos internamente não querer ir.
No trabalho, já tinha acusado o toque, de umas quantas abordagens. Nada legítimas e sem sentido nenhum. Apenas implicativas. De alguém a quem nunca recuso ajuda, mesmo estando atafulhada de trabalho. A quem nunca nego um bocadinho do meu tempo para a escutar, para lhe ouvir os problemas pessoais. Ontem remeti-me ao silêncio. Achei melhor não mandar a pessoa lixar-se com f [para não escrever o vernáculo correspondente].

Esse endeusamento que fazem de mim, não permite aos outros ver que tenho falhas,  momentos menos bons. Que, às vezes, são mais do que momentos; são períodos um pouco mais longos. Porque estou num buraco um pouco mais fundo do que o costume. Em muitas das minhas capacidades, deixam-me sem margem para falhas. para dias menos inspirados e mais alheados. Obviamente que ando a  pesar muita coisa na minha vida, e não me agradam algumas das que tenho visto. Isso não me deixa nada satisfeita. Ando a procurar a melhor solução para as melhorar. Luto sozinha, porque nem sempre me é fácil falar com os que me rodeiam. tenho muitas conversas dentro da minha cabeça, à procura de soluções.

Às vezes, não é junto dos que melhor me conhecem, que me permito soltar amarras ao que sinto. Julgam e condenam, e para isso não preciso delas. Basto-me eu. Às vezes nem preciso de falar muito, de contar tudo, basta-me soltar as lágrimas que apertei com força dentro dos olhos, todo o dia. libertar um pouco a agonia que sinto.

Sinto que ninguém tem obrigação de me ouvir, de me aturar os desabafos, quando têm os seus próprios problemas e os que lhe são próximos para ouvir [e aturar]. Por isso me tento desdobrar em agradecimentos sentidos e envergonhados. Aos que mesmo longe, me obrigam a não perder a linha do horizonte de vista. Obrigada.
[isto demora um bocadinho, mas vai lá; vai melhorar!]

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Entre graçolas, lágrimas e seriedade

Sei que nos últimos meses, a quem tem lido o que por aqui se escreve, tenho parecido alegre e bem disposta.  E tenho estado. e feliz a maior parte do tempo. Assumo que também  tenho dias menos bons, que não interessam a ninguém. Escrever continua a ser a minha forma de reacção aos estados de alma que vou tendo. tanto escrevo sob a  tristeza que quer cá morar. Da mesma forma que escrevo do meu lado solar... 

Sempre, desde que me conheço por gente, que tenho fases mais depressivas de ansiedade extrema, de crítica rigorosa ao que faço e ao que sou. São fases ruins, auto-destrutivas. Que continuam a existir menos vezes, mas ainda demasiadas. Que têm uma mão demasiado pesada, para me dar um tabefe e levar-me ao chão. Não me perdoo com facilidade. Ignoro que devo ter complacência sobre mim mesma. Sou a pior juíza de mim própria.

Na altura da adolescência, eu era tão implacável comigo, que cheguei a ponderar tornar-me freira, uma Carmelita desçalca, despojada de coisas mundanas e com vontade de morrer para o mundo. Nada tinha a ver com fé. Pensava eu, que se me isolasse do mundo, teria menos acções minhas para julgar. Não poria tudo debaixo de um microscópio ultra-potente. Quem morre para o mundo, que interacções tem? Pareceu-me uma solução fantástica. Uma fuga.
Andei com a ideia na cabeça uns bons tempos - todos se riem quando conto isto. Hoje recuso-me pensar nela dessa forma tão restrita. Os pecados da vida são argumentos demasiado válidos, convincentes e saborosos para não me arrepender de uma vida "civil". 

Estou outra vez numa fase dessas, de me olhar à lupa, de me assinalar erros, de não me perdoar. De achar que fiz tudo errado para trás e estou a ter o retorno... Por isso só quero ficar quieta no meu canto. 
Houve conversa ontem no baptizado que despoletou isto. 

Há dias que tenho vontade de pegar na ideia de isolamento completo. De morrer para o mundo. De me encontrar com a criança que fui e dar-lhe um abraço. Para deixar de ser má comigo própria e mostrar que não tenho nada que me deva envergonhar. Que há coisas de que não somos culpados. Simplesmente acontecem. E não só a nós.

Isto vai passar. Passa sempre. Depois de silenciar alguns conflitos na minha cabeça. 

domingo, 23 de junho de 2019

Obrigadinha, S. Pedro!

Esta é uma daquelas manhãs de domingo que, com o ping ping forte da chuva, apetecia mesmo ficar enroscadinha na cama, sem pensar em nada, nem fazer nenhum, ou quase...
Só que não!
Vamos lá a baptizar a criancinha, com todas as operações logísticas a que isso obriga. Ainda por cima,  só conheço os pais e pouco mais. Estou tão animada! (não, não estou; acordei como o tempo) e com muita sorte e uma certa teimosia que mantenho, hei-de escapar a parecer um pintinho todo molhado, em roupa completamente estival. 

Há dias que dispensava ter vida social. Baptizados e casamentos, eram mesmo facilmente dispensáveis. 

Como diz alguém que eu conheço: cada um tem o que merece. Não é bem assim, mas voto-me à resignação. 

sábado, 22 de junho de 2019

As árvores morrem de pé

Adoro ameixas. Não umas quaisquer. Umas em específico.
A minha mãe que sabe isso desde sempre, há uns tempos, plantou uma ameixoeira no meu quintal. Aliás, tirando uma nogueira e uma laranjeira que, se não são seculares, devem estar perto, as restantes árvores foram plantadas por ela.  Poda-as o meu pai, que percebe do assunto - terá aprendido com o meu avô. Que por sua vez, podou árvores para as gentes da aldeia, até quase aos oitenta, quando foi diagnosticada a doença renal.
Bom, dizia eu, antes de me pôr com as coisas da poda, que não percebo nada, que mora no quintal uma ameixoeira.
Esta zona do país está agora mais susceptível de levar com tempestades por causa dos incêndios, das dunas desprotegidas. Notamos muito mais a força do vento, e há quem diga que se ouve nitidamente o marulhar do mar em dias de tempestade. Este inverno, uma daquelas tempestades com nome, a Helena talvez, derrubou o damasqueiro, pelo tronco junto ao solo. A tempestade seguinte deu cabo do diospireiro. Francamente, já não sei bem qual foi primeiro. A ameixoeira foi atingida gravemente. Quase que ia sendo levada pelo vendaval. Lá foi escorada, e o tronco ficou mais erecto. Apesar da adversidade,  sendo tão novinha, lá deu flores, que deram lugar aos frutos. Se não tiver cuidado, os pardais são capazes de os debicar todos.  Hoje foi dia de colheita. Não são muitas mas  ainda ficaram bastantes na árvore. São deliciosas. 
Apesar de ter sido fustigada pela tempestade, a árvore cumpriu o ciclo. Nem todos os seres conseguem continuar depois de uma tempestade...


Cenas de gaja - ou deixar de escrever coisas sérias

Quando me passam um convite de casamento ou de baptizado, penso logo na cena de ter que ir "toda pipi". E normalmente começa o meu stress, por causa da roupa, já que tento de escapar aos vulgares jeans ou, infelizmente, aos vestidos pretos pouco adequados a cerimónias destas, mas que eu daria preferência se pudesse. 
Este ano, tenho dois baptizados e um casamento, e ainda o ano vai a meio. Vale-me que, nas três cerimónias os convidados não são os mesmos e no ano passado investi em três vestidos que fizeram um sucesso tremendo (as pessoas não estavam habituadas a ver-me nesse registo mais fora do comum), mesmo eu tentando passar despercebida. 
Portanto, a cena da roupa, por agora, parece resolvida. Desta vez sem stress nenhum. 
Vou voltar a usar um vestido azul com bolinhas, muito pin up, e os meus famosos sapatos vermelhos. Sei que o S. Pedro promete fazer birra amanhã, mas acho que vou manter s ombros descobertos, faça chuva ou faça sol. O tempo está ameno...
Desta vez resolvi comprar uns brincos mais vistosos do que os que usei antes, e fora dos meus gostos habituais. E ainda ando a pensar se não ponho uma pulseira no pé, enquanto não me decido quanto à tatuagem. Se calhar é exagerado. Nem sei que faça. 
Claro que sou sempre apologista do menos é mais. Mas confesso que me anda a apetecer "sair da casca" e pensar em algo bem arrojado. Maquilhagem soft e aposta nos acessórios menos subtis. 




sexta-feira, 21 de junho de 2019

Cócegas no cérebro


Ultimamente tenho feito uma retrospectiva daquilo que eu era há dez anos e sou agora. 

Apesar das pessoas ainda salientarem a minha energia fora do comum, assumo que perdi grande parte dela, da que me fazia mover mundos e fundos.
Faço muitos quilómetros, saio cedo e entro tarde em casa, estou envolvida em algumas coisas, mas francamente reconheço que não me sinto estimulada para estar de corpo e alma envolvida na maior parte das situações. 
Ser muito boa no trabalho, não me obriga a provar nada a ninguém. Não estou à sombra da bananeira, mas assumo que já não é nenhum desafio o que faço. Nas outras coisas que estou envolvida, vou perdendo a motivação porque sinto que ando a remar contra a maré.
Gosto de desafios que me estimulem a criatividade, a vontade de me mover por causas que sei que terão bons resultados. 
Não me sinto cerebralmente estimulada, porque acho que as pessoas estão sempre à esperada que eu tenha uma atitude de liderança. Que não me apetece ter.

Quando há dois anos organizei um evento, fiz parceria com alguém que me estimulava a criatividade. Nenhum dos dois sobrepunha a sua vontade à do outro, e éramos muito bons a estimular o lado criativo um do outro. Fizemos uma boa parceria. Tenho saudades disso nos projectos onde estou envolvida agora.

A escrita aqui, renasceu de um estímulo, que depois deu lugar a outro, e outro, e outro. Tenho-me sentido viva, mesmo que tudo em meu redor esteja um pouco caótico.  Contudo tenho a noção que, havendo falta de estímulos, tudo acabará por serenar. Aqui e em todas as partes do meu Eu.

Trabalho a mil se sentir que há retorno, quanto mais não seja o facto de me sentir feliz.  Se não houver algo a estimular me o cérebro, cedo facilmente à apatia. E esse lugar, também não é sítio  para estar. já lá estive muito tempo, e sei as mazelas que deixa.

Preciso de gente e causas que me façam cócegas no cérebro. e eu admito que tenho também que evoluir, que dadas as circunstâncias, parei no tempo, por falta de viver coisas novas e diferentes. Comecei recentemente a perceber que sempre fui demasiado dada ao autocontrole e à liderança, mas têm sido raras as pessoas que me estimulam para que eu mande o controle para o espaço. e quebrar o hábito não é fácil. assumo. quanto à liderança, nas coisas que me sinto às cegas, tenho medo de por o pé em ramo verde. de  exagerar ou de não me saber comportar. Às vezes é mais fácil as pessoas tomarem as rédeas da coisa e eu ir atrás...sem pensar muito. sentir apenas. deixar-me ir. largar as mãos do guiador e os pés dos pedais… e ir ribanceira abaixo...

Estímulos

É sempre bom quando estou com a M. porque ambas falamos sobre tudo e um par de botas, sem tabus. nem preconceitos. A conversa tem sempre um cariz muito pessoal; portanto em três horas juntas, nunca nos aborrecemos [acho eu], por falta de assunto. e no fim, saio como nova, quer de espírito, quer de corpo.
Enquanto mudava a unhas de azul para vermelho vivo, conversávamos sobre o facto de as pessoas que são líderes por natureza, habituados a demonstrá-lo profissionalmente,  em casa preferem ser liderados a serem líderes.

Ah, o que fazemos para o jantar? Não sei, decide tu! O que hei-de vestir? O que hei-de calçar? Onde vamos de férias? quando vamos de férias? etc.

Perguntamo-nos como pode aquela pessoa ser um líder, se limita a decisão do casal ao outro.

Para quem sabe que o outro é alguém com o poder de mover pessoas, perante estas respostas, sente-se confrontado a ter de tomar decisões quase unilaterais. e é frustrante, porque também desempenha o seu papel de líder, fora de casa e necessita de ser liderado na relação.
Embora ambos tomem decisões em conjunto, há sempre um que delega para  outro a decisão final. e isto pode ser muito pouco estimulante, para quem tem sempre de estar a assumir a responsabilidade na decisão. 

Não digo que isto mate sempre as relações, mas também não as deixa de boa saúde… o cansaço de tomar conta do outro - que lá fora toma conta de muitos, é bem sucedido, bastante admirado- pode trazer um desgaste brutal.

Às vezes as relações precisam de saltos de pontes. Precisam de estímulos que nem sempre conseguem ser vistos pelo outro. Às vezes, o outro precisa ser sacudido - ter a real noção que algo não está bem - para alguma coisa mudar. Ou talvez não… e aí entram outras coisas.

terça-feira, 18 de junho de 2019

da manhã. da tarde. de hoje.

estava mortinha para estar por aqui sozinha. sem telefones nem conversas paralelas. descalçar os sapatos de salto alto e ligar a música num tom baixinho e trabalhar. confesso que não me sinto bem em lugar nenhum. apetece-me  estar a um canto. encolhida. há vários dias que ando trabalhar ao ralenti.
tenho feito por reagir a uma espécie de apatia. não sei se é deste tempo molesto. se é de mim. das exigências que faço a mim mesma nas coisas onde me envolvo. [e só a minha mãe para achar que anda por aqui mal de inveja porque pressente que não ando bem, mesmo eu dizendo que estou bem].
não tenho sido boa companhia para ninguém. mas tenho-me esforçado. às vezes era só preciso mimo, julgo eu. e isto havia de ir ao sitio. porque o mimo também acalma o que nos mói. mas não sou de pedir colinho a ninguém. vai passar. passa sempre. 




[Kodaline, All I Want]

Pôr-me a nu. eu sou tão isto...


há coisas que nunca me dediquei muito tempo a pensar. Ou melhor, terei pensado nelas há muito, muito tempo. e decidi que seria sempre assim. que nunca mais me iriam magoar. ou não iriam conseguir constatar que o tinham feito. que eu nunca deixaria que me lessem qualquer sofrimento.
Decisão válida para o amor, e para a Vida em geral. Para tudo.

Na altura, a forma como decidi que tinha de ser pareceu-me a mais acertada. Criei um hábito. mas há-os nefastos, e hoje – só hoje!  naqueles momentos de reflexão, que tenho todas as manhãs, enquanto deixo a  água correr - percebi que talvez devesse, também há muito tempo, ter mudado o hábito.
Ou talvez devesse ter sido ajudada a mudá-lo, por me dizerem que não teria razão para o manter. ou ainda, nunca ninguém deu conta que eu fazia isto. Aliás, as pessoas acham que estou sempre de bem com a vida, de sorriso permanente nos lábios, com o ar mais brincalhão do mundo… [e às vezes, engano-as tão bem…]

Para uns a melhor defesa é o ataque.  Para mim e, há muito tempo atrás, a melhor defesa era aquela que não permitia que me atingissem de surpresa. Era antecipar-me ao soco que podia vir. Como se estivesse sempre com a táctica de auto-destruição preparada. Fosse quem fosse o adversário.
chamem-lhe sofrimento por antecipação. chamem-lhe parvoíce. chamem-me estúpida. se calhar, mereço.

Hoje, passados tantos anos, continuo a fazê-lo instintivamente. talvez seja mesmo velha de pensamento, acomodada ou simplesmente pouco inteligente ( e esperta menos ainda).

ou somente a forma como me atingem me faça um rombo tão grande na alma que, a acontecer, ao menos, seja eu a decidir o diâmetro e profundidade da ferida. Prefiro ser eu a dar-me por derrotada, antes que os outros lá cheguem, e me ponham abaixo, por algo que eu sempre soube ser.

se calhar é por isso que me resigno a não lutar com unhas e dentes. Porque aceito tudo tal e qual como é. que não posso mudar nada, talvez porque acho as minhas armas mais fracas que as dos outros. porque dou um murro em mim própria, antes que venha alguém e o faça primeiro. Assim, fico fora de jogo logo no primeiro round. e a dor fui eu que a controlei.

e hoje lembrei-me do exemplo do passado mais nítido que tenho. Porque os há muito recentes também.

há muitos anos namorei com um rapaz na escola secundária. quando as coisas deixaram de funcionar – porque não sei bem qual de nós era o mais complicado – acabámos. lá no fundo, havia a esperança [que eu tentava em vão matar] que um dia, tudo voltaria a ser como dantes. Porque continuávamos próximos. demasiado. no ano seguinte, veio uma miúda nova, para a nossa turma. percebi que ela se interessava por ele. achava que ela devia ser mais o “estilo “ dele que eu. [acho que ela se interessava por algo que mexesse, mas enfim…]. ela era muito melhor que eu, pensei logo eu. sabia o que ia acontecer, e o quanto que me ia custar vê-los juntos. antecipei-me. e precipitei o ajuntamento, já que lhe dei a conhecer a ele, as intenções dela e o incitei a avançar. e matei a esperança de uma coisa que eu sabia que nunca mais voltaria a existir entre nós. 

Lembro-me de fazer isto há tanto, tanto tempo… não ir à luta. não mais do que aquilo que eu acho que as minhas armas dão. que eu acho sempre muito mais fracas do que as que apresentam as causas que tenho que enfrentar.

Não sou uma lutadora. Nem esperta. Nem inteligente. se o fosse, talvez nunca admitiria isto tudo. Poria as garras de fora e esgravataria meio mundo para ter o que queria. mas estou sempre a resguardar-me da perda que ainda não foi, mas eu, cheia de certezas, já julgo que vai ser.

e se o resultado desta reflexão é ter alguém a chamar-me nomes, escuse-se a isso. Já tratei disso antes.






segunda-feira, 17 de junho de 2019

Black



de vez em quando, a luz também se apaga

a noite muda tudo. o sono intermitente. o que me parece claro, virou escuro. o que era escuro, assim continua. de repente, todas as certezas se esvaíram. e de repente, há tanta questão por responder a mim própria. Que nunca levantei durante os últimos tempos, que não quis saber. se fosse contra paredes, levantar-me-ia. até ao dia que aquilo que mais resguardei, ficou a descoberto, e corro o risco de sucumbir. ao que eu achava impossível. pelo mais óbvio. e eu sou a única responsável por isso. achei-me imune a coisas mais profundas. como pude deixar que chegasse tão de mansinho, tão suavemente, como se grudou assim a mim, sem que fizesse conta? e agora?

eu não sei pedir ajuda; contar como me sinto. não sei como se faz... sempre me desenvencilhei sozinha. As lágrimas que resultam das conversas internas entre o meu cérebro e o meu coração apaziguam-me as dores. depois de secas, servem de alavanca para mais umas voltas no carrossel da vida. somos sempre só nós, eu e as minhas lágrimas. onde ninguém nos veja nem pressinta.

e se calhar, é aqui que está toda a raíz do problema. A fragilidade que nunca deixo transparecer. Porque para os outros sou uma fortaleza. Onde se apoiam, descansam e seguem caminho. A pessoa que não diz que não, que faz das tripas coração. que se cansa mas parece não vergar. A que consegue apontar aos outros os caminhos que podem escolher. as opções que eu nunca consigo ver para mim.

Talvez eu afinal só saiba ser isso, uma entidade imóvel, de suporte. talvez seja essa a minha estrutura. ficar quieta. mesmo com toda a intensidade aprisionada cá dentro.

não gosto de ser isto, mas pareço retornar ao hábito de ficar imóvel, porque julgo que é sempre melhor optar pelo mais fácil. Em lugar de travar lutas e vencer dragões.





domingo, 16 de junho de 2019

isto tem nome

Esta é normalmente a fase mais solitária do meu ano; deste ano,  será certamente, porque até agora tem sido agitado. já devia estar habituada a esta desaceleração, mas nunca me habituarei.
Não ando triste, nem sequer é nostalgia. Porque tudo o que passou está passado. não posso trazer pessoas à minha vida, pois por alguma razão tinham de fazer parte do passado. Vale o presente. Gosto das coisas e pessoas do meu presente [gosto muito], e vou sentir falta se deixarem de fazer parte dele. Mas a vida é mesmo assim, não podemos prender nada nem ninguém, porque tudo tem o seu curso e o que tiver de ser, será. Podemos entregar a chave da nossa vida e dizer, se quiseres ficar, fica! Se a felicidade está em deixar partir, saibamos dizer: se não estás bem aqui, parte,  vai ser feliz.

Gosto desta serenidade do meu coração, que recentemente redescobriu a saudade. Percebo esta quietude da alma que, por agora, não vive em ânsias de viver tudo; vive antes com o pouco que tem e que lhe parece tão bem e tão pouco e estranhamente simples. Aprendeu a aceitar. talvez por isso me apeteça estar tão sossegada, como se o tempo gotejasse lentamente, para permitir ao meu pensamento vaguear sabe-se lá por que lugares e mundos. não quero estar em nenhum dos meus lugares comuns. mas sei que também não posso fugir deles. Assumo que corro poucos riscos para permitir essa fuga. porque tenho sido uma boa aprendiz da vida. dos tempos em que resolvi pisar o risco. Por isso também não acelero nada, nem refreio o que vem. Sabe Deus, ou o Demónio, que dilemas vive o meu cérebro, o quanto estrangula o meu lado caótico da personalidade. 

se um dia eu voltar a fugir do meu mundo ligado à terra, o meu coração já se perdeu por completo (agora ainda tem algum tino), e vai ser viver entre o céu e o inferno. e isso tem tanto de bom como de mau. mas desta vez eu não sei que tipo de sobrevivente serei. porque já conheço os males de que padecerei ou o bem que viverei. desconheço a intensidade. 




pior a emenda que o soneto

Hoje foi uma manhã pouco rentável, tal como o dia de ontem. A única coisa mais ou menos válida que fiz ontem foi ir à cabeleireira e preparar cartazes dos bailes para a associação. Portanto, o meu nível de produtividade anda um pouco pelas ruas da amargura.
tenho coisas para fazer. só que não. não me apetece. só quero estar sossegadinha, sem fazer nada. A procrastinar, basicamente. Como ando metida em tanta actividade, fora o rodopio que é o trabalho, acho que, ao fim-de-semana, o corpo pede hibernação. Acho que também me tem apetecido mais aconchegar-me e sonhar de olhos abertos, talvez...

E eu, como nem tenho sarna nenhuma para me coçar, prometi à minha cunhada, que fazia umas experiências - que se aprovarem implica mais trabalho para mim - para os presentes do baptizado do meu sobrinho, para Setembro. Ela já me falou nisso várias vezes esta semana. Logo vou jantar aos meus pais, onde ela também estará presente. 
Achei que não devia adiar mais [já começo a envergonhar-me], e esta tarde fiz umas quantas tentativas de ter algo de jeito para lhe apresentar. Mas há dias que tenho dois pés e duas mãos esquerdas e nada parece resultar bem. 

Tenho umas quantas variantes para lhe mostrar. Se ela quiser levar isto avante, vou ter que estar em dia bom para cortar e coser tecido, que não foi o caso de hoje. cortei tudo torto, cosi mais torto ainda...
Se já estava frustrada pela manhã, o projecto acabou por me deixar mais stressada, quando o habitual é acontecer o contrário. não achava nenhum tecido adequado, o moldes também não, enfim...andei cheia de nove horas a tentar fazer algo. tenho a sala da costura completamente virada do avesso. e ainda tenho que a arrumar. [e não me apetece…]

Acho que foi tempo deitado fora. Não gosto de nada e nada me parece bem. Sei que sou extremamente exigente, mas desta vez tenho razão para me sentir aquém das expectativas.
Há dias maus para por a criatividade em prática. hoje foi um deles. não sei se não é melhor dizer-lhe que ainda não comecei...mas deve ser pior a emenda que o soneto.

[e continua a ser incontornável o meu gosto por polkadots. mas isso sou eu...]






sábado, 15 de junho de 2019

Políticas acertadas (acho eu)

Conheço alguns homens com uma política muito rígida quanto aos locais de trabalho.
Se todos a seguissem, haveria muito menos confusão...

Não comas carne do sítio onde ganhas o pão. 

sexta-feira, 14 de junho de 2019

para fechar a semana e este assunto...

Se há coisa que faz complicação à minha cabeça é eu fazer uma má avaliação acerca do carácter de alguém. Que a pessoa não seja de bom carácter, o meu comportamento é simples: Adeus, passe muito bem!, e já está.

Costumo ser muitos perspicaz nisso das avaliações. Ou costumava. e começo a duvidar de mim nesse aspecto.

há uns tempos atrás conheci uma pessoa que, na minha perspectiva, me parecia de bom carácter, de bem, com a suas qualidades e os seus defeitos como toda a gente. talvez eu estivesse um pouco abalada e de vista toldada.

Confesso que tendo eu um feitio difícil, tentei de certa forma anular um pouco o vincado que tem, para dar espaço à outra pessoa. Fui muito branda, direi até submissa quando só o sei ser em poucas situações. Para que não houvesse colisões nos interesses. afinal, estávamos para o mesmo. devíamos dar-nos bem, ambas as partes sairiam beneficiadas. Fui sincera, verdadeira. A outra parte viu que eu o estava a ser. Fui muito preto no branco. Mas a parceria continuou, para ganho de ambas as partes, não posso negar.
Comecei a dar conta um pouco depois, do seu ar superior e controlador que me começou a fazer confusão. Achei que eu estava a ler mal esse tipo de carácter. Não! era impressão minha!, achava eu. Ele sempre lá estivera, eu é que estava de olhos fechados. porque assim o tinha decidido.
Depois detectei algumas invenções que aquela pessoa fazia sobre si própria, nem sei bem com que propósito. E parece continuar a fazê-lo, do que me vou apercebendo ao longe.

Nunca a achei capaz de me fazer mal, fosse qual fosse o desfecho da nossa relação, como veio a acontecer. Agora já não tenho tanta certeza disso. Porque houve necessidade de uma abordagem da minha parte recentemente e vi o desdém com que me tratou, como se a culpa de deixarmos de nos dar, fosse minha. eu sempre pus as cartas em cima da mesa. sem nada a esconder.

O pior [para mim] veio depois, quando percebi que o seu carácter ainda deixa mais a desejar do que eu pensava. Ao ponto de me apetecer dizer-lhe - não nos falamos - que é um logro. Que devia parar para pensar. que a pessoa a quem mais anda a enganar é a si mesma. As coisas que diz, o modo como se comporta é como se fosse a pessoa que todos desejam ter por perto. O pináculo da Criação. Quanta presunção. Que escolhe quem quer porque se considera num pedestal. Construiu uma personagem que deseja manter mas nada a beneficia.

tem atitudes para me atingir, por portas e travessas. está a tornar-se numa pessoa que acho execrável. gostaria de lhe desejar felicidades, mas tamanha é a minha decepção que espero que, as amizades ou até mesmo amores que tenha ou venha a ter, lhe façam ter a percepção que o caminho que escolheu não é o da felicidade, mas antes o da solidão. que as relações vão sempre terminar da mesma forma, sem que entenda o porquê.

tenho-me sentido em baixo, porque a pessoa que eu julgava existir, foi fruto de subtracções que fui fazendo, para não ver a pessoa pouco bonita que era.

Não lhe desejo mal nenhum; mas abra os olhos porque começa a ter menos hipóteses de evitar a solidão. Principalmente porque não é uma opção que tenha.


Quem diz a verdade...

Ligou-me a J., logo pela manhã, e perante o meu bom dia [apagado] pouco típico, disse-me: então o que é isso? para sexta-feira, estás com uma voz muito triste.
Na altura estava concentrada e o bom dia terá sido um pouco evasivo, talvez.
tem sido uma semana um bocado de altos e baixos, em termos de humor. Tem havido quem me consiga puxar o sorriso, a gargalhada, o riso de ir às lágrimas, como ainda aconteceu esta manhã. e logo eu, que me rio por qualquer coisa e um par de botas, não faço nenhum esforço em conter o riso... as rugas perto dos olhos são indícios do quanto o riso me é habitual. mas tem mérito quem me consegue pôr nesse estado alegre, nos meus dias menos bons ou, no extremo, em dias de melancolia.

estou sentada à secretária e não me apetece trabalhar. a vontade não vem. deve ter ficado em casa. mesmo depois de ter bebido sangria ao almoço, que não é habitual beber [e ajuda ao bom humor, ao meu , pelo menos]. e de ter rido mais um pouco. e de me terem oferecido a minha fruta favorita.

Hoje apetecia-me estar noutro lado. Aqui não.




quinta-feira, 13 de junho de 2019

Sei pouco da vida. Muito pouco.

Sei pouco da vida. Muito pouco. 
Há dias que continuo a achar que a ignorância é uma bênção. Outras vezes, nem tanto assim. às vezes, ignoro as coisas propositadamente porque dar-lhes importância é estar a perder tempo precioso para outros recursos bem mais úteis. 

Ao longo tempo - e, talvez, com um workshop de PNL, há uns tempos atrás - compreendi que, apesar do ditado dizer que água mole em pedra dura, tanto bate até que fura, há repetições que só nos cansam. São infrutíferas. Estarmos a insistir num determinado acto, vezes e vezes sem conta, não vai mudar o resultado. Principalmente se, do outro lado, a pessoa também insistir no seu erro.
Talvez, também por isso, se tenham acabado as chatices entre mim e a colega, sempre depois das minhas férias. Porque tinha que passar a pente fino toda a informação de todos os dias fora, para ainda salvar o que era possível. Eu, se na altura, não tivesse o nariz avariado, aposto que era capaz de lhe sentir o cheiro do medo. Mal eu lhe pedia uma explicação de algo suspeito, ela exaltava-se e não era bonito. deixei-me disso. se houver borrada, eu limpo; se não houver, tanto melhor. Cansa? Dantes era ainda pior. deixava-me mal.
e tenho mais exemplos. há discussões que não vale a pena ter, há evidências que não vale a pena mostrar… há outras que são situações  tão flagrantes, que a pessoa envolvida dá conta dela, se lamenta, mas também não muda.

Sem entrar em muitos detalhes, uma das funcionárias do bar da associação, prestes a entrar nos quarenta, está sozinha e garantidamente, não é porque queira. Quando bebe mais um bocadinho que a conta, em algum evento, chora que está sozinha, que não há quem a queira, blablabla, snif snif.  em situações normais - e sóbria - não é propriamente um doce de pessoa. É, aliás, bastante amarga e sarcástica. Nota-se que é mal amada, a uma distância considerável, tendo potencial gosto para  intriguice e maldizer. Será melosa se tiver interesse, mas o alvo usualmente tem aliança no dedo e mulher para lhe acertar o passo, se for preciso [e não era a primeira vez]. Gosta especialmente de espezinhar ou arranjar forma de o fazer, mesmo sem razão. basta que não goste da pessoa ou ache que se estão a meter em assuntos que ela sempre chamou como seus, não o sendo.
Agora no fim-de-semana, ouvia-a contar sobre um almoço em casa de uma amiga de quem estava a dizer mal. às páginas tantas, dizia ela que era pessoa de fazer inimizades facilmente [não! é lá agora isso?!]. Atirou mais duas ou três postas de pescada sobre si própria, fazendo o retrato real (nada encantador) de uma pessoa que tem a perfeita noção que sabe como é. Eu diria que, se ela fosse mais doce, menos agressiva na abordagem, se tirasse a armadura de os outros que se lixem [ler com f], talvez já tivesse deixado de se pendurar em gajos que já têm compromisso (mas estão desesperadinhos por algo que mexa e a estrear) e já tivesse quem lhe aquecesse os pés, mais do que nas noites frias.
 E volto à sabedoria popular, que diz que não é com vinagre que se apanham moscas. Talvez se ela mudasse a atitude em lugar de, há anos a fio a comportar-se da mesma maneira e levando negas. Se não insistisse em ser a mal amada que evidencia, talvez já tivesse a sua oportunidade no amor, fosse menos amarga e estivesse de bem com a vida. ela nem vida tem, chorando isso constantemente.

Toda a gente tem as suas fissuras psicológicas. Nem sempre é fácil baixar a guarda com os complexos que se têm, mas também não é mostrando o nosso lado pior que seduzimos. Não o devemos esconder, mas também não devemos engrandecê-lo. ele vai dar nas vistas, mais cedo ou mais tarde. 

Se os caminhos que já trilhámos para sermos felizes não surtiram efeito, então mudemos de caminho, de táctica, de forma se estar. sei lá! mudemos alguma coisa. sem variáveis, não se pode tirar outro resultado senão uma constante, a mesma frustração, a mesma infelicidade (a nossa e a dos que nos rodeiam). Não é espalhando a nossa infelicidade que encontraremos a felicidade. Acho eu. que sei pouco da vida. Muito pouco.

*Quando as minhas couves não casam com as tuas batatas 😊


Quando ontem disse que era simplista em muitas atitudes, baseava-me em assumir coisas de uma forma muito matemática. Do género um mais um são dois. e pronto. Ou como diz o ditado popular, o que não tem remédio, remediado está, e não se pensa mais no assunto. Mas esqueci-me que 1+1-2+2 não deixam de ser dois na mesma… Têm mais parcelas e eu, por vezes, só vejo as parcelas óbvias.

Ontem debatia com uma pessoa [chamemos-lhe C], a questão da paixão que possa existir quando duas pessoas aprofundam laços [estou a simplificar o debate]. Dizia-lhe eu que, quando a pessoa me diz que está apaixonada [ou eu estou apaixonada] e passado um tempo, não vê/vejo a sua paixão devolvida na medida que acha(o) justa, que aquilo não tem pernas para dar, que é mais o que nos separa que o que nos une,  diz-se adeus e cada um vai à sua vida, eu ainda tento uma coisa: ficarmos amigos. não acontecendo, deixo-a partir definitivamente. Custa-me ficar a mágoa, porque custa mesmo, mas se já não há retrocesso, tento estar em paz com aquilo que aconteceu e recordar os momentos mais bonitos. ainda vou lembrando, de tempo a tempo [o que acho normal], mas não passam de recordações bonitas que se sobrepõem ao que levou a cessar aquela relação. Se estou a romantizar? talvez. mas sou mesmo assim.

Para mim ficava por ali. lá está: um mais um são dois. fim. pronto. 
Eu a pensar: nenhum mais quer saber do outro, cada um toma conta da sua paixão, refreia-a, mitiga-a conforme pode. não há cá mais argumentos para reatar [depois de uma tentativa de amizade que não aconteça]. mas também não vejo motivos [para mim nunca os haverá] para infernizar a vida do outro ou andar a lavar roupa suja pela aldeia fora. Isto era a minha maneira de ver, até esta manhã. sim, porque ontem no debate sobre isto, não fiquei de todo convencida com os argumentos de C., quando me dizia que nem sempre o dizer adeus é o fim. Nem sempre um mais um são dois.

C. dizia-me : tu estás a ver as coisas sobre aquilo que pensas e não sobre aquilo que a outra pessoa sente e como lida com isso. estás a assumir que a pessoa pensa como tu, e não é verdade, na maior parte das vezes. Por isso, as pessoas cometem loucuras, perseguem, infernizam as outras. Um anjo pode tornar-se um demónio. Em que mundo vives? ou melhor, em que galáxia moras? numa a anos-luz da Via Láctea, de certeza! és um extra-terrestre, só pode.

A pessoa C. deve ter ficado a pensar que eu devia muito à inteligência. e se calhar, devo mesmo, e muito pouco à ingenuidade. Porque, mais do que o meu lado simplista, estava a ser ingénua. Hoje, ao pensar no assunto, reflecti que, quantas não são as relações que acabam, e depois uma das partes acaba por cometer atrocidades quanto ao outro, havendo homicídio, por vezes. Ou aquela história, não és minha/meu, não és de mais ninguém. Nunca me revi numa situação destas. e não compreendo a cegueira da paixão levar a posições extremadas. mas é certo que acontecem. os telejornais abrem com notícias dessas.

Ontem não pensei no lado mais negro que uma paixão se pode tornar. As pessoas podem tornar-se doentias ao verem a porta fechada, ao fim de uma paixão, a não correspondência do amor ou da paixão.
Dizia-me C. : é normal que a pessoa a quem feches a porta tente perceber se tens outra paixão, se anda alguém a tentar dar-te a volta. E a sua reacção pode ser passiva, como a tua. mas não podes contar que assim, seja. Percebeste? não vejas as coisas pelos teus olhos. abre-os e põe-te na posição do outro. que não só tu podes ser atingida, os que estão à tua volta podem viver também um inferno. 

Continuo a querer pensar que não desperto nem despertarei, em ninguém, nada que leve o outro a cometer loucuras. Às vezes consigo ver o lado negro das pessoas, mas quero pensar que não o usam comigo. porque não o mereço. porque a outra pessoa percebe que realmente as minhas couves não casavam com as suas batatas. Que foi melhor assim, que ambos tiremos lições. que tenha valido a pena o que de bom houve. Se o desejo de vingança existir, então a parte que o sente nunca será feliz nem fará feliz, ninguém, creio eu. Não se pode dar nada ninguém e depois pedir de volta.
Sim, volto a ser ingénua. mas nisto, quero pensar, que um mais um são dois. somente isso. Que a vida continua, que há lições aprendidas e bons momentos para sorrir. 

Mas sim, hoje vejo, que há quem não perceba da mesma forma que eu. e é pena. 

Se C. visse este post, diria: Irra, rapariga, demorou mas finalmente chegaste lá. olha que estava difícil.


* a frase não é minha. mas achei adequada para o texto.


quarta-feira, 12 de junho de 2019

da minha simplicidade e pragmatismo

Às vezes, o meu lado simplista e pragmático faz muita confusão às pessoas.

Ao ponto de acharem que eu desvalorizo tudo ou não dou a importância devida às coisas. Dou [sou toda ouvidos, cérebro e coração], mas como complicada já basta a vida, mas vale não complicar ainda mais...

terça-feira, 11 de junho de 2019

Pontaria

São raras as vezes que saio a horas do trabalho. Hoje foi um dos dias que saí cedo.

Para logo a seguir apanhar um acidente, que me vai fazer chegar a casa à mesma hora que se tivesse saído tarde. E ainda tenho que me encontrar com um cliente da empresa, para resolver um problema.

Estou há mais de meia hora especada no mesmo sitio. Entalada entre camiões.
E a paciência hoje é tão pouca... (pelo menos, o carro não está na reserva. Mas estou a levar com o sol nas trombas e uma velhota está a tentar furar a fila. Ai a esperteza...)

E, por fim, o pesado tombado e muita mini espalhada no chão...



segunda-feira, 10 de junho de 2019

Sair de cena quem não é de cena

Há alturas que devemos perceber quando estamos a mais, e retirarmo-nos com a dignidade que nos é possível. Sem orgulho ferido. Umas vezes para não ferir, outras para não ser ferido. 
Sabemos desde o início que esse dia pode acontecer. Nestas circunstâncias, sim. Noutras também, mas com menos probabilidades. Sair quando ainda nem tudo está perdido. Mesmo que já reste muito pouco. Porque quando gostamos não temos meias medidas.

Amanhã já não seremos nada. A nossa ausência tão pouco será notada.

Nós só fomos o que tínhamos de ser. Se poderíamos ser mais? Sem dúvida que sim. 
Mas quando decidimos ser mais, já alguém será muito mais com menos caminho percorrido. 

Umas vezes nós, outras vezes os outros. A sair de cena. 


Quando se passa do blogue para a vida real...

Confesso que tenho alguma renitencia quanto a isso. Sei de quem o faça de olhos totalmente fechados. Cada um é como é. 

Há uns anos, quando o blogue ainda era outro, conheci uma rapariga que morava perto da minha casa e trabalhava numa empresa cliente da empresa onde trabalho. 
Não foi nada difícil chegar a essa conclusão por mim própria. Ela não o dizia claramente, mas eu conhecendo bem as dicas dela, cheguei lá. 
Quando ela se apercebeu que eu sabia alguns dados, amedrontou-se, mas eu tranquilizei-a. Não tinha porque ter medo. [pensou que eu pudesse denuncia-la à entidade patronal por me relacionar bem com eles].
Conversa puxa conversa, acabamos por combinar um café num sitio conhecido de ambas. Conhecemos-nos. Ela desabafou o que tinha a desabafar. Voltamos às nossas vidas.
Uns dias mais tarde, começou a pedir-me dinheiro emprestado. Ou se podia ser fiadora dela. Assim do nada.
Achei aquilo um pouco surreal. Depois do não, surgiram uma série de argumentos para me obrigar a dizer que sim. Obviamente não o fiz. Apresentei lhe uma série de soluções de recurso. Não gosto de ser indelicada. 
Afastei-me. E nunca mais voltamos à conversa.
Há situações que nos levam a pensar muitas vezes, se vale a pena repetir, essa cena de encontros fora do blogue. Ou, pelo menos, a resguardar-nos de algumas situações. 

Além de que, a decepção que temos ou damos quando nos expomos na vida real, nem sempre será fácil de esconder. E há quem se arrependa de se expor, porque teme a avaliação. 

Mas a delicadeza deve sobrepor se a qualquer mau-estar. 

Eu disse não à rapariga, de uma forma delicada e educada. Ela só teve que aceitar. 

sábado, 8 de junho de 2019

Por dinheiro nenhum (II)

Já tinha escrito sobre o que não faria por dinheiro nenhum Aqui.
Lembrei-me de outra. 
Também não venderia o corpo por dinheiro nenhum. Fosse qual fosse a necessidade de dinheiro que tivesse ou alguma dívida para pagar.


No caminho para o trabalho, com o calor a começar a surgir mais habitualmente, começam a aparecer duas ou três miúdas, num ou dois sítios, à beira da estrada. 
A prestação de serviços recomeçou mais visivelmente esta semana. Continuo sem perceber o recurso a estas situações, a começar logo pelo ponto da higiene. O mais básico. Porque se formos discutir outros, tínhamos muito paninho para mangas.
Não vou discutir o que leva um ser humano a vender o corpo. Cada um terá as suas razões. Não interessa se são ou não justificação. Eu não compreendo mas também não julgo. 

Eu não o faria. Por dinheiro nenhum. Por pouco que seja o meu sentido de auto-preservação, estimo o meu corpo  suficiente, para não lhe por preço. Sem mas, nem meio mas. 

sexta-feira, 7 de junho de 2019

não me façam ter dó, por favor...


Andou p´ra aí toda a gente a falar no Ed...

Mas não é por isso que hoje por aqui passa.

Uma música dele ilustra um dos filmes mais românticos que vi. depois de ter lido o livro. Numa altura muito estranha [tenho umas, mais que outras]; nessa data, bateu mesmo fundo. Creio que até deva ter qualquer coisa escrita aqui no blogue sobre isso, mas não me apetece ir procurar.

Para quem gosta de um bom filme romântico fica a dica. Para quem ainda não viu o filme ou leu o livro. com ou sem companhia.  e uns lencinhos de papel, porque se forem como eu, é dilúvio pela certa. ;)


quinta-feira, 6 de junho de 2019

Está tudo trocado...

Sempre precisei de regras e de loucura. Porque me cansa a monotonia. Porque me mata a criatividade. Porque sou intensidade. Ora no mínimo, ora no máximo. 
Já tive somente regras e fui uma prisioneira. A loucura já morou cá por completo e eu fui uma negligente.

Agora, cheguei a um ponto que, na minha vida, existe loucura onde deviam haver regras. E no lugar de regras, existe loucura.

Nada parece estar no seu lugar. 
Só o coração. Ainda. 

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Hoje era o dia...

que precisava rir. ou somente sorrir. ou esboçar um sorriso.

para afugentar esta lágrima que esteve todo o dia ao canto do olho. a querer soltar-se.

finalmente caiu. uma... duas...

[sou tão imbecil, meu Deus...]

e dizem que sou tonta...



[via tumblr]

As nossas fragilidades nem sempre são compreendidas. Porque os outros acham que não têm razão de ser, que são infundadas. 
Às vezes, chamam-me carinhosamente tonta. sei bem o impacto do que sinto mas controlo a lágrima.
digam-nos as vezes que quiserem que estamos a ser tontos, enquanto não formos nós a sentir que as ultrapassámos, vamos andar a lutar com elas [as fragilidades].
Tenho muitas. já tive mais [toda a vida]. umas tenho ultrapassado [nos últimos meses], outras nem tanto.

é um tumulto interior viver à guerra com as nossas fragilidades. ainda mais quando sabemos que são elas que nos põem à defesa, ou sentimos que elas nos deixam a anos-luz do que queremos, ou nos afastam do que nos possa fazer (mais) feliz. 

Gostava que não tivessem impacto que eu acho que têm na minha relação com outros. Bastam-me a mim.

Pô-las a nu, muda também a forma como algumas pessoas nos vêem. Porque há conceitos de que não abdicam, mesmo que nós possamos ser o grande coração que dizem que somos. [para boa entendedora, a reacção basta-me...]





verdade e consequência

Sou sempre apologista da verdade. Sempre. Mesmo que doa, que magoe, que desiluda. Viver numa ilusão pode ser ainda mais doloroso.
Costumo dizer isso a que trabalha comigo.
Quando confrontada com a situação, não deverá ser usada a mentira para encobrir seja o que for. Mesmo que saia prejudicada. Seria pior a emenda que o soneto.

Depois é arcar com as consequências. e sobre isso tenho a dizer que, só não há remédio para a morte.

Podemos partir-nos todos por dentro, mas a nossa consciência não sofre qualquer mossa.

será pior viver com problemas de consciência. é o pior de uma mentira.

na verdade e na mentira, nada voltará a ser como antes. a mentira só adia o ponto de viragem. a verdade pode ser letal.

Há alturas...

Às vezes sinto uma enorme frustração no trabalho que faço na associação. 
Não podemos exigir o mesmo de todos pelas suas limitações, mas são os que têm mais recursos cognitivos que mais entraves põem.
Eu não gosto de estagnação, de perder tempo a discutir coisas que, efectivamente, são mais de cidadania que outra coisa.

Numa terra onde toda a gente julga ter uma opinião válida e vinculativa, fica difícil agradar a gregos e troianos. Toda a gente sabe, toda a gente opina, toda a gente quer, excepto em assembleias que ninguém aparece para dar soluções,  trabalhar ou continuar a suportar a estrutura. 

No fim de tudo, quem passa pela direcção, não vai sair incólume aos ataques de todos. A velha história do velho, do burro e da criança.

Há dias que, não estando motivada por que os resultados são nulos, me apetece mandar lixar aquilo tudo. 

O bom, mesmo bom é ficar de fora, riscar o fósforo e pôr o circo a arder. Assim é que as pessoas são felizes. Não é a parar para pensar e colaborar.

terça-feira, 4 de junho de 2019

sonhos {estranhos}

Ontem ao final do dia fechei os olhos e adormeci. Breves instantes.
Hoje ao almoço, voltei a cerrar os olhos, por não me sentir capaz de os manter abertos [o antibiótico anda a fazer-me isto]. num tempo curto que me pareceram horas.

Das duas vezes sonhei. do primeiro sonho lembro-me perfeitamente. do de hoje não.
entrou-me alguém pelos sonhos adentro. que os meus olhos nunca viram.

foi uma sensação muito estranha. não tarda hei-de ter uma sensação de déjà vu. estranha também.

costuma acontecer. não encontro explicação. nem para o sonho. nem para o "já vi isto antes".

todos os nomes {carinhosos}


No sábado, dado o avançar da hora, o meu irmão liga à minha cunhada. Para saber se estava tudo bem. No ecrã do telemóvel aparece Amorzinho. Sorrio. Aposto que no dele aparece Amor.

Nunca fui de escrever esse tipo de epíteto na lista telefónica. Nem alcunha de ninguém. Mesmo que não gostemos da opção dos nossos pais, o nosso nome faz parte da nossa identidade. Não apreciamos que nos troquem o nome, por muito feio que seja. tem um carácter muito vinculativo. De ligação aos outros. 
Eu, habitualmente, junto o nome ao cumprimento que der. Direcciono o cumprimento mesmo que o tenha de fazer a várias pessoas num mesmo espaço, por exemplo. Acho que é uma forma carinhosa de tratar.
Mas voltando aos nomes carinhosos.... Também ninguém me ouvirá usar amor de forma corriqueira. Ou frente a outras pessoas. 'mor p'ra aqui,' mor para ali. Acho meio estranho. um bocado azeiteiro, sei lá.
Na minha boca soa a forçado mesmo sendo o sentimento muito verdadeiro.
Já me chamaram minha princesa, minha paixão, meu bem [soa muito brasileiro este último, e não aprecio muito, mas pronto] e pequenina. Não quer dizer que não goste [porque até gosto muito de alguns] mas eu simplesmente não consigo sair do registo do nome.

Se sou mais fria por isso? eu julgo que não. é mais fácil eu demonstrar amor, frente a quem for, em gestos, beijos e abraços [basta-me gostar] do que tratar o outro por amor ou algo similar.

São opções. e eu não gosto menos por isso. Pelo contrário.


domingo, 2 de junho de 2019

Para a tarde de hoje,o castigo é...

Tirar imperiais. Quase de certeza. Com o calor que está, será o mais normal.

Gosto tanto disso como de as beber. Nada! Não gosto nada.

Conversas fora d' horas

Com os miúdos ao encargo do meu irmão, a minha cunhada passou cá por casa por volta das 22h para, junto com a amiga, irmos as três ao concerto. Combinação em cima da hora. Ainda ponderei não ir, mas não quis dizer-lhe que não... O concerto nem acabou por ser a parte boa da história. Nada. Depois do espectáculo, elas colaram-se à barraca das farturas (que detesto). E a conversa sobre expectativas e crise da meia idade apareceu. A Sofia, aos 44, optou há muito por querer ficar sozinha e não ser mãe. Não sente falta de um companheiro; um dia resolveu acabar um namoro de 13 anos, porque não era o que a fazia feliz. Gosta de crianças mas não é esse o argumento que a seduz para mudar de opinião quanto à maternidade.
Vive sozinha há 5 anos, e a única coisa de que se arrepende é não o ter feito mais cedo. 
Diz que não houve crise da meia idade porque foi assim que sempre se viu envelhecer. Está bem resolvida e de bem com a vida. Aceita o que esta tem para lhe dar. Porque foi assim que a projectou.
Há quem ache que aquilo é falsa felicidade. Não creio. Não temos todos que querer o mesmo. 
Já passava das três quando pus o pé em casa. Depois de muitas gargalhadas. Lágrimas também. 

Os quarenta talvez estejam a fazer de mim uma mulher nova. Não sei se melhor. Mas com outro espírito. A despedir-se devagar do ontem. Do que teve de bom e de mau. Porque o presente é para viver. O futuro logo se vê. Um dia de cada vez. Hoje decidi ser assim, amanhã pode ser igual ou não.
Embora nunca tenha sido apreciadora do "seguir ao sabor do vento", sei também que não posso viver de pés pregados ao chão. 

sábado, 1 de junho de 2019

Ainda te lembras?

É inevitável. Por razões que não interessam, pensei em ti. Nas memórias que tenho. Às vezes, julgo que foi um sonho vivido. 
Já passou tanto tempo.
Continuo a frequentar alguns dos lugares que nos eram comuns. Não sei se o destino, ou porque nunca terei dado por ti, não nos tornámos a ver.
E pus-me a pensar se ainda te lembras, de longe a longe, como eu. Se calhar já não. Lembro-me da penúltima conversa. Da tua zanga quando te disse que bastava. Que odiava aqueles sobressaltos da paixão. A última foi a um olá tímido, uma esperança que te li na voz e matei logo. 
Nada tem o significado que já teve, contudo fazes parte das minhas boas recordações. Uma das melhores.
Já não guardo nada teu. Um dia ainda pensei escrever um livro com tudo o que era nosso. Não fui capaz de reabrir essa caixa. Deitei tudo fora. 
Continuo péssima com a música. Não me educaste os gostos apesar de todas as músicas que me dedicaste. Sou uma rebelde nisso. Ou tenho mau gosto, bem sei. 
Será que ainda existe aquele caderno de música que falava sobre nós? No meio das músicas que compunhas. 
És uma página da minha vida. De um livro fechado há muito tempo. Guardado no fundo de uma gaveta. 

As conversas são...

Como as cerejas! Se forem boas (e fluídas) nem queremos que acabem.


Bom sábado! 😉