Mensagens

A mostrar mensagens de Junho, 2019

As lágrimas de um pássaro

Aprendera de pequeno a amar a Natureza. Embora adorasse répteis, como as cobras e lagartos grandes e verdes, ou insectos como as abelhas, eram os pássaros o que mais o fascinava. Cedo aprendeu a reconhecer o canto do melro e das cotovias, irritava-se com o cu-cu dos cucos no meio do pinhal, e achava as poupas e as gralhas umas ladras de primeira. Eram estas as que primeiro provavam a fruta mal estando madura. Admirava o negro luzidio dos corvos; toda a gente dizia que roubavam tudo o que brilhava e conseguiam amealhar grandes tesouros, em buracos nunca descobertos. Conseguia distinguir os machos das fêmeas pela plumagem ou a cor do bico; descobria quase sempre um ninho ou dois, de melros, no quintal do avô Manel. Espreitava, de vez em quando, com todo o cuidado, o ninho e contava os ovos. Suspeitassem os pais melros que o ninho era mexido e logo os ovos eram abandonados. Devia ter pouco mais de seis anos quando começou a armar o visgo, uma espécie de argamassa que imobilizada os páss…

Vou, o porquê de ir, e não sei se será para durar

Já escrevi sobre tanta coisa, sobre o que sentia, sobre o que achava que ia ser, o que iria prevalecer no futuro, aquilo do agora vai ser assim, assado e cozido... E depois foi tudo menos isso. O que tenho em mente pode ser mais uma mentira que vou usar para me ludibriar. Mas por agora que assim seja. Talvez venha a tornar-se uma conversa de chacha. Ou não... Talvez ande à procura da minha felicidade nos outros. Ela pode até existir mas é tão pouco duradoura. Talvez porque ainda não descobri uma forma de a encontrar dentro de mim. Não se é feliz a todo o instante, mas projectar nos outros a nossa felicidade pode ser um jogo perigoso. Há dois ou três dias percebi que a loucura me andava a querer devorar. Os níveis de ansiedade voltaram a uma escala que já muito não sentia. Mesmo que aqui e ali existisse um ponte de suporte para amenizar a questão.  Custa-me pensar no que vai ser o jantar, o número de pães que compro, nos prazos das contas que tenho para pagar.  Até ninharias que podia…

Seis meses

Há seis meses, por esta hora ainda não tinha saído da sala de operações. Desde as 15h que estava de robe e chinelos à espera.  A cirurgia demorou bem mais do que o que estava pensado, além de que se levantou a suspeita de tumor, que não se veio a confirmar. O problema foi ter o nariz pequeno demais para tanta manobra que o otorrino tinha que fazer. Queixou-se depois. [eu prefiro ter nariz pequeno a uma narigueta de metro, típica na família paterna).  Foi a melhor decisão que tomei em muitos anos e continuo sem me arrepender.  Eu queria ir para a mesa de cirurgia sem contar nada a ninguém. Não havia necessidade de preocupar fosse quem fosse. Fui obrigada a contar aos meus pais, mas fi-lo já em cima do acontecimento. Avisei o chefe que ia ficar de baixa e tive de lhe explicar porquê. Ele foi um dos que me acompanhou o pós operatório, sempre preocupado. Não posso dizer mal... Com ordens expressas do médico  a impedir-me de ir trabalhar - porque segundo eu, estava porreirinha  três dias …

Das antigas...

Imagem
Sempre que o vento te ralhe
E a chuva de maio te molhe
Sempre que o teu barco encalhe
E a vida passe e nao te olhe

Porque sou o cavaleiro andante
Que o teu velho medo inventou
Podes vir chorar no meu peito
Pois sabes sempre onde estou

um fardo. um peso. uma preocupação

Não sei porque não falas quando não andas bem... guardas tudo aí e as pessoas nem sabem o que te vai na cabeça nem na alma... - dizem-me.


Se as pessoas entendessem que temo ser um fado, um peso, uma preocupação para os outros, nem haveria lugar para esta pergunta.


Não quero sentir-me a mais. estar num estado mais ansioso só acrescenta chatices aos outros. acho eu. 
[e a minha vida nem para a coscuvilhice serve.]

Decepção e agradecimento

As pessoas que melhor nos conhecem, sabem muito como somos e agimos, quando estamos um pouco abaixo da nossa performance habitual, surpreendentemente ignoram a nossa escuridão - quando nunca, mas nunca somos alheios à sua - e empurram-nos para um lugar de onde queremos fugir. Que teimamos internamente não querer ir. No trabalho, já tinha acusado o toque, de umas quantas abordagens. Nada legítimas e sem sentido nenhum. Apenas implicativas. De alguém a quem nunca recuso ajuda, mesmo estando atafulhada de trabalho. A quem nunca nego um bocadinho do meu tempo para a escutar, para lhe ouvir os problemas pessoais. Ontem remeti-me ao silêncio. Achei melhor não mandar a pessoa lixar-se com f [para não escrever o vernáculo correspondente].
Esse endeusamento que fazem de mim, não permite aos outros ver que tenho falhas,  momentos menos bons. Que, às vezes, são mais do que momentos; são períodos um pouco mais longos. Porque estou num buraco um pouco mais fundo do que o costume. Em muitas das mi…

Entre graçolas, lágrimas e seriedade

Sei que nos últimos meses, a quem tem lido o que por aqui se escreve, tenho parecido alegre e bem disposta.  E tenho estado. e feliz a maior parte do tempo. Assumo que também  tenho dias menos bons, que não interessam a ninguém. Escrever continua a ser a minha forma de reacção aos estados de alma que vou tendo. tanto escrevo sob a  tristeza que quer cá morar. Da mesma forma que escrevo do meu lado solar... 
Sempre, desde que me conheço por gente, que tenho fases mais depressivas de ansiedade extrema, de crítica rigorosa ao que faço e ao que sou. São fases ruins, auto-destrutivas. Que continuam a existir menos vezes, mas ainda demasiadas. Que têm uma mão demasiado pesada, para me dar um tabefe e levar-me ao chão. Não me perdoo com facilidade. Ignoro que devo ter complacência sobre mim mesma. Sou a pior juíza de mim própria.
Na altura da adolescência, eu era tão implacável comigo, que cheguei a ponderar tornar-me freira, uma Carmelita desçalca, despojada de coisas mundanas e com vontade…

Obrigadinha, S. Pedro!

Esta é uma daquelas manhãs de domingo que, com o ping ping forte da chuva, apetecia mesmo ficar enroscadinha na cama, sem pensar em nada, nem fazer nenhum, ou quase... Só que não! Vamos lá a baptizar a criancinha, com todas as operações logísticas a que isso obriga. Ainda por cima,  só conheço os pais e pouco mais. Estou tão animada! (não, não estou; acordei como o tempo) e com muita sorte e uma certa teimosia que mantenho, hei-de escapar a parecer um pintinho todo molhado, em roupa completamente estival. 
Há dias que dispensava ter vida social. Baptizados e casamentos, eram mesmo facilmente dispensáveis. 
Como diz alguém que eu conheço: cada umtem o que merece. Não é bem assim, mas voto-me à resignação. 

As árvores morrem de pé

Imagem
Adoro ameixas. Não umas quaisquer. Umas em específico. A minha mãe que sabe isso desde sempre, há uns tempos, plantou uma ameixoeira no meu quintal. Aliás, tirando uma nogueira e uma laranjeira que, se não são seculares, devem estar perto, as restantes árvores foram plantadas por ela.  Poda-as o meu pai, que percebe do assunto - terá aprendido com o meu avô. Que por sua vez, podou árvores para as gentes da aldeia, até quase aos oitenta, quando foi diagnosticada a doença renal. Bom, dizia eu, antes de me pôr com as coisas da poda, que não percebo nada, que mora no quintal uma ameixoeira. Esta zona do país está agora mais susceptível de levar com tempestades por causa dos incêndios, das dunas desprotegidas. Notamos muito mais a força do vento, e há quem diga que se ouve nitidamente o marulhar do mar em dias de tempestade. Este inverno, uma daquelas tempestades com nome, a Helena talvez, derrubou o damasqueiro, pelo tronco junto ao solo. A tempestade seguinte deu cabo do diospireiro. Fr…

Cenas de gaja - ou deixar de escrever coisas sérias

Imagem
Quando me passam um convite de casamento ou de baptizado, penso logo na cena de ter que ir "toda pipi". E normalmente começa o meu stress, por causa da roupa, já que tento de escapar aos vulgares jeans ou, infelizmente, aos vestidos pretos pouco adequados a cerimónias destas, mas que eu daria preferência se pudesse.  Este ano, tenho dois baptizados e um casamento, e ainda o ano vai a meio. Vale-me que, nas três cerimónias os convidados não são os mesmos e no ano passado investi em três vestidos que fizeram um sucesso tremendo (as pessoas não estavam habituadas a ver-me nesse registo mais fora do comum), mesmo eu tentando passar despercebida.  Portanto, a cena da roupa, por agora, parece resolvida. Desta vez sem stress nenhum.  Vou voltar a usar um vestido azul com bolinhas, muito pin up, e os meus famosos sapatos vermelhos. Sei que o S. Pedro promete fazer birra amanhã, mas acho que vou manter s ombros descobertos, faça chuva ou faça sol. O tempo está ameno... Desta vez res…

Cócegas no cérebro

Ultimamente tenho feito uma retrospectiva daquilo que eu era há dez anos e sou agora. 
Apesar das pessoas ainda salientarem a minha energia fora do comum, assumo que perdi grande parte dela, da que me fazia mover mundos e fundos. Faço muitos quilómetros, saio cedo e entro tarde em casa, estou envolvida em algumas coisas, mas francamente reconheço que não me sinto estimulada para estar de corpo e alma envolvida na maior parte das situações.  Ser muito boa no trabalho, não me obriga a provar nada a ninguém. Não estou à sombra da bananeira, mas assumo que já não é nenhum desafio o que faço. Nas outras coisas que estou envolvida, vou perdendo a motivação porque sinto que ando a remar contra a maré. Gosto de desafios que me estimulem a criatividade, a vontade de me mover por causas que sei que terão bons resultados.  Não me sinto cerebralmente estimulada, porque acho que as pessoas estão sempre à esperada que eu tenha uma atitude de liderança. Que não me apetece ter.
Quando há dois anos o…

Estímulos

É sempre bom quando estou com a M. porque ambas falamos sobre tudo e um par de botas, sem tabus. nem preconceitos. A conversa tem sempre um cariz muito pessoal; portanto em três horas juntas, nunca nos aborrecemos [acho eu], por falta de assunto. e no fim, saio como nova, quer de espírito, quer de corpo. Enquanto mudava a unhas de azul para vermelho vivo, conversávamos sobre o facto de as pessoas que são líderes por natureza, habituados a demonstrá-lo profissionalmente,  em casa preferem ser liderados a serem líderes.
Ah, o que fazemos para o jantar? Não sei, decide tu! O que hei-de vestir? O que hei-de calçar? Onde vamos de férias? quando vamos de férias? etc.
Perguntamo-nos como pode aquela pessoa ser um líder, se limita a decisão do casal ao outro.
Para quem sabe que o outro é alguém com o poder de mover pessoas, perante estas respostas, sente-se confrontado a ter de tomar decisões quase unilaterais. e é frustrante, porque também desempenha o seu papel de líder, fora de casa e nec…

da manhã. da tarde. de hoje.

Imagem
estava mortinha para estar por aqui sozinha. sem telefones nem conversas paralelas. descalçar os sapatos de salto alto e ligar a música num tom baixinho e trabalhar. confesso que não me sinto bem em lugar nenhum. apetece-me  estar a um canto. encolhida. há vários dias que ando trabalhar ao ralenti.
tenho feito por reagir a uma espécie de apatia. não sei se é deste tempo molesto. se é de mim. das exigências que faço a mim mesma nas coisas onde me envolvo. [e só a minha mãe para achar que anda por aqui mal de inveja porque pressente que não ando bem, mesmo eu dizendo que estou bem].
não tenho sido boa companhia para ninguém. mas tenho-me esforçado. às vezes era só preciso mimo, julgo eu. e isto havia de ir ao sitio. porque o mimo também acalma o que nos mói. mas não sou de pedir colinho a ninguém. vai passar. passa sempre. 




[Kodaline, All I Want]

Pôr-me a nu. eu sou tão isto...

há coisas que nunca me dediquei muito tempo a pensar. Ou melhor, terei pensado nelas há muito, muito tempo. e decidi que seria sempre assim. que nunca mais me iriam magoar. ou não iriam conseguir constatar que o tinham feito. que eu nunca deixaria que me lessem qualquer sofrimento. Decisão válida para o amor, e para a Vida em geral. Para tudo.
Na altura, a forma como decidi que tinha de ser pareceu-me a mais acertada. Criei um hábito. mas há-os nefastos, e hoje – só hoje! naqueles momentos de reflexão, que tenho todas as manhãs, enquanto deixo aágua correr - percebi que talvez devesse, também há muito tempo, termudado o hábito. Ou talvez devesse ter sido ajudada a mudá-lo, por me dizerem que não teria razão para o manter. ou ainda, nunca ninguém deu conta que eu fazia isto. Aliás, as pessoas acham que estou sempre de bem com a vida, de sorriso permanente nos lábios, com o ar mais brincalhão do mundo… [e às vezes, engano-as tão bem…]
Para uns a melhor defesa é o ataque. Para mim e, há…

Black

Imagem

de vez em quando, a luz também se apaga

a noite muda tudo. o sono intermitente. o que me parece claro, virou escuro. o que era escuro, assim continua. de repente, todas as certezas se esvaíram. e de repente, há tanta questão por responder a mim própria. Que nunca levantei durante os últimos tempos, que não quis saber. se fosse contra paredes, levantar-me-ia. até ao dia que aquilo que mais resguardei, ficou a descoberto, e corro o risco de sucumbir. ao que eu achava impossível. pelo mais óbvio. e eu sou a única responsável por isso. achei-me imune a coisas mais profundas. como pude deixar que chegasse tão de mansinho, tão suavemente, como se grudou assim a mim, sem que fizesse conta? e agora?

eu não sei pedir ajuda; contar como me sinto. não sei como se faz... sempre me desenvencilhei sozinha. As lágrimas que resultam das conversas internas entre o meu cérebro e o meu coração apaziguam-me as dores. depois de secas, servem de alavanca para mais umas voltas no carrossel da vida. somos sempre só nós, eu e as minhas lágrimas. o…

isto tem nome

Esta é normalmente a fase mais solitária do meu ano; deste ano,  será certamente, porque até agora tem sido agitado. já devia estar habituada a esta desaceleração, mas nunca me habituarei. Não ando triste, nem sequer é nostalgia. Porque tudo o que passou está passado. não posso trazer pessoas à minha vida, pois por alguma razão tinham de fazer parte do passado. Vale o presente. Gosto das coisas e pessoas do meu presente [gosto muito], e vou sentir falta se deixarem de fazer parte dele. Mas a vida é mesmo assim, não podemos prender nada nem ninguém, porque tudo tem o seu curso e o que tiver de ser, será. Podemos entregar a chave da nossa vida e dizer, se quiseres ficar, fica! Se a felicidade está em deixar partir, saibamos dizer: se não estás bem aqui, parte,  vai ser feliz.
Gosto desta serenidade do meu coração, que recentemente redescobriu a saudade. Percebo esta quietude da alma que, por agora, não vive em ânsias de viver tudo; vive antes com o pouco que tem e que lhe parece tão be…

pior a emenda que o soneto

Imagem
Hoje foi uma manhã pouco rentável, tal como o dia de ontem. A única coisa mais ou menos válida que fiz ontem foi ir à cabeleireira e preparar cartazes dos bailes para a associação. Portanto, o meu nível de produtividade anda um pouco pelas ruas da amargura. tenho coisas para fazer. só que não. não me apetece. só quero estar sossegadinha, sem fazer nada. A procrastinar, basicamente. Como ando metida em tanta actividade, fora o rodopio que é o trabalho, acho que, ao fim-de-semana, o corpo pede hibernação. Acho que também me tem apetecido mais aconchegar-me e sonhar de olhos abertos, talvez...
E eu, como nem tenho sarna nenhuma para me coçar, prometi à minha cunhada, que fazia umas experiências - que se aprovarem implica mais trabalho para mim - para os presentes do baptizado do meu sobrinho, para Setembro. Ela já me falou nisso várias vezes esta semana. Logo vou jantar aos meus pais, onde ela também estará presente.  Achei que não devia adiar mais [já começo a envergonhar-me], e esta t…

Políticas acertadas (acho eu)

Conheço alguns homens com uma política muito rígida quanto aos locais de trabalho.
Se todos a seguissem, haveria muito menos confusão...

Não comas carne do sítio onde ganhas o pão.

para fechar a semana e este assunto...

Se há coisa que faz complicação à minha cabeça é eu fazer uma má avaliação acerca do carácter de alguém. Que a pessoa não seja de bom carácter, o meu comportamento é simples: Adeus, passe muito bem!, e já está.
Costumo ser muitos perspicaz nisso das avaliações. Ou costumava. e começo a duvidar de mim nesse aspecto.
há uns tempos atrás conheci uma pessoa que, na minha perspectiva, me parecia de bom carácter, de bem, com a suas qualidades e os seus defeitos como toda a gente. talvez eu estivesse um pouco abalada e de vista toldada.
Confesso que tendo eu um feitio difícil, tentei de certa forma anular um pouco o vincado que tem, para dar espaço à outra pessoa. Fui muito branda, direi até submissa quando só o sei ser em poucas situações. Para que não houvesse colisões nos interesses. afinal, estávamos para o mesmo. devíamos dar-nos bem, ambas as partes sairiam beneficiadas. Fui sincera, verdadeira. A outra parte viu que eu o estava a ser. Fui muito preto no branco. Mas a parceria continu…

Quem diz a verdade...

Imagem
Ligou-me a J., logo pela manhã, e perante o meu bom dia [apagado] pouco típico, disse-me: então o que é isso? para sexta-feira, estás com uma voz muito triste. Na altura estava concentrada e o bom dia terá sido um pouco evasivo, talvez. tem sido uma semana um bocado de altos e baixos, em termos de humor. Tem havido quem me consiga puxar o sorriso, a gargalhada, o riso de ir às lágrimas, como ainda aconteceu esta manhã. e logo eu, que me rio por qualquer coisa e um par de botas, não faço nenhum esforço em conter o riso... as rugas perto dos olhos são indícios do quanto o riso me é habitual. mas tem mérito quem me consegue pôr nesse estado alegre, nos meus dias menos bons ou, no extremo, em dias de melancolia.
estou sentada à secretária e não me apetece trabalhar. a vontade não vem. deve ter ficado em casa. mesmo depois de ter bebido sangria ao almoço, que não é habitual beber [e ajuda ao bom humor, ao meu , pelo menos]. e de ter rido mais um pouco. e de me terem oferecido a minha frut…

Sei pouco da vida. Muito pouco.

Sei pouco da vida. Muito pouco.  Há dias que continuo a achar que a ignorância é uma bênção. Outras vezes, nem tanto assim. às vezes, ignoro as coisas propositadamente porque dar-lhes importância é estar a perder tempo precioso para outros recursos bem mais úteis. 
Ao longo tempo - e, talvez, com um workshop de PNL, há uns tempos atrás - compreendi que, apesar do ditado dizer que água mole em pedra dura, tanto bate até que fura, há repetições que só nos cansam. São infrutíferas. Estarmos a insistir num determinado acto, vezes e vezes sem conta, não vai mudar o resultado. Principalmente se, do outro lado, a pessoa também insistir no seu erro. Talvez, também por isso, se tenham acabado as chatices entre mim e a colega, sempre depois das minhas férias. Porque tinha que passar a pente fino toda a informação de todos os dias fora, para ainda salvar o que era possível. Eu, se na altura, não tivesse o nariz avariado, aposto que era capaz de lhe sentir o cheiro do medo. Mal eu lhe pedia uma …

*Quando as minhas couves não casam com as tuas batatas 😊

Quando ontem disse que era simplista em muitas atitudes, baseava-me em assumir coisas de uma forma muito matemática. Do género um mais um são dois. e pronto. Ou como diz o ditado popular, o que não tem remédio, remediado está, e não se pensa mais no assunto. Mas esqueci-me que 1+1-2+2 não deixam de ser dois na mesma… Têm mais parcelas e eu, por vezes, só vejo as parcelas óbvias.
Ontem debatia com uma pessoa [chamemos-lhe C], a questão da paixão que possa existir quando duas pessoas aprofundam laços [estou a simplificar o debate]. Dizia-lhe eu que, quando a pessoa me diz que está apaixonada [ou eu estou apaixonada] e passado um tempo, não vê/vejo a sua paixão devolvida na medida que acha(o) justa, que aquilo não tem pernas para dar, que é mais o que nos separa que o que nos une,  diz-se adeus e cada um vai à sua vida, eu ainda tento uma coisa: ficarmos amigos. não acontecendo, deixo-a partir definitivamente. Custa-me ficar a mágoa, porque custa mesmo, mas se já não há retrocesso, tento …

da minha simplicidade e pragmatismo

Às vezes, o meu lado simplista e pragmático faz muita confusão às pessoas.

Ao ponto de acharem que eu desvalorizo tudo ou não dou a importância devida às coisas. Dou [sou toda ouvidos, cérebro e coração], mas como complicada já basta a vida, mas vale não complicar ainda mais...

Pontaria

São raras as vezes que saio a horas do trabalho. Hoje foi um dos dias que saí cedo.

Para logo a seguir apanhar um acidente, que me vai fazer chegar a casa à mesma hora que se tivesse saído tarde. E ainda tenho que me encontrar com um cliente da empresa, para resolver um problema.

Estou há mais de meia hora especada no mesmo sitio. Entalada entre camiões.
E a paciência hoje é tão pouca... (pelo menos, o carro não está na reserva. Mas estou a levar com o sol nas trombas e uma velhota está a tentar furar a fila. Ai a esperteza...)

E, por fim, o pesado tombado e muita mini espalhada no chão...



Sair de cena quem não é de cena

Há alturas que devemos perceber quando estamos a mais, e retirarmo-nos com a dignidade que nos é possível. Sem orgulho ferido. Umas vezes para não ferir, outras para não ser ferido.  Sabemos desde o início que esse dia pode acontecer. Nestas circunstâncias, sim. Noutras também, mas com menos probabilidades. Sair quando ainda nem tudo está perdido. Mesmo que já reste muito pouco. Porque quando gostamos não temos meias medidas.

Amanhã já não seremos nada. A nossa ausência tão pouco será notada.
Nós só fomos o que tínhamos de ser. Se poderíamos ser mais? Sem dúvida que sim.  Mas quando decidimos ser mais, já alguém será muito mais com menos caminho percorrido. 
Umas vezes nós, outras vezes os outros. A sair de cena. 

Quando se passa do blogue para a vida real...

Confesso que tenho alguma renitencia quanto a isso. Sei de quem o faça de olhos totalmente fechados. Cada um é como é. 
Há uns anos, quando o blogue ainda era outro, conheci uma rapariga que morava perto da minha casa e trabalhava numa empresa cliente da empresa onde trabalho.  Não foi nada difícil chegar a essa conclusão por mim própria. Ela não o dizia claramente, mas eu conhecendo bem as dicas dela, cheguei lá.  Quando ela se apercebeu que eu sabia alguns dados, amedrontou-se, mas eu tranquilizei-a. Não tinha porque ter medo. [pensou que eu pudesse denuncia-la à entidade patronal por me relacionar bem com eles]. Conversa puxa conversa, acabamos por combinar um café num sitio conhecido de ambas. Conhecemos-nos. Ela desabafou o que tinha a desabafar. Voltamos às nossas vidas. Uns dias mais tarde, começou a pedir-me dinheiro emprestado. Ou se podia ser fiadora dela. Assim do nada. Achei aquilo um pouco surreal. Depois do não, surgiram uma série de argumentos para me obrigar a dizer q…

Por dinheiro nenhum (II)

Já tinha escrito sobre o que não faria por dinheiro nenhum Aqui. Lembrei-me de outra.  Também não venderia o corpo por dinheiro nenhum. Fosse qual fosse a necessidade de dinheiro que tivesse ou alguma dívida para pagar.

No caminho para o trabalho, com o calor a começar a surgir mais habitualmente, começam a aparecer duas ou três miúdas, num ou dois sítios, à beira da estrada.  A prestação de serviços recomeçou mais visivelmente esta semana. Continuo sem perceber o recurso a estas situações, a começar logo pelo ponto da higiene. O mais básico. Porque se formos discutir outros, tínhamos muito paninho para mangas. Não vou discutir o que leva um ser humano a vender o corpo. Cada um terá as suas razões. Não interessa se são ou não justificação. Eu não compreendo mas também não julgo. 
Eu não o faria. Por dinheiro nenhum. Por pouco que seja o meu sentido de auto-preservação, estimo o meu corpo  suficiente, para não lhe por preço. Sem mas, nem meio mas.

não me façam ter dó, por favor...

Imagem

Andou p´ra aí toda a gente a falar no Ed...

Imagem
Mas não é por isso que hoje por aqui passa.
Uma música dele ilustra um dos filmes mais românticos que vi. depois de ter lido o livro. Numa altura muito estranha [tenho umas, mais que outras]; nessa data, bateu mesmo fundo. Creio que até deva ter qualquer coisa escrita aqui no blogue sobre isso, mas não me apetece ir procurar.
Para quem gosta de um bom filme romântico fica a dica. Para quem ainda não viu o filme ou leu o livro. com ou sem companhia.  e uns lencinhos de papel, porque se forem como eu, é dilúvio pela certa. ;)

Está tudo trocado...

Sempre precisei de regras e de loucura. Porque me cansa a monotonia. Porque me mata a criatividade. Porque sou intensidade. Ora no mínimo, ora no máximo.  Já tive somente regras e fui uma prisioneira. A loucura já morou cá por completo e eu fui uma negligente.

Agora, cheguei a um ponto que, na minha vida, existe loucura onde deviam haver regras. E no lugar de regras, existe loucura.
Nada parece estar no seu lugar.  Só o coração. Ainda.

Hoje era o dia...

que precisava rir. ou somente sorrir. ou esboçar um sorriso.
para afugentar esta lágrima que esteve todo o dia ao canto do olho. a querer soltar-se.
finalmente caiu. uma... duas...

[sou tão imbecil, meu Deus...]

e dizem que sou tonta...

Imagem
[via tumblr]
As nossas fragilidades nem sempre são compreendidas. Porque os outros acham que não têm razão de ser, que são infundadas.  Às vezes, chamam-me carinhosamente tonta. sei bem o impacto do que sinto mas controlo a lágrima. digam-nos as vezes que quiserem que estamos a ser tontos, enquanto não formos nós a sentir que as ultrapassámos, vamos andar a lutar com elas [as fragilidades]. Tenho muitas. já tive mais [toda a vida]. umas tenho ultrapassado [nos últimos meses], outras nem tanto.
é um tumulto interior viver à guerra com as nossas fragilidades. ainda mais quando sabemos que são elas que nos põem à defesa, ou sentimos que elas nos deixam a anos-luz do que queremos, ou nos afastam do que nos possa fazer (mais) feliz. 
Gostava que não tivessem impacto que eu acho que têm na minha relação com outros. Bastam-me a mim.
Pô-las a nu, muda também a forma como algumas pessoas nos vêem. Porque há conceitos de que não abdicam, mesmo que nós possamos ser o grande coração que dizem qu…

verdade e consequência

Sou sempre apologista da verdade. Sempre. Mesmo que doa, que magoe, que desiluda. Viver numa ilusão pode ser ainda mais doloroso. Costumo dizer isso a que trabalha comigo. Quando confrontada com a situação, não deverá ser usada a mentira para encobrir seja o que for. Mesmo que saia prejudicada. Seria pior a emenda que o soneto.
Depois é arcar com as consequências. e sobre isso tenho a dizer que, só não há remédio para a morte.
Podemos partir-nos todos por dentro, mas a nossa consciência não sofre qualquer mossa.
será pior viver com problemas de consciência. é o pior de uma mentira.
na verdade e na mentira, nada voltará a ser como antes. a mentira só adia o ponto de viragem. a verdade pode ser letal.

Há alturas...

Às vezes sinto uma enorme frustração no trabalho que faço na associação.  Não podemos exigir o mesmo de todos pelas suas limitações, mas são os que têm mais recursos cognitivos que mais entraves põem. Eu não gosto de estagnação, de perder tempo a discutir coisas que, efectivamente, são mais de cidadania que outra coisa.
Numa terra onde toda a gente julga ter uma opinião válida e vinculativa, fica difícil agradar a gregos e troianos. Toda a gente sabe, toda a gente opina, toda a gente quer, excepto em assembleias que ninguém aparece para dar soluções,  trabalhar ou continuar a suportar a estrutura. 
No fim de tudo, quem passa pela direcção, não vai sair incólume aos ataques de todos. A velha história do velho, do burro e da criança.
Há dias que, não estando motivada por que os resultados são nulos, me apetece mandar lixar aquilo tudo. 
O bom, mesmo bom é ficar de fora, riscar o fósforo e pôr o circo a arder. Assim é que as pessoas são felizes. Não é a parar para pensar e colaborar.

sonhos {estranhos}

Ontem ao final do dia fechei os olhos e adormeci. Breves instantes. Hoje ao almoço, voltei a cerrar os olhos, por não me sentir capaz de os manter abertos [o antibiótico anda a fazer-me isto]. num tempo curto que me pareceram horas.
Das duas vezes sonhei. do primeiro sonho lembro-me perfeitamente. do de hoje não. entrou-me alguém pelos sonhos adentro. que os meus olhos nunca viram.
foi uma sensação muito estranha. não tarda hei-de ter uma sensação de déjà vu. estranha também.
costuma acontecer. não encontro explicação. nem para o sonho. nem para o "já vi isto antes".

todos os nomes {carinhosos}

No sábado, dado o avançar da hora, o meu irmão liga à minha cunhada. Para saber se estava tudo bem. No ecrã do telemóvel aparece Amorzinho. Sorrio. Aposto que no dele aparece Amor.
Nunca fui de escrever esse tipo de epíteto na lista telefónica. Nem alcunha de ninguém. Mesmo que não gostemos da opção dos nossos pais, o nosso nome faz parte da nossa identidade. Não apreciamos que nos troquem o nome, por muito feio que seja. tem um carácter muito vinculativo. De ligação aos outros.  Eu, habitualmente, junto o nome ao cumprimento que der. Direcciono o cumprimento mesmo que o tenha de fazer a várias pessoas num mesmo espaço, por exemplo. Acho que é uma forma carinhosa de tratar. Mas voltando aos nomes carinhosos.... Também ninguém me ouvirá usar amor de forma corriqueira. Ou frente a outras pessoas. 'mor p'ra aqui,' mor para ali. Acho meio estranho. um bocado azeiteiro, sei lá. Na minha boca soa a forçado mesmo sendo o sentimento muito verdadeiro. Já me chamaram minhaprincesa

Para a tarde de hoje,o castigo é...

Tirar imperiais. Quase de certeza. Com o calor que está, será o mais normal.
Gosto tanto disso como de as beber. Nada! Não gosto nada.

Conversas fora d' horas

Com os miúdos ao encargo do meu irmão, a minha cunhada passou cá por casa por volta das 22h para, junto com a amiga, irmos as três ao concerto. Combinação em cima da hora. Ainda ponderei não ir, mas não quis dizer-lhe que não... O concerto nem acabou por ser a parte boa da história. Nada. Depois do espectáculo, elas colaram-se à barraca das farturas (que detesto). E a conversa sobre expectativas e crise da meia idade apareceu. A Sofia, aos 44, optou há muito por querer ficar sozinha e não ser mãe. Não sente falta de um companheiro; um dia resolveu acabar um namoro de 13 anos, porque não era o que a fazia feliz. Gosta de crianças mas não é esse o argumento que a seduz para mudar de opinião quanto à maternidade. Vive sozinha há 5 anos, e a única coisa de que se arrepende é não o ter feito mais cedo.  Diz que não houve crise da meia idade porque foi assim que sempre se viu envelhecer. Está bem resolvida e de bem com a vida. Aceita o que esta tem para lhe dar. Porque foi assim que a proj…

Ainda te lembras?

É inevitável. Por razões que não interessam, pensei em ti. Nas memórias que tenho. Às vezes, julgo que foi um sonho vivido.  Já passou tanto tempo. Continuo a frequentar alguns dos lugares que nos eram comuns. Não sei se o destino, ou porque nunca terei dado por ti, não nos tornámos a ver. E pus-me a pensar se ainda te lembras, de longe a longe, como eu. Se calhar já não. Lembro-me da penúltima conversa. Da tua zanga quando te disse que bastava. Que odiava aqueles sobressaltos da paixão. A última foi a um olá tímido, uma esperança que te li na voz e matei logo.  Nada tem o significado que já teve, contudo fazes parte das minhas boas recordações. Uma das melhores. Já não guardo nada teu. Um dia ainda pensei escrever um livro com tudo o que era nosso. Não fui capaz de reabrir essa caixa. Deitei tudo fora.  Continuo péssima com a música. Não me educaste os gostos apesar de todas as músicas que me dedicaste. Sou uma rebelde nisso. Ou tenho mau gosto, bem sei.  Será que ainda existe aquel…

As conversas são...

Imagem
Como as cerejas! Se forem boas (e fluídas) nem queremos que acabem.


Bom sábado! 😉