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quarta-feira, 18 de março de 2020

As coisas que controlamos e as outras


Hoje, o ambiente aqui não está tão pesado como nos dias anteriores, porque não se debitam dados sobre o vírus a todo o instante. Acho que os arautos costumeiros resolveram remeter-se ao silêncio. Talvez porque já não consigam dar conta de todas notícias que vão saindo.

Estou aqui ensanduichada entre duas colegas que são a cara do pânico em pessoa.

Uma delas, tem estado a perguntar-me de vez em quando, se estou bem, pois suspiro pela imensidão de trabalho que tenho tido para fazer. Não sei para onde me virar. Agora parei para respirar mais calmamente. Bem preciso.

Ontem saí um bocado contaminada por esta nuvem negra de negativismo que paira aqui; lá venci o medo e parei na bomba para pôr ADBlue, com as devidas precauções. Na verdade, estive a evitar a ida mas mais cedo ou mais tarde tinha que ser.

Mortinha por chegar a casa e, mesmo com o lusco fusco, troquei rapidamente de roupa, fones nos ouvidos, playlist previamente tratada e fui correr meia hora. Não foi muito, nem a grande velocidade. A ideia é continuar a treinar a resistência, para depois passar à velocidade. Na impossibilidade de ir para a ciclovia, escolhi sítios onde sei que não andaria ninguém, mas custou-me um bocado porque fiz imensas subidas, mas melhorei o tempo por quilómetro. Quando cheguei da corrida tinha uma mensagem da colega psicótica, com um vídeo do Youtube sobre a curva de crescimento exponencial do vírus. Não abri e mandei-lhe uma mensagem: Eh, tenha calma!!! e larguei o telefone  do trabalho, até esta manhã.

Fiz ainda o desafio do dia: quantas flexões conseguia fazer num minuto. Trinta e cinco. não foi mau, mas podia ser melhor. e por fim, o treino de bum bum, proposto pelo ginásio. acabei morta e ensopada em suor, num colchão de ginásio, no meio da sala. Hoje espera-me mais no treino funcional, outro desafio e a corridinha que espero conseguir fazer antes que seja noite.

No trabalho não consigo filtrar o que é dito e tenho que me resignar a estar sujeita a todos os pregões. Decidi desde ontem que, mal esteja acabado o trabalho, não quero saber de nada sobre o vírus. Quero ir respirar um pouco de ar – estou farta de estar entre paredes – no meio do campo, onde nem gente há, e portanto o único risco que há é a alergia ao pólen dos pinheiros. Quero correr, desafiar-me, cantar, rir sempre que possível. Esquecer por horas que estamos debaixo desta ameaça. Antes de vir trabalhar, estive a ver uns vídeos de humor. Ouvi uma playlist catita enquanto tomava duche e o pequeno almoço. Cantei no carro no caminho para o trabalho. Aproveitei até chegar, para me preparar para oito horas de má onda. porque para desperdiçar calma, já me basta aqui.

quinta-feira, 12 de março de 2020

nem quando faço anos me acontece isto...

todos os dias chegam pacotes à empresa, pelas mais diversas transportadoras. normalmente são amostras  dos comerciais que seguem para o laboratório, ou peças de clientes a ilustrar reclamações previamente feitas por email. Agora já pouca coisa me vem dirigida, porque a maior parte dos remetentes já sabe os departamentos para onde tem de enviar, sem que seja preciso eu estar a ser incluída no percurso, embora eu depois me tenha que envolver no processo.

Hoje chegou uma caixa. Prontamente foi colocada - sem abrir- no correio para o laboratório. Parece que vinha ao meu cuidado, mas eu não fui avisada. a colega do laboratório, antes de abrir informa-me que vem uma caixa da empresa V. ao meu cuidado. se sei o que é. não sei. que deve ter sido coisa combinada com o comercial responsável pelo cliente. leva a caixa. e traz de volta. quase intacta, porque tentou voltara  fechá-la, para ma devolver. a caixa é mesmo para ti. olhei para ela surpreendida. 

abri a caixa enquanto ela se ria, todas as colegas aqui a olharem para ver o que tinha a caixa: uma caixa de Ferrero Rocher, uma de Rafaello  e uma garrafa daquelas todas pipis, para transportar água. e um cartão todo personalizado. oh pá, fiquei toda derretida, porque acho que nunca ninguém me tinha mandado um agradecimento desta forma, que me deixou sem palavras. é óptimo quando sabemos que vale sempre a pena darmos o melhor de nós. foi um mimo para o meu ego e um docinho para a boca das colegas. eu também pequei.


quarta-feira, 4 de março de 2020

já não falava há algum tempo nele; é tão fofinho, não é? :) :)

Quando eu ainda faço este esgar de dor por causa do treino, há sempre alguém que se surpreende: como é que tu, a treinares há tanto tempo e todos os dias, como dizes, ainda tens dores?

Se eu só fizesse cycling (que é coisa que eu não faço nem sinto entusiasmo, prefiro ir andar de bicicleta ao ar livre) ou só abdominais, ou só passadeira, acredito que não teria dores, porque o tempo e a repetição talvez não permitam que as dores se mantenham. Força de hábito.
Agora quando o programa das festas é, segundo o calendário semanal:
 2ª - pernas;  3ª - braços; 4ª - treino alta intensidade (metabólico); 5ª- misto pernas/ braços/ metabólico; 6ª - yoga; sábado - cardio;   e eu, ao fim de oito meses, (acabadinhos de completar hoje) ainda ando a descobrir músculos novos, porque todos os dias são trabalhados movimentos diferentes, com exercícios bem diversificados e, em que o que não lembra ao Diabo, aparece na lembrança do treinador. venham experimentar e ver o que é bom para a tosse.

Já por diversas vezes disse ao treinador que o corpo já se devia ter habituado a este ritmo de treino, ou pelo menos a algumas coisas. ele diz que não. a intensidade, a diversidade e a periodicidade dos treinos que faço não permitem ao corpo criar o hábito de se defender. Portanto, tenho mesmo que me habituar às consequências de treinos bem puxadinhos.

Na segunda, o homem parecia tomado pelo Diabo, e praticamente 50% dos exercícios foram novos e de dificuldade intermédia (só para ser fofinha, digo assim). Fazer agachamentos já começa a fazer parte do menu, com as diversas variantes e foi dia de uma nova. Como ele diz que tenho muita força, resolve sempre fazer-me carregar com pesos e agachar... mas o pior nem foi isso. descobri que há algo pior que burpees, montain climbers ou man makers. Não tenho propriamente um rabo levezinho [ainda só está bem torneadinho ;)], por isso lá me deitei de barriga para cima, no colchão, com os pés de fora. coloquei os calcanhares em cima de uns discos colocados logo a  terminar o colchão. Glúteos no ar, joelhos flectidos, calcanhares nos discos, braços ao longo do corpo, e toca de empurrar os discos até esticar as pernas todas (fácil - é só fazer deslizar os discos pelo chão com a ajuda dos calcanhares), e depois, recolher as pernas ao estado de flexão inicial, ainda com os glúteos nos ar - não pousa os glúteos no chão! não pousa! contrai abdominal e puxa os discos com os calcanhares!, diz ele, com firmeza - o caraças é que puxo! eu não conseguia puxar os discos, sentia as pernas a alongarem, os glúteos a ficarem pesados e eu a pensar: eu mato-o! Resolvi socorrer-me dos braços para aguentar o rabo no ar. Perante a batota, obrigou-me a mais duas séries de dez, sem as mãos a ajudar, os braços ao longo do corpo. foi do piorzinho que já fiz, já que não conseguia puxar os discos com o rabo no ar e por muito que apertasse o abdominal os discos não voltavam à posição inicial.

Praguejei baixinho, vezes sem conta, com as dores das pernas com o esforço de puxar os discos repetidamente. e dei de cara com o sorrisinho maquiavélico [e giro, tenho que admitir] do treinador. não sei se achou piada ao sofrimento e ao dever cumprido ou à minha reacção asneirenta. ou às minhas tristes figurinhas...

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

quando copiam o pior de nós



Acho que muita gente tem a percepção que, quer crianças, quer estrangeiros na tentativa de aprender a nossa língua, as primeiras coisas que aprendem a dizer ( se as ouvirem) são os palavrões. Temos sempre tendência a aprender mais rápido  o que é menos correcto, me parece.

Ontem houve uma situação no trabalho que me fez pensar na facilidade que o nosso cérebro parece apre(e)nder o pior.

Eu não sou uma pessoa propriamente calma em situações de stress. e há alturas que tenho mesmo que berrar para colocar tudo nos eixos, principalmente depois de ter acautelado situações e de ninguém ter feito caso. entretanto aparecem os estragos que eu previra e tenho que ir eu, minimizar as consequências. É coisa para me deixar bastante aborrecida. isto acontece mais vezes do que eu gostaria e do que seria desejável.

Curiosamente, tenho sempre de relembrar a colega que me substitui, de montes de coisas que a meu ver deviam ser de apreensão rápida e efectiva. Não são raras as vezes que tenho de relembrar repetidamente de determinados dados que há muito deviam estar retidos.

Porém, os meus piores comportamentos (os do meu mau feitio) parece terem sido absorvidos de tal maneira que ontem parecia que me estava a ver a mim, num comportamento dela. Eu estava sossegada e fui avisando que tivesse calma, porque iria ser difícil fazer frente a uma determinada pessoa, e até lhe frisei as respostas que iria obter do outro lado. A previsibilidade faz parte do ser humano. vi a coisa desenrolar-se. o comportamento dela, as palavras, foram muito idênticas às que uso; até a paixão com que estava decidida a por as pessoas na ordem  me estava eu a ver ao espelho. se este tipo de comportamento que tenho, em que já perdi as estribeiras, era o que eu gostaria de ver aprendido? não, não era. aliás, perder a calma, não é coisa que eu goste de ver reproduzido pelas outras pessoas, porque sei o quão dura sou. Não sou mal educada, mas costumo ser bastante frontal. E a frontalidade não é propriamente algo que as pessoas estejam muito receptivas, pela dureza das palavras.

Já há tempos escrevi sobre a colega,  sobre o facto de me  fazer  imensa confusão ela não ter um comportamento próprio em muita coisa, ser mais uma cópia, principalmente do que não é bom, de cada uma de nós, das que convive com ela.  Acredito que ela saiba ser ela própria, mas muitos dos comportamentos são resultado do convívio. é uma esponja comportamental.  Aliás, ela consegue captar os tiques e subtilezas de linguagem das outras pessoas, ao ponto de fazer imitações fiéis.

Não sei se isto dos (maus) comportamentos apreendidos é consequência de admiração que nutre ou se simplesmente, na falta de saber como reagir, acaba por reproduzir cópia dos comportamentos dos outros.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

tenho que me conter. mesmo.

Eu sei, este blogue está a ficar um mete nojo, nunca antes visto. Porque acho que eu, dantes, não era nada destas coisas. ou não ficava numa excitação com isso, ao ponto de fazer um registo escrito. Vai parecer que estou um bocadinho na adolescência, bem sei... 

Há umas semanas, quando andei a pensar o que levar ao já comentado jantar, acabei por ter que comprar um casaco para usar com o vestido preto, que foi um sucesso. Enquanto procurava o casaco para a combinação com o vestido, encontrei um vestido comprido, imitação de pele, com um decote profundo sem ser indecente, cintado, mas de mangas curtas. quando o vi na montra, pensei duas vezes se o havia de experimentar, porque achava que mesmo o número maior - que vestiria pequeno - me iria servir, ou até mesmo que eu me fosse sentir desconfortável toda vestida de pele. o certo é, que nem precisei abrir o fecho atrás; enfiei-o pela cabeça, et voilá... assentava que nem uma luva. e contrariamente ao que costumo fazer, tirei uma selfie (nunca faço isto!!) e mandei à M. a perguntar: Too much?  embuída por um impulso, comprei o vestido e pensei: se ficar mal, devolvo-o à loja. Já tinha pago e saído, quando a M. me ligou, completamente alucinada com o facto de lhe ter mandado a foto, e ela achar que o vestido ficava a matar. Acho que ela estava, mais que alucinada, abismada com a iniciativa de comprar algo tão arrojado, que não me é nada habitual, porque estou sempre com medo das más figuras, ou de não ser apropriado para mim. Quando tive oportunidade, mostrei-lho ao vivo, e ela amou, não só por ser giro, como por achar que me ficava bem. 

Ontem levei-o para o trabalho, e contrariamente à ideia que era capaz de ouvir bocas parvas, por estar a vestir de pele (ainda que imitação), mas felizmente tal não aconteceu. se passei despercebida [mais ou menos], é porque afinal não estava mal.

É verdade que nunca fui daquelas cenas de reuniões de miúdas, a passarem modelitos, para ver a melhor roupa para sair à noite. Talvez também isso me tenha feito falta. Para também não ser uma pessoa insegura quanto a isso a M. tem-me ajudado em muitas destas coisas relacionadas com a auto-confiança e a aceitação do corpo, ainda que o mesmo esteja em mudanças (boas). 
Enquanto conto com a ajuda do M., o treinador, para modelar a parte física (e um pouco da parte psicológica), conto com a M., que me vai dando alguma da auto-confiança que em falta (e uma ajuda na parte física, para que o corpo não ganhe mazelas do exercício). Neste momento são os dois M.  da minha vida! :)

E os resultados deles têm sido tão eficazes, que tenho mesmo que me conter para não desatar a comprar mais roupa, que não tarda, já me ficará a nadar no corpo. Já acontece com alguma dela comprada recentemente. é melhor ter tino, mas começa a ser difícil não me entusiasmar. e se as coisas continuarem a evoluir bem, acho que vai acontecer um descalabro qualquer lá mais para a frente...


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Só porque sim ou nem por isso...

[Nós dois - Xutos e Pontapés]

Posso-te sorrir no escuro
E pensar que tu nem vês
Posso-te beijar com os olhos
E pensar que tu nem sentes
Desenhar todas as curvas
De que é feito o teu corpo
Penetrar-te nos teus sonhos
Com a ponta dos meus dedos, os dedos

Que vai ser de nós dois
Com as ancas me conduzes
Com os braços tu me apertas
Com os seios me seduzes
Como o mar e as descobertas, abertas

O que vai ser de nós dois
Que vai ser de nós dois
O que virá depois
Que vai ser de nós dois

não costumo usar


Não sou nada apreciadores de epítetos para identificar as pessoas. Aliás, acho de extremo mau gosto e de uma grande falta de educação.

O director de produção da empresa tem por hábito,  de se dirigir a algumas de nós mulheres, todas com idades para sermos suas filhas, como madames ou mademoiselles. Já não levamos a mal porque tentamos levar a coisa para a brincadeira. Já querendo referir-se a algum colaborador da produção, trata-os por “fadistas”. Coisa mai linda!

Claro que, nas aldeias ainda proliferam as alcunhas, que são coisa que quase parece ser hereditária, porque se o pai era, o filho também é, salvo se se registar um feito de tal ordem grandioso, mas digno de muita piada e com muita vergonha para o próprio, muda de epíteto.

Depois, há aquelas epítetos usados entre nós mulheres, que não aprecio nem sei lidar com nenhum. `Miga e linda são coisas que me fazem confusão. Muita tremenda. Tenho duas amigas que usam comigo este último com frequência, e eu sinceramente acho tão descabido que não sei como reagir.

A empresa teve, em tempos uma brasileira como comercial que tratava os clientes por querido/a. Era maravilhoso também. Um cliente que temos, com os seus 80 anos, adorava. Babava-se todo...

Há os dedicados aos namorados e maridos, que aposto que hoje serão usados por tudo e um par de botas,  o ‘mor - que é outro que me faz uma confusão…

Eu uso os nomes que constam habitualmente dos documentos de identidade. Sejam feios ou sejam bonitos; são aquilo que são. Não ofendem ninguém.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

o medo da imagem


Nos últimos tempos, tem sido uma grande aprendizagem aquela a que me tenho dedicado, isto de crescer por dentro.

Uns dias progride-se, outros dias o contrário. Como diz alguém que eu conheço e de quem vou gostando cada mais da sua postura perante a vida, às vezes é preciso dar um passo atrás, para dar dois à frente.

Há muito coisa que ainda tenho medo de ser ou de estar; não sei se sempre fui medrosa ou foi o tempo e os outros que me fizeram assim; acho que já nasci velha para o risco. e precavida, sempre a tentar controlar as variáveis que me possam por em causa.

E depois olho para os que me rodeiam, e de vez em quando, também me contam pormenores que não gostam em si que, aos meus olhos, não têm nenhuma razão de ser. Acho que todos somos um pouco exigentes nas auto-avaliações.

Num mundo global, em que deixa o anonimato e passamos a dar-nos a conhecer aqui ou a alguém que está no Japão, é hoje em dia coisa comum. O mundo hoje vive da imagem, do seu poder de sedução. ou da falta dele.

Mas eu ainda tenho muitas dificuldades de passar das palavras à imagens. Sei o quanto me acautelo  por medo de decepcionar os outros. Porque me conhecerão de dentro para fora, e receio que o medo da imagem faça esquecer tudo aquilo que me conhecem por dentro. Porque me prefiro, com os meus mil e um defeitos, pelo que sinto e penso, e não a minha imagem. Porque a imagem vale mais que mil palavras e pode deitar tudo a perder.

Falo com muitas pessoas, mas a maioria delas só me conhece a voz. Não raras as vezes, dizem-me que gostariam tanto de me conhecer.  e garantidamente não é por ter a voz sexy, embora nestes últimos tempos esteja rouca. às vezes, comentam com os comerciais sobre mim, e voltam a expressar a vontade de estarem comigo cara a cara. Não percebo a fascinação, porque da minha parte não existe essa reciprocidade na vontade. Não sou muito curiosa quanto a isso, ou só estou a espelhar que, não querendo eu que se quebre essa aura de fascinação [porque se vai quebrar certamente], não me despertam a curiosidade.

Ontem contrariei esse medo da imagem.  A mim, não me faz confusão falar com alguém ao telefone, ou por mensagens ou email a quem nunca vi a cara. Mas finalmente percebo que nem toda a gente pensa como eu. Há a quem isso faça confusão.

Há muitos anos que nos conhecemos, mas nunca estive pessoalmente com ela. Um dia, hei-de dar-lhe um abraço. Prometi-lhe ontem. Ela partilha comigo, desde cedo, algumas das cenas da sua vida, das suas fotos do dia a dia, quando falamos de pedaços da nossa vida, que têm pontos em comum. Acho que ela é linda, apesar de ela apontar continuamente algumas das características que acha que lhe arruínam a imagem. eu não acho nada disso. Acho que tem um encantamento que ela ainda não descobriu quando se olha no espelho, mas eu vejo-o lá.

Ontem, e talvez porque esteja a acontecer progressão em mim mesma, dei-lhe a conhecer quem eu sou fisicamente. Uma foto recentíssima, que não me envergonha muito, não me deixa apreensiva.  Não é pela maquilhagem, mas porque me senti bonita. Porque uma coisa é estar bem – e aí creio que não me avalio mal – outra coisa é estar bonita. Não que quisesse impressionar, mas não me queria envergonhar. e queria retribuir-lhe o gesto de poder perceber com quem fala, sem ser necessário imaginar. Talvez seja parvo mandar uma foto a alguém – chego a pensar que é – contudo, às vezes, temos de vencer o medo de nos expormos e de nos sujeitarmos às avaliações de outrem. Afinal, e salvo de fizermos uma cirurgia estética, é assim, com tendência para pior possivelmente, que vamos estar. Não vamos poder apresentar uma versão revista do que somos.

Para a maioria das pessoas, sei que isto que escrevi, é uma tremenda tolice. Mas como disse atrás, as pessoas sofrem com problemas com pequenos pormenores que não gostam em si. O meu pormenor tem 1.62 m e um palmo de cara que não aprecio particularmente, este, o meu. mas estou a tentar mudar. e ontem resolvi que me tinha que expor, dar um voto de confiança, retribuir para que a outra pessoa percebesse que eu existo mesmo, e sou quem digo ser.

e quanto a isto da imagem, foi um pequeno passinho [uma parvoíce para alguns, bem sei] mas é sinal que quero dar passos em frente.

O próximo passo será vencer o medo terrível que tenho de subir a uma balança em público [salvo seja]. Se as pessoas soubessem as birras que faço nos consultórios médicos para escapar a esta tortura psicológica. Quase faço chantagem para não ser submetida a esta avaliação. é horrível. Como se aquele aparelho tivesse sido feito para me humilhar. Adoro saber quando a balança está avariada. é parvo? é, mas tenho dificuldade em ultrapassar, mesmo sabendo que aquele número que lá consta possa ser motivo de orgulho e não de humilhação…

Um dia de cada vez. e cada um com o seu parafuso desapertado.



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

A transformação que faz bem à alma

Ainda não fiquei cega pelos resultados que tenho obtido no ginásio [a achar que estou uma boazona; nada disso!] e, continuo a sentir que estou longe de estar onde quero, embora haja quem pense o contrário. Tenho um objectivo bem delineado a cumprir até ao meu aniversário, em Abril. Só espero que não haja lesões ou contratempos de maior. 

Há uns anos estava com um peso idêntico e não me dava para comprar vestidos que dessem tão nas vistas como o que usei no sábado. aliás, fugia disso, como o diabo foge da cruz. Admito que, enquanto vou trabalhando o corpo, também tenho modelado a mente, e a auto-confiança tem subido. Ainda tremo um bocadinho de insegurança, sempre receosa de não estar bem, mas nada como antes. Tenho tido bons auxílios que me ajudam a ver com outros olhos, embora seja difícil mudar a opinião que tenho sobre mim, de um dia para o outro. A fase de aceitação tem-se trabalhado devagarinho. como o corpo.
No sábado, não me reconheci. Achei que a mulher que via ao espelho não podia ser eu, porque além de super elegante, estava gira que impressionava. A M. caprichou, fez os meus olhos castanhos ficarem maiores e deu-lhes ainda mais ênfase.
eu que nunca me achei bonita confrontei-me com uma imagem que me impressionou. Aquela era eu? era sim, e segundo a M., estava linda de morrer. Eu, linda de morrer? Baaah. Estava gira, sim. Mas, linda de morrer, é um atributo demasiado fantástico e descabido para mim. Pedi-lhe que me tirasse uma foto [eu detesto tirar fotos], porque estava muito impressionada do resultado final.

Entrei naturalmente para onde iria ser o jantar, e ainda não me tinha sentado à mesa, e já tinha recebido uma mão cheia de elogios, principalmente de alguns dos participantes masculinos no jantar. Alguns, sequer alguma vez troquei uma palavra só que fosse com eles. Desta vez não senti a habitual vergonha e fui capaz de pronunciar um seguro obrigada. Também houve elogios do lado feminino, mas em menor frequência. A M. diz que as mulheres são terríveis umas para as outras, e elogios são coisas que não sabem fazer...

O curioso disto tudo é que a pessoa que mais à vontade poderia estar para me dar um elogio, foi a única que não se pronunciou e que, parece, ficou completamente imune à transformação. Não vou dizer que não me custou que não o tivesse feito. Por diversas razões. E porque sabe como funciono.

Como diz o ditado, não podemos agradar a Gregos e Troianos. Uma coisa é certa, no sábado, deixei de me sentir bichinho para me sentir um bocadinho borboleta. e soube maravilhosamente bem. 
Posso parecer pretensiosa. Cada um que pense o que quiser.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

ai as 'migas do alheio

O facto de ter um pai extremamente austero, travou-me de fazer muitas asneiras. Só de pensar nos castigos que ele me podia administrar pensava mil vezes antes de pisar o risco.

Nunca fui castigada por um par de asneiras que me atrevi a cometer, porque ele nunca soube. Senão, nem sei...

E embora o diga com vergonha, uma das coisas que me lembro de ter feito é ter roubado uns waffers cobertos de um chocolate, com o nome de TAXI, que na altura a mercearia perto de casa vendia. Não me orgulho nada disso e a muito custo me declaro culpada publicamente.

Devia ter uns oito anos e a gulodice foi maior que o medo. Mas lembro-me perfeitamente de sentir o efeito da adrenalina, com medo de ser apanhada. e depois castigada. Nunca me lembro de ter roubado mais o que quer que fosse. Hoje em dia, nem sequer me passa pela cabeça [nem há qualquer tentação] em fazê-lo. Abomino isso, e tenho vergonha alheia de quem o faz. Nem concebo sequer a ideia de como me sentiria se sobre mim caísse alguma suspeita de roubo. nunca me passou pela cabeça tornar-me amiga do alheio, seja com o que for. Respeito a propriedade dos outros. Não é meu, não lhe toco. às vezes, nem com permissão.

Contudo, admito que não há quem tenha essa postura na vida. Por isso, não levo praticamente nada de valor (às vezes levo o telemóvel) para o ginásio. Até o calçado coloco dentro do cacifo, que ao final do dia, será desinfectado.

Porque há aquelas amigas do alheio – e parece que, por lá, as mulheres são mil vezes piores que os homens – que gostam muito de levar coisas que não lhes pertencem, além da badalhoquice em que deixam algumas zonas de duche ou do wc.

Recentemente, levaram o secador de cabelo, ou até mesmo as saboneteiras com sabonete, do duche. Creio que ainda não conseguiram arrancar o rolo de papel higiénico da caixa da parede, mas desconfio que já devem ter tentado.

Não sei como conseguem ter tão à-vontade para levar o que não lhes pertence. Ainda mais estando sempre gente a entrar e a sair.

Sei que há gente cleptomaníaca mas, nestas coisas, tenho sérias dúvidas que seja a doença a manifestar-se. Acho que é mesmo falta de respeito e de vergonha!

Como é que as pessoas conseguem sujar a sua reputação, ainda mais que são coisas de pouca monta ( o que não retira gravidade ao problema, atenção!)? Não entendo.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

O poder da mente

A semana passada foi um pouco penosa para mim.
Depois de, na semana anterior, ter sido acometida pela dor ciática na perna direita, o treino das quartas, com ela, foi difícil. Foi puxado, sem descanso, e com mais de dez exercícios e suas repetições, em modo alta intensidade. Ela entusiasma-se e, como habitualmente, a minha resistência é um grande desafio para ela [são eles quem fala na minha resistência, não eu, que me acho mais fraca que os demais, mas se o dizem...]. O número de exercícios, a variedade e a dificuldade crescem exponencialmente. E temos meio ginásio a olhar para nós (o que passou a ser bastante incomodativo para mim - há sempre alguém que ergue os polegares em sinal de motivação, ou quase me vem segredar ao ouvido: força, que tu aguentas! )
Com a dor a manter-se, comecei a sentir que havia a possibilidade de contrair uma lesão, e depois já não podia treinar, e ia todo o trabalho por água abaixo. Comecei a perder a coragem para correr [e já ia tãaao lançada na preparação], a força nos braços para os exercícios de halteres começou a fraquejar. Tinha feito umas massagens horríveis com o PT para debelar a dor, mas ela ainda cá andava. a cabeça começou a pensar tanta coisa.
Há uma semana, a cabeça só dizia para anular o treino com ela, porque eu iria sofrer. Porque ela me ia exigir algo que eu já não conseguia nem me sentia desafiada para dar. Passei a odiar os treinos com ela, que antes adorava. Mas compareci, e tive de pedir-lhe para já não fazer a terceira série de repetições. Que não queria, que não conseguia. Faltava-me o ar e vi-me a panicar. Mal conseguia estar deitada no colchão para os abdominais, porque comecei a achar que tinha deixado de saber como respirar. Em casa, fui incapaz de estar deitada na banheira a relaxar porque tinha medo de o ar não passar, porque eu não sabia respirar. Precisei concentrar - me em algo agradável, para tentar relaxar os músculos, aliviara a tensão. Comecei a pensar que estava a perder a motivação. Comecei a sentir-me, pela primeira vez, em todos estes meses de ginásio, uma pessoa tremendamente infeliz. Achava que estava a perder o mais importante para mim. Tinha deixado de ser diversão. Depois de ter falado com o meu PT, logo no dia a seguir, resolvi que não devia ser ele a corrigir o comportamento dela, mas sim eu a expor a situação. E a conversa aconteceu no sábado. A pressão que eu sentia desapareceu. Voltou a vontade de fazer corrida e os treinos voltaram a decorrer normalmente. Os treinos dele. O peso voltou a sucumbir ao exercício e deixei de  me sentir um barril cheio de água.
Hoje voltei ao treino dela. Não me senti esgotada, ela não se pôs a acelerar com exercícios manhosos. Foi tudo muito tranquilo e eu não me lembrei que não sabia respirar. Tudo tranquilo. Tudo pacífico. Saí com um sorriso no rosto. Ela super meiga, com toda a calma, e muita paciência. Pedi-lhe uns exercícios para alongar depois da corrida e logo foi muito prestativa, exemplificando e executando comigo.

Custou - me muito dizer lhe os os últimos treinos dela me estavam a fazer infeliz, que a pressão de ter espectadores sempre a mirar os nossos treinos e a fazer comentários [ainda que bons, estavam a obrigar-me a superar-me de dia para dia e isso estava a ser extenuante]. Eram cada vez mais intensos. Andava esgotada. As perguntas nos balneários também me começaram a irritar. Porque tanto ela como os mirones estão sempre à espera que atinja estado limite acima do expectável.
Estive à beira de um colapso nervoso. A cabeça só dizia: desiste! Tu nunca serás capaz. 

Felizmente passou. Estive a curta distância de perder toda a minha motivação, mas felizmente fui capaz de dizer o que sentia, e confrontei  o cérebro outra vez com os objectivos a que me propus. E o sorriso voltou à cara, a alma está mais leve e quase voltei aos parâmetros que já tinha atingido para a corrida.

Aquilo que pensamos, a nossa falta de vontade quando nos sentimos pressionados, envenena-nos e retornamos para o lugar de onde viemos. Isto foi a prova que a mente pode provocar resultados devastadores, se nós deixarmos, se sucumbirmos. 




quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

deixam-me sem jeito... e não é falsa modéstia!

Antes brincava com o M. quando via algumas mulheres -  umas novas, outras nem tanto -  babarem-se cada vez que conversavam com ele. Chamava-lhes o seu clube de fãs. Depois ele começou a usar o mesmo argumento comigo, que eu tinha fãs. Creio que se referia a algumas pessoas que se surpreendiam com a minha resistência e evolução, com as mudanças (que dizem serem evidentes) no corpo.

Ontem, parece-me que conheci uma das minhas "fãs" no balneário. Sei que ela foi uma das que esteve a falar com o M.  sobre a minha evolução. Ele já me tinha dito que ela se tinha surpreendido já que há algum tempo não me via, e de repente, eu estou tão diferente, e fez-lhe saber da admiração. e sei também que ele ficou orgulhoso.
Eu não levo nada muito a sério, porque acho que as pessoas exageram, mas aceito humildemente os elogios, porque não sei bem o que hei-de fazer ou dizer. Ela disse-me: estás maravilhosa! És uma mulher furacão. Estavam mais umas quantas pessoas no balneário e ela resolveu esclarecer quem estava que eu treinava todos os dias, apesar de todos os dias fazer montes de quilómetros e que nada e fazia parar. Isto é verdade - continuo com a motivação em alta, não vou negar. Dá-me muito prazer saber até onde aguento. Como dizia a minha cunhada no domingo, quando nós as cinco estávamos juntas: Admite! Tu, não só gostas, como estás viciada!

Tem sido um caminho de muito trabalho duro, de constante desafio - ontem fiz aula de braços e depois treino de alta intensidade, que volto a repetir hoje agora com a L. É mesmo para puxar pela resistência. Todos os dias faço treino, pelo menos uma hora e, apesar do ginásio estar fechado ao domingo, faço corrida (ainda a começar) ou caminhada.

Tenho noção que há pessoas que, com o que faço, já teriam outros resultados mais rápidos. Tenho de ir devagarinho, se é assim que o meu organismo quer. às vezes, é frustrante, mas tenho que ter paciência.
Ontem, no fim do treino, reunimos, por mero acaso, os três na sala de treino e sei bem que eles morrem de curiosidade em conhecer peso e medidas, porque isso nunca foi feito com eles, por eu considerar que o acto de pesar ainda é uma coisa que eu não consigo deixar de fazer sozinha; quanto aos perímetros corporais, todas as semanas são medidos pela M. quando fazemos massagem de tonificação. Tenho com a M. muita cumplicidade, que foi por ela conquistada, depois de muito tempo de convívio. e todas as semanas vão mais uns centímetros ao ar. e todas as semanas, ela diz estar orgulhosa do meu trabalho.
Vou mantendo o M. informado, embora eu saiba que isso não lhe basta. Um dia não terei escapatória, e terei mesmo que me sujeitar às medições [tenho medo que ele me comece a pressionar e eu, sob pressão, não funciono. eu sei. quero que isto seja, acima de tudo, diversão. e que o resto venha por acaso.]
Ambos os treinadores dizem que não sabem como é que eu aguento a treinar assim, todos os dias, e se houvesse treinos de alta intensidade todos os dias, eu estava lá batida, pronta. O M. diz que, de todos PT que dá, todos mais novos que eu, e muitos deles homens, têm menos resistência que eu. Vindo dele, isto é um "baita" elogio!

Obviamente que todos os elogios me têm feito muito bem. Muito bem. E tento ser ainda melhor, não para recolher mais elogios, mas para chegar aos nossos objectivos - aos meus e aos do M., porque eu sei que eu também faço parte dos objectivos dele e ele não se envolve em nada para perder. Nenhum dos dois quer deixar nada por fazer. e como ele ainda recentemente me disse: 

Por isso, vamos lá em frente!

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

oh pá, quase me põem a chorar. esteve perto...

Sou recebida, sem excepção, com um caloroso sorriso (que me continua a deslumbrar, assumo). O homem é um charme, assim, que eu nem sei explicar.

Um mês depois, regresso e conto-lhe que a rouquidão continua. vejo as suas feições alterarem-se; está desagradado porque a medicação não fez efeito. e receia que venham más notícias.

Lá me vou sentar na cadeira de observação, e antes que eu diga que sou uma medricas – pela enésima vez -, ele diz: isto não vai custar nada. Já sei que se refere à endoscopia faríngea, cujo procedimento conheci na última consulta. em tom de brincadeira, digo-lhe que correr, é pior. Agora anda nas corridas?, pergunta-me surpreendido.

Já tinha discutido na consulta anterior que tinha pouca “caixa de ar” para os treinos metabólicos mais exigentes. ele tinha-me acalmado e dito que ela irá desenvolver-se com o tempo e a continuidade do exercício.

Enquanto me fazia o exame, contou-me das suas últimas partidas de futebol - as partes engraçadas. Fez-me soltar a gargalhada costumeira, para que eu descontraia e ele possa trabalhar sem eu recear. Tudo na mesma quanto ao exame. vamos dar mais três meses e ver se o trauma das cordas vocais desaparece. Ainda brincámos sobre as vozes roucas serem sexys – algo que não concordo. Recostou-se na cadeira e estivemos a discutir tranquilamente a cirurgia, embora ele esteja a todo o custo a querer evitá-la. E as corridas voltaram à baila. ali estivemos a falar sobre o assunto, e ele aplaudiu a minha decisão de me tornar uma devota do exercício físico, mas acima de tudo da preservação da saúde, porque afinal ele também sabe o que é ter quarenta. e mais um que eu. Faz-me emocionar por me dizer que estou no bom caminho e que está muito satisfeito com a minha decisão. Fechamos a conversa com a sua disponibilidade até à consulta de Abril, por email ou por mensagem. ele é fantástico, continuo a recomendá-lo.

E com isto tudo, faltei à aula de braços do M. Como já tinha passado da hora de entrada na aula, lá fui eu correr um bocadinho. Todas as manhãs , com os músculos doridos, penso: Hoje não corro. Mas chego lá, e começo e tudo deixa de doer. Ontem não foi excepção. Aumentei o tempo de corrida e desafiei-me a mim própria. Nas minhas costas, ouvia o burburinho da L. (com quem irei fazer metabólico hoje) comentar com o rapaz a quem estava a dar aula, que estava muito surpreendida com a minha resistência e força de vontade [ela também detesta correr]. Continuaram a comentar mas começou a tornar-se imperceptível e eu acabei por desligar da conversa. estava a correr os últimos 8 minutos quando o M. apareceu com vontade de censurar a minha falta à aula dele. Expliquei-lhe da consulta quando terminei a corrida. entretanto apareceu a treinadora de sala, que me foi dizendo que o M. está sempre a elogiar-me, que eu tenho sido uma grande surpresa – para quem recusava veementemente a correr nos metabólicos - e tenho feito bons tempos e muita resistência. Fiquei boquiaberta. ele nunca comenta essas coisas comigo, só me repete que não faça descansos, que não posso parar. Ainda pensei que estavam ambos a gozar comigo. Inacreditável. E os elogios continuaram. A juntar-se a eles, veio o E., um corredor de  trails e que  perguntou ao meu PT como estavam os meus  tempos. Lá estavam os dois aos cochichos, outra vez, sobre os meus resultados nestas duas últimas semanas de corrida. O E. veio dar-me os Parabéns porque tem ouvido dizer que tenho tido uma grande evolução. Ele próprio também assistiu aos últimos minutos de corrida, e repetiu mais umas quantas vezes que eu estava de parabéns e deu-me alento, para eu não pensar sequer em desistir.

O M. remata que vamos chegar a um dos objectivos muito antes de Dezembro. O outro (o objectivo secreto), só saberei perto da prova  - o tempo que ele propõe para executar  a prova. Ele sorri de forma maquiavélica. Tem um número na cabeça e não mo diz para não me estar sempre a ouvir dizer: eu não vou conseguir.

Isto de todos os dias me surpreender a mim própria, porque, afinal eu consigo, adicionado aos elogios rasgados desde que comecei a correr ( já existiam antes, por parte de alguns frequentadores do ginásio, por verem o meu esforço e a minha dedicação – e os resultados evidentes claro!), têm feito maravilhas à minha auto-estima. Ontem adormeci feliz. Porque tudo tem valido tão a pena. E estive à beira das lágrimas; não é muito frequente ouvir elogios. Além disso, os comentários do post anterior também me deixaram um pouco emocionada. Foi um dia em cheio nesse aspecto.


[She always a woman to me, Billy Joel]


segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

antes já achava mal... agora acho pior.

É certo que a mudança do ano é uma espécie de marco para as pessoas pensarem em concretizar sonhos; normalmente são empreendimentos gigantescos. Afinal, se é para dar tudo, que seja por um sonho grande, porque os pequenos não precisam de viragem de ano.
Um dos sonhos mais falados é perder uns quilos; muito ou poucos, é irrelevante! Não são só as pessoas mais anafadinhas que sonham com isso - acho que essas já desistiram.
Toma-se, de forma resoluta, a decisão convicta de se inscreverem num ginásio, de que não se vai desistir, que agora é que é... quem não? as pessoas acotovelam-se nas aulas e nos balneários, tudo cheio da febre que este ano é que vai ser. Lá para Fevereiro, a coisa acalma porque a febre passa... Não censuro, é preciso motivação, força de vontade para ir e perseverança para esperar pelos resultados. é difícil, eu sei... oh, se sei! e mesmo depois de seis meses regularmente no ginásio, a ter bons resultados [porque trabalho para isso, acho eu] ainda tenho medo de, um dia para o outro, me lembrar que quero desistir... 

Mas pior que a correria aos ginásios, que nada precisam fazer para se publicitarem, porque as pessoas é que tomam a iniciativa de os procurar, já não posso dizer o mesmo das cadeias de lojas ou pseudo-clínicas que prometem perdas de 6 kg num mês, sem fazer dieta. Ou de pessoas que perdem 15 kg em três meses, assim, sem esforço nem dietas. Invadem-nos os ouvidos várias vezes por hora, a todo o instante. Claro que, para pessoas desesperadas, aquilo soa como música para os ouvidos. Curiosamente nem são necessários grandes recursos publicitários porque  se mexe com a auto-estima das pessoas, normalmente baixa,  já aceita qualquer coisa só para se sentir melhor, infelizmente.
Bem sei que só lá vai quem quer, mas irrita-me profundamente que andem a enganar as pessoas; isso só vai fazer com que elas se sintam ainda pior, por terem sucumbido ao logro. 
Não há milagres de emagrecimento sem trabalho -  - seja ele, pouco ou muito. e uma boa dieta; por isto entenda-se, comer convenientemente, em qualidade e quantidade.
E dar tempo ao tempo, para que as coisas aconteçam. E esta, garantidamente, é a parte pior de todas. Custa muito. Mais do centenas de abdominais e outras tantas flexões. 

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Cá estamos à espera!

[Via Tumblr]

Diz-se que, para a frente é que é o caminho...

Mesmo os que dizem antever o futuro, não conseguem adivinhar tudo de bom ou de mau que esteja por vir. [por acaso dizem que vai ser um excelente ano para os Touro; lá para Dezembro logo vejo...] 

Será o que tiver de ser, este novo Ano, prestes a nascer. Seja com saúde, e tudo o resto se acrescentará.
Um dia de cada vez. E quando cada dia estiver para nascer, há uma nova oportunidade para recomeçar. E se não houver força para erguer o joelho esfolado do chão, pede que te estendam a mão, porque repartidas, as dores serão mais fáceis de superar. 
Quanto às alegrias, que sejam muitas e verdadeiras, que elas semeiem sorrisos e plantem abraços.
Tudo o resto, com mais ou menos dificuldade, vai passar. Demore o tempo que tiver de demorar. 
Porque pode haver bem que nem sempre dure, mas também não há mal que nunca acabe. 
Que toda a gente entre de pé direito ou ao colo de alguém que ame.

Boas saídas de 2019. Grandes entradas em 2020. Feliz Ano Novo!! 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

A fase paleolítica dos blogues e a minha memória curtinha (tenho noção)


Estes dias no trabalho, em que só se fica para colmatar alguma urgência, aproveita-se para fazer arrumações, tratar de um ou outro assunto pendente e usufruir do silêncio, que é raro por estas bandas durante a maior parte do ano. É ter tempo para preparar o próximo ano de trabalho, com a calma e o sossego que geralmente, não abundam no resto do ano [tirando Agosto].

As poucas coisas que vão aparecendo, que pertencem ao comum dos dias, vão ficando em banho-maria numa outra secretária, à espera de despacho. Não posso tratar de mais nada enquanto não passarem por outro departamento até regressarem à minha secretária. Portanto, não vou mentir: vai-me sobejando algum tempo, que vou gastando por estas bandas. faz parte da rotina também.

Ando nisto dos blogues desde Outubro de 2008, talvez . O acto da escrita pública foi impulsionado por alguém com quem me correspondia na altura. Trocávamos dezenas de emails por dia, que se foram tornando cartas cada vez mais íntimas e dedicadas. Um dia acabou. Porque sim. e depois de uns tempos passados, nasceu o meu primeiro blogue. Porque gosto de escrever. Porque sentia a falta disso. Porque gosto disto dos blogues, gosto de descobrir pessoas e adivinhar-lhes alguns aspectos que estão por trás das palavras. Ao longo dos anos, fui adivinhando coisas que não estavam escritas mas que transpareciam nas palavras. e sorri muitas vezes sozinha, ao pensar nas impressões certeiras que tinha sobre aquela pessoa que ali escrevia. Não sei se as pessoas eram mais genuínas que agora; o anonimato protegia-as e desnudavam os seus sentimentos de uma forma diferente. Ao longo dos tempos, com a publicidade que cada um foi querendo fazer de si próprio, houve coisas a perderem-se.

Os blogues já tiveram muitas fases. e já houve muitos blogues a estarem muita na moda. acrescentávamos música, mudávamos o cabeçalho, criávamos avatares para nos identificarmos sem nos denunciarmos. havia frequentemente os giveaways para promover blogues e acho que, as marcas aproveitaram, e deram mais tarde origem à publicidade explícita nos blogues. Havia correntes para uns blogues publicitarem outros, os chamados desafios e os selos. Não estou a dizer que tudo era bom. era o que havia…
O Google já teve uma ferramenta que reunia todos os blogues numa plataforma (tento lembrar-me do nome e não consigo), mas depois cessaram o serviço há uns anos atrás. Restaram outras como o Feedly ou o bloglovin. Hoje cusquei este último, onde tenho os meus blogues de eleição registados. E dei conta que a maioria deles já não escreve nada há muito tempo. Não sei se as pessoas passaram a usar outras plataformas ou se deixaram mesmo de escrever. Ou até se lhes aconteceu algo.

Faço um exercício de memória e lembro-me da Sofia do Às nove no meu blogue, ser a Miss Glittering (e dos primórdios do blogue até agora, já escreveu livros e fez tantas coisas), ou haver a Maria que queria ir para Bruges, e ainda antes de se conhecer este seu sonho, teve uns quantos blogues de escrita acutilante, mas imensamente bem redigidos. Depois era descoberta e saltava para outro blogue. E quando o sonho de Bruges foi coisa para se tornar realidade, a Maria que foi Maria-muita-coisa, com tantos blogues que teve, começou a leiloar as coisas que tinha em casa para partir para Bruges. Não sei o conseguiu. Havia (e ainda há) o Not so Fast da Lénia, que durante muito tempo não se identificou (creio eu) e sempre teve o sonho de ser escritora. Havia a Bad do Bad Girls Go Everywhere, também com a sua escrita muito característica. A escritora da Controversa Maresia tinha um outro blogue com fotos de filmes e escrevia cartas de amor (não me lembro do nome do blogue) e esse, foi talvez o blogue que me deu o impulso para eu ter um. O Shiuuu e os seus segredos, na altura que eu comecei, era um blogue que toda a gente conhecia e ímpar naquilo que fazia. A Mónica Lice e o Blogue da Mini-Saia também dava cartas, e ainda sobrevive. Havia a Teresa da Gota de Ran Tan Plan que era conhecida por corrigir o português ao pessoal.  Existia um ou outro blogue relacionado com lifestyle ainda nos primórdios, que não consigo lembrar-me do nome, mas creio que o avatar inicial era a gata Kitty. A Saltos Altos Vermelhos começou o seu blogue, na mesma altura que eu comecei o meu primeiro. e lembro-me até de haver uma pequena guerrilha entre ela e um outros blogue com o nome Porque sim, cujo  avatar eram uns Saltos Altos. Ainda há o blogue As minhas pequenas Coisas, em que depois de muito tempo  no anonimato, as fotos da cara que estava por trás da escrita começaram a aparecer. Havia o Amor em Part Time da Clementine Tangerine, ou O amor é um lugar estranho da Kitty Fane, e ainda O amor perfeito da Dina, que vai existindo mas vai escrevendo muito pouco (e de onde parecem vir direccionados os leitores do meu blogue, segundo as estatísticas do blogger). A Pipoca mais Doce nunca fez parte das minhas leituras mas é uma das bloggers mais antigas e ainda por cá anda. Já o Cocó na Fralda, com a Sónia a  agora escrever menos, tinha-me como leitora assídua. Ou o Pedro Ribeiro (sim, o da Comercial) com o seu Dias úteis.  
Podia falar da Belle du Jour (já nem me lembro se foi este o seu primeiro pseudónimo), que teve vários blogues mais recentes que os que enunciei anteriormente, que criou uma onda de solidariedade para ajudar famílias com problemas financeiros no auge da crise, distribuindo bens alimentares por pessoas à beira do abismo financeiro. Acho que foi à TV e tudo! (isto agora é tão comum, mas na altura…). Ou da Paula Nogueira Guerra que escrevia muito assiduamente e acompanhava muitos blogues e que creio, terá ido viver para a  Bélgica, , ou a Manuela da Turista Acidental muito acarinhada por outros blogues. O que é feito delas?

E havia tantos para falar, mas este texto vai-se tornando longo e a memória também já não é o que era. nem os blogues já são o que era, ou será que ainda são?

Alguém se lembra destes? ou outros que marcaram um estilo de escrita ou outra marca relevante que mereciam ser abertos assiduamente?

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

e um ano passou...


[Via Pinterest]


faz hoje um ano que a porta à mudança se começava a entreabrir. Havia uma promessa no processo: a qualidade de vida ia melhorar. eu só não imaginaria o que ainda estaria para vir.
Todos os dias agradeço por ter perdido o medo. Todos os dias penso que nada acontece por acaso. e estou ainda mais atenta às coisas em meu redor. para aprender. para aproveitar. para abraçar o que aí vem.

[e quando estiver organizado melhor as ideias para não esquecer nada, hei-de fazer o resumo de um ano de, como alguém diz, uma grande metamorfose. e o ano que voltei a escrever depois de dois anos de quase silêncio. a metamorfose e a escrita foram-se complementando.]




quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Inveja, esse pecado capital

Agora um destes dias – acho que já esta semana -, ao sair do ginásio, na rádio, entrevistavam alguém que, às páginas tantas, dizia que, em Portugal as pessoas não ficam felizes com o sucesso dos outros. No Brasil, mesmo que seja falso, têm sempre um : Pô, que legal isso!

Será que a dor de cotovelo é uma coisa só nossa? Está nos nossos genes culturais?

Acho que já disse isso aqui , mas torno a dizer: invejar alguém, não me vai dar aquilo que o outro tem. aliás, acho que me vai tornar mais amarga. A inveja não é um sentimento bom [não há inveja da boa!], nem traz nada de bom a ninguém. Portanto, eu não ganho nada com a inveja, é perda de tempo sequer alimentá-la. Acho que devemos ficar contentes pelo sucesso dos outros; e quanto nós, se queremos o mesmo, trabalhemos para isso.

Muito a propósito de inveja ou seja lá o que lhe queiram chamar, eu nunca senti que tivesse algo para ser invejada, mas parece que há pessoas que até o nosso mal invejam. Porém, começo a notar uma certa comichão em algumas pessoas quanto ao meu sucesso no ginásio. Há duas ou três pessoas de lá, que me andaram a cirandar, porque as mudanças são notórias e também querem o mesmo para si. Nada contra. depois pedem um aula experimental com o PT e acham que aquilo não é para elas. então achavam que as coisas me caíam do céu?

Depois começam as questões, fora e dentro do ginásio, que isto não pode ser só trabalho de ginásio, que devo andar a tomar alguma coisinha para ajudar. Nego que ande a tomar alguma coisa que seja, dessas que aceleram o metabolismo e a perda de peso.
Tomo umas vitaminas porque me andava a sentir cansada, no geral. Com muitas actividades e pouco tempo de sono, foi mesmo necessário. Há muito tempo que não fazia qualquer suplemento vitamínico.
A proteína que tomo, é a que o meu organismo consegue separar dos alimentos que ingiro. Mas claro, não crentes, acham que minto, que só o trabalho não consegue resultados desses. que não pode ser.
Quando vim de férias, houve logo quem me dissesse que tinha engordado, quando na realidade emagreci. Depois, ouço daquelas histórias do género: pára tu com o ginásio, e vais ver o que te acontece!

Estou rodeada de pessoas fofinhas, portanto!

O que as pessoas querem, afinal, é ver-me gorda! Se calhar, para se sentirem mais felizes com a infelicidade dos outros.

Não percebo o que ganham elas com isso.