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quarta-feira, 11 de março de 2020

cá estamos de volta ao hospício...

Bem sei que já não se chamam assim, as unidades de saúde mental, mas por aqui, é mesmo isso que isto parece.

Os dias não têm sido fáceis, a aturar gente com ataques desenfreados de histeria - umas vezes por causa dos pedidos, muitas vezes por causa do vírus que toda a gente fala. Se, nos primeiros instantes, os clientes me largaram no email centenas de circulares, em várias línguas, a perguntar se os fornecimentos de produtos poderiam estar em causa, caso importássemos alguma coisa de outros países, agora somos bombardeados sobre as descargas, os transportadores, os motorista: onde estiveram, por onde passaram, as máscaras, o álcool-gel, os cumprimentos, as visitas, formulários para preencher, medidas para tomar...

Não vou dizer que não estou preocupada. Estou. Até tenho alguma razão para estar, porque estou em permanente contacto com, pelo menos uma pessoa, que contacta com hospitais e centros de saúde, com doentes que podem ter e a coisa nem se manifestar. Mas tenho mesmo que tentar manter a calma.

A empresa tem um plano de contingência. Sabemos que todos podemos estar expostos ao vírus de forma inconsciente, e temos que zelar pela nossa e pela dos outros, tomando as providências recomendadas. e mais nada. acho que a situação é bem diferente quando nos expomos propositadamente a um perigo que sabemos existir e ainda assim, não nos protegermos ou mesmo evitarmos. Não podemos achar que acontece aos outros, ou lá longe, e que somos intocáveis, mas calma, sejamos prudentes na nossa histeria. Nunca vi o pânico salvar ninguém.

Por aqui há um dos elementos da empresa que está constantemente a ligar-se às notícias, para ver quantos novos casos há, onde é que são, se já há mortos, blablabla e vai anunciando tudo isto em voz alta... ontem, o dia não foi nada fácil em termos de trabalho e ter alguém constantemente a buzinar dados, alguns que prefiro ignorar para não panicar,  quase explodi. Já só queria que o dia acabasse, para ir libertar o stress todo para o treino. Ando outra vez a encher da idiotice das pessoas. Estou frágil emocionalmente porque as hormonas fazem destas coisas e até uma musiquinha qualquer faz logo vir a lágrima ao olho. Isto do vírus acrescenta mais fragilidade. e temos de estar todos fortes, para que possamos resistir ao contacto com o vírus se acontecer. Ter um sistema imunitário forte, é meio caminho andado para não sermos vítimas em potencial.

Acho que as pessoas deviam preocupar-se em se proteger e proteger os outros (contendo alguns dos seus actos pouco higiénicos, por exemplo) em lugar de andar a esmiuçar os dados todos e lançar o pânico. 
Acho que isto passou a ser uma epidemia do foro psicológico. a mente humana é pródiga em criar caos.  

quarta-feira, 4 de março de 2020

além de ser chata, pode ser que eu consiga por alguém a mexer-se...

{este título, se calhar, assusta as pessoas... vá, não sejam pieguinhas! :)}



Publicidade à parte [porque não me apeteceu estar a suprimi-la da imagem por preguiça], quando vi esta imagem, não pude deixar de concordar. 

Não amo particularmente fazer abdominais, mas tenho que render-me às evidências em como, a persistência em fazer abdominais de forma conveniente, ao fim de algum tempo, é um exercício que se faz com alguma tranquilidade. e eu fiz uma evolução brutaaaaaaal!  

Os treinos de braços da terça, terminam impreterivelmente com dois tipos de exercícios (alternados à semana): ora abdominais, ora pranchas. Ontem foi dia dos três tipos de abdominais (duas séries cada). Se há uns meses eu achei que fazer abdominal com peso me deixava à beira de um ataque cardíaco,a  deitar os bofes de fora, ontem, enquanto me apercebia da leveza com que fazia os abdominais, pensava na minha evolução. foi tão fácil. Não gosto muito dos abdominais oblíquos, ainda mais que, por os pés fora do chão exige uma força de abdominal que quase me deixa sem respiração, mas os abdominais tesoura e os de peito, com peso, são pacíficos [deixo este vídeo - a primeira parte é um dos exercícios que habitualmente fazemos - para quem quiser começar por algum lado...]  

Há muitas coisas em que sinto realização pessoal porque seria impensável há uns meses eu achar que ia lá chegar. Foi uma progressão! Devo muito ao treinador que acredita mais em mim que eu própria, que me motiva sempre, que diz que eu consigo muito mais quando digo que já não consigo. Devo-o a mim, porque, pelo menos uma vez na vida, a teimosia tornou-se persistência e, por sua vez, esta traduziu-se em resultados.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Labilidade

Há algum tempo atrás decidi que não iria por a minha felicidade nas mãos de ninguém. Só a mim caberia a decisão de deixar que os comportamentos dos outros me afectassem o coração. Resolvi que não poderia ser tão apaixonada quanto aos outros. e nem sequer estou a falar e termos românticos.

Tem sido difícil manter esta posição sem, de vez em quando, sentir que estou a deixar-me ir nas ondas da emoção. Porque, muito que eu queira ser inatingível, ainda não tenho uma camada protectora que me deixa incólume às emoções alheias. Assumo que os meus filtros, em manter longe o que facilmente me deixa débil, não estão tão cimentados quanto gostaria. e de novo me vejo a sofrer. 

Gostava de ser uma pessoa mais distraída, menos apaixonada, menos entusiasmada pela vida. Continuo a perceber que, de vez em quando, resvalo para os extremos: ora euforia, ora tristeza profunda. e sinto-me fracassar na minha decisão. 

e, por momentos, perco o Norte. e o sono. e apetece-e largar tudo, por me sentir tremendamente defraudada nas coisas em que me deixam acreditar.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

a minha incompetência social a dar sinais desde mil novecentos e troca o passo

Ando a precisar de ter uma conversa com uma pessoa. Porque ando a sentir-me incomodada com algumas coisas. Ou posso eu estar a incomodar. Ou é tudo fruto da minha cabeça e não se passa nada.

Às vezes, as pessoas não esperam a minha frontalidade, talvez porque eu não sou de levantar ondas com as pessoas de quem gosto muito, mas um dia canso-me e, quando digo o que sinto, amedronto as pessoas, talvez.

Recuando atrás. 

Durante alguns anos, fui obrigada a fazer psicoterapia. Não, não estava doida. A psicoterapia faz falta até ao mais são dos seres. Toda a gente, de vez em quando, deveria fazer uma consulta.

Quando mudei de cargo para o que agora ocupo, entrei numa espiral de sofrimento pelo bulling que recebia por parte de três colegas. Não contava nada a ninguém, mas agia como animal ferido com as pessoas de quem mais gostava. Perante a minha mudez e o facto de não deixar cá chegar ninguém, a minha mãe tomou a resolução de marcar a primeira consulta, para me obrigar a falar com alguém. não admitiu qualquer desculpa da minha parte para eu não ir. Foi a primeira de muitas sessões. Agora faço muito esporadicamente. Quando preciso de pôr as coisas sob perspectiva e não quero partilhar com pessoas que podem ser directa ou indirectamente envolvidos.

Depois de desanuviar de nuvens grossas e feias, a terapeuta conseguiu resgatar-me de uma espécie de inferno interior. Depois foi um reconstruir de tudo o que tinha sido destruído. Ao ponto, de ela me dizer que só eu não via que era uma pessoa-luz. que , por onde passava, não deixava ninguém indiferente. Para o bem e para o mal. Que despertava coisas boas nos outros mas também as más. Porque havia quem não suportasse o brilho.

Sou facilmente irascível, mas rapidamente deixo de ser macambúzia, quando digo o que tenho a dizer. Facilmente, volto ao meu estado de riso e boa disposição.

Outra que me chamou pessoa-luz foi a M.. Também ela acha que eu nunca posso deixar ninguém indiferente com a minha alegria, a minha paixão e compaixão, a forma como me entrego aos outros e aos seus problemas, sem pedir nada em troca. Que sou uma pessoa que os outros querem ter por perto. São palavras dela, não minhas. Estou apenas a citá-la.

Curiosamente, ontem quando cheguei ao ginásio e sentei no banco para me equipar, manifestei a quem estava, que não me apetecia nada. Arrastei-me por ali, a tentar vestir as calças e calçar os ténis. Ontem não tinha compromisso com ninguém, podia demorar-me na troca de roupa. As pessoas à volta foram manifestando estado de espírito idêntico ao meu. Houve quem dissesse que devia ser da lua. Entretanto acabei por rir-me e dizer meia dúzia de parvoíces. e rimo-nos todas. Uma das mulheres que habitualmente costuma estar a arranjar-se para sair quando eu chego– deve ter pouco menos que a minha idade – aproxima-se de mim, e diz-me que já me observa há algum tempo e que eu estou sempre alegre e bem disposta, mesmo que não me apeteça nada. à entrada e à saída. fiquei sem saber o que lhe dizer. sou dessa forma sem dar conta. não me vejo a ser uma pessoa mal disposta por hábito. Pelo contrário. mas fiquei outra vez com aquela etiqueta de pessoa-luz. Há mais umas quantas pessoas que, recentemente, quando chego, me cumprimentam com um sorriso de orelha a orelha e me tratam pelo nome. Obviamente que me sinto acolhida e não encolhida.

E tudo isto, para dizer, que eu tenho todas as condições para ser uma óptima comunicadora, com capacidade para fazer amigos facilmente e ser óptima em relações interpessoais. Só que não. Sou-o apenas nas relações profissionais. Quando as relações começam a ser mais profundas, tenho sérios problemas em saber como agir, ou estou em constante auto-reavaliação, se estou  a portar-me bem ou se estarei a ser inconveniente. Sei quão intensa sou e, às vezes, admito que posso passar uma ideia completamente diferente a outra pessoa do que espero ou sinto por ela. O medo de ser mal interpretada ou manifestar um sentimento que, a outra pessoa pode interpretar de outra forma, leva-me a recuar. A comportar-me de uma forma que pode ser considerada arrogância, quando no fundo, é uma forte insegurança, sobre como saber estar. Sou péssima em relações interpessoais. E se, porventura, alguém me despertar sentimentos mais profundos, se bem me lembro, tenho tendência a tentar camuflar, para que não haja qualquer suspeita do que eu possa estar a sentir. Desde sempre fui assim, pelo medo da rejeição. Mesmo que me digam que o não é garantido, prefiro guardar para mim.

Confesso que me vai custar a conversa que tenho de ter, mas tem que ser. Temo estar a passar uma ideia de uma coisa que não é. e sinto que tenho estado a ter um comportamento algo dissimulado, como se estivesse a pisar ovos, porque não sei como agir. é uma relação que tinha tudo para ser fantástica e produtiva, e está a entrar em declínio. Sinto que não estou a conseguir chegar-lhe, como habitualmente chego a toda a gente. Porque isso já foi possível,  foi uma coisa que aconteceu logo no início, em que houve uma empatia fenomenal. O que terá mudado? fui eu? será que me passei a comportar de forma desagradável sem dar conta?

Acho que não posso adiar mais a conversa. só me está a fazer ficar cheia de dúvidas existenciais. Não acredito que seja da lua. :)

O que estarei a fazer agora de errado? o que posso fazer para mudar? será que conversar afinal só vai estragar tudo, porque depois serei demasiado sincera e amedronto o outro lado?

Acho que preciso tirar um curso sobre comportamento social...




quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

O poder da mente

A semana passada foi um pouco penosa para mim.
Depois de, na semana anterior, ter sido acometida pela dor ciática na perna direita, o treino das quartas, com ela, foi difícil. Foi puxado, sem descanso, e com mais de dez exercícios e suas repetições, em modo alta intensidade. Ela entusiasma-se e, como habitualmente, a minha resistência é um grande desafio para ela [são eles quem fala na minha resistência, não eu, que me acho mais fraca que os demais, mas se o dizem...]. O número de exercícios, a variedade e a dificuldade crescem exponencialmente. E temos meio ginásio a olhar para nós (o que passou a ser bastante incomodativo para mim - há sempre alguém que ergue os polegares em sinal de motivação, ou quase me vem segredar ao ouvido: força, que tu aguentas! )
Com a dor a manter-se, comecei a sentir que havia a possibilidade de contrair uma lesão, e depois já não podia treinar, e ia todo o trabalho por água abaixo. Comecei a perder a coragem para correr [e já ia tãaao lançada na preparação], a força nos braços para os exercícios de halteres começou a fraquejar. Tinha feito umas massagens horríveis com o PT para debelar a dor, mas ela ainda cá andava. a cabeça começou a pensar tanta coisa.
Há uma semana, a cabeça só dizia para anular o treino com ela, porque eu iria sofrer. Porque ela me ia exigir algo que eu já não conseguia nem me sentia desafiada para dar. Passei a odiar os treinos com ela, que antes adorava. Mas compareci, e tive de pedir-lhe para já não fazer a terceira série de repetições. Que não queria, que não conseguia. Faltava-me o ar e vi-me a panicar. Mal conseguia estar deitada no colchão para os abdominais, porque comecei a achar que tinha deixado de saber como respirar. Em casa, fui incapaz de estar deitada na banheira a relaxar porque tinha medo de o ar não passar, porque eu não sabia respirar. Precisei concentrar - me em algo agradável, para tentar relaxar os músculos, aliviara a tensão. Comecei a pensar que estava a perder a motivação. Comecei a sentir-me, pela primeira vez, em todos estes meses de ginásio, uma pessoa tremendamente infeliz. Achava que estava a perder o mais importante para mim. Tinha deixado de ser diversão. Depois de ter falado com o meu PT, logo no dia a seguir, resolvi que não devia ser ele a corrigir o comportamento dela, mas sim eu a expor a situação. E a conversa aconteceu no sábado. A pressão que eu sentia desapareceu. Voltou a vontade de fazer corrida e os treinos voltaram a decorrer normalmente. Os treinos dele. O peso voltou a sucumbir ao exercício e deixei de  me sentir um barril cheio de água.
Hoje voltei ao treino dela. Não me senti esgotada, ela não se pôs a acelerar com exercícios manhosos. Foi tudo muito tranquilo e eu não me lembrei que não sabia respirar. Tudo tranquilo. Tudo pacífico. Saí com um sorriso no rosto. Ela super meiga, com toda a calma, e muita paciência. Pedi-lhe uns exercícios para alongar depois da corrida e logo foi muito prestativa, exemplificando e executando comigo.

Custou - me muito dizer lhe os os últimos treinos dela me estavam a fazer infeliz, que a pressão de ter espectadores sempre a mirar os nossos treinos e a fazer comentários [ainda que bons, estavam a obrigar-me a superar-me de dia para dia e isso estava a ser extenuante]. Eram cada vez mais intensos. Andava esgotada. As perguntas nos balneários também me começaram a irritar. Porque tanto ela como os mirones estão sempre à espera que atinja estado limite acima do expectável.
Estive à beira de um colapso nervoso. A cabeça só dizia: desiste! Tu nunca serás capaz. 

Felizmente passou. Estive a curta distância de perder toda a minha motivação, mas felizmente fui capaz de dizer o que sentia, e confrontei  o cérebro outra vez com os objectivos a que me propus. E o sorriso voltou à cara, a alma está mais leve e quase voltei aos parâmetros que já tinha atingido para a corrida.

Aquilo que pensamos, a nossa falta de vontade quando nos sentimos pressionados, envenena-nos e retornamos para o lugar de onde viemos. Isto foi a prova que a mente pode provocar resultados devastadores, se nós deixarmos, se sucumbirmos. 




terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Porque raio não aprendemos?

Apesar de todas as lições que a vida já nos deu, sem darmos conta, continuamos a penhorar o coração! 
Principalmente quando adivinhamos que as consequências serão, certamente, desastrosas!

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Nem sempre acho que corre bem...

Hoje estou um pouco decepcionada comigo mesma. Tive um desempenho que esteve longe de ser bom, quanto mais de ser brilhante.
Sei que passámos a um estágio diferente de treino e os vinte minutos de corrida que tenho que fazer todos os dias, criam cansaço adicional que,  afinal, e sem que eu dê conta, transita de um dia para o outro.
O treino metabólico dela (hoje foi com ela) tem abdominais, o dele não. Nas duas últimas semanas fiz metabólicos com ele, porque houve essa oportunidade rara, e existindo , ele não quis desperdiçá-la. Mas não fiz abdominais. E isto hoje notou-se na dificuldade em fazer, embora eu já ontem suspeitasse quando tive fazer alguns.
Senti-me tão desajeitada e impotente a fazer man makers (que nome estranho!) - foi a primeira vez que fiz. Fazer prancha e remada com pesos de 4kg é fácil, pior é a parte de pôr de pé e erguer os pesos. Quero pensar que será como todos os exercícios que antes não conseguia fazer e agora são fáceis [estou a tentar convencer-me a mim própria!]. Mas continuo a ter um ódio de morte (ou quase!) aos burpees.
Apesar do cabelo pingar suor, a t-shirt poder espremer-se, sinto que fiquei longe das expectativas. Dela e minhas. e isso hoje deixou-me triste.
Fiz os vinte minutos de preparação de corrida mas não senti grande prazer nisso e quase não fazia o tempo estipulado. Obriguei me a isso. E custou-me mais que os quarenta minutos de ontem. Adicionalmente, enquanto  estava na passadeira, houve quem me estivesse a tirar as medidas à retaguarda e constatasse que eu estava mais magra. A sério?? Não me digam! Quase perguntei aos emissores desses comentários, como tinham chegado a essa conclusão. 

Se os atletas de topo têm maus dias, os fraquinhos como eu, não serão excepção. 

Amanhã será outro dia. Por aqui, nem tudo é sempre fantástico! 

domingo, 29 de dezembro de 2019

Não era nada assim que eu queria escrever. Mas também não caberia tudo.

Já comprou a cueca azul para começar o novo ano? - perguntou-me ela em mais um dos nossos habituais encontros de sábado.
Tem que comprar! - disse-me quando lhe respondi que não estava a pensar nisso.

Quando passei de 2018 para 2019, não comprei nenhuma peça de lingerie azul - dizem que traz sorte- e não foi isso que não fez com que o ano não fosse singular. 
Estava mais preocupada em livrar-me das tralhas que tinha dentro do nariz, depois de uma cirurgia mais demorada que o esperado, mas bem sucedida. 
Assim comecei o ano, de robe, nariz arranjado, e de baixa médica os primeiros quinze dias do ano.
E depois de adiar um problema durante vinte anos, e muitas conversas com o otorrino mais espectacular (e não só!) que conheço, ser capaz de perder medos começou a mostrar me todo um mundo de oportunidades que andava a perder.
E a vontade de escrever num blogue voltou, depois de dois anos de uma vida meio viva, meio morta... 
Escrevi sobre um ano inteiro da minha vida, num total de mais de quinhentos posts. Escrevi sobre paixões, desilusões, sobre mim e os outros. Quando começar o ano, não sei se escrever vai continuar a fazer parte das rotinas. Não posso garantir. 

Vivi tantas coisas este ano. Não vou voltar a referi-las porque tenho a certeza que todas elas estão por aqui espalhadas, neste meu caderno diário que é o blogue. 

O primeiro semestre cheio de loucuras que eu precisava sentir. Saí da concha onde sempre me protegi e fui à descoberta. Perdi o medo que me magoassem e deixei-me descobrir e ser descoberta. Foram seis meses que vivi numa euforia ímpar porque tinha medo de perder um segundo na vida, depois de tanto tempo a perder tanta coisa. Por medo que acumulei ao longo de muito tempo. Até aqui, só deixava as coisas acontecerem, e passarem ao lado. Fazer o quê? Pensava eu.
Conheci pessoas e aprendi com elas muita coisa. Guardei delas muitas lições. Nem todas, lições boas de receber, mas necessárias. Continuo a pensar que até as más experiências têm algo para nos ensinar. 
Fiz disparates. Não tornaria a fazê-los. Não me orgulho deles mas também não me condeno. Também foram lições! 
Aprendi que os limites somos nós que impomos, porque no dia em que nos tirarem algo que julgamos adquirido, vamos saber adaptarmos. Basta ir à luta.
Aprendi, ainda mais, a reconhecer que o diferente deve ser compreendido em lugar de ser julgado sumariamente, como todos temos o hábito de fazer.
E depois de meio ano, a viver tudo como se tivesse acabado de sair de um coma induzido, percebi que algo complicado andava a crescer a par com a euforia de viver. A ansiedade. Porque lido mal com a pressão. A raiz de todos ou grande parte dos meus problemas passados e presentes. Quando pensava que já me tinha redescoberto nos primeiros seis meses do ano, percebi que podia ter encontrado a fórmula eficaz para domar o meu Adamastor. E tomei a segunda melhor decisão do ano. Voltei a conhecer pessoas que todos os dias me mostram que o único limite sou eu apenas. Por todos os "não consigo" que vou repetindo, me mostram que eu não podia estar mais errada. E que me repetem quando tem de ser: não vou deixar que desistas de ti outra vez!

Isto não tem sido uma cura, porque há feridas que nunca vão sarar. Isto tem sido uma metamorfose. Voltei a ter a energia e a ter alguns objectivos. Alcancei coisas que nem sequer sonhei em atingir.
Claro que tenho dias maus, em que sou derrubada pelos outros com alguma facilidade, mas estou a trabalhar nisso. Em criar defesas pessoais contra o que os outros me dizem que me magoa. Não estou a trabalhar para a perfeição. Estou a moldar-me para aceitar as minhas imperfeições.

Como ela me disse, depois de termos resumido este ano, que começou sem a cueca azul vestida e nem por isso deixou de ser fantástico: o mérito é todo seu! Nós só fomos ferramentas para que conquistasse tudo o que conseguiu. Não queira tirar o valor a si própria. 
Foi um ano que não esquecerei. Foi um ano feliz, mesmo que haja preocupações a transitarem para 2020. Fui feliz. Estou feliz. Isso é que importa resumir. Que 2020 seja igual, porque 2019 tem sido fantástico. 
Gosto de números simétricos. Vinte-vinte é um número desses. Se auspicia boas coisas? Quero pensar que sim. Vão existir coisas que não vamos conseguir controlar - devemos aceitar - e as que dependerem de nós, que sejam as que nos façam felizes e nos completem, sem que se cause infelicidade aos que nos rodeiam. Não será felicidade, aquela que for conquistada à custa da felicidade dos outros... 
Que a felicidade chegue ao coração de todos, mesmo que seja preciso passar pelo deserto. 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

hoje vai ter de ser outra vez, para aguentar outro dia de trabalho, amanhã

Pelos vistos, o treino "rebenta tudo" de ontem, só deu para dissipar alguma da raiva e da pressão.
Ou hoje, o nível de pressão subiu ainda mais e eu já não fui capaz de conter mais as lágrimas, só porque não posso dizer o que sinto.

Logo vai ter de ser de novo, um treino "rebenta tudo". malhar até a cabeça ficar vazia. e sábado, de novo.

Há dias que não sei como ainda aturo isto aqui no trabalho.

Amanhã é que vão ser elas

Com uma série de exercícios novos, a minha cabeça só esteve concentrada em fazer o corpo corresponder. Nada mais.
O cabelo mesmo apanhado fazia o suor correr em bica. Senti-me mais leve de espírito.
Logo há mais... Espero ir melhor da cabeça.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Ficar apenas a mexer os olhos

Esta semana tenho andado stressada com as pessoas, com o trabalho, com as contas do clube, com o cabelo [ainda não sei se não devo voltar à cabeleireira para desfazer o ninho de ratos que me arranjou aqui...]. isso nota-se no corpo a fazer retenção de líquidos.
Basicamente a paciência está no vermelho. 
Hoje toda a gente apela aos " meus milagres" por causa das urgências mas eu acabei de dizer a um cliente que estou com o lado diabólico mais activo hoje, e a santidade é nula.

Já me arrependi hoje, mil vezes, de não ter ido fazer cardio ao lado do treinador depois do meu treino de braços, ontem. certamente tinha apaziguado algum do meu frenesim de hoje.

Logo, tenho um treino "rebenta tudo". é o único remédio que consegui encontrar até hoje que me livra deste peso. Se a coisa não melhorar depois disso,  fico sem soluções para esta carga de stress e ansiedade que hoje abunda por aqui.

Optei por não lhe dizer que preciso mesmo de ficar KO. Normalmente as minhas palavras são levadas muito à letra. e eu ainda preciso de me aguentar até ao final da semana.

[vai haver outro igual ao de hoje (ou pior) no sábado. para amansar - como ele diz] 

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Merecemos todo o respeito de nós próprios

O pior é quando damos tudo de nós aos outros e não pedimos nada menos dos outros,e percebemos que quase sempre as nossas expectativas saem defraudadas.

Talvez precisemos de acreditar mais na nossa força do que naquilo que os outros nos podem dar. A força está em nós. Temos de nos valer do que somos não do que esperamos dos outros.  Porque vão existir momentos que vamos ficar de mãos vazias. A gestão das expectativas de quem se entrega são sempre difíceis. Não que se queiram fazer cobranças mas, por vezes, sabe bem que as pessoas olhem para além do seu umbigo e percebam que alguém do outro lado está a precisar ou gostaria de um gesto de cuidado.

Ainda não consegui perceber se somos pessoas demasiado atentas às dificuldades dos outros, ou as pessoas com quem nos relacionamos são demasiado cegas  para sentirem [ou propositadamente não querem ver] que, às vezes, precisamos delas também?

Por isso, é que é sempre mais fácil contarmos só connosco, mesmo que tenhamos que fazer o dobro do caminho para chegarmos onde queremos. 


sexta-feira, 29 de novembro de 2019

eu, a falar em mudança? internem-me!


Para uma nativa de Touro, como eu, a palavra mudança causa calafrios, urticária ou uma vontade infinita de correr para longe.

Deve andar aqui o meu ascendente – que não sei bem qual é – a querer contrariar a minha natureza taurina. Ando com vontade de mudar, ter um ar mais swag!

No final do ano passado, após a cirurgia ao nariz, decidi dar um corte radical ao cabelo comprido que tinha e ficou bem acima dos ombros, com a frente mais comprida que a parte de trás. Comecei o ano assim. e choquei algumas pessoas que depois se habituaram.
Deixei de arriscar em cores como o vermelho, e passei a apostar apenas na minha cor natural de cabelo, o castanho escuro, porque as cores perdem facilmente a vivacidade – adoro vermelhos! Mas acho o cabelo monótono assim, e com as lavagens todos os dias, porque agora ensopo o cabelo todo no ginásio, as cores com duas ou três lavagens, vão pelo ralo abaixo.

Tenho andado a ponderar cortá-lo curtinho, e voltar aos vermelhos… mas tenho dúvidas que realmente vá adorar.

Na última vez que estive na cabeleireira, ela sugeriu que eu arranjasse um tempinho e fizesse ombre hair. Quero mesmo muito mudar, mas acho inconcebível para mim, passar um dia inteiro na cabeleireira; não sei como há quem tenha paciência.

Preciso mesmo de uma mudança! [devo estar doente para falar em mudança, eu, do signo que mais resiste às mudanças. o que só muda porque é obrigado…]

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

E o treino de hoje

Foi brutal.

Pareço um pintainho que andou à chuva. Completamente encharcada em suor. O meu metabolismo está mais acelerado. Noto isso.

O M. percebe quando começo a sentir que as coisas não são desafiantes para mim. Outras vezes, digo-lhe que não quero que a monotonia se instale. Assumo que também lhe vou dando alguma luta e trabalho. ele não se nega.

Ele percebeu que eu cheguei cheia de energia. Ele disse que eu ia amansar [a palavra foi mesmo esta!]. Certo é, que continuo eléctrica mesmo com o treino em cima, e sinto-me extremamente contente comigo mesma.
Ele diz que isto vai acelerar.

Ele que venha. Que eu quero ver se estou à altura. Tenho de estar


energia a mais


Sempre fui uma pessoa com  ”energia a mais” face à maioria das pessoas, pelo menos até aos quarenta. 
Houve pessoas que mais recentemente me apelidavam hiperactiva e eu estava em baixo de forma. se me tivessem conhecido antes dos quarenta, nem imagino o diagnóstico que me fariam.
Dormia pouco e acordava fresca, dormisse oito ou quatro horas. Tudo na minha vida estava organizado ao pormenor, não me esquecia de nada [sem agenda ou outro auxiliar], e sobrava tempo para o descanso. Em trinta dias num mês, talvez só me sentisse esgotada em cinco deles. Fazia imensas deslocações de carro por semana, e não saía de casa sem que tudo estivesse limpo e nos devidos lugares.

Quero culpar apenas os quarenta, mas creio que isso terá sido somente um dos factores para terem havido mudanças drásticas no meu bio-ritmo.

Aos quarenta larguei de todo a possibilidade de ter filhos. Afundei-me em actividades que me consumiam tempo, porque a busca da perfeição consome tempo e recursos. A solidão também.

Sujeitei-me muito mais a juízos alheios [que foram fragilizando algumas partes de mim já frágeis] e passei a ter dias e noites ocupados com coisas que faziam parte da agenda de um grupo e não somente minhas. Aliás, as minhas coisas passaram a estar no fundo da minha agenda mental e raramente lhes colocava um visto à frente.

Há dois anos, quase três, a vida deu grandes voltas. A vida jamais voltou a ser como era. Em trinta dias, passei apenas a ter cinco em que me sentia cheia de energia, capaz de enfrentar o mundo. Andava sempre cansada e sem energia para qualquer coisa. A desmotivação era notória. Levar o trabalho para as férias, que antes nunca me perturbava, foi fazendo mossa. Não era capaz de desligar, nem usar de bom-senso para delegar. Este ano, das duas vezes que fiz férias, quase não notaram a minha presença no trabalho. permiti-me descansar. Querer a perfeição, que nada falhe, estar no controle leva a um desgaste brutal.

Deixei de me preocupar tanto com a casa, mas assumo que isso me trouxe frustrações, porque não sou capaz de viver na confusão. Não ter tempo para que estivesse tudo limpo e no lugar, fez-me sentir incapaz. Como era possível que eu, uma pessoa, cheia de energia, de repente, ignorasse o que me era necessário para me sentir mentalmente sã? tive de aceitar e aprender que a casa não é para museu, vive-se lá dentro…

A ida para o ginásio obrigou-me a fazer mudanças de fundo na organização do meu tempo já de si tão condicionado. Tive que sacrificar o horário pós laboral – que era usado para me organizar no meu trabalho propriamente dito, depois de toda a gente sair – para fazer a viagem e picar o cartão no ginásio. Tive de passar a por a minha saúde em primeiro lugar. aprendi a relativizar. que há coisas que não precisam ser feitas hoje, que podemos deixar para amanhã. Porque isso não vai fazer diferença tamanha na vida da empresa.

Estava de rastos quando fui de férias agora em Novembro. Cheguei a ter dias de dormir quase tanto de dia, como de noite. Precisava desligar e fi-lo. Foi óptimo. Senti que a bateria estava verdadeiramente a carregar.

Antes de ir de férias comprei um suplemento de vitaminas, porque me comecei a sentir desesperada por não conseguir que o meu organismo recuperasse energia só com a noite de sono. Mas só comecei a tomá-lo depois de vir de férias. Não creio que já tenha tido tempo para fazer efeito. Não fez certamente.

Porém, este fim-de-semana senti-me aquela velha pessoa cheia de energia. Surpreendentemente estes deviam ser dias mais down. Conheço o meu corpo e sei quando sucumbe por conta das hormonas. Sábado e domingo, levantei-me ainda não era dia, fiz coisas que andava há imenso tempo a adiar – porque andava demasiado cansada para pegar nelas- e consegui organizar-me com uma série de tarefas. foram dois dias que nunca parei e nunca me deu vontade de parar, por me sentir agastada ou cansada. Ainda fui jantar com uns amigos e ficámos à conversa. e regressada a casa, adiantei mais umas quantas coisas. [não, não bebi Red Bull, e a sangria habitualmente dá-me para descomprimir, não para trabalhar!]. Hoje voltei a acordar uma hora mais cedo que o habitual e despachei uma série de tarefas que, não sendo feitas, me atrapalhariam a semana. O trabalho feito no fim-de-semana mostrou-me que a velha pessoa cheia de energia ainda cá vive [e eu pensava que os quarenta a tinham matado], e deu-me motivação.
Já não sou mulher para fazer bolos depois de me levantar, para levar para o trabalho [que começa às 8.30 h], como fazia antes. ou engomar roupa, ou outras cenas. mas se isto continuar assim, talvez volte a sentir-me mais energética e  tudo volte aos eixos, tal e qual como gosto, para me sentir equilibrada. Esta semana, sei que vou levar grandes sovas no ginásio, principalmente na quarta, mas vou tentar que o meu nível energético esteja em alta. A motivação está oitra vez muito forte quanto ao exercício, e quando o final do ano chegar, quero que mais uma página esteja virada, quando ao que quero para o meu corpo.

Fico feliz quando me sinto verdadeiramente de volta ao que já fui no que diz respeito à "energia a mais". Dá-me mais energia. A ver se consigo manter isto...

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

aprender a falar disso sem vergonha

A propósito de fotos, não nego que devia ter tirado uma foto a mim mesma, quando entrei para o ginásio. Para ver a evolução durante as semanas de treino. Ainda pensei no assunto, mas confesso que não estava muito crente que conseguisse os resultados que os outros conseguem [estava hiper-motivada, mas a prioridade número um era o combate à ansiedade e julguei que nunca seria possível perder peso]. Além disso, a vergonha de me retratar, nua, e andar com isso registado no telemóvel, pareceu-me demasiado.
Era vergonhoso para mim própria olhar-me numa foto. Ainda é. Por achar defeito em tudo. ou porque as pernas me parecem tortas, ou porque o pescoço não sei quê, ou porque tenho manchas na cara, e o rol de críticas continua...
Já passaram quase cinco meses, e admito, que se tivesse uma foto do antes e uma foto do agora, ia constatar que as diferenças seriam mais notórias do que eu me lembro. Ainda ontem alguém [que não treinador] me voltou a relembrar que se nota tanto a perda de peso e a definição de novas formas. [e não, não sofro de obesidade mórbida, nem nada que se pareça, mas o peso sempre foi um tema extremamente difícil para mim].
Agora com o corpo queimado do sol, com as marcas brancas, nos lugares onde já esteve um bikini, olho-me ao espelho de corpo inteiro, quando me dispo, e começo a gostar do que vejo. Estou longe de chegar onde quero, mas há coisas que começo a sentir que não devo envergonhar-me. No geral, nota-se que o corpo está trabalhado, as curvas já não estão tão vincadas, a linha da cintura está a estreitar mais, as pernas estão fortalecidas. O peito, apesar de estar mais pequeno, não perdeu graça nem ganhou estrias e gosto dele assim. Os glúteos continuam arrebitados embora o tamanho tenha diminuído. e segundo a massagista, a pele apresenta óptimo aspecto. A celulite abunda mais na parte interna dos antebraços do que nas coxas e a que aqui existe é superficial e não fibrosa - portanto pode ser feita alguma coisa.
Sobre os antebraços, ontem perdi a vergonha, e falei como M. sobre o comentário da massagista e, ele diz que as mulheres têm sempre um complexo com o músculo do adeus. Que vamos passar a dar trabalho ao músculo, a ver se conseguimos melhorar o seu aspecto. Está bastante melhor que inicialmente, tenho que reconhecer, mas quero que fique ainda melhor.

Ainda estou muito longe de estar onde passei a sonhar estar [e eu sonho bem pequenino], mas começar a gostar daquilo que vejo, é sinal que a auto-estima está a aumentar. E que todo o esforço - apesar de algum gozo que tenho sofrido, porque há quem ache que estar no ginásio é ser masoquista - tem valido a pena.

Isto tem andado devagar mas tenho esperança de conseguir chegar à meta. Mesmo que faça o percurso num tempo mais alargado que os demais. às vezes, quero andar mais depressa, mas tudo tem o seu tempo. terei de ter paciência.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

ter o coração no comando



Há uns anos atrás, muitos diria, esteve muito na berra um livro com um título sugestivo: Vai aonde te leva o coração*, de uma autora italiana amplamente conhecida.

Penso muitas vezes neste título, quase como uma espécie de mandamento. acho que ultimamente penso mais.

Porque me entrego muito mais às pessoas do que alguma vez fiz; não me resguardo, numa acção preventiva, para que não me magoem. Não estou sempre à defesa, nem a ser tantas vezes, juíza de mim própria;  estou mais forte nisso, porque esfolo os joelhos, limpo com esparadrapo, e sigo em frente.

estar numa torre enclausurada, a ver a vida a passar lá do topo, e não por o pé fora da muralha, com medo, é limitador. Perde-se muito mais do que o que se ganha.

Contudo, se eu fosse para todos os pontos aonde quer ir o meu coração, creio que a vida daria mil voltas em alguns instantes, com risco de ficar com uma mão vazia, e outra cheia de coisa nenhuma.

O coração é insano, não se importa os riscos que corre, as perdas que pode sofrer, arrisca tudo. e magoa outros corações. Podemos ir onde nos  leva o coração, desde que a razão saiba, moderadamente, travar um coração desgovernado. Dá tempo para o coração se reorientar e perceber se é o aquele o caminho que quer.


*Para quem ainda não leu, recomendo vivamente. Vale a pena ler.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Há muito para contar?



Não há. Mas talvez eu fale no que eu acho que vale pena ser mencionado.

Não pretendo ser influenciadora, e as impressões que poderei emitir (a ver se evito), são as minhas enquanto cliente muito difícil e exigente, admito. Não sou nada fácil de agradar. 

As férias foram relativamente tranquilas. Duraram o tempo que tinham que durar. Não há nostalgia de ter deixado o calor e chegar cá com uma diferença de temperatura na casa dos 20º C. Arrepiou um bocadinho, mas para quê reclamar? Não mandamos no tempo! Felizmente.
Aqui não há calor - o sol hoje está a dar um ar de sua graça - mas há coisas que têm que ter o seu tempo e o seu lugar. Também fazem parte da  renovação. De que vale reclamar do tempo? ele não vai melhorar por isso!

As férias souberam muito, muito bem. Senti que limpei o disco rígido de todo o lixo que cá andava. Obviamente que a ida de férias não faz espantar os problemas que cá ficaram mas, pelo menos, faz ter uma outra visão, e permite uma nova abordagem para a sua resolução. Assim o espero.

Sinto que é um recomeço, mesmo não sendo o início do ano. Vejo-me a fazer alguns planos, a querer concretizar algumas coisas, a querer mudanças de fundo em alguns aspectos que acho que me prejudicam e vejo oportunidades de melhoria em coisas que, não há muito tempo, estava intransigente. Consegui recuperar um pouco a minha sanidade mental, e regresso com vontade de a manter. Para me lembrar todos os dias que não ganho nada em andar a correr, em stressar, veio uma pulseira para me reforçar essa ideia, para não me esquecer. O que é o slogan de um país, deveria também ser o meu modo de vida. vou tentar que assim seja.

Estou grata pelas férias que tive este ano, em duas ocasiões diferentes, em locais fora do país. Reconheço que sou uma sortuda. Que a vida me continue a permitir oportunidades destas.




sexta-feira, 8 de novembro de 2019

eu quero lá saber! - deveria ser assim, mas não é!

Eu não sou daquelas pessoas que percebe grande coisa de trapos, das melhores lojas para os comprar e confesso que morro de medo que algo que goste, não me fique bem. Quando a questão do corpo é algo que nos atormenta, quando achamos que não há parte nenhuma do corpo que se destaca, pela positiva, optamos pela sobriedade, tentando não ser foco de atenção. Basicamente passar despercebida. Durante muitos anos, não usei nada de vermelho porque achava que efectivamente era too much para mim e ainda chamava a atenção. [os meus sapatos vermelhos continuam a ser alvo de comentários, mesmo usando-os com alguma frequência e, às vezes ainda me incomodam os reparos. Como será quando eu comprar um outro par, como estou a pensar?]
Creio que isto se deva mais à falta de auto-confiança que ao bom/mau-gosto. Vou acreditar que sim. Embora já esteja bem melhor - arrisco qualquer coisa- mas realmente sinto desconforto.

Há coisas que gosto nas outras mulheres, mas que dificilmente me atrevo a usar. Por exemplo, há sempre a típica questão entre o sexo feminino sobre se é arrojado demais usar um batom vermelho no dia-a-dia. Umas mulheres admiram outras por considerarem isso quase um acto de coragem. Afinal, a nossa aparência é o nosso cartão de visita.

Tenho medo do risco [também na roupa]. Nem sei se é o medo do risco , se é o medo da opinião dos outros, que por muito que tente que não tenha tanto peso, não sou capaz de me livrar desta condicionante. Acho que é uma questão educacional, de que já não me livrarei, e que continuo com dificuldade em contornar, por muito que tente, admito. Talvez por isso, não seja de falar muito nas minhas coisas, guardando e remoendo vezes sem conta, tornando algumas questões verdadeiras tempestades na minha cabeça.

Há coisas que gostaria de usar, sem medos. Sem o medo de me achar que fica mal ou da opinião dos outros.

Sempre adorei gravatas e suspensórios. Não é um gosto só porque pode ser moda.  nem acho que seja neste momento. Ou neste momento, afinal vale tudo e está tudo na moda. Acho que uma mulher pode ficar muito elegante com qualquer destes acessórios, sem deixar de ser feminina. Gosto de coisas "out of box", embora no dia-a-dia, isso não seja nada evidente. O medo de ser ainda mais "diferente" do que já me acho é castrador, limitativo, confesso. Os suspensórios que tenho lá em casa - vermelhos com um apontamento de azul - ficariam a matar com os meus sapatos vermelhos. se eu fosse mulher para me atrever a tanto! 

Sou tão parvinha e não há meio de mudar! ai, ai... nem a idade ainda me fez mandar tudo p'ro espaço e mergulhar fundo.



quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Quando ando mais calada, é quando tenho mais para dizer e não consigo...

Ando cansada e tudo me pesa.

É nestas alturas que acho que a minha vida tem de levar nova volta. Só não consigo pensar na melhor forma de o fazer. Este ano já deu algumas... e o resultado foi bom. 

Ir de férias vai saber bem. Mas sei que, quando regressar, eu posso vir mais leve, mas tudo o que me pesa agora, vai continuar por cá...