Bem sei que já não se chamam assim, as unidades de saúde mental, mas por aqui, é mesmo isso que isto parece.
Os dias não têm sido fáceis, a aturar gente com ataques desenfreados de histeria - umas vezes por causa dos pedidos, muitas vezes por causa do vírus que toda a gente fala. Se, nos primeiros instantes, os clientes me largaram no email centenas de circulares, em várias línguas, a perguntar se os fornecimentos de produtos poderiam estar em causa, caso importássemos alguma coisa de outros países, agora somos bombardeados sobre as descargas, os transportadores, os motorista: onde estiveram, por onde passaram, as máscaras, o álcool-gel, os cumprimentos, as visitas, formulários para preencher, medidas para tomar...
Não vou dizer que não estou preocupada. Estou. Até tenho alguma razão para estar, porque estou em permanente contacto com, pelo menos uma pessoa, que contacta com hospitais e centros de saúde, com doentes que podem ter e a coisa nem se manifestar. Mas tenho mesmo que tentar manter a calma.
A empresa tem um plano de contingência. Sabemos que todos podemos estar expostos ao vírus de forma inconsciente, e temos que zelar pela nossa e pela dos outros, tomando as providências recomendadas. e mais nada. acho que a situação é bem diferente quando nos expomos propositadamente a um perigo que sabemos existir e ainda assim, não nos protegermos ou mesmo evitarmos. Não podemos achar que acontece aos outros, ou lá longe, e que somos intocáveis, mas calma, sejamos prudentes na nossa histeria. Nunca vi o pânico salvar ninguém.
Por aqui há um dos elementos da empresa que está constantemente a ligar-se às notícias, para ver quantos novos casos há, onde é que são, se já há mortos, blablabla e vai anunciando tudo isto em voz alta... ontem, o dia não foi nada fácil em termos de trabalho e ter alguém constantemente a buzinar dados, alguns que prefiro ignorar para não panicar, quase explodi. Já só queria que o dia acabasse, para ir libertar o stress todo para o treino. Ando outra vez a encher da idiotice das pessoas. Estou frágil emocionalmente porque as hormonas fazem destas coisas e até uma musiquinha qualquer faz logo vir a lágrima ao olho. Isto do vírus acrescenta mais fragilidade. e temos de estar todos fortes, para que possamos resistir ao contacto com o vírus se acontecer. Ter um sistema imunitário forte, é meio caminho andado para não sermos vítimas em potencial.
Acho que as pessoas deviam preocupar-se em se proteger e proteger os outros (contendo alguns dos seus actos pouco higiénicos, por exemplo) em lugar de andar a esmiuçar os dados todos e lançar o pânico.
Acho que isto passou a ser uma epidemia do foro psicológico. a mente humana é pródiga em criar caos.


