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terça-feira, 17 de março de 2020

Na era do vírus

Não sei se foi por ter ido correr por entre pinheiros no domingo, ou que bicho terá vindo visitar-me, que a meio da manhã de ontem tive de tomar um anti-histamínico, porque não parava de espirrar. Com o clima de suspeição a  pairar no meio de todos, confesso que me senti com medo de ser apontada como portadora de vírus. Podem ter pensado, no escritório, mas não o disseram. É verdade que qualquer tosse ou espirro é sinal de alarme. Creio que, por aqui não passou de falso alarme. Assim espero.

Continuamos todos no posto de trabalho, até que a doença se manifeste ou, com as fronteiras fechadas, se acabe a matéria-prima. Anda tudo desvairado, e posso montar uma colecção significativa de comunicados, com mais ou menos palavras, mas resumindo, são todos iguais. Os motoristas de transportes são agora uma classe reduzida à clausura dos seus camiões, e nós sem sabermos muito bem como se pega na documentação, sem apanhar o maldito bicharoco. Não anda fácil tentar abstrair-me um pouco desta situação, porque é mesmo assunto do dia e toda a gente acha que a sua opinião é a melhor para o país. É nestas alturas que eu não gostava de ser governante. Há coisas que é mau demais ter que tomar decisões sobre elas, e viver com isso na consciência.
Com o ginásio fechado, ontem foi o primeiro dia de treino funcional, sozinha. Confesso que demorei a consciencializar-me que tenho de ser eu a puxar por mim. Lá peguei no esquema de exercícios que ele me mandou, a fazer em dias alternados até ao final da semana. São dez exercícios, a repetir em séries de três. Na totalidade, a fazer em vinte minutos. Fiz em vinte e sete, acabei em soutien de desporto, encalorada como se estivesse no Inferno [dizem que é quente] e o suor a correr em  bica. Fiz e isso é que interessa. Resultados enviados. De volta recebi os comentários de onde posso melhorar. Até ao final da semana tenho de baixar o tempo para os vinte minutos pedidos.  Hoje pensei levantar-me cedo - antes do trabalho- e ir correr, mas era noite ainda. A ver se consigo sair cedo e aproveitar o lusco fusco para correr meia hora. Preciso manter-me activa e forte. E preciso dar a mim própria provas que sou capaz de tanta coisa, basta que me ponha a isso.

Para memória futura, aqui fica o resumo do primeiro treino funcional, da primeira semana, na era coronavírus e  crio uma etiqueta nova neste espaço: somos mais fortes que o corona.

Composição do treino funcional era coronavirus (semana 1):

- Para fazer em três séries cada:

  1. Agachamento com salto (15 cada série); 
  2. Flexão de braços- peitoral  (15 cada série)
  3. jumping jacks (30 cada série)
  4. Thruster (15 cada série - com garrafão de água de 6l)
  5. Burpees (a partir do chão, 10 cada série)
  6. Abdominais Oblíquos com bola (e pés no ar, 10 cada série)
  7. Lunges (série de 10 cada perna)
  8. skipping
  9. Walk to plank (10 cada série)
  10. Montain Climbers (30 cada série)
Tempo ideal: 20 min [um dos treinos da semana terá que ter este tempo]
Tempo conseguido:




A foto está tremida porque tirei-a mal acabei o treino e estava mais morta que viva! Mas soube bem. Somos mais fortes que o vírus.


terça-feira, 10 de março de 2020

e o dia nasce, e pode ser diferente de ontem.

Decerto toda a gente tem pessoa ou pessoas que deixaram marca na sua vida. Pessoas que, por uma ou muitas razões, lhes mudaram a vida, lhes reconhecem o valor, aos quais são gratas. Que até possa passar uma eternidade, vão sempre estar no seu pensamento. Um professor, um amigo, um médico, um colega de trabalho. Alguém que nos fica para sempre no coração.
Eu sou muito de acreditar que nada acontece por acaso, que quem entra na nossa vida, terá o seu propósito, assim como nós na vida dos outros. Quando a missão de cada um acabar no caminho daquela pessoa, e cada um seguir o seu, haverá aprendizagem, se todos estiverem atentos, abertos a isso.
Talvez por acreditar muito nisto, vivo muito intensamente todas as pessoas que me aparecem na vida, amo-as (num sentido lato) e dedico-me a elas enquanto permanecem na minha vida. Por isso também sofro muito, por causa de uma entrega tão profunda, tão emocional. Crio demasiados laços que nem sempre dão os resultados que gostaria. E assim, também me decepciono muitas vezes, por causa dessa entrega tão de corpo e alma.
Com o tempo, a idade e a vida aprendi a moderar isso. Mas ainda sofro muitas vezes, mas também tenho muitas alegrias. e são essas que cá ficam.
Há muitos anos que eu não tinha um objectivo de vida tão grande, tão intenso e tão exigente como este de querer melhorar o meu estado mental e de saúde. Andei anos a tentar ter filhos, não mudava de emprego por causa disso, e também outras razões familiares que não gozavam de uma situação tão estável quanto a minha. Parte da minha vida emancipada foi para estar para os outros. E para ter todas as condições para ter um filho. Tinha programado tudo ao pormenor, para não ser apanhada pelas surpresas que as grávidas costumam ter.
Os anos passaram e nada do que tinha projectado para a minha vida adulta aconteceu. Eu sustentava a felicidade dos outros, achando que isso contribuísse para a minha, quando na verdade, o dar recebendo pouco em troca, me deixou árida.  A minha entrega aos outros deixou-me esgotada durante muito tempo, e deixei de ter sonhos. abandonei-me. Acho que só não aconteceu desejar a morte, porque a temo demasiado.
Fiquei sem sonhos. Não havia nada para sonhar. Não vivia feliz nem havia nada a obrigar-me a ir em busca da minha felicidade.
Até ao dia em que descobri que podia pensar em renascer. Aconteceu por acaso, ou porque, se calhar, me entrou alguém pela vida dentro, e me disse que eu tinha de fazer algo, que me indicou o caminho. E foi assim que voltei a ter por o que lutar, por ter objectivos, por ir acrescentando conquistas e adicionar novas metas. Por mim e por mais ninguém. E aqui entraram mais pessoas na minha vida, a quem dou muito valor. Daquelas pessoas que nos marcam para o resto da vida, por tão especiais que são, que nunca as esquecerei, pela entrega aos outros. Uma dessas pessoas é o meu treinador. Ele é muito especial, talvez porque conheço poucas pessoas como ele, com um dom. Como aquele médico ou enfermeiro que se entrega de corpo e alma aos seus doentes enquanto está com eles, ou aquele professor que estimula de uma forma singular a que os seus alunos gostem do conhecimento. O M. é uma dessas pessoas luz, que por onde passa, consegue dar brilho à vida dos outros, pelo seu amor aquilo que faz. Mas é preciso que as pessoas vejam isso desinteressadamente.

Quando soube da necessidade que ele tinha de largar o ginásio, eu percebi perfeitamente as suas razões. Conversamos muito ao ponto de eu estar a par do que se vai passando. Por isso, ontem reconheci o ponto de ruptura e eu, era só um dano colateral. Eu sabia que as pessoas nunca entenderiam o significado desta perda. Porque perder uma pessoa especial é também perder um bocado da alma. Ontem chorei toda a manhã, senti que tinha morrido na praia, que sozinha o caminho já não ia ser o mesmo. Não há pessoas insubstituíveis mas há as difíceis de igualar. Eu não conseguia parar de chorar [por mim mesma], mesmo estando no local de trabalho. E, à medida que íamos trocando mensagens, era ainda mais difícil controlar o choro [porque li coisas que só os outros vêem e eu não consigo ver, e seria tão mais fácil se eu conseguisse ver...]. Há muito que não me lembro de ter chorado tanto e por tanto tempo. Disse que estava a organizar-se, ia tentar aguentar a situação, dar a volta aquilo que o faz sentir menos feliz e empenhar-se ainda mais para mudar a vida dos outros, que era isso que o fazia estar ali.  Não soube o que chorei, mas decerto que quando me viu desconfiou. Não houve comentários entre nós sobre isso.
Cheguei ao ginásio e houve até quem comentasse que eu estaria a chorar , já algumas horas depois de ter vertido as últimas lágrimas, e os olhos continuavam inchadíssimos, o nariz ferido de tanto assoar e a pele seca de tanto limpar lágrimas. 
Por agora, volto a ter esta pessoa luz para me ajudar a seguir caminho. Não sei até quando. Mas vou aproveitar enquanto a tenho. Isto não é nenhuma dependência, mas é uma grande fonte de motivação e entusiasmo, é o meu apoio para eu conseguir continuar o caminho até chegar à meta. Preciso continuar a descobrir-me,e a saber dar-me valor sozinha. sei que a maior parte do esforço tem sido meu, mas sem a persistência e o reforço psicológico dele, talvez a alegria e a vontade de ir todos os dias já tivesse esmorecido e virasse uma obrigação.


quarta-feira, 4 de março de 2020

já não falava há algum tempo nele; é tão fofinho, não é? :) :)

Quando eu ainda faço este esgar de dor por causa do treino, há sempre alguém que se surpreende: como é que tu, a treinares há tanto tempo e todos os dias, como dizes, ainda tens dores?

Se eu só fizesse cycling (que é coisa que eu não faço nem sinto entusiasmo, prefiro ir andar de bicicleta ao ar livre) ou só abdominais, ou só passadeira, acredito que não teria dores, porque o tempo e a repetição talvez não permitam que as dores se mantenham. Força de hábito.
Agora quando o programa das festas é, segundo o calendário semanal:
 2ª - pernas;  3ª - braços; 4ª - treino alta intensidade (metabólico); 5ª- misto pernas/ braços/ metabólico; 6ª - yoga; sábado - cardio;   e eu, ao fim de oito meses, (acabadinhos de completar hoje) ainda ando a descobrir músculos novos, porque todos os dias são trabalhados movimentos diferentes, com exercícios bem diversificados e, em que o que não lembra ao Diabo, aparece na lembrança do treinador. venham experimentar e ver o que é bom para a tosse.

Já por diversas vezes disse ao treinador que o corpo já se devia ter habituado a este ritmo de treino, ou pelo menos a algumas coisas. ele diz que não. a intensidade, a diversidade e a periodicidade dos treinos que faço não permitem ao corpo criar o hábito de se defender. Portanto, tenho mesmo que me habituar às consequências de treinos bem puxadinhos.

Na segunda, o homem parecia tomado pelo Diabo, e praticamente 50% dos exercícios foram novos e de dificuldade intermédia (só para ser fofinha, digo assim). Fazer agachamentos já começa a fazer parte do menu, com as diversas variantes e foi dia de uma nova. Como ele diz que tenho muita força, resolve sempre fazer-me carregar com pesos e agachar... mas o pior nem foi isso. descobri que há algo pior que burpees, montain climbers ou man makers. Não tenho propriamente um rabo levezinho [ainda só está bem torneadinho ;)], por isso lá me deitei de barriga para cima, no colchão, com os pés de fora. coloquei os calcanhares em cima de uns discos colocados logo a  terminar o colchão. Glúteos no ar, joelhos flectidos, calcanhares nos discos, braços ao longo do corpo, e toca de empurrar os discos até esticar as pernas todas (fácil - é só fazer deslizar os discos pelo chão com a ajuda dos calcanhares), e depois, recolher as pernas ao estado de flexão inicial, ainda com os glúteos nos ar - não pousa os glúteos no chão! não pousa! contrai abdominal e puxa os discos com os calcanhares!, diz ele, com firmeza - o caraças é que puxo! eu não conseguia puxar os discos, sentia as pernas a alongarem, os glúteos a ficarem pesados e eu a pensar: eu mato-o! Resolvi socorrer-me dos braços para aguentar o rabo no ar. Perante a batota, obrigou-me a mais duas séries de dez, sem as mãos a ajudar, os braços ao longo do corpo. foi do piorzinho que já fiz, já que não conseguia puxar os discos com o rabo no ar e por muito que apertasse o abdominal os discos não voltavam à posição inicial.

Praguejei baixinho, vezes sem conta, com as dores das pernas com o esforço de puxar os discos repetidamente. e dei de cara com o sorrisinho maquiavélico [e giro, tenho que admitir] do treinador. não sei se achou piada ao sofrimento e ao dever cumprido ou à minha reacção asneirenta. ou às minhas tristes figurinhas...

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

pensar alto sobre os meus pensamentos

Costuma dizer-me que eu sou complicada em coisas que devia ser simples. e em coisas complicadas, simplifico em demasiado. Talvez tenha razão.

Penso muito. demoro tempo para pensar. muito do tempo perdido é com os meus pensamento, algures no nada. e acabo por nunca chegar a tempo, a lado nenhum, ultimamente.

Estava cansada demais para fazer umas quantas coisas que deviam ficar prontas impreterivelmente até ontem. Certo é, que adiei isso para hoje, pensando levantar-me uma hora mais cedo que o habitual; pus o despertador para as cinco da manhã. Não tenho dificuldade em adormecer. Às quatro e meia da manhã já estava de olho arregalado. Pensei aguardar pelo sono até às cinco, mas pus-me a pensar no que tinha para fazer, a passar a  pente fino os últimos tempos, a medir as minhas últimas frustrações. Andei perdida em divagações profundas até ao toque de despertar do telemóvel. Sabia que não podia adiar mais o que tinha para fazer antes de seguir para o trabalho, mas insisti em ficar deitada, de luz apagada. em posição fetal, a pensar sobre montes de coisas: as do trabalho, as de casa, as do ginásio, as da associação, as da família, as da alma. 
Levantei-me às seis como habitualmente - continuo a não conseguir recuperar dos exercícios tramados de isometria de há quase uma semana -, tentei adaptar os músculos à realidade de ter que suportar o corpo. Custa tanto pôr um pé e depois o outro no chão. 
Antes de pôr a água a correr e o pé na banheira, obrigo-me a mim mesma a evitar pôr-me a pensar em coisas: as do trabalho, as de casa, as do ginásio, as da associação, as da família, as da alma. Porque se, no escuro, já tinha pensado muito, debaixo de água vou parar a um sitio qualquer onde só moram eu e os meus pensamentos, mas o tempo continua a correr fora dessa bolha quase inóspita. Apetece-me deitar-me na banheira e simplesmente deixar correr a água sobre o corpo enquanto o pensamento corre veloz. Sei que posso passar vinte minutos alheada de tudo e não me posso permitir a isso, quando tenho coisas para fazer ainda antes de sair. Hoje não cedi à tentação de passar muito tempo debaixo de água. Mas arrasto-me pela casa; as dores do corpo não se sentem, porque passei à actividade, mas é de má vontade que me apetece seguir para o trabalho. uma hora de caminho, para pensar.

Chego outra vez atrasada ao trabalho. tem sido recorrente, infelizmente. Não preciso picar o ponto, mas não me sinto nada contente com este comportamento que não estou a conseguir contrariar. é difícil de o fazer, principalmente porque tenho pouca vontade de passar oito horas fechada, a ouvir exigências de tudo quanto é lado e a estragar o meu bom humor com o azedume dos outros. 

Só fiz metade das coisas que queria fazer. Subestimo o tempo que levo a fazer as coisas e a agravar isso, perco um tempo a pensar sobre coisas que não consigo resolver nada. Pareço um gato atrás da cauda, sem a conseguir apanhar. Penso muito, mas não resolvo nada.
Logo vou estar cansada para fazer o que ainda ficou por fazer e mais o que aparece de novo.
Sou só eu que sou assim complicada e desperdiço tempo a pensar, não sou? 







segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

provar para dizer se gosta ou não...

Costuma dizer-se que só se pode dizer que não se gosta, depois de se provar. 

Eu costumava dizer que não gostava de Carnaval, aliás, os mascarados habitualmente atemorizam-me. Porque por detrás de uma máscara, as pessoas desinibem-se e são capazes de coisas bem mazinhas, que nem todos aceitamos bem, mesmo quando se tratam de brincadeiras. Palhaços, então, acho-os criaturas meio demoníacas, não sei...

Voltando ao Carnaval... já no ano passado, e dado o facto de pertencer  a uma associação que está envolvida até ao tutano nesse evento, levou-me a não querer ficar de parte, e resolvi mascarar-me. e gostei muito. Acho que não gostava de Carnaval, porque nunca tido grande oportunidade de experimentar encarnar uma personagem, nem nunca fui motivada para isso. Este ano, já prestes a cessar as minhas funções, resolvi não voltar a ignorar o evento, e lá dei um ar de minha graça com alguns adereços, para não passar a comemoração em branco. Não tive tempo para comprar muita coisa nem ir à procura de algumas coisas que tinha em mente, e por isso improvisei. 

O Carnaval, na terra, tem a mesma idade que eu e há muita gente que pára para o viver. Ontem, depois de horas de serviço, numa das secções do evento, pensei nas coisas que podia ter aproveitado quando mais nova, e não vivi. Sempre a querer passar invisível, e com um pai austero como o meu, nunca fiz parte de alguns grupos icónicos que o Carnaval tem e sempre teve. Dou por mim, a pensar que ainda gostaria de experimentar participar. Eu, a dizer que gostaria de participar, quando nunca achei piada ao Carnaval... um pouco surpreendente, ou afinal, talvez tenha provado e tenha gostado!

Gosto de estar sossegada no meu canto e até estou a precisar muito disso [ando a tentar ziguezaguear outros pensamentos], mas com o trabalho [hoje foi dia], o ginásio (tenho andado toda lixada das pernas com o raio dos exercícios de isometria!) e os cinco dias de Carnaval, mais as contas da associação, tem sido difícil conseguir recuperar a energia. Sinto que preciso dormir. Acho que lá para a Páscoa, a coisa recompõe-se. Depois de sair da associação, tenho que cumprir ano sabático. Há três anos que ando envolvida em coisas que me tomam bastante tempo e me dão muitas preocupações. 

Ainda tenho dois dias pela frente, de trabalho, no evento. Acho que hoje vou encarnar uma loira dos anos vinte. e amanhã, logo se vê.  

A vida são dois dias e o Carnaval são três...



quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

e não é que cheguei mesmo?

Contra as minhas melhores expectativas, e depois desta conversa, o objectivo traçado para Abril, foi concretizado com praticamente dois meses e três dias de antecedência. 

Esperamos que não encontre de novo o que acabei de perder. nunca mais. :)

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

tenho que me conter. mesmo.

Eu sei, este blogue está a ficar um mete nojo, nunca antes visto. Porque acho que eu, dantes, não era nada destas coisas. ou não ficava numa excitação com isso, ao ponto de fazer um registo escrito. Vai parecer que estou um bocadinho na adolescência, bem sei... 

Há umas semanas, quando andei a pensar o que levar ao já comentado jantar, acabei por ter que comprar um casaco para usar com o vestido preto, que foi um sucesso. Enquanto procurava o casaco para a combinação com o vestido, encontrei um vestido comprido, imitação de pele, com um decote profundo sem ser indecente, cintado, mas de mangas curtas. quando o vi na montra, pensei duas vezes se o havia de experimentar, porque achava que mesmo o número maior - que vestiria pequeno - me iria servir, ou até mesmo que eu me fosse sentir desconfortável toda vestida de pele. o certo é, que nem precisei abrir o fecho atrás; enfiei-o pela cabeça, et voilá... assentava que nem uma luva. e contrariamente ao que costumo fazer, tirei uma selfie (nunca faço isto!!) e mandei à M. a perguntar: Too much?  embuída por um impulso, comprei o vestido e pensei: se ficar mal, devolvo-o à loja. Já tinha pago e saído, quando a M. me ligou, completamente alucinada com o facto de lhe ter mandado a foto, e ela achar que o vestido ficava a matar. Acho que ela estava, mais que alucinada, abismada com a iniciativa de comprar algo tão arrojado, que não me é nada habitual, porque estou sempre com medo das más figuras, ou de não ser apropriado para mim. Quando tive oportunidade, mostrei-lho ao vivo, e ela amou, não só por ser giro, como por achar que me ficava bem. 

Ontem levei-o para o trabalho, e contrariamente à ideia que era capaz de ouvir bocas parvas, por estar a vestir de pele (ainda que imitação), mas felizmente tal não aconteceu. se passei despercebida [mais ou menos], é porque afinal não estava mal.

É verdade que nunca fui daquelas cenas de reuniões de miúdas, a passarem modelitos, para ver a melhor roupa para sair à noite. Talvez também isso me tenha feito falta. Para também não ser uma pessoa insegura quanto a isso a M. tem-me ajudado em muitas destas coisas relacionadas com a auto-confiança e a aceitação do corpo, ainda que o mesmo esteja em mudanças (boas). 
Enquanto conto com a ajuda do M., o treinador, para modelar a parte física (e um pouco da parte psicológica), conto com a M., que me vai dando alguma da auto-confiança que em falta (e uma ajuda na parte física, para que o corpo não ganhe mazelas do exercício). Neste momento são os dois M.  da minha vida! :)

E os resultados deles têm sido tão eficazes, que tenho mesmo que me conter para não desatar a comprar mais roupa, que não tarda, já me ficará a nadar no corpo. Já acontece com alguma dela comprada recentemente. é melhor ter tino, mas começa a ser difícil não me entusiasmar. e se as coisas continuarem a evoluir bem, acho que vai acontecer um descalabro qualquer lá mais para a frente...


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

notas soltas

Verdade que nos últimos dias ando mais quieta mas não mora cá tristeza. Moram cá outras coisas que, por enquanto, não me apetece partilhar.

Às vezes gostava de ser menos totó. Mas é o que há, e infelizmente, parece-me que não vou mudar. Mesmo que queira muito.

Ando a pensar demasiadas vezes que já vou fazer 43. Há coisas que estou tão melhor nos quarenta mas não quero que o meu tempo se esgote; quando é que inventam algo para vivermos (bem) até aos 200? fico contente quando me dão 35, e não são raras as vezes. deve ser porque só tenho rugas do riso e não da idade.

A motivação sobre o exercício físico continua em alta. No sábado registei 15 km feitos e acabei morta das pernas. Quando o M. me perguntou sobre o treino de sábado e lhe disse o que tinha feito, disse-me que, por este andar eu ia chegar ao objectivo (datado para o meu aniversário) antes do tempo. Quero ter cautela quanto a isso, porque a minha mente tem tido muito poder sobre o corpo e a qualquer momento a coisa descamba e ando umas casas para trás. Em resposta escrevi-lhe algo que me quero lembrar nos dias maus:
Isso de chegar ao objectivo antes do tempo seria óptimo; criaria nova meta, mas nunca se sabe os obstáculos que vão aparecer. [...] continuo mega focada onde sei que quero estar. Só estou mais cautelosa, porque sei que isto de chegar a uma determinada idade, está cheio de contratempos, e e eu nunca me habituarei às desilusões. Continuo a não querer desistir. Ou continuo a querer avançar, é mais isso! E quanto mais as pessoas me perguntam se mantenho o ritmo, como me fizeram ontem, mais "ganas" tenho de chegar onde me vejo daqui a uns meses! e se lá não chegar no fim do ano, só tenho que ter espírito para manter a luta que quero vencer... a progressão é lenta, mas tenho o resto da vida para ir tentando:).E com isto tudo, [...], estou menos desmotivada?? Estou menos em guerra, isso sim!



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Onde chega a parvoíce...

[primeira parvoíce] Sempre que uma das estagiárias está a trabalhar à hora que eu entro no ginásio, promove o meu outfit do dia, com comentários que me chegam a deixar encavacada. Tira-me as medidas de alto a baixo e comenta o que trago vestido. Hoje, depois do fogo de artifício costumeiro, disse-me que estou sempre impecável, com tudo a combinar. Que gostava de ser assim. Não sei onde viu ela o estilo, mas parece que lhe agrada muito a maneira como visto. Tenho uma fã declarada. 😂
[segunda parvoíce]  Depois da indumentária vestida para malhar, e nos descansos entre séries, tenho o  treinador a falar em objectivos. Estou eu a falar em objectivos a curto e está ele a dizer que também tenho de ter a longo prazo. E pela terceira vez em poucos dias, volta à proposta peregrina (e tão parva, senhores!) que eu só posso considerá-la puro gozo. Levaria mais a sério uma proposta indecente (agora estou eu a brincar). Disse-me para eu pensar em tornar-me bodybuilder. Até me mostrou o Instagram de uma miúda.  Eh pá, não! Gosto muito de ser feminina! Ter chicha!
Já me convenceu com a corrida, agora com isso, acho que não! Não sei o que anda a tomar o rapaz, mas anda a alucinar, certamente!

Este ginásio tem umas personagens com tanta piada. Oh se tem... Tanta parvoíce junta, a que se soma a minha. 

A transformação que faz bem à alma

Ainda não fiquei cega pelos resultados que tenho obtido no ginásio [a achar que estou uma boazona; nada disso!] e, continuo a sentir que estou longe de estar onde quero, embora haja quem pense o contrário. Tenho um objectivo bem delineado a cumprir até ao meu aniversário, em Abril. Só espero que não haja lesões ou contratempos de maior. 

Há uns anos estava com um peso idêntico e não me dava para comprar vestidos que dessem tão nas vistas como o que usei no sábado. aliás, fugia disso, como o diabo foge da cruz. Admito que, enquanto vou trabalhando o corpo, também tenho modelado a mente, e a auto-confiança tem subido. Ainda tremo um bocadinho de insegurança, sempre receosa de não estar bem, mas nada como antes. Tenho tido bons auxílios que me ajudam a ver com outros olhos, embora seja difícil mudar a opinião que tenho sobre mim, de um dia para o outro. A fase de aceitação tem-se trabalhado devagarinho. como o corpo.
No sábado, não me reconheci. Achei que a mulher que via ao espelho não podia ser eu, porque além de super elegante, estava gira que impressionava. A M. caprichou, fez os meus olhos castanhos ficarem maiores e deu-lhes ainda mais ênfase.
eu que nunca me achei bonita confrontei-me com uma imagem que me impressionou. Aquela era eu? era sim, e segundo a M., estava linda de morrer. Eu, linda de morrer? Baaah. Estava gira, sim. Mas, linda de morrer, é um atributo demasiado fantástico e descabido para mim. Pedi-lhe que me tirasse uma foto [eu detesto tirar fotos], porque estava muito impressionada do resultado final.

Entrei naturalmente para onde iria ser o jantar, e ainda não me tinha sentado à mesa, e já tinha recebido uma mão cheia de elogios, principalmente de alguns dos participantes masculinos no jantar. Alguns, sequer alguma vez troquei uma palavra só que fosse com eles. Desta vez não senti a habitual vergonha e fui capaz de pronunciar um seguro obrigada. Também houve elogios do lado feminino, mas em menor frequência. A M. diz que as mulheres são terríveis umas para as outras, e elogios são coisas que não sabem fazer...

O curioso disto tudo é que a pessoa que mais à vontade poderia estar para me dar um elogio, foi a única que não se pronunciou e que, parece, ficou completamente imune à transformação. Não vou dizer que não me custou que não o tivesse feito. Por diversas razões. E porque sabe como funciono.

Como diz o ditado, não podemos agradar a Gregos e Troianos. Uma coisa é certa, no sábado, deixei de me sentir bichinho para me sentir um bocadinho borboleta. e soube maravilhosamente bem. 
Posso parecer pretensiosa. Cada um que pense o que quiser.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

O poder da mente

A semana passada foi um pouco penosa para mim.
Depois de, na semana anterior, ter sido acometida pela dor ciática na perna direita, o treino das quartas, com ela, foi difícil. Foi puxado, sem descanso, e com mais de dez exercícios e suas repetições, em modo alta intensidade. Ela entusiasma-se e, como habitualmente, a minha resistência é um grande desafio para ela [são eles quem fala na minha resistência, não eu, que me acho mais fraca que os demais, mas se o dizem...]. O número de exercícios, a variedade e a dificuldade crescem exponencialmente. E temos meio ginásio a olhar para nós (o que passou a ser bastante incomodativo para mim - há sempre alguém que ergue os polegares em sinal de motivação, ou quase me vem segredar ao ouvido: força, que tu aguentas! )
Com a dor a manter-se, comecei a sentir que havia a possibilidade de contrair uma lesão, e depois já não podia treinar, e ia todo o trabalho por água abaixo. Comecei a perder a coragem para correr [e já ia tãaao lançada na preparação], a força nos braços para os exercícios de halteres começou a fraquejar. Tinha feito umas massagens horríveis com o PT para debelar a dor, mas ela ainda cá andava. a cabeça começou a pensar tanta coisa.
Há uma semana, a cabeça só dizia para anular o treino com ela, porque eu iria sofrer. Porque ela me ia exigir algo que eu já não conseguia nem me sentia desafiada para dar. Passei a odiar os treinos com ela, que antes adorava. Mas compareci, e tive de pedir-lhe para já não fazer a terceira série de repetições. Que não queria, que não conseguia. Faltava-me o ar e vi-me a panicar. Mal conseguia estar deitada no colchão para os abdominais, porque comecei a achar que tinha deixado de saber como respirar. Em casa, fui incapaz de estar deitada na banheira a relaxar porque tinha medo de o ar não passar, porque eu não sabia respirar. Precisei concentrar - me em algo agradável, para tentar relaxar os músculos, aliviara a tensão. Comecei a pensar que estava a perder a motivação. Comecei a sentir-me, pela primeira vez, em todos estes meses de ginásio, uma pessoa tremendamente infeliz. Achava que estava a perder o mais importante para mim. Tinha deixado de ser diversão. Depois de ter falado com o meu PT, logo no dia a seguir, resolvi que não devia ser ele a corrigir o comportamento dela, mas sim eu a expor a situação. E a conversa aconteceu no sábado. A pressão que eu sentia desapareceu. Voltou a vontade de fazer corrida e os treinos voltaram a decorrer normalmente. Os treinos dele. O peso voltou a sucumbir ao exercício e deixei de  me sentir um barril cheio de água.
Hoje voltei ao treino dela. Não me senti esgotada, ela não se pôs a acelerar com exercícios manhosos. Foi tudo muito tranquilo e eu não me lembrei que não sabia respirar. Tudo tranquilo. Tudo pacífico. Saí com um sorriso no rosto. Ela super meiga, com toda a calma, e muita paciência. Pedi-lhe uns exercícios para alongar depois da corrida e logo foi muito prestativa, exemplificando e executando comigo.

Custou - me muito dizer lhe os os últimos treinos dela me estavam a fazer infeliz, que a pressão de ter espectadores sempre a mirar os nossos treinos e a fazer comentários [ainda que bons, estavam a obrigar-me a superar-me de dia para dia e isso estava a ser extenuante]. Eram cada vez mais intensos. Andava esgotada. As perguntas nos balneários também me começaram a irritar. Porque tanto ela como os mirones estão sempre à espera que atinja estado limite acima do expectável.
Estive à beira de um colapso nervoso. A cabeça só dizia: desiste! Tu nunca serás capaz. 

Felizmente passou. Estive a curta distância de perder toda a minha motivação, mas felizmente fui capaz de dizer o que sentia, e confrontei  o cérebro outra vez com os objectivos a que me propus. E o sorriso voltou à cara, a alma está mais leve e quase voltei aos parâmetros que já tinha atingido para a corrida.

Aquilo que pensamos, a nossa falta de vontade quando nos sentimos pressionados, envenena-nos e retornamos para o lugar de onde viemos. Isto foi a prova que a mente pode provocar resultados devastadores, se nós deixarmos, se sucumbirmos. 




domingo, 26 de janeiro de 2020

Coisas diferentes #Janeiro [2]

Afinal, ainda antes de Janeiro ter acabado sujeitei-me a um novo desafio [o primeiro, aqui], que ainda nunca não havia feito: uma caminhada todo-o-terreno. 
Habitualmente, tenho caminhado (e agora corro) em estrada. Faço-o sozinha, sem conversas, eu e a minha música, ao ritmo mais rápido possível.
Hoje o desafio foi diferente. Trezentos e vinte inscritos [muita companhia, portanto], caminhos no meio de pinhais, muitas silvas, praticamente todos com subidas bem íngremes, descidas acentuadas, pouco terreno plano e pouca estrada. Nove quilómetros e picos, de terreno completamente acidentado e, com a chuva que disseram que caiu a noite passada, muito do piso estava deslizante, e ainda houve quem tivesse ido ao chão.
Para a lama que existia, as sapatilhas nem ficaram muito mal, mas houve alturas em que parecia ter dois pares de sapatos calçados. Não perdi tempo com fotos, quis manter-me entre os primeiros pois, à medida que as pessoas iam passando, o terreno tornava se mais lamacento e, consequentemente, mais escorregadio.
Assim que começou a primeira subida, mal arrancamos, pensei logo o habitual: eu não consigo, eu não vou aguentar, a perna não vai deixar. O medo veio por instantes. Depois veio uma descida acentuada e de novo, outra subida. Pensei cá p'ra mim: deixa-te de cenas, só pensas que não consegues! Já fizeste coisas bem piores! Se queres desistir, desiste de ser fraca...*
Devo ter acabado entre os trinta primeiros, apesar de não fazer parte do primeiro grupo de arranque. Houve passagens muito lentas, em fila indiana, porque local de passagem era estreito e bastante lamacento. Obrigava a cuidados redobrados e um cálculo prévio de onde colocar os pés. Outras vezes andei muito devagar porque as pessoas da frente não me deixavam ultrapassar. Ainda corri bocadinhos, já no final, em estrada, para perceber o estado da perna. Não se portou nada mal! 
Prova superada. Sou tão capaz como os outros, de galgar subidas sinuosas e descidas manhosas. E não fico envergonhada com a minha prestação. Apesar dos tempos não serem grande coisa. Da próxima será melhor!
Amanhã é que vão ser elas...



quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

deixam-me sem jeito... e não é falsa modéstia!

Antes brincava com o M. quando via algumas mulheres -  umas novas, outras nem tanto -  babarem-se cada vez que conversavam com ele. Chamava-lhes o seu clube de fãs. Depois ele começou a usar o mesmo argumento comigo, que eu tinha fãs. Creio que se referia a algumas pessoas que se surpreendiam com a minha resistência e evolução, com as mudanças (que dizem serem evidentes) no corpo.

Ontem, parece-me que conheci uma das minhas "fãs" no balneário. Sei que ela foi uma das que esteve a falar com o M.  sobre a minha evolução. Ele já me tinha dito que ela se tinha surpreendido já que há algum tempo não me via, e de repente, eu estou tão diferente, e fez-lhe saber da admiração. e sei também que ele ficou orgulhoso.
Eu não levo nada muito a sério, porque acho que as pessoas exageram, mas aceito humildemente os elogios, porque não sei bem o que hei-de fazer ou dizer. Ela disse-me: estás maravilhosa! És uma mulher furacão. Estavam mais umas quantas pessoas no balneário e ela resolveu esclarecer quem estava que eu treinava todos os dias, apesar de todos os dias fazer montes de quilómetros e que nada e fazia parar. Isto é verdade - continuo com a motivação em alta, não vou negar. Dá-me muito prazer saber até onde aguento. Como dizia a minha cunhada no domingo, quando nós as cinco estávamos juntas: Admite! Tu, não só gostas, como estás viciada!

Tem sido um caminho de muito trabalho duro, de constante desafio - ontem fiz aula de braços e depois treino de alta intensidade, que volto a repetir hoje agora com a L. É mesmo para puxar pela resistência. Todos os dias faço treino, pelo menos uma hora e, apesar do ginásio estar fechado ao domingo, faço corrida (ainda a começar) ou caminhada.

Tenho noção que há pessoas que, com o que faço, já teriam outros resultados mais rápidos. Tenho de ir devagarinho, se é assim que o meu organismo quer. às vezes, é frustrante, mas tenho que ter paciência.
Ontem, no fim do treino, reunimos, por mero acaso, os três na sala de treino e sei bem que eles morrem de curiosidade em conhecer peso e medidas, porque isso nunca foi feito com eles, por eu considerar que o acto de pesar ainda é uma coisa que eu não consigo deixar de fazer sozinha; quanto aos perímetros corporais, todas as semanas são medidos pela M. quando fazemos massagem de tonificação. Tenho com a M. muita cumplicidade, que foi por ela conquistada, depois de muito tempo de convívio. e todas as semanas vão mais uns centímetros ao ar. e todas as semanas, ela diz estar orgulhosa do meu trabalho.
Vou mantendo o M. informado, embora eu saiba que isso não lhe basta. Um dia não terei escapatória, e terei mesmo que me sujeitar às medições [tenho medo que ele me comece a pressionar e eu, sob pressão, não funciono. eu sei. quero que isto seja, acima de tudo, diversão. e que o resto venha por acaso.]
Ambos os treinadores dizem que não sabem como é que eu aguento a treinar assim, todos os dias, e se houvesse treinos de alta intensidade todos os dias, eu estava lá batida, pronta. O M. diz que, de todos PT que dá, todos mais novos que eu, e muitos deles homens, têm menos resistência que eu. Vindo dele, isto é um "baita" elogio!

Obviamente que todos os elogios me têm feito muito bem. Muito bem. E tento ser ainda melhor, não para recolher mais elogios, mas para chegar aos nossos objectivos - aos meus e aos do M., porque eu sei que eu também faço parte dos objectivos dele e ele não se envolve em nada para perder. Nenhum dos dois quer deixar nada por fazer. e como ele ainda recentemente me disse: 

Por isso, vamos lá em frente!

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

oh pá, quase me põem a chorar. esteve perto...

Sou recebida, sem excepção, com um caloroso sorriso (que me continua a deslumbrar, assumo). O homem é um charme, assim, que eu nem sei explicar.

Um mês depois, regresso e conto-lhe que a rouquidão continua. vejo as suas feições alterarem-se; está desagradado porque a medicação não fez efeito. e receia que venham más notícias.

Lá me vou sentar na cadeira de observação, e antes que eu diga que sou uma medricas – pela enésima vez -, ele diz: isto não vai custar nada. Já sei que se refere à endoscopia faríngea, cujo procedimento conheci na última consulta. em tom de brincadeira, digo-lhe que correr, é pior. Agora anda nas corridas?, pergunta-me surpreendido.

Já tinha discutido na consulta anterior que tinha pouca “caixa de ar” para os treinos metabólicos mais exigentes. ele tinha-me acalmado e dito que ela irá desenvolver-se com o tempo e a continuidade do exercício.

Enquanto me fazia o exame, contou-me das suas últimas partidas de futebol - as partes engraçadas. Fez-me soltar a gargalhada costumeira, para que eu descontraia e ele possa trabalhar sem eu recear. Tudo na mesma quanto ao exame. vamos dar mais três meses e ver se o trauma das cordas vocais desaparece. Ainda brincámos sobre as vozes roucas serem sexys – algo que não concordo. Recostou-se na cadeira e estivemos a discutir tranquilamente a cirurgia, embora ele esteja a todo o custo a querer evitá-la. E as corridas voltaram à baila. ali estivemos a falar sobre o assunto, e ele aplaudiu a minha decisão de me tornar uma devota do exercício físico, mas acima de tudo da preservação da saúde, porque afinal ele também sabe o que é ter quarenta. e mais um que eu. Faz-me emocionar por me dizer que estou no bom caminho e que está muito satisfeito com a minha decisão. Fechamos a conversa com a sua disponibilidade até à consulta de Abril, por email ou por mensagem. ele é fantástico, continuo a recomendá-lo.

E com isto tudo, faltei à aula de braços do M. Como já tinha passado da hora de entrada na aula, lá fui eu correr um bocadinho. Todas as manhãs , com os músculos doridos, penso: Hoje não corro. Mas chego lá, e começo e tudo deixa de doer. Ontem não foi excepção. Aumentei o tempo de corrida e desafiei-me a mim própria. Nas minhas costas, ouvia o burburinho da L. (com quem irei fazer metabólico hoje) comentar com o rapaz a quem estava a dar aula, que estava muito surpreendida com a minha resistência e força de vontade [ela também detesta correr]. Continuaram a comentar mas começou a tornar-se imperceptível e eu acabei por desligar da conversa. estava a correr os últimos 8 minutos quando o M. apareceu com vontade de censurar a minha falta à aula dele. Expliquei-lhe da consulta quando terminei a corrida. entretanto apareceu a treinadora de sala, que me foi dizendo que o M. está sempre a elogiar-me, que eu tenho sido uma grande surpresa – para quem recusava veementemente a correr nos metabólicos - e tenho feito bons tempos e muita resistência. Fiquei boquiaberta. ele nunca comenta essas coisas comigo, só me repete que não faça descansos, que não posso parar. Ainda pensei que estavam ambos a gozar comigo. Inacreditável. E os elogios continuaram. A juntar-se a eles, veio o E., um corredor de  trails e que  perguntou ao meu PT como estavam os meus  tempos. Lá estavam os dois aos cochichos, outra vez, sobre os meus resultados nestas duas últimas semanas de corrida. O E. veio dar-me os Parabéns porque tem ouvido dizer que tenho tido uma grande evolução. Ele próprio também assistiu aos últimos minutos de corrida, e repetiu mais umas quantas vezes que eu estava de parabéns e deu-me alento, para eu não pensar sequer em desistir.

O M. remata que vamos chegar a um dos objectivos muito antes de Dezembro. O outro (o objectivo secreto), só saberei perto da prova  - o tempo que ele propõe para executar  a prova. Ele sorri de forma maquiavélica. Tem um número na cabeça e não mo diz para não me estar sempre a ouvir dizer: eu não vou conseguir.

Isto de todos os dias me surpreender a mim própria, porque, afinal eu consigo, adicionado aos elogios rasgados desde que comecei a correr ( já existiam antes, por parte de alguns frequentadores do ginásio, por verem o meu esforço e a minha dedicação – e os resultados evidentes claro!), têm feito maravilhas à minha auto-estima. Ontem adormeci feliz. Porque tudo tem valido tão a pena. E estive à beira das lágrimas; não é muito frequente ouvir elogios. Além disso, os comentários do post anterior também me deixaram um pouco emocionada. Foi um dia em cheio nesse aspecto.


[She always a woman to me, Billy Joel]


segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

antes já achava mal... agora acho pior.

É certo que a mudança do ano é uma espécie de marco para as pessoas pensarem em concretizar sonhos; normalmente são empreendimentos gigantescos. Afinal, se é para dar tudo, que seja por um sonho grande, porque os pequenos não precisam de viragem de ano.
Um dos sonhos mais falados é perder uns quilos; muito ou poucos, é irrelevante! Não são só as pessoas mais anafadinhas que sonham com isso - acho que essas já desistiram.
Toma-se, de forma resoluta, a decisão convicta de se inscreverem num ginásio, de que não se vai desistir, que agora é que é... quem não? as pessoas acotovelam-se nas aulas e nos balneários, tudo cheio da febre que este ano é que vai ser. Lá para Fevereiro, a coisa acalma porque a febre passa... Não censuro, é preciso motivação, força de vontade para ir e perseverança para esperar pelos resultados. é difícil, eu sei... oh, se sei! e mesmo depois de seis meses regularmente no ginásio, a ter bons resultados [porque trabalho para isso, acho eu] ainda tenho medo de, um dia para o outro, me lembrar que quero desistir... 

Mas pior que a correria aos ginásios, que nada precisam fazer para se publicitarem, porque as pessoas é que tomam a iniciativa de os procurar, já não posso dizer o mesmo das cadeias de lojas ou pseudo-clínicas que prometem perdas de 6 kg num mês, sem fazer dieta. Ou de pessoas que perdem 15 kg em três meses, assim, sem esforço nem dietas. Invadem-nos os ouvidos várias vezes por hora, a todo o instante. Claro que, para pessoas desesperadas, aquilo soa como música para os ouvidos. Curiosamente nem são necessários grandes recursos publicitários porque  se mexe com a auto-estima das pessoas, normalmente baixa,  já aceita qualquer coisa só para se sentir melhor, infelizmente.
Bem sei que só lá vai quem quer, mas irrita-me profundamente que andem a enganar as pessoas; isso só vai fazer com que elas se sintam ainda pior, por terem sucumbido ao logro. 
Não há milagres de emagrecimento sem trabalho -  - seja ele, pouco ou muito. e uma boa dieta; por isto entenda-se, comer convenientemente, em qualidade e quantidade.
E dar tempo ao tempo, para que as coisas aconteçam. E esta, garantidamente, é a parte pior de todas. Custa muito. Mais do centenas de abdominais e outras tantas flexões. 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

domingo, 5 de janeiro de 2020

O que eu tenho que pedir ao Reis Magos são umas muletas

Hoje convidaram-me para ir cantar as Janeiras, durante esta semana.
É capaz de ser giro, mas não estou capaz. Nem tenho tempo. Não vou arranjar mais lenha para me queimar... 
Ainda não estou bem das cordas vocais e não vejo grandes melhoras - o pólipo ainda não deve ter desaparecido, apesar de lhe andar a dar, forte e feio, com a medicação. Espero que não tenha de ser removido cirurgicamente.
Além disso, com a corrida de hoje, pela primeira vez na rua (já é o quarto treino de corrida! yeaaaah), tenho umas dores terríveis de pernas e pés . A corrida correu bem, os resultados foram promissores, segundo o treinador, mas eu estou uma atrofiadinha. 
Dói à brava.
Ainda estou para saber se sou eu que sou fraquinha, ou se começámos num nível de exigência um bocadito elevado.
Portanto, cantar as Janeiras talvez só para o ano, se voltar a ser convidada. Tomara eu conseguir levantar-me amanhã para ir trabalhar e ao final do dia ir treinar. Hoje ainda tenho ali o Monte Evereste da roupa para escalar engomar... Estou a tentar segurar-me de pé! 

sábado, 4 de janeiro de 2020

Eu avisei! E este momento (raro) merece registo!

Terceiro dia a correr [de boa vontade]. Com as orientações deixadas pelo treinador, que hoje não esteve presente. 
Aguentei-me. Não achei complicado. Secretamente, começo a gostar do desafio.
Para quem me conhece, isto é um pequeno feito. Ou talvez, em tempos, fosse um grande feito, quando era pouco ou nada crente nas minhas capacidades. Adiante. 
Mandei-lhe os números, que achei fraquinhos, mas tinha de lhe dar conhecimento e perceber o que devia fazer no primeiro treino de rua amanhã. 
Estupidamente, emocionei-me quando recebi a reacção dele aos números. Não é nada típico dele uma reacção efusiva e muito menos elogiosa. E hoje tive um misto de ambas. Fiquei contente embora tenha achado a reacção exagerada. Os meus números da corrida ainda não são nada. Nada mesmo. Mas a reacção serve de trampolim para eu melhorar. E vou guarda la para os dias em que me apetecer desistir. 
Se o começo foi bom, então não haverá argumentos para desistir. Esta é a prova. 



sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

* conteúdo sensível para pessoas que padecem de preguiça crónica*. e é altamente provável que passe a ser recorrente.

Começo o meu diário de um novo desafio. mais comprido que os habituais. é capaz disto vir a tornar-se chato. é a vida! a minha.

Ao segundo dia do mês de Janeiro de dois mil e vinte abracei um novo desafio com as pernas que tenho [já não há retrocesso - nem o M. deixa! já andou a publicitar a  minha participação a algumas pessoas, contra a minha vontade. faz acrescer a responsabilidade e inibe a vontade de desistir.]. 

Comecei a correr [com método]. E não fiquei com a língua de fora. 

Habitualmente, se sprinto trinta segundos no treino metabólico fico logo a arfar (ou quase), e estou sempre a reclamar com o treinador a esse propósito. Eu odiava correr, mas ontem já não me pareceu tão mal. Claro que não me pus a correr como se o hospício tivesse deixado a porta aberta e eu tivesse oportunidade de fugir. Começámos muito ligeirinho, numa velocidade baixa, a intervalar entre corrida e caminhada. Ele a controlar tempos e as velocidades, e eu a controlar o passo, porque isto de correr na passadeira não é bem como caminhar. o início é estranho. parece que vou ser atropelada pelo tapete do equipamento.

Agora, quando fizer cardio sozinha, tenho que começar a intercalar a corrida. Amanhã, vou tentar sozinha e depois logo lhe digo como corre. estou um bocadinho ansiosa por experimentar na pista ao ar livre, no domingo. ver como corre. ou como corro, melhor dizendo.
Vou ter mais de trezentos dias para me preparar. Ao objectivo de participar na corrida, ele adicionou um outro: fazer a prova abaixo de um determinado tempo (que eu ainda desconheço mas ele já estipulou; eu só vou saber mais perto da prova). Acho que ele está a ser ambicioso. Já lho disse. ele diz que não, que está cheio de certezas [absolutas] que sou capaz de muito mais que julgo e que, acima de tudo mo quer provar. Ele diz que a única limitação em tudo o que eu possa pensar fazer sou eu própria.e se lhe argumento que uma das pessoas que ambos conhecemos, super bem fisicamente, quase ia deitando o baço e o fígado pela boca, quando participou na prova, ele faz ouvidos de mercador. só diz: Quero provar-lhe que consegue tudo, basta acreditar e ter uma ajuda. Porque habitualmente nunca acredita. estou a fazê-lo por si, para lhe provar que é capaz.

Vamos lá a isto. Ele sabe que eu gosto de desafios. e que, apesar das minhas dúvidas, não iria bater o pé e dizer que não.

Oxalá eu não venha a ser uma desertora. Tenho medo que a cabeça estrague tudo, confesso.