Estes últimos dias não foram fáceis. Mais a nível psicológico, embora fisicamente também não tenham sido melhores. Ando toda partidinha... Treinos seis dias por semana e alguns dos dias, duas vezes no mesmo dia.
ando um tanto ou quanto viciadinha, confesso.
Andei aqui a patinar com a questão da saúde. agora estão as coisas um pouco mais dentro da normalidade. Precisei afrouxar, estabelecer prioridades. avaliar os meus comportamentos. resguardar-me na introspecção.
Sou de uma teimosia ímpar, sem dúvida, mas assustarem-me não me ajuda absolutamente nada. pelo contrário. agrava-me a ansiedade.
A semana passada começou mal; é possível que não tenha retrocesso, com grande pesar meu, mas não vou impor a minha presença a quem não a quer.
Na altura em que possivelmente precisava de calma, alimentar o meu medo, uma conversa piorou significativamente a situação. tentei ter graça, desvalorizar a situação, muito para me acalmar, quando no fundo, estava completamente amedrontada, em pânico. Queria sentir-me uma muralha, para segurar os meu próprios medos. Houve quem não percebesse o meu pedido de ajuda implícito, na minha tentativa de humor. Precisava falar, mas não fui entendida assim. às vezes, há paninhos quentes que não curam mas aliviam. mas quem sou eu para pedir ajuda a quem não me deve nenhuma?
Eu sabia os riscos que corria se, de repente, o coração não aguentasse todo o esforço físico que lhe andava a impor somado aos níveis de ansiedade altíssimos. A ansiedade que se criou, pensando eu que já não iria a tempo de desfazer a asneira que demorei meses a aperceber-me que andava a fazer. Adiar à espera que passe, não é solução.
aliviou a ansiedade, quando a cardiologista disse que o coração estava a resistir incólume à pressão alta contínua que eu o sujeitava. que estava a fazer tudo bem, mas que iria mesmo ter de tomar um [supostamente] hipotensor, para ajudar a resultados mais imediatos.
Enquanto isso, só de pensar que teria de chegar ao ginásio, me mediriam a pressão e veria o ar assustado das treinadoras e da dona do ginásio, punha-me a ansiedade nos píncaros. O único que acreditava que o treino não iria trazer-me qualquer desvantagem era o PT, que nunca me deixou vacilar, mesmo quando depois da toma do medicamento, sem resultado, eu quis desistir dos treinos. Foi de um apoio psicológico tremendo.
Tomar o medicamento prescrito pela cardiologista teve efeito quase zero. e aumentou outra vez os meus medos.
Quis desistir dos treinos até que o medicamento fizesse efeito. Senti-me impotente, perdida. O M. com toda a sua paciência e o seu comportamento cuidador, impediu-me de desistir. abafou-me os medos, pediu-me para ter calma, que confiasse nele, que tudo se ia resolver. usou a minha expressão de "um dia de cada vez", para eu dar tempo ao tempo.
Na ida à médica de família, depois da da cardiologista, uns dias depois, só de pensar que ela me ia puxar as orelhas, fez-me acelerar o coração, mais do que já estava.
Comecei por lhe dizer que não me desse um raspanete, admitia a minha culpa em adiar sucessivamente uma consulta com ela, e a ido ao cardiologista sem o aval dela, tinha sido um acto de desespero. Sorriu-me e disse-me que me acalmasse. foi uma longa hora a descrever-lhe a situação, a analisar exames, a trocar impressões. Aconselhou-me a deixar o trabalho. Discordou do calmante que a cardiologista me deu - tenho muita energia, que está a ser bem canalizada para o exercício físico, bem acompanhada pelo M. (PT), e não quer de maneira nenhuma que me torne uma mosquinha morta. discordou da toma do hipotensor dado pela cardiologista, quer na sua acção quer no momento de toma, mas ainda assim, deu-lhe a oportunidade que, quer-me parecer não será para tomar durante muito mais tempo. Seguindo instruções dela, se a pressão arterial baixar em demasia, há que retirar.
e uma toma apenas do Beta bloqueador que me prescreveu, teve efeitos imediatos.
E como diz o M., foi maravilhoso ver a alegria da minha cara, quando antes do treino, a pressão arterial estava fantástica. Depois do treino baixou ainda mais e acabámos os dois por ter uma longa conversa. acho que agora vou ter mesmo de me deixar de lamúrias, porque vai ser a doer (ainda mais). pressinto que agora nem lhe vou poder dizer que já não consigo mexer mais um músculo sequer.
Apesar de eu ter todas as análises e exames a enunciar muita saúde, a ansiedade do dia a dia, pôs a máquina a soar alarmes. Ir para o ginásio, foi sem dúvida,a melhor decisão que tomei, quanto a isso. Não tomei a decisão sozinha, houve quem me mostrasse o caminho, e a quem agradecerei para sempre. Um pequeno gesto, que parece estar a mudar o rumo completo da minha vida. e não, não é exagero meu...
Com alguma graça, dizia a médica de família, ainda haverá uma gravidez se eu andar à chuva...
Perante a minha honestidade, ela não só não foi capaz de me dar o raspanete, como me deu felicitações. Indicou-me que devia fazer Pilates - eu e o M. andamos a discutir isso, possivelmente ainda não é a altura apropriada dado o meu excesso de energia. Ela quer ver-me dentro de dois meses, com os resultados que consegui até à data, duplicados. No fim, deu-me um forte abraço, dois beijinhos e disse que eu a tinha surpreendido, e estava muito orgulhosa.
O M. fala que está muito contente de ver o brilho de felicidade nos meus olhos. que só isso, é o suficiente para ver o trabalho recompensado.
Será que há males que vêm por bem?