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segunda-feira, 23 de março de 2020

Não deixar a tristeza chegar-se à minha beira...

Passa pouco das 21h, quando escrevo a partir da minha cama. Praticamente desde quinta que quase me deito com as galinhas. Tenho andado a dormir em média dez horas; continuo a acordar cedo. 
Não ligo a TV desde quinta; não porque queira ser avestruz a enterrar a cabeça na areia, mas porque esteja eu ou não a par dos factos, isso não os vai mudar. Todos os dias quando me levanto, não faço nenhuma oração - se calhar, devia, não sei - mas tento cultivar a alegria e o bom humor, e ligo o radio ou coloco músicas boa onda em modo repeat. Ando todo o dia de fones nos ouvidos. Preciso de boas energias. Tennto que os que me são próximos, que me são queridos, se mantenham serenos e saibam driblar neste jogo sem regras, com aquilo que lhes cabe fazer. Tento não pensar no que pode estar para vir, tento ser positiva, tento manter-me mentalmente sã. 
Esta semana estou em casa, está previsto na próxima ir trabalhar. Hoje mandei os bons diasàs colegas que ficaram. Enviei-lhes uma graça, para que, pelo menos, uma vez hoje dessem una gargalhada. O feedback foi positivo. Amanhã torno a repetir a dose. 
Tenho-me levantado cedo e tenho ido correr, quando ainda não anda ninguém na rua. É a vantagem de viver na aldeia. Não há engarrafamentos nem aglomerados de gente. Em três dias fiz quase 20 quilómetros de corrida, sinto-me com maior capacidade respiratória e maior resistência ao cansaço. Ontem nem a chuva me impediu de ir, e afugentou pessoas da rua. As caminhadas têm sido rua acima, rua abaixo, em frente às portas de casa. Acho que só hoje vi algum dos meus vizinhos - espreitava à janela. As pessoas podem achar-me doidinha de tanto repetir o trajecto, mas estou pouco importada com isso. 
Alem disso, há os treinos enviados pelo treinador, os treinos propostos pelo ginásio, os desafios. Fazer agachamentos, flexões, abdominais. O maior número num minuto. Tudo serve de desafio, tudo serve para pôr o corpo a mexer. Tenho papado montes de vídeos de exercícios, passo praticamente uma manhã inteira a dar trabalho ao corpo, interrompo para uma sesta, e a tarde é dedicada às limpezas e arrumações, aos emails do trabalho e papelada. Telefono aos meus e pergunto lhes se tudo continua bem, mando mensagens desejando que, do outro, venha um ok, está tudo bem. 
Só importa manter-me serena, com os pés assentes na terra. Preciso ser força e não fraqueza, preciso ser sorriso e não tristeza, porque sei que preciso ser para quem precisa que eu seja força, porque a luta vai ser dura, quando chegar a altura. Porque sei que chegará. 

terça-feira, 17 de março de 2020

Na era do vírus

Não sei se foi por ter ido correr por entre pinheiros no domingo, ou que bicho terá vindo visitar-me, que a meio da manhã de ontem tive de tomar um anti-histamínico, porque não parava de espirrar. Com o clima de suspeição a  pairar no meio de todos, confesso que me senti com medo de ser apontada como portadora de vírus. Podem ter pensado, no escritório, mas não o disseram. É verdade que qualquer tosse ou espirro é sinal de alarme. Creio que, por aqui não passou de falso alarme. Assim espero.

Continuamos todos no posto de trabalho, até que a doença se manifeste ou, com as fronteiras fechadas, se acabe a matéria-prima. Anda tudo desvairado, e posso montar uma colecção significativa de comunicados, com mais ou menos palavras, mas resumindo, são todos iguais. Os motoristas de transportes são agora uma classe reduzida à clausura dos seus camiões, e nós sem sabermos muito bem como se pega na documentação, sem apanhar o maldito bicharoco. Não anda fácil tentar abstrair-me um pouco desta situação, porque é mesmo assunto do dia e toda a gente acha que a sua opinião é a melhor para o país. É nestas alturas que eu não gostava de ser governante. Há coisas que é mau demais ter que tomar decisões sobre elas, e viver com isso na consciência.
Com o ginásio fechado, ontem foi o primeiro dia de treino funcional, sozinha. Confesso que demorei a consciencializar-me que tenho de ser eu a puxar por mim. Lá peguei no esquema de exercícios que ele me mandou, a fazer em dias alternados até ao final da semana. São dez exercícios, a repetir em séries de três. Na totalidade, a fazer em vinte minutos. Fiz em vinte e sete, acabei em soutien de desporto, encalorada como se estivesse no Inferno [dizem que é quente] e o suor a correr em  bica. Fiz e isso é que interessa. Resultados enviados. De volta recebi os comentários de onde posso melhorar. Até ao final da semana tenho de baixar o tempo para os vinte minutos pedidos.  Hoje pensei levantar-me cedo - antes do trabalho- e ir correr, mas era noite ainda. A ver se consigo sair cedo e aproveitar o lusco fusco para correr meia hora. Preciso manter-me activa e forte. E preciso dar a mim própria provas que sou capaz de tanta coisa, basta que me ponha a isso.

Para memória futura, aqui fica o resumo do primeiro treino funcional, da primeira semana, na era coronavírus e  crio uma etiqueta nova neste espaço: somos mais fortes que o corona.

Composição do treino funcional era coronavirus (semana 1):

- Para fazer em três séries cada:

  1. Agachamento com salto (15 cada série); 
  2. Flexão de braços- peitoral  (15 cada série)
  3. jumping jacks (30 cada série)
  4. Thruster (15 cada série - com garrafão de água de 6l)
  5. Burpees (a partir do chão, 10 cada série)
  6. Abdominais Oblíquos com bola (e pés no ar, 10 cada série)
  7. Lunges (série de 10 cada perna)
  8. skipping
  9. Walk to plank (10 cada série)
  10. Montain Climbers (30 cada série)
Tempo ideal: 20 min [um dos treinos da semana terá que ter este tempo]
Tempo conseguido:




A foto está tremida porque tirei-a mal acabei o treino e estava mais morta que viva! Mas soube bem. Somos mais fortes que o vírus.


domingo, 15 de março de 2020

Sobre a normalidade da vida

Tenho feito reforço da informação sobre o que se anda a passar, junto dos meus pais. Obviamente que temo por eles. No entanto, sei que isto não é novo para o meu pai. Ele viveu na primeira pessoa o estigma da tuberculose. A infância foi passada com a mãe num sanatório. O meu avô, apesar de analfabeto, e há 60 anos atrás, já tinha todos os cuidados de higiene possiveis, para proteger os três filhos, contra uma doença de que pouco se sabia. O fantasma da morte pairou muitos anos naquela casa. Eu, na minha infância, ainda fui visada com cuidados redobrados, para que a doença não voltasse ao seio da família. 
Do lado do meu irmão, creio que todos estão conscientes da situação, e com miúdos pequenos, parecem ter cuidados acrescidos. Confesso que, com eles, estou mais tranquila. A minha cunhada ficará por casa, em teletrabalho. Duvido que o T. lhe largue a barra da saia, mas já se sabe como é. 

Por aqui, amanhã é dia de regresso ao trabalho. Para já, ninguém está de quarentena na empresa. Haverá um ou dois casos que os funcionários terão de ficar em casa, para cuidar de filhos pequenos, mas ainda não vamos, quem eventualmente possa ser elegível, ficar em casa em teletrabalho.
As idas ao ginásio estão suspensas, ja não fui os dois últimos dias. Achei que estava a arriscar, mesmo havendo normas reforçadas de higiene e de estar praticamente vazio. Estão prometidos, de ambos os treinadores, treinos para fazer em casa. Devo receber hoje o primeiro vídeo de exercícios. A ela, como me pediu, já lhe mandei as fotos dos equipamentos que tenho cá em casa, para ela ter isso como suporte. Já que ambos me puseram à vontade, vou aproveitar. Vou tentar manter a rotina da actividade física, como se fosse ao ginásio. Vou precisar muito disso, para me manter sã para o período de pressão que já começou. Quinta e sexta fui inundada com comunicados, e emails e telefonemas sobre como iria ser o fornecimento aos clientes. Depois de ter enviado o comunicado da empresa a indicar como iríamos proceder,  e que não iríamos, por agora, encerrar, fomos inundados com pedidos.
É difícil ficar imune aos constantes comunicados, perguntas, conversas, relatos e notícias que vou recebendo. Tento manter a calma, mas não vou negar que tenho receio. Mais do que o receio de contrair o vírus é o de poder passar aos outros. Atemoriza-me por em risco outras pessoas. Espero que nada disto aconteça.

Fazendo parte de uma associação, decidimos cessar a actividade desportiva e, mandar as funcionárias do bar para casa. A responsabilidade de ter a saúde dos outros nas nossas mãos, através das nossas decisões, sobrepõe - se, a meu ver ao dinheiro que não se ganha com o fecho. 

Vou fazer uma corrida no meio dos pinhais, arejar as ideias, não pensar em nada. Restabelecer a calma que tenho tido quando já muita a gente entrou em parafuso.
Preciso estar forte para os tempos conturbados que possam estar para vir. Já fui posta algumas vezes à prova, ao longo dos últimos anos, sobre a capacidade que tenho em ser razoável e resistente a situações de emergência. Acho que já dei provas a mim mesma de ser capaz de ultrapassar situações em que o mais importante são os outros, e não a nossa fraqueza.
Somos mais fortes que julgamos. 

quarta-feira, 4 de março de 2020

já não falava há algum tempo nele; é tão fofinho, não é? :) :)

Quando eu ainda faço este esgar de dor por causa do treino, há sempre alguém que se surpreende: como é que tu, a treinares há tanto tempo e todos os dias, como dizes, ainda tens dores?

Se eu só fizesse cycling (que é coisa que eu não faço nem sinto entusiasmo, prefiro ir andar de bicicleta ao ar livre) ou só abdominais, ou só passadeira, acredito que não teria dores, porque o tempo e a repetição talvez não permitam que as dores se mantenham. Força de hábito.
Agora quando o programa das festas é, segundo o calendário semanal:
 2ª - pernas;  3ª - braços; 4ª - treino alta intensidade (metabólico); 5ª- misto pernas/ braços/ metabólico; 6ª - yoga; sábado - cardio;   e eu, ao fim de oito meses, (acabadinhos de completar hoje) ainda ando a descobrir músculos novos, porque todos os dias são trabalhados movimentos diferentes, com exercícios bem diversificados e, em que o que não lembra ao Diabo, aparece na lembrança do treinador. venham experimentar e ver o que é bom para a tosse.

Já por diversas vezes disse ao treinador que o corpo já se devia ter habituado a este ritmo de treino, ou pelo menos a algumas coisas. ele diz que não. a intensidade, a diversidade e a periodicidade dos treinos que faço não permitem ao corpo criar o hábito de se defender. Portanto, tenho mesmo que me habituar às consequências de treinos bem puxadinhos.

Na segunda, o homem parecia tomado pelo Diabo, e praticamente 50% dos exercícios foram novos e de dificuldade intermédia (só para ser fofinha, digo assim). Fazer agachamentos já começa a fazer parte do menu, com as diversas variantes e foi dia de uma nova. Como ele diz que tenho muita força, resolve sempre fazer-me carregar com pesos e agachar... mas o pior nem foi isso. descobri que há algo pior que burpees, montain climbers ou man makers. Não tenho propriamente um rabo levezinho [ainda só está bem torneadinho ;)], por isso lá me deitei de barriga para cima, no colchão, com os pés de fora. coloquei os calcanhares em cima de uns discos colocados logo a  terminar o colchão. Glúteos no ar, joelhos flectidos, calcanhares nos discos, braços ao longo do corpo, e toca de empurrar os discos até esticar as pernas todas (fácil - é só fazer deslizar os discos pelo chão com a ajuda dos calcanhares), e depois, recolher as pernas ao estado de flexão inicial, ainda com os glúteos nos ar - não pousa os glúteos no chão! não pousa! contrai abdominal e puxa os discos com os calcanhares!, diz ele, com firmeza - o caraças é que puxo! eu não conseguia puxar os discos, sentia as pernas a alongarem, os glúteos a ficarem pesados e eu a pensar: eu mato-o! Resolvi socorrer-me dos braços para aguentar o rabo no ar. Perante a batota, obrigou-me a mais duas séries de dez, sem as mãos a ajudar, os braços ao longo do corpo. foi do piorzinho que já fiz, já que não conseguia puxar os discos com o rabo no ar e por muito que apertasse o abdominal os discos não voltavam à posição inicial.

Praguejei baixinho, vezes sem conta, com as dores das pernas com o esforço de puxar os discos repetidamente. e dei de cara com o sorrisinho maquiavélico [e giro, tenho que admitir] do treinador. não sei se achou piada ao sofrimento e ao dever cumprido ou à minha reacção asneirenta. ou às minhas tristes figurinhas...

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

e não é que cheguei mesmo?

Contra as minhas melhores expectativas, e depois desta conversa, o objectivo traçado para Abril, foi concretizado com praticamente dois meses e três dias de antecedência. 

Esperamos que não encontre de novo o que acabei de perder. nunca mais. :)

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

notas soltas

Verdade que nos últimos dias ando mais quieta mas não mora cá tristeza. Moram cá outras coisas que, por enquanto, não me apetece partilhar.

Às vezes gostava de ser menos totó. Mas é o que há, e infelizmente, parece-me que não vou mudar. Mesmo que queira muito.

Ando a pensar demasiadas vezes que já vou fazer 43. Há coisas que estou tão melhor nos quarenta mas não quero que o meu tempo se esgote; quando é que inventam algo para vivermos (bem) até aos 200? fico contente quando me dão 35, e não são raras as vezes. deve ser porque só tenho rugas do riso e não da idade.

A motivação sobre o exercício físico continua em alta. No sábado registei 15 km feitos e acabei morta das pernas. Quando o M. me perguntou sobre o treino de sábado e lhe disse o que tinha feito, disse-me que, por este andar eu ia chegar ao objectivo (datado para o meu aniversário) antes do tempo. Quero ter cautela quanto a isso, porque a minha mente tem tido muito poder sobre o corpo e a qualquer momento a coisa descamba e ando umas casas para trás. Em resposta escrevi-lhe algo que me quero lembrar nos dias maus:
Isso de chegar ao objectivo antes do tempo seria óptimo; criaria nova meta, mas nunca se sabe os obstáculos que vão aparecer. [...] continuo mega focada onde sei que quero estar. Só estou mais cautelosa, porque sei que isto de chegar a uma determinada idade, está cheio de contratempos, e e eu nunca me habituarei às desilusões. Continuo a não querer desistir. Ou continuo a querer avançar, é mais isso! E quanto mais as pessoas me perguntam se mantenho o ritmo, como me fizeram ontem, mais "ganas" tenho de chegar onde me vejo daqui a uns meses! e se lá não chegar no fim do ano, só tenho que ter espírito para manter a luta que quero vencer... a progressão é lenta, mas tenho o resto da vida para ir tentando:).E com isto tudo, [...], estou menos desmotivada?? Estou menos em guerra, isso sim!



quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

o medo da imagem


Nos últimos tempos, tem sido uma grande aprendizagem aquela a que me tenho dedicado, isto de crescer por dentro.

Uns dias progride-se, outros dias o contrário. Como diz alguém que eu conheço e de quem vou gostando cada mais da sua postura perante a vida, às vezes é preciso dar um passo atrás, para dar dois à frente.

Há muito coisa que ainda tenho medo de ser ou de estar; não sei se sempre fui medrosa ou foi o tempo e os outros que me fizeram assim; acho que já nasci velha para o risco. e precavida, sempre a tentar controlar as variáveis que me possam por em causa.

E depois olho para os que me rodeiam, e de vez em quando, também me contam pormenores que não gostam em si que, aos meus olhos, não têm nenhuma razão de ser. Acho que todos somos um pouco exigentes nas auto-avaliações.

Num mundo global, em que deixa o anonimato e passamos a dar-nos a conhecer aqui ou a alguém que está no Japão, é hoje em dia coisa comum. O mundo hoje vive da imagem, do seu poder de sedução. ou da falta dele.

Mas eu ainda tenho muitas dificuldades de passar das palavras à imagens. Sei o quanto me acautelo  por medo de decepcionar os outros. Porque me conhecerão de dentro para fora, e receio que o medo da imagem faça esquecer tudo aquilo que me conhecem por dentro. Porque me prefiro, com os meus mil e um defeitos, pelo que sinto e penso, e não a minha imagem. Porque a imagem vale mais que mil palavras e pode deitar tudo a perder.

Falo com muitas pessoas, mas a maioria delas só me conhece a voz. Não raras as vezes, dizem-me que gostariam tanto de me conhecer.  e garantidamente não é por ter a voz sexy, embora nestes últimos tempos esteja rouca. às vezes, comentam com os comerciais sobre mim, e voltam a expressar a vontade de estarem comigo cara a cara. Não percebo a fascinação, porque da minha parte não existe essa reciprocidade na vontade. Não sou muito curiosa quanto a isso, ou só estou a espelhar que, não querendo eu que se quebre essa aura de fascinação [porque se vai quebrar certamente], não me despertam a curiosidade.

Ontem contrariei esse medo da imagem.  A mim, não me faz confusão falar com alguém ao telefone, ou por mensagens ou email a quem nunca vi a cara. Mas finalmente percebo que nem toda a gente pensa como eu. Há a quem isso faça confusão.

Há muitos anos que nos conhecemos, mas nunca estive pessoalmente com ela. Um dia, hei-de dar-lhe um abraço. Prometi-lhe ontem. Ela partilha comigo, desde cedo, algumas das cenas da sua vida, das suas fotos do dia a dia, quando falamos de pedaços da nossa vida, que têm pontos em comum. Acho que ela é linda, apesar de ela apontar continuamente algumas das características que acha que lhe arruínam a imagem. eu não acho nada disso. Acho que tem um encantamento que ela ainda não descobriu quando se olha no espelho, mas eu vejo-o lá.

Ontem, e talvez porque esteja a acontecer progressão em mim mesma, dei-lhe a conhecer quem eu sou fisicamente. Uma foto recentíssima, que não me envergonha muito, não me deixa apreensiva.  Não é pela maquilhagem, mas porque me senti bonita. Porque uma coisa é estar bem – e aí creio que não me avalio mal – outra coisa é estar bonita. Não que quisesse impressionar, mas não me queria envergonhar. e queria retribuir-lhe o gesto de poder perceber com quem fala, sem ser necessário imaginar. Talvez seja parvo mandar uma foto a alguém – chego a pensar que é – contudo, às vezes, temos de vencer o medo de nos expormos e de nos sujeitarmos às avaliações de outrem. Afinal, e salvo de fizermos uma cirurgia estética, é assim, com tendência para pior possivelmente, que vamos estar. Não vamos poder apresentar uma versão revista do que somos.

Para a maioria das pessoas, sei que isto que escrevi, é uma tremenda tolice. Mas como disse atrás, as pessoas sofrem com problemas com pequenos pormenores que não gostam em si. O meu pormenor tem 1.62 m e um palmo de cara que não aprecio particularmente, este, o meu. mas estou a tentar mudar. e ontem resolvi que me tinha que expor, dar um voto de confiança, retribuir para que a outra pessoa percebesse que eu existo mesmo, e sou quem digo ser.

e quanto a isto da imagem, foi um pequeno passinho [uma parvoíce para alguns, bem sei] mas é sinal que quero dar passos em frente.

O próximo passo será vencer o medo terrível que tenho de subir a uma balança em público [salvo seja]. Se as pessoas soubessem as birras que faço nos consultórios médicos para escapar a esta tortura psicológica. Quase faço chantagem para não ser submetida a esta avaliação. é horrível. Como se aquele aparelho tivesse sido feito para me humilhar. Adoro saber quando a balança está avariada. é parvo? é, mas tenho dificuldade em ultrapassar, mesmo sabendo que aquele número que lá consta possa ser motivo de orgulho e não de humilhação…

Um dia de cada vez. e cada um com o seu parafuso desapertado.



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

A transformação que faz bem à alma

Ainda não fiquei cega pelos resultados que tenho obtido no ginásio [a achar que estou uma boazona; nada disso!] e, continuo a sentir que estou longe de estar onde quero, embora haja quem pense o contrário. Tenho um objectivo bem delineado a cumprir até ao meu aniversário, em Abril. Só espero que não haja lesões ou contratempos de maior. 

Há uns anos estava com um peso idêntico e não me dava para comprar vestidos que dessem tão nas vistas como o que usei no sábado. aliás, fugia disso, como o diabo foge da cruz. Admito que, enquanto vou trabalhando o corpo, também tenho modelado a mente, e a auto-confiança tem subido. Ainda tremo um bocadinho de insegurança, sempre receosa de não estar bem, mas nada como antes. Tenho tido bons auxílios que me ajudam a ver com outros olhos, embora seja difícil mudar a opinião que tenho sobre mim, de um dia para o outro. A fase de aceitação tem-se trabalhado devagarinho. como o corpo.
No sábado, não me reconheci. Achei que a mulher que via ao espelho não podia ser eu, porque além de super elegante, estava gira que impressionava. A M. caprichou, fez os meus olhos castanhos ficarem maiores e deu-lhes ainda mais ênfase.
eu que nunca me achei bonita confrontei-me com uma imagem que me impressionou. Aquela era eu? era sim, e segundo a M., estava linda de morrer. Eu, linda de morrer? Baaah. Estava gira, sim. Mas, linda de morrer, é um atributo demasiado fantástico e descabido para mim. Pedi-lhe que me tirasse uma foto [eu detesto tirar fotos], porque estava muito impressionada do resultado final.

Entrei naturalmente para onde iria ser o jantar, e ainda não me tinha sentado à mesa, e já tinha recebido uma mão cheia de elogios, principalmente de alguns dos participantes masculinos no jantar. Alguns, sequer alguma vez troquei uma palavra só que fosse com eles. Desta vez não senti a habitual vergonha e fui capaz de pronunciar um seguro obrigada. Também houve elogios do lado feminino, mas em menor frequência. A M. diz que as mulheres são terríveis umas para as outras, e elogios são coisas que não sabem fazer...

O curioso disto tudo é que a pessoa que mais à vontade poderia estar para me dar um elogio, foi a única que não se pronunciou e que, parece, ficou completamente imune à transformação. Não vou dizer que não me custou que não o tivesse feito. Por diversas razões. E porque sabe como funciono.

Como diz o ditado, não podemos agradar a Gregos e Troianos. Uma coisa é certa, no sábado, deixei de me sentir bichinho para me sentir um bocadinho borboleta. e soube maravilhosamente bem. 
Posso parecer pretensiosa. Cada um que pense o que quiser.

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Cem

E sete meses depois de ter entrado no ginasio, a quarenta segundos de terminar o ciclo na passadeira (faltam os alongamentos), completo cem treinos acompanhados. Fora os outros dias que venho. Não é p'ra todos. Por diversas razões. Acho eu.

Seja muito ou seja pouco o que interessa é que estou de parabéns. Nunca pensei que aguentasse tanto tempo. E estou pra ficar!

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

debaixo d' olho...

E lá vou para a caixa, e o rapaz do supermercado - o mesmo daqui; mera coincidência - encara-me, mira-me bem.

Dá um grande sorriso, mostra o aparelho dos dentes, e diz: não se nota nada. o nariz está impecável.

Deito-lhe um sorriso e pisco-lhe o olho. 

Mesmo que eu já mal me lembre, ele não deixa esquecer :).

domingo, 29 de dezembro de 2019

Não era nada assim que eu queria escrever. Mas também não caberia tudo.

Já comprou a cueca azul para começar o novo ano? - perguntou-me ela em mais um dos nossos habituais encontros de sábado.
Tem que comprar! - disse-me quando lhe respondi que não estava a pensar nisso.

Quando passei de 2018 para 2019, não comprei nenhuma peça de lingerie azul - dizem que traz sorte- e não foi isso que não fez com que o ano não fosse singular. 
Estava mais preocupada em livrar-me das tralhas que tinha dentro do nariz, depois de uma cirurgia mais demorada que o esperado, mas bem sucedida. 
Assim comecei o ano, de robe, nariz arranjado, e de baixa médica os primeiros quinze dias do ano.
E depois de adiar um problema durante vinte anos, e muitas conversas com o otorrino mais espectacular (e não só!) que conheço, ser capaz de perder medos começou a mostrar me todo um mundo de oportunidades que andava a perder.
E a vontade de escrever num blogue voltou, depois de dois anos de uma vida meio viva, meio morta... 
Escrevi sobre um ano inteiro da minha vida, num total de mais de quinhentos posts. Escrevi sobre paixões, desilusões, sobre mim e os outros. Quando começar o ano, não sei se escrever vai continuar a fazer parte das rotinas. Não posso garantir. 

Vivi tantas coisas este ano. Não vou voltar a referi-las porque tenho a certeza que todas elas estão por aqui espalhadas, neste meu caderno diário que é o blogue. 

O primeiro semestre cheio de loucuras que eu precisava sentir. Saí da concha onde sempre me protegi e fui à descoberta. Perdi o medo que me magoassem e deixei-me descobrir e ser descoberta. Foram seis meses que vivi numa euforia ímpar porque tinha medo de perder um segundo na vida, depois de tanto tempo a perder tanta coisa. Por medo que acumulei ao longo de muito tempo. Até aqui, só deixava as coisas acontecerem, e passarem ao lado. Fazer o quê? Pensava eu.
Conheci pessoas e aprendi com elas muita coisa. Guardei delas muitas lições. Nem todas, lições boas de receber, mas necessárias. Continuo a pensar que até as más experiências têm algo para nos ensinar. 
Fiz disparates. Não tornaria a fazê-los. Não me orgulho deles mas também não me condeno. Também foram lições! 
Aprendi que os limites somos nós que impomos, porque no dia em que nos tirarem algo que julgamos adquirido, vamos saber adaptarmos. Basta ir à luta.
Aprendi, ainda mais, a reconhecer que o diferente deve ser compreendido em lugar de ser julgado sumariamente, como todos temos o hábito de fazer.
E depois de meio ano, a viver tudo como se tivesse acabado de sair de um coma induzido, percebi que algo complicado andava a crescer a par com a euforia de viver. A ansiedade. Porque lido mal com a pressão. A raiz de todos ou grande parte dos meus problemas passados e presentes. Quando pensava que já me tinha redescoberto nos primeiros seis meses do ano, percebi que podia ter encontrado a fórmula eficaz para domar o meu Adamastor. E tomei a segunda melhor decisão do ano. Voltei a conhecer pessoas que todos os dias me mostram que o único limite sou eu apenas. Por todos os "não consigo" que vou repetindo, me mostram que eu não podia estar mais errada. E que me repetem quando tem de ser: não vou deixar que desistas de ti outra vez!

Isto não tem sido uma cura, porque há feridas que nunca vão sarar. Isto tem sido uma metamorfose. Voltei a ter a energia e a ter alguns objectivos. Alcancei coisas que nem sequer sonhei em atingir.
Claro que tenho dias maus, em que sou derrubada pelos outros com alguma facilidade, mas estou a trabalhar nisso. Em criar defesas pessoais contra o que os outros me dizem que me magoa. Não estou a trabalhar para a perfeição. Estou a moldar-me para aceitar as minhas imperfeições.

Como ela me disse, depois de termos resumido este ano, que começou sem a cueca azul vestida e nem por isso deixou de ser fantástico: o mérito é todo seu! Nós só fomos ferramentas para que conquistasse tudo o que conseguiu. Não queira tirar o valor a si própria. 
Foi um ano que não esquecerei. Foi um ano feliz, mesmo que haja preocupações a transitarem para 2020. Fui feliz. Estou feliz. Isso é que importa resumir. Que 2020 seja igual, porque 2019 tem sido fantástico. 
Gosto de números simétricos. Vinte-vinte é um número desses. Se auspicia boas coisas? Quero pensar que sim. Vão existir coisas que não vamos conseguir controlar - devemos aceitar - e as que dependerem de nós, que sejam as que nos façam felizes e nos completem, sem que se cause infelicidade aos que nos rodeiam. Não será felicidade, aquela que for conquistada à custa da felicidade dos outros... 
Que a felicidade chegue ao coração de todos, mesmo que seja preciso passar pelo deserto. 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

O conto de Natal da minha infância

Este será sempre o meu conto de Natal. Sei de cor, frases inteiras, pois desde  que o descobri no livro de Português do quinto ano, reli-o centenas de vezes. Por gostar tanto dele. E devo gostar tanto, tanto que ao lê-lo agora, em voz alta, me cai uma lágrima pela cara abaixo. 
Consigo, ver-me há muitos anos atrás, a fazer as falas diferentes das personagens e a conta-lo ao meu irmão. Eu, que naquela altura, era uma menina sonhadora, que achava que era fácil mudar o mundo, bastava querer. Às vezes, essa menina ainda aparece, mas rápido tem a noção que não basta apenas que ela queira, para que o mundo mude... 

Ao fim de muitos anos consegui encontrar  conto em formato digital, que quero aqui deixar registado. Porque tanbem faz parte da magia em que ainda vou acreditando. 



AS FILHÓS DO NATAL

Era uma vez uma velhinha que morava na última casa da aldeia, e como sempre acontece às pessoas que vivem sós, costumava pensar em voz alta.
O tempo do Natal estava a chegar e a velhinha certo dia lamentou-se:
— Ai, já amanhã é a véspera de Natal e pela primeira vez na minha vida não vou comer filhós!
Mas como havia eu de as amassar? Não tenho força nestes braços para pegar na abóbora que está em cima do muro... Não posso subir a uma escada para apanhar laranjas... 0 reumatismo
não me deixa ir ao moinho buscar farinha, nem à loja comprar azeite... Para mais, as malucas das galinhas escondem as ovos lá pelos campos... E o mel acabou-se quando me constipei e tive de o tomar às colheres para curar a tosse.
Dizia aquilo, mas bem se via que estava triste, porque gostava muito de filhós.
Todos os velhinhos gostam de coisas doces. Naturalmente porque já têm poucos dentes e os doces derretem-se na boca sem ser preciso mastigá-los.
Um cão que passava em frente da casa, ouviu-a e ficou cheio de pena.
- Coitada da velhinha! Se eu pudesse, ajudava-a...
Olhou para o muro e viu a abóbora grande, redonda, cor-de-rosa.
— Sou muito bem capaz de a atirar ao chão — ladrou o cão lá para consigo. – Assim soubesse trepar às árvores que também lhe apanhava as laranjas.
Foi então que se lembrou do gato que andava em cima do telhado e chamou-o:
-Ó gato, queres ajudar a velhinha a fazer filhós?
- Eu?! De que maneira?
- Podes trepar à laranjeira e apanhar-lhe duas laranjas.
0 gato miou logo que sim, e o cão contou-lhe o que também pensava fazer.
- Bom, mas ainda falta a farinha.
- Pois falta! - ladrou o cão.
- Há por aí um rato que deve conhecer todos os cantos do moinho e pode arranjá-la. Vou falar com ele.
E o gato pôs-se à procura do rato.
Não foi difícil encontrá-lo, a espreitar à entrada do seu buraquinho.
Ó rato, queres ajudar a velhinha a fazer filhós?
- Eu?! De que maneira?
- Podes ir ao moinho e trazer-lhe farinha.
O rato soltou dois guinchinhos que queriam dizer "sim, sim", mas perguntou por sua vez:
- E o azeite?
- É verdade! Falta o azeite ainda.
- Eu conheço uma coruja que mora na torre da igreja. Talvez ela consiga arranjar algum. Vou pedir-lho.
E o rato meteu por um carreirinho que ia ter à igreja da aldeia. Subiu os degraus da torre, e lá no alto foi encontrar a coruja a dormitar. Chamou por ela:
- Ó coruja, queres ajudar a velhinha a fazer as filhós?
- Eu?! De que maneira?
- Podias dar-lhe uma pinguinha de azeite.
- O azeite não é meu, é de Nosso Senhor; mas como é para a velhinha festejar o Natal, tenho a
certeza de que Ele não se vai importar. Que eu para mim nunca Lhe bebi nem uma gota,apesar do que muita gente pensa a meu respeito.
- Bom. O azeite está garantido.
- Sim, mas então os ovos? - piou a coruja.
- Pois é, faltam ainda os ovos, mas as malucas das galinhas escondem-nos bem escondidos.
- Talvez o milhafre que vê muito bem ao longe possa dar um jeito. Nós ainda somos parentes; vou falar com ale.
E a coruja foi em busca do milhafre. Custava-lhe um bocado a aguentar nos olhos a claridade do dia a que não estava habituada, mas para ajudar a velhinha, valia a pena o sacrifício.
Lá muito no alto, ao pé das nuvens, viu um milhafre a peneirar, de asas abertas. Peneirar, chama-se ao voo quase parado dos milhafres, quando andam à procura de caça.
- Ó milhafre! - gritou a coruja. Tu queres ajudar a velhinha a fazer as filhós?
- Eu?! De que maneira?
- Vê se descobres o sítio onde as galinhas escondem os ovos.
- Está bem — respondeu o milhafre. Mas onde se vai arranjar o mel?
- É verdade! 0 mel...
Deixa que eu pergunto às galinhas se por acaso viram alguma abelha.
Enquanto a coruja voltava para a sua torre, o milhafre começou lentamente a descer lá dos altos, sempre de olhos bem abertos até que por fim avistou três ovos escondidos numas moitas.
Baixou mais e veio pousar num terreno onde uma galinha depenicava.
- Olá, galinha! Queres ajudar a velhinha a fazer as filhós?
- Eu?! De que maneira?
- Oferecendo-lhe alguns dos teus ovos.
- Com todo o gosto – cacarejou a galinha. – Mas ainda falta outra coisa, que é o mel.
- Já tinha pensado o mesmo. Não encontraste por aí nenhuma abelha?
- As abelhas no Inverno pouco saem do cortiço... Mas agora me lembro de que vi uma delas, meio entorpecida de frio, acolá nas urzes. Assim lá esteja ainda.
E a galinha dirigiu-se ao sítio indicado, pezinho cauteloso à frente um do outro, cabecinha à banda ora virada à direita, ora virada à esquerda.
A abelha continuava, sonolenta e friorenta, poisada numa haste.
- Ó abelha queres ajudar a velhinha a fazer as filhós?
- Eu?! De que maneira?
- Dando-lhe um bocadinho de me! É só o que falta.
– Nesta altura do ano há pouco, mas temos ainda uma pequena reserva, e como é só para uma
pessoa, arranja-se. Vou buscá-lo – zumbiu a abelha, levantando voo com alguma dificuldade.
– Se tens frio e estás cansada, pousa na minha cabeça que eu levo-te ao cortiço – ofereceu a galinha.
– Aceito e agradeço – respondeu a abelha.
Na véspera de Natal, quando a velhinha se levantou foi encontrar na cozinha a abóbora, as laranjas, a farinha, o azeite, os ovos e o mel necessários para fazer as suas filhós.
(Não me perguntem como foi que os animais transportaram tudo para ali. Nas histórias estas coisas acontecem, mas ninguém sabe como...)
– Milagre de Natal! – exclamou a velhinha.
E foi cozer a abóbora, descascar as laranjas, amassar os ovos com a farinha, fritar as filhós… e à ceia enquanto as comia, regadas com mel, repetia sempre:
– Milagre de Natal! Milagre de Natal!
Para mim, o verdadeiro milagre de Natal foi outro: foi o cão não ter mordido no gato, o gato e a coruja não terem querido comer o rato, o milhafre não ter levado a galinha, a galinha não ter
comido a abelha, a abelha não a ter picado e todos, sem desconfiança uns dos outros e em paz, terem juntado a sua boa vontade para que a velhinha pudesse comer as suas filhós na
noite santa de Natal.
 Antoine de Saint-Exupéry

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

hoje vai ter de ser outra vez, para aguentar outro dia de trabalho, amanhã

Pelos vistos, o treino "rebenta tudo" de ontem, só deu para dissipar alguma da raiva e da pressão.
Ou hoje, o nível de pressão subiu ainda mais e eu já não fui capaz de conter mais as lágrimas, só porque não posso dizer o que sinto.

Logo vai ter de ser de novo, um treino "rebenta tudo". malhar até a cabeça ficar vazia. e sábado, de novo.

Há dias que não sei como ainda aturo isto aqui no trabalho.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

A tartaruga das Galápagos

Não vou comentar nenhum programa que vi no National Geographic ou dissertar sobre este animal gigante, porque os meus conhecimentos sobre o assunto restringem-se a umas poucas características e é só.

Sinto-me uma, isso!, uma tartaruga das Galápagos. De pernas para o ar, tem muita dificuldade em virar-se.

No treino metabólico de quarta, não faltou variedade de exercícios com nível de dificuldade acrescida, muitos abdominais e agachamentos com salto [tudo em múltiplos de vinte, só porque ela quis], muito exercício de braços a testar limites. Ontem e hoje, para sair da cama só rolando em modo muito, muito lento, por forma a que os pés fiquem na beirinha da cama e, num pequenino balanço consiga sentar-me. Rir? evito. Tossir? evito. apertar botões das calças? doloroso. Vestir o casaco? Doloroso.
Normalmente o efeito só começa a sentir-se ao segundo dia. Desta vez teve efeito imediato!
Como é possível ao fim de cinco meses de treino intenso, o corpo ainda ter tanto queixumes e reduzir os seus movimentos aos da vida de uma tartaruga?

A L. gosta de me testar os limites. É ela que me dá os treinos metabólicos só porque ele não está. Também a deixa a ela bastante orgulhosa a minha resposta às suas expectativas. O treino que ela me acompanhou na quarta deve realmente ter sido muito puxado, porque o M., ontem, compadeceu-se de mim e o treino, que devia ser de braços, foi pernas. Ela deve tê-lo avisado. Aumentei os agachamentos com peso para 20 kg [não foi difícil] mas poupou-me nas "escadas" onde normalmente não me perdoa fazer menos de dez minutos, a uma velocidade que tem vindo exponencialmente a progredir. Estava misericordioso :). e até fez uma espécie de elogio [acho eu!]

Temo que, nos próximos dias, continue em modo tartaruga das Galápagos, e ainda faltam dois treinos para acabar a semana.

Se isto me faz feliz? Não falaria em felicidade. Porque é parvo associar dor à felicidade mas não posso deixar de me reconhecer um certo espírito combativo,  muita garra e força de vontade (como diz o M.) e isso, neste momento, faz sentir-me viva, desafiada e orgulhosa de mim e do que já consegui. 

[e já há objectivo traçado, para tentar validar até 04/01, quando cumprir seis meses de presença assídua no ginásio. seis meses! uma vitória!]

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

E o médico mais charmoso que eu conheço...

Acha que, dada a boa evolução da fractura do nariz, não justifica uma cirurgia e, por consequência uma anestesia geral,  para corrigir o abaulamento provocado pela queda. Portanto, foi-me dada alta médica. Não há preocupações de maior. Se houver, volto lá [não me importaria muito...]. Agora tenho de manter o nariz longe de cacetadas, bem protegido  com protector solar e colocar um gel de silicone todo xpto, que o Dr. José não quer que fique uma cicatriz feia no nariz. Nem ele nem eu. Mas a receita é dele. 
E quanto ginásio, tenho carta branca, posso treinar sem limitações. O médico até se riu quando lhe tornei a fazer a pergunta e lhe disse que alguém iria ficar muito feliz em por-me (literalmente) a correr... parece-me que ele acha algum piada por eu estar tão fã de exercício físico. Estou sempre a dizer-lhe que o facto dele me ter arranjado o nariz no ano passado me trouxe mudanças gigantescas à vida. ele já me tinha avisado que eu iria ter melhor qualidade de vida, mas acho que não imaginaria que chegaria a isto...
Foi o que fiz, depois da consulta: treinar (pernas). O treinador assim que soube que podia treinar sem restrições, montou logo um plano para o treino de hoje. Sem dó e pouca piedade. Não sou fã de burpees mas ontem não escapei. O corpo teve de acordar do torpor da semana passada. Regressei com tudo. E soube tão bem!
É bom voltar à rotina e mais uns dias a cara estará normal (espero eu). Foi cá um susto...

terça-feira, 15 de outubro de 2019

estranhas ironias

Não que queira que algo me aconteça [bato três vezes na madeira], mas a vida tem ironias estranhas.
Quando falo em ironias estranhas é por exemplo alguém toda a vida padecer de uma determinada doença, de certa forma grave, e falecer de um mera constipação. Ou o Schumacker ter sido um piloto de fórmula 1, a velocidades estonteantes, e ficar, segundo dizem, em estado vegetativo por causa do ski.

Admito - menos aos mais chegados -, que adoro acelerar; a adrenalina sobe e consigo que os pensamentos não corram e não me transtornem. Tenho bem acima de um milhão de quilómetros palmilhados e a viagem longa que faço casa-trabalho-casa está constantemente a surpreender, porque os outros acham que só faz uma viagem destas quem é doido. :)  [estou sempre a dar exemplo que isto é melhor que fazer um IC19 ou passar a ponte sobre o Tejo, duas vezes ao dia, em hora de ponta. tem servido para calar os intervenientes].

E onde eu quero chegar é que, em menos de um ano, consigo cair duas vezes da minha própria altura e fazer estragos irrecuperáveis.

O que tem de ser, será. acho que há pouco a fazer para prevenir situações que não estão sob o nosso controlo. Serão obra do acaso?

domingo, 13 de outubro de 2019

Fui ao Porto partir o nariz e voltei...

Olho-me ao espelho e mal consigo acreditar que sou eu. Podia tirar uma foto e colocar aqui que estaria irreconhecível. Se já acho que não sou bonita, agora estou medonha...
Os olhos estão negros e quase tapados, tenho uma tala no nariz e a cara esquisita. Estou de papo para o ar, a escrever...

É muito provável, no universo ainda que reduzido de leitores que por aqui andam, algum já tenha ouvido falar de mim, no evento onde estive, se também lá esteve. 

O meu patrão costuma dizer que um dos nossos comerciais vai ao Porto fazer uma mijinha. Eu fui ao Porto, literalmente partir o nariz. 
Andei toda a semana dependente de terceiros para ir. Mas queria mesmo ir, porque senti aquilo como um dever, sentia me em dívida, devia fazê-lo. Portanto, acabei por pegar no carro, e fui.

A viagem foi fantástica, não me enganei em lado nenhum, tudo porreiro. Cheguei ao evento, fiz a surpresa que tinha fazer - que não foi assim tão surpresa, porque há quem saiba montar puzzles bem montados - e abancamos à espera. A L. precisa ir ao WC e pede-me que vá com ela. Eu espero na rua, junto ao WC, debaixo de uma espécie de toldo, que mais não era que uma estrutura em ferro que, em tempos, estaria montada sobre outra. A L. fica fechada no WC e chama-me para que a tente ajudar. Sigo em frente em direcção ao WC e não reparo que a estrutura tem um ferro na altura do meu tornozelo. Aliás, eu não reparei que aquilo não era uma cobertura de acesso ao WC. Quando ela consegue sair do WC, já eu estou esvaida em sangue, porque bati com o nariz na soleira da porta do WC. Fui socorrida logo por um grupo de espanholas que estavam na esplanada. Sangue por todo lado. A L. foi procurar os socorristas da Cruz Vermelha - que não gostam de ser confundidos com bombeiros- que não estavam junto à ambulância. Depois lá apareceram. Entretanto tentei por toda a gente calma, e ainda tentei ter humor para toda a gente se acalmar. Era importante a L. se manter. Era preciosa noutras funções. 
Fui obrigada a subir para a maca, mesmo podendo andar pelo próprio pé, mas sei que são as regras. Pirilampos acesos, e ala para o hospital. Duas estreias: andar de ambulância e ir conhecer o São João no Porto. A vergonha de ter caído levou-me para a brincadeira com os paramédicos no caminho. Escusado será dizer que era sangue depositado em todo o lado, e o socorrista teve o cuidado de me limpar para eu não me sentir uma homicida. Corria sérios riscos de ter uma cadeia de TV conhecida, a querer entrevistar-me e arranjar uma história qualquer 
Chegada ao S. João fui obrigada a passear de cadeira de rodas - embora pudesse ir pelo próprio pé - pelos corredores enormes, até chegar à urgência de otorrino. Foi onde estive mais tempo por causa da anestesia fazer efeito e do resultado do rx. Foi nesse entretanto que escrevi o post anterior para tentar manter a calma. E tive uma troca de mails com o meu otorrino sobre a situação. Amanhã passo no consultório. [apesar de gostar muito dele, está era visita que dispensava].
Choraminguei, junto à técnica de rx. por causa da vergonha de ter caído. Ela foi um amor, e conseguiu devolver-me a calma. No fim de ter alta, ignorei as indicações da L. - ela iria ser muito necessária no evento, eu não queria que ela saísse de lá! - apanhei um táxi à porta do hospital. O taxista não podia negar as suas raízes. Além dos palavrões intercalados como se fossem vírgulas nas frases, espetou o dedo do meio no ar a sei lá quantos condutores.
Cheguei ao evento a tempo de fazer o que tinha ido propositadamente fazer. Entrei no recinto com uma camisola emprestada, para não parecer tão mal, e já quase todo o pessoal do evento sabia da história. Quase fui mais conhecida que as estrelas do evento. O grupo de espanholas reencontrou-me e lá lhes expliquei o diagnóstico e agradeci a ajuda. Nem sempre de Espanha há maus ventos... Foram impecáveis. 
Entretanto dei conta que colocaram uma grade no local onde eu tinha caído.

Acabado o que interessava, fiz-me à estrada, e regressei a casa. Finalmente, deixei cair as lágrimas livremente enquanto a água do duche limpava o sangue seco que estava pelo corpo... Foi um dia do caraças! P'ra não dizer pior... 
E é esta a história de alguém que só foi partir o nariz ao Porto. 

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Se renasço a cada momento

Nos últimos dias tem voltado a passar uma música da Mariza que já há algum tempo não ouvia. Marcou um período de mais ou menos um mês e meio - um ciclo de tratamentos de fertilidade, talvez o penúltimo. é provável que, na altura, a tenha postado, por me dizer muito, por me ter dado força naquela altura. Lembro-me o quanto força me deu no início e o quanto permitiu que eu purgasse a minha dor, quando o Beta-HCG deu negativo, mais uma vez. Vínhamos os dois no carro, a música a tocar no rádio do carro e silenciosamente as lágrimas caiam-me pela cara abaixo enquanto ele pegava na minha mão, como uma forma de me dizer que estou aqui, vamos em frente. Ainda veio outro tratamento, o último, que quase estive para não fazer para não passarmos pelo mesmo, e a música ligada a este último já era diferente. Lembro-me bem qual. Agora não interessa.
A mesma música da Mariza veio outra vez agora, passados mais de dois anos ou três, já nem sei - e não quero ir lá atrás ver o que escrevi - numa fase completamente diferente da minha vida. Fez-me reflectir. Tenho-o feito nas últimas quarenta e oito horas com algum distanciamento. Ser juiz em causa própria, é complicado.

Talvez fizesse sentido fazer o balanço deste meu ano lá para o final, mas sinto que é bom fazê-lo agora. Tenho alguma lucidez para olhar para trás e avaliar.

Estou numa fase boa da vida, não sei até quando, mas por isso a estou a viver com tanto entusiasmo, empenho e força. Não sei quando voltarei a cair e portanto, é melhor aproveitar. e tenho tido tanta gente boa à minha volta. que me quer bem. que se orgulha.

Aparentemente, ou que o saiba não estou doente - já começo a ter umas mazelas da idade, mas fazer o quê? Só por isso, estou tão grata! continuo a sentir-me como uma miúda de 25, não me sinto velha, nem em espírito nem em corpo. Quero pensar que os 42 só aparecem no cartão do cidadão. ;)

Passei os primeiros seis meses do ano a tentar encontrar-me ou conhecer-me melhor e perceber o que me tornava tão emocionalmente desequilibrada. Não vou dizer que não tenha altos e baixos. Continuo a ter uma espécie de movimento harmónico de humor, contudo ele faz parte intrínseca do que sou. de como sou. Simplesmente a distância entre os altos e baixos foi encurtada. 
Vivi muitas paixões no primeiro semestre; e em cada uma delas encontrei reflectidas o pior daquilo que era, o que me fazia sofrer perante as expectativas que tinha perante as coisas e pessoas. Vivi o lado contrário de mim mesma e provei um veneno que me conseguiu modelar e moderar alguma da minha personalidade. A vida, no primeiro semestre, foi feita de grandes lições, umas melhores que outras. teve muitas coisas boas e algumas que prefiro não voltar a elas. 
Encontrei apoio e força em quem eu nunca pensaria que seria possível, foi  minha alavanca para algo melhor. Hoje é uma das pessoas por quem nutro mais carinho embora por muito que lho diga, nunca me leve a sério. Oxalá a nossa amizade se possa manter apesar das vicissitudes da vida, além de outras barreiras, como a distância. Estarei muita grata e, apesar de eu ser uma pessoa que não precisa de muito para gostar de alguém, neste caso posso afirmar que me ficará para sempre no coração. Fez-me tomar a decisão de que aquilo que eu fazia por mim era pouco, muito pouco. Foi quem me deu o empurrão para a segunda fase - a que estou a passar agora: a da adrenalina, a dos desafios constantes, o de me mostrar o que valho e o que aguento.  e depois encontrei outras pessoas que verdadeiramente estão tão empenhadas quanto eu na minha felicidade. Ajudam-me a canalizar a ansiedade para coisas boas, ficar feliz com as conquistas. Se bem que estou sempre a falar no assunto e é capaz de ser chato! :) mas preciso gritar aos quatro ventos o quanto tudo tem valido a pena, e descrever cada dia, cada luta!

Como a pessoa de quem falei acima, por quem nutro o maior carinho do mundo acabou de me dizer: precisamos de pessoas boas à nossa volta. E eu acrescento:  e o melhor pode acontecer. Estive à espera de mim, e que é preciso perder, para depois se ganhar, como diz a música da Mariza:

Hoje a semente que dorme na terra

E que se esconde no escuro que encerra
Amanhã nascerá uma flor
Ainda que a esperança da luz seja escassa
A chuva que molha e que passa
Vai trazer numa gota amor
Também eu estou
à espera da luz
Deixo-me aqui onde a sombra seduz
Também eu estou
à espera de mim
Algo me diz que a tormenta passará
É preciso perder para depois se ganhar
E mesmo sem ver, acreditar
É a vida que segue e não espera pela gente
Cada passo que dermos em frente
Caminhando sem medo de errar
Creio que a noite sempre se tornará dia
E o brilho que o sol irradia
Há-de sempre me iluminar
Quebro as algemas neste meu lamento
Se renasço a cada momento meu destino na vida é maior
Também eu vou em busca da luz
Saio daqui onde a sombra seduz
Também eu