Passa pouco das 21h, quando escrevo a partir da minha cama. Praticamente desde quinta que quase me deito com as galinhas. Tenho andado a dormir em média dez horas; continuo a acordar cedo.
Não ligo a TV desde quinta; não porque queira ser avestruz a enterrar a cabeça na areia, mas porque esteja eu ou não a par dos factos, isso não os vai mudar. Todos os dias quando me levanto, não faço nenhuma oração - se calhar, devia, não sei - mas tento cultivar a alegria e o bom humor, e ligo o radio ou coloco músicas boa onda em modo repeat. Ando todo o dia de fones nos ouvidos. Preciso de boas energias. Tennto que os que me são próximos, que me são queridos, se mantenham serenos e saibam driblar neste jogo sem regras, com aquilo que lhes cabe fazer. Tento não pensar no que pode estar para vir, tento ser positiva, tento manter-me mentalmente sã.
Esta semana estou em casa, está previsto na próxima ir trabalhar. Hoje mandei os bons diasàs colegas que ficaram. Enviei-lhes uma graça, para que, pelo menos, uma vez hoje dessem una gargalhada. O feedback foi positivo. Amanhã torno a repetir a dose.
Tenho-me levantado cedo e tenho ido correr, quando ainda não anda ninguém na rua. É a vantagem de viver na aldeia. Não há engarrafamentos nem aglomerados de gente. Em três dias fiz quase 20 quilómetros de corrida, sinto-me com maior capacidade respiratória e maior resistência ao cansaço. Ontem nem a chuva me impediu de ir, e afugentou pessoas da rua. As caminhadas têm sido rua acima, rua abaixo, em frente às portas de casa. Acho que só hoje vi algum dos meus vizinhos - espreitava à janela. As pessoas podem achar-me doidinha de tanto repetir o trajecto, mas estou pouco importada com isso.
Alem disso, há os treinos enviados pelo treinador, os treinos propostos pelo ginásio, os desafios. Fazer agachamentos, flexões, abdominais. O maior número num minuto. Tudo serve de desafio, tudo serve para pôr o corpo a mexer. Tenho papado montes de vídeos de exercícios, passo praticamente uma manhã inteira a dar trabalho ao corpo, interrompo para uma sesta, e a tarde é dedicada às limpezas e arrumações, aos emails do trabalho e papelada. Telefono aos meus e pergunto lhes se tudo continua bem, mando mensagens desejando que, do outro, venha um ok, está tudo bem.
Só importa manter-me serena, com os pés assentes na terra. Preciso ser força e não fraqueza, preciso ser sorriso e não tristeza, porque sei que preciso ser para quem precisa que eu seja força, porque a luta vai ser dura, quando chegar a altura. Porque sei que chegará.

