Mostrar mensagens com a etiqueta para não me esquecer. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta para não me esquecer. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Imprevistos do final do ano

Com a cirurgia marcada para o dia logo a seguir ao Natal, comecei a fazer os preparativos no início de Dezembro, para o internamento e para a baixa que já estava decidida pelo médico, que tinha que ser.

Avisei somente as pessoas que tinha que avisar e não fiz grande alarido do caso. Avisei a administração da empresa, com quem trabalho directamente. Sei de quem não ficou agradado por não saber, mas não lamento não o ter dado a conhecer. Não é alguém a quem eu tenha que dar satisfações. A pessoa em causa gosta muito de ser a primeira a saber das notícias, para depois ser o arauto, enunciando que soube primeiro que qualquer um. Não tenho que contar tudo ao mundo.
Os meus pai souberam quando tinham de saber, porque eu não quis dramas. Confesso que estive para não lhes contar, mas era muito mau se algo acontecesse. O meu marido estava contra se eu o tivesse feito. Dou-lhe razão agora.

Eu sou daquelas pessoas que fico extremamente nervosa só por ouvir falar em "medir a tensão". Aliás eu sou bastante nervosa, principalmente com avaliações, sejam elas de que natureza forem. É um stresse que me prejudica sempre. Ir ao médico é uma coisa que me deixa extremamente nervosa e nunca corre bem. Na empresa faço um drama quando há aquelas idas obrigatórias ao médico para avaliação dos colaboradores. quero se sempre a última, e se me deixassem não ia. Sou portanto uma utente difícil.

Ainda não estava nervosa a uma semana da cirurgia. Não tinha pensado muito no assunto e achava que estava tudo sobre controle. Eis que um sábado à tarde, de chuva, consegui dar um grande "esbardalhanço" por não notar um declive; pus o pé em falso, julgava o chão mais perto; com a mala numa mão e o chapéu de chuva na outra, caio estatelada e ganhei uma luxação no dedo e um joelho esfolado (que só me doeu muito depois, mas que ainda arranjou uma pequena infecção). 

Meio mundo a querer pôr-me o dedo no lugar, e eu só olhava para o dedo virado ao contrário e questionava o meu marido: agora tenho de ser operada? eu não posso ser operada! ele calmo e sereno, e lá fomos ao hospital. Voltei a ter o dedo no lugar, e uma tala até ao dia da cirurgia anteriormente marcada. 

Fui levando a coisa entre piadas e bom humor, e sempre a pegarem comigo, por ter o dedo sempre espetado… mas que me foi dando sempre alguma preocupação. ainda hoje é o que está a acontecer. estou quase boa da cirurgia mas do dedo ainda vou ter aqui muito mais que "dois dedos de conversa".

Conclusão: nada como um imprevisto de um dedo que me dói, e não é pouco, para esquecer o nervosismo de uma cirurgia complicada. A minha preocupação era tanta a de ficar com o dedo bom antes da cirurgia, que esqueci tudo o resto.

Claro que o cirurgião tem todo o mérito nisto de ter corrido bem, mas comigo sendo nervosa, acho que não teria sido assim tão fácil!

há males a acontecerem por bem. mas eram dispensáveis.




segunda-feira, 21 de novembro de 2016

se um dia pensar em me tornar uma empresaria

Que tenha a lucidez de não pensar em fazer salgadinhos para fora. Será falência pela certa...
Podia ilustrar com uma foto mas e mau demais, e ainda me resta alguma vergonha na cara. Não sei porque ainda teimo.
 
Tenho algum jeito para a cozinha, mas croquetes e afins estão mais perto de ser a minha ruina do que a minha especialidade. Porque e que os meus não ficam com aquele aspecto que estamos habituados a ver?
 
(há quanto tempo já ca não vinha; hoje apeteceu-me vir dizer baboseiras)
 

terça-feira, 5 de abril de 2016

afectos

Emociono-me sempre que um filho, já maduro, beija as faces do seu pai. Isso acontece na empresa onde trabalho e lá em casa também. O meu irmão cumprimenta sempre o meu pai com dois beijos na face.
Curiosamente o meu marido, sendo uma pessoa muito mais afectuosa que qualquer um dos outros que falei, cumprimenta o pai com um aperto de mão e o pai logo o puxa para si, num caloroso abraço.
Não são poucas as vezes que vejo o meu marido e o pai em brincadeiras de miúdos. O meu sogro, já a caminho dos noventa, juntamente com o seu filho mais novo fazem uma parelha de miuditos. isto não acontece com nenhum dos outros dois filhos.
Acho terno quando o meu sogro lhe afaga a nuca e o meu marido lhe diga: Pai, dá-me mimos. [Agora enquanto escrevo isto, não consigo evitar que os olhos fiquem marejados].
O meu marido não se inibe de demonstrar afecto seja onde for. Parece um gato sempre a pedir mimo.
No outro dia, falávamos da escolha dos outros quanto aos nomes para crianças. Comentávamos que nós gostávamos de determinados nomes, muito tempo antes de eles estarem na moda. Sempre tivemos apenas um nome para rapaz - que agora já não poderia ser, pois o meu irmão antecipou-se com o meu sobrinho. Mas ao longo do tempo, fomos mudando os nomes de menina, deixando um nome de lado, sempre que ele passava a estar na moda.
Perguntei-lhe se houvesse a oportunidade de ainda virmos a ter filhos, se tinha preferência (eu sabia que tinha). Nas circunstâncias actuais, ele disse que isso seria irrelevante. Minutos mais tarde, acabou por confessar que gostaria que fosse uma filha. Muito.
Perguntei-lhe o porquê, sorrindo pensando que sabia a resposta, mas fiquei surpreendida: Gostaria que fosse uma menina, porque as meninas são muito mais de dar mimos que os rapazes. E eu gostaria de ser um pai com muitos miminhos.
É difícil conter as lágrimas. O meu rapaz, a caminho dos quarenta e dois, continua a ser um miúdo com muito afecto para dar e receber. Ele é o rapaz mais mimalho que eu conheço.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

carta

                                                                                  28 de Dezembro de 2016

Não estranhes se te escrevo. Sei que as cartas já há muito estão em desuso, mas esta parece-me a melhor forma de te relembrar algumas coisas. Gostaria de acreditar que, neste último ano, foste capaz de manter vivas na memória algumas das tuas resoluções.
Prometi que te escrevia e estou eu agora a cumprir. No tempo certo. E tu, que promessas a ti fizeste e cumpriste?
Sei que anotar resoluções de fim-de-ano numa agenda ou caderno bonito não te fazem cumpri-las. Deixa la, não és a única. És péssima a respeitar-te. Cumpres a letra as promessas que fazes aos outros. Contigo fazes batota.Ou será que mudaste?
Calculo que ainda mantenhas uma espécie de vergonha por leres coisas tuas, que escreveste no passado. Ainda guardas diários só porque sim. És incapaz de os abrir e ler algumas passagens que escreveste. Como se escrever te fizesse esquecer dores, promessas, sonhos e loucuras as quais não queres voltar mais. O teu mundo parece muito mais objetivo depois de despejares palavras. Espero que já te permitas falar do teu sofrimento sem o desvalorizar só porque os males dos outros te parecem mais difíceis de suportar. Não é egoísmo falares do teu sofrimento. Sabes que as pessoas acham que és invencível? Quantas vezes ouves as pessoas dizerem que não seriam capazes daquilo que tu consegues fazer sem vergar? Porque sempre te vêem com um sorriso nos lábios. Nunca te vêem lágrimas porque passas o tempo a querer escondê-las.

Estou eu para aqui a falar, mas ainda não sei como foi o teu último ano. Ou melhor, eu talvez saiba, mas gostaria que me falasses dele. Precisas que te relembre dos teus pensamentos nos últimos dias de 2015?
Será que voltaste a encontrar um emprego que te faça verdadeiramente sentir bem? Tu gostas demasiado da tua zona de conforto, e mesmo estando sofrimento, tens medo de pisar terreno desconhecido. Receias ficar pior do que o que estás.Espero que desta vez tenhas conseguido. Vi-te responder a alguns anúncios. Senti medo nesse teu passo. Sei que o teu salário era bom para os dias de hoje, regalias que poucos têm, prémios e gratificações que já poucos sabem o que é. E o resto? Qual era o preço a pagar por tudo isso? Sabes bem que era alto. Muito alto. As pessoas com quem trabalhavas acusavam-te de perfeccionista. Tu sabes que não era só isso. Sempre achaste que era melhor prevenir que remediar. A tua capacidade de ver para lá do visível sempre fez confusão às pessoas. Houve alturas em que gostarias de não ter uma sensibilidade tão apurada. Oxalá já não estejas constantemente a ver emails, a responder, a dar indicações para que nada falhe. Os outros precisam de errar para aprenderem. Mesmo sobrando para ti. Estou crente que agora só vês o mail profissional na hora de expediente e que desligas o telemóvel quando estás de férias. Penso que, no fundo, suspeitaste que o último tratamento de fertilidade tenha resultado num aborto por causa do nível de stress no regresso ao trabalho. Deixa isso. Não te apoquentes. Já passou.
Já voltaste a ser chamada para novo tratamento, mas desta vez recusaste. Admiro-te pela coragem. Podias pensar nisso como mais uma oportunidade, mas prometeste a ti e ao C. que não querias passar por tudo outra vez. Pela violência do percurso. há que ser sensato e não insistir. Acho que já começaste a interiorizar que não poderás concretizar o teu sonho de ser mãe. Foram muitos anos a tentar, com e sem ajuda. Todos os dias vais descobrindo maneiras de serem felizes. Nem tudo na vida está ao nosso alcance. Com esta tua consciência, espero que tenhas feito as pazes com Deus.
Por falar em felicidade, como foram as férias este ano?Andavam a pensar em fazer um cruzeiro. Espero que não se tenham decidido por locais com história. Conheço-te. Acabas mais cansada do que se estivesses a trabalhar. Nunca queres perder pitada. Não pode ser. Tomara que tenha ido avante a ida às ilhas gregas. O C. começou a falar-te nisto para te afugentar a tristeza e pareceste receptiva à ideia. Ou a Jamaica ou Republica Dominicana, como te chegou a falar o teu irmão no final do ano.
E livros? Conseguiste ler bons livros?Admite que, no ano passado, leste muito, devoraste livros, mas muitos deles eram uma verdadeira mediocridade. Faziam-te flutuar o coração, mas eram tão fraquinhos. Talvez fosse uma forma inconsciente de fugir a realidades pouco cor-de-rosa. De tornar mais leve o sacrifício em que se tornou a tua vida. Não ter sonhos tornou a tua vida tão pesada.
Aposto que conseguiste reduzir o stress e a ansiedade. Espero que tenhas cumprido a promessa de fazeres mais programas para relaxar, de conheceres lugares bonitos, de conseguires dormir mais e ate mas tarde.
Tinhas vontade de começar a dar um uso mais frequente à tua bicicleta. Conseguiste? Com a nova pista para ciclista feita no final do ano passado às portas de casa, espero que não tenhas arranjado desculpas , mantendo a bicicleta encostada à parede da garagem.
 
Com um corpo mais são, espero que tenhas ganho confiança para te preocupares mais com a tua imagem. Gostares mais de ti. Andavas esgotada há muito tempo, que o teu corpo só trabalhava em serviços mínimos. Ainda bem que decidiste fazer algo a esse respeito.
 
Como vês, nem eram assim tantas as tuas resoluções de ano novo. Logo, não deve ter sido muito complicado cumpri-las, pois não?

o teu eu do futuro


terça-feira, 20 de outubro de 2015

Coisas#3

Quando saio de casa, ainda a noite não descansou nem o sol se levantou. Sinto oportunidade - tem de ser!- que em cada nascer de dia possa ser um dia diferente e não mais um entre todos os outros já passados.Tenho tentado pensar assim. A oportunidade de reescrever páginas, ilustrar de cores mais vivas, dar a  volta ao texto. Caramba, tenho provas que a vida é tão fugaz! Nem me posso esquecer disso! Não quero. 

Deixo o carro em ponto morto, primo o botão, retiro os pés dos pedais, espero que o portão do pátio se acabe de fechar pelo retrovisor. Eu que, nos últimos tempos, perdi a réstia de fé divina que tinha, dou por mim, depois a olhar o céu, ver a nesga de luz a romper as nuvens densas, a recitar a oração ao meu Anjo da Guarda, que aprendi na escola primária. Ultimamente faço-o todos os dias. Irónico, agora que perdi completamente a fé em Deus e na Humanidade. Parece um antibiótico que tomo sempre à mesma hora, à espera que surta efeito.
Este noite sonhei que tinha morrido num acidente de viação e isso fez-me dizê-la com mais fervor. Acordei apavorada a meio da noite como se sentisse a morte rondar-me. Até que ouvi o baque do portão no batente e acordei daquele torpor estranho. Seguir em frente para mais um dia. 
Depois sorri, porque repentinamente também se fez um click no meu cérebro. Afinal. tenho na vida duas pessoas que tanto gosto com nome de anjo - o marido e o meu sobrinho. Talvez sejam eles os meus Anjos da Guarda, os que têm sido a minha companhia, os que me têm guardado a alma de noite e de dia. 

[Não me tem ocorrido dar títulos a estes textos avulsos, talvez desconexos. são coisas apenas.]

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Coisas#2

Neste Verão estreitaram-se as relações entre o meu sobrinho e o meu marido. Por força de circunstâncias passadas - dias e noites de serviço nos bombeiros, muito frequentemente - havia menos à vontade entre os dois. O meu sobrinho olhava-o com uma certa desconfiança, diria mesmo, muito respeito. Numa altura em que decidiu que não cumprimentava ninguém, nunca recusou um aperto de mão ao meu marido. Este sentia aquele "pé atrás" mas lá o foi conquistando, quando mais não fosse a ajudá-lo a montar as figurinhas do Mcdonald's, que me iam dando. Por isso, tendo-se propiciado uma férias com o meu irmão, foi vê-los os dois - tio e sobrinho - brincarem juntos, como se de dois garotos se tratassem. Na praia, dentro e fora de água, ou no sofá cada um com o seu tablet a jogar, era discutir qual deles era o mais garoto.
Além do meu marido ter ensinado o miúdo a mergulhar como deve ser, sem ser ali à beirinha e a engolir uns pirulitos - comprou-lhe um fato de surfista que o fez delirar ao ponto do apelo à água ser mais forte que a sua temperatura quase siberiana.
Talvez a pensar num estreitamento de relações ainda mais forte entre tio e sobrinho - e porque já não sei que raio hei-de oferecer ao marido nas datas especiais - resolvi perder o amor ao dinheiro e lá comprei a PS4. [Tenho ideias para presentes que posso oferecer para as próximas temporadas. Basta comprar suplementos e jogos para acoplar]
Agora anda o marido a treinar alguns jogos - para não passar vergonha à frente de um miúdo de 5 anos. A ideia é convidar o meu sobrinho a ir passar umas tardes de fim-de-semana a jogar lá em casa [ainda falta comprar o outro comando].
Eu sei que o garoto vai delirar, e o tio vai divertir-se à brava, como se fosse um miúdo também. 

São estas pequenas coisas que fazem as coisas menos boas perder algum significado.