Com a cirurgia marcada para o dia logo a seguir ao Natal, comecei a fazer os preparativos no início de Dezembro, para o internamento e para a baixa que já estava decidida pelo médico, que tinha que ser.
Avisei somente as pessoas que tinha que avisar e não fiz grande alarido do caso. Avisei a administração da empresa, com quem trabalho directamente. Sei de quem não ficou agradado por não saber, mas não lamento não o ter dado a conhecer. Não é alguém a quem eu tenha que dar satisfações. A pessoa em causa gosta muito de ser a primeira a saber das notícias, para depois ser o arauto, enunciando que soube primeiro que qualquer um. Não tenho que contar tudo ao mundo.
Os meus pai souberam quando tinham de saber, porque eu não quis dramas. Confesso que estive para não lhes contar, mas era muito mau se algo acontecesse. O meu marido estava contra se eu o tivesse feito. Dou-lhe razão agora.
Eu sou daquelas pessoas que fico extremamente nervosa só por ouvir falar em "medir a tensão". Aliás eu sou bastante nervosa, principalmente com avaliações, sejam elas de que natureza forem. É um stresse que me prejudica sempre. Ir ao médico é uma coisa que me deixa extremamente nervosa e nunca corre bem. Na empresa faço um drama quando há aquelas idas obrigatórias ao médico para avaliação dos colaboradores. quero se sempre a última, e se me deixassem não ia. Sou portanto uma utente difícil.
Ainda não estava nervosa a uma semana da cirurgia. Não tinha pensado muito no assunto e achava que estava tudo sobre controle. Eis que um sábado à tarde, de chuva, consegui dar um grande "esbardalhanço" por não notar um declive; pus o pé em falso, julgava o chão mais perto; com a mala numa mão e o chapéu de chuva na outra, caio estatelada e ganhei uma luxação no dedo e um joelho esfolado (que só me doeu muito depois, mas que ainda arranjou uma pequena infecção).
Meio mundo a querer pôr-me o dedo no lugar, e eu só olhava para o dedo virado ao contrário e questionava o meu marido: agora tenho de ser operada? eu não posso ser operada! ele calmo e sereno, e lá fomos ao hospital. Voltei a ter o dedo no lugar, e uma tala até ao dia da cirurgia anteriormente marcada.
Fui levando a coisa entre piadas e bom humor, e sempre a pegarem comigo, por ter o dedo sempre espetado… mas que me foi dando sempre alguma preocupação. ainda hoje é o que está a acontecer. estou quase boa da cirurgia mas do dedo ainda vou ter aqui muito mais que "dois dedos de conversa".
Conclusão: nada como um imprevisto de um dedo que me dói, e não é pouco, para esquecer o nervosismo de uma cirurgia complicada. A minha preocupação era tanta a de ficar com o dedo bom antes da cirurgia, que esqueci tudo o resto.
Claro que o cirurgião tem todo o mérito nisto de ter corrido bem, mas comigo sendo nervosa, acho que não teria sido assim tão fácil!
há males a acontecerem por bem. mas eram dispensáveis.