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quarta-feira, 18 de março de 2020

As coisas que controlamos e as outras


Hoje, o ambiente aqui não está tão pesado como nos dias anteriores, porque não se debitam dados sobre o vírus a todo o instante. Acho que os arautos costumeiros resolveram remeter-se ao silêncio. Talvez porque já não consigam dar conta de todas notícias que vão saindo.

Estou aqui ensanduichada entre duas colegas que são a cara do pânico em pessoa.

Uma delas, tem estado a perguntar-me de vez em quando, se estou bem, pois suspiro pela imensidão de trabalho que tenho tido para fazer. Não sei para onde me virar. Agora parei para respirar mais calmamente. Bem preciso.

Ontem saí um bocado contaminada por esta nuvem negra de negativismo que paira aqui; lá venci o medo e parei na bomba para pôr ADBlue, com as devidas precauções. Na verdade, estive a evitar a ida mas mais cedo ou mais tarde tinha que ser.

Mortinha por chegar a casa e, mesmo com o lusco fusco, troquei rapidamente de roupa, fones nos ouvidos, playlist previamente tratada e fui correr meia hora. Não foi muito, nem a grande velocidade. A ideia é continuar a treinar a resistência, para depois passar à velocidade. Na impossibilidade de ir para a ciclovia, escolhi sítios onde sei que não andaria ninguém, mas custou-me um bocado porque fiz imensas subidas, mas melhorei o tempo por quilómetro. Quando cheguei da corrida tinha uma mensagem da colega psicótica, com um vídeo do Youtube sobre a curva de crescimento exponencial do vírus. Não abri e mandei-lhe uma mensagem: Eh, tenha calma!!! e larguei o telefone  do trabalho, até esta manhã.

Fiz ainda o desafio do dia: quantas flexões conseguia fazer num minuto. Trinta e cinco. não foi mau, mas podia ser melhor. e por fim, o treino de bum bum, proposto pelo ginásio. acabei morta e ensopada em suor, num colchão de ginásio, no meio da sala. Hoje espera-me mais no treino funcional, outro desafio e a corridinha que espero conseguir fazer antes que seja noite.

No trabalho não consigo filtrar o que é dito e tenho que me resignar a estar sujeita a todos os pregões. Decidi desde ontem que, mal esteja acabado o trabalho, não quero saber de nada sobre o vírus. Quero ir respirar um pouco de ar – estou farta de estar entre paredes – no meio do campo, onde nem gente há, e portanto o único risco que há é a alergia ao pólen dos pinheiros. Quero correr, desafiar-me, cantar, rir sempre que possível. Esquecer por horas que estamos debaixo desta ameaça. Antes de vir trabalhar, estive a ver uns vídeos de humor. Ouvi uma playlist catita enquanto tomava duche e o pequeno almoço. Cantei no carro no caminho para o trabalho. Aproveitei até chegar, para me preparar para oito horas de má onda. porque para desperdiçar calma, já me basta aqui.

terça-feira, 17 de março de 2020

Na era do vírus

Não sei se foi por ter ido correr por entre pinheiros no domingo, ou que bicho terá vindo visitar-me, que a meio da manhã de ontem tive de tomar um anti-histamínico, porque não parava de espirrar. Com o clima de suspeição a  pairar no meio de todos, confesso que me senti com medo de ser apontada como portadora de vírus. Podem ter pensado, no escritório, mas não o disseram. É verdade que qualquer tosse ou espirro é sinal de alarme. Creio que, por aqui não passou de falso alarme. Assim espero.

Continuamos todos no posto de trabalho, até que a doença se manifeste ou, com as fronteiras fechadas, se acabe a matéria-prima. Anda tudo desvairado, e posso montar uma colecção significativa de comunicados, com mais ou menos palavras, mas resumindo, são todos iguais. Os motoristas de transportes são agora uma classe reduzida à clausura dos seus camiões, e nós sem sabermos muito bem como se pega na documentação, sem apanhar o maldito bicharoco. Não anda fácil tentar abstrair-me um pouco desta situação, porque é mesmo assunto do dia e toda a gente acha que a sua opinião é a melhor para o país. É nestas alturas que eu não gostava de ser governante. Há coisas que é mau demais ter que tomar decisões sobre elas, e viver com isso na consciência.
Com o ginásio fechado, ontem foi o primeiro dia de treino funcional, sozinha. Confesso que demorei a consciencializar-me que tenho de ser eu a puxar por mim. Lá peguei no esquema de exercícios que ele me mandou, a fazer em dias alternados até ao final da semana. São dez exercícios, a repetir em séries de três. Na totalidade, a fazer em vinte minutos. Fiz em vinte e sete, acabei em soutien de desporto, encalorada como se estivesse no Inferno [dizem que é quente] e o suor a correr em  bica. Fiz e isso é que interessa. Resultados enviados. De volta recebi os comentários de onde posso melhorar. Até ao final da semana tenho de baixar o tempo para os vinte minutos pedidos.  Hoje pensei levantar-me cedo - antes do trabalho- e ir correr, mas era noite ainda. A ver se consigo sair cedo e aproveitar o lusco fusco para correr meia hora. Preciso manter-me activa e forte. E preciso dar a mim própria provas que sou capaz de tanta coisa, basta que me ponha a isso.

Para memória futura, aqui fica o resumo do primeiro treino funcional, da primeira semana, na era coronavírus e  crio uma etiqueta nova neste espaço: somos mais fortes que o corona.

Composição do treino funcional era coronavirus (semana 1):

- Para fazer em três séries cada:

  1. Agachamento com salto (15 cada série); 
  2. Flexão de braços- peitoral  (15 cada série)
  3. jumping jacks (30 cada série)
  4. Thruster (15 cada série - com garrafão de água de 6l)
  5. Burpees (a partir do chão, 10 cada série)
  6. Abdominais Oblíquos com bola (e pés no ar, 10 cada série)
  7. Lunges (série de 10 cada perna)
  8. skipping
  9. Walk to plank (10 cada série)
  10. Montain Climbers (30 cada série)
Tempo ideal: 20 min [um dos treinos da semana terá que ter este tempo]
Tempo conseguido:




A foto está tremida porque tirei-a mal acabei o treino e estava mais morta que viva! Mas soube bem. Somos mais fortes que o vírus.


domingo, 15 de março de 2020

Sobre a normalidade da vida

Tenho feito reforço da informação sobre o que se anda a passar, junto dos meus pais. Obviamente que temo por eles. No entanto, sei que isto não é novo para o meu pai. Ele viveu na primeira pessoa o estigma da tuberculose. A infância foi passada com a mãe num sanatório. O meu avô, apesar de analfabeto, e há 60 anos atrás, já tinha todos os cuidados de higiene possiveis, para proteger os três filhos, contra uma doença de que pouco se sabia. O fantasma da morte pairou muitos anos naquela casa. Eu, na minha infância, ainda fui visada com cuidados redobrados, para que a doença não voltasse ao seio da família. 
Do lado do meu irmão, creio que todos estão conscientes da situação, e com miúdos pequenos, parecem ter cuidados acrescidos. Confesso que, com eles, estou mais tranquila. A minha cunhada ficará por casa, em teletrabalho. Duvido que o T. lhe largue a barra da saia, mas já se sabe como é. 

Por aqui, amanhã é dia de regresso ao trabalho. Para já, ninguém está de quarentena na empresa. Haverá um ou dois casos que os funcionários terão de ficar em casa, para cuidar de filhos pequenos, mas ainda não vamos, quem eventualmente possa ser elegível, ficar em casa em teletrabalho.
As idas ao ginásio estão suspensas, ja não fui os dois últimos dias. Achei que estava a arriscar, mesmo havendo normas reforçadas de higiene e de estar praticamente vazio. Estão prometidos, de ambos os treinadores, treinos para fazer em casa. Devo receber hoje o primeiro vídeo de exercícios. A ela, como me pediu, já lhe mandei as fotos dos equipamentos que tenho cá em casa, para ela ter isso como suporte. Já que ambos me puseram à vontade, vou aproveitar. Vou tentar manter a rotina da actividade física, como se fosse ao ginásio. Vou precisar muito disso, para me manter sã para o período de pressão que já começou. Quinta e sexta fui inundada com comunicados, e emails e telefonemas sobre como iria ser o fornecimento aos clientes. Depois de ter enviado o comunicado da empresa a indicar como iríamos proceder,  e que não iríamos, por agora, encerrar, fomos inundados com pedidos.
É difícil ficar imune aos constantes comunicados, perguntas, conversas, relatos e notícias que vou recebendo. Tento manter a calma, mas não vou negar que tenho receio. Mais do que o receio de contrair o vírus é o de poder passar aos outros. Atemoriza-me por em risco outras pessoas. Espero que nada disto aconteça.

Fazendo parte de uma associação, decidimos cessar a actividade desportiva e, mandar as funcionárias do bar para casa. A responsabilidade de ter a saúde dos outros nas nossas mãos, através das nossas decisões, sobrepõe - se, a meu ver ao dinheiro que não se ganha com o fecho. 

Vou fazer uma corrida no meio dos pinhais, arejar as ideias, não pensar em nada. Restabelecer a calma que tenho tido quando já muita a gente entrou em parafuso.
Preciso estar forte para os tempos conturbados que possam estar para vir. Já fui posta algumas vezes à prova, ao longo dos últimos anos, sobre a capacidade que tenho em ser razoável e resistente a situações de emergência. Acho que já dei provas a mim mesma de ser capaz de ultrapassar situações em que o mais importante são os outros, e não a nossa fraqueza.
Somos mais fortes que julgamos. 

quarta-feira, 11 de março de 2020

cá estamos de volta ao hospício...

Bem sei que já não se chamam assim, as unidades de saúde mental, mas por aqui, é mesmo isso que isto parece.

Os dias não têm sido fáceis, a aturar gente com ataques desenfreados de histeria - umas vezes por causa dos pedidos, muitas vezes por causa do vírus que toda a gente fala. Se, nos primeiros instantes, os clientes me largaram no email centenas de circulares, em várias línguas, a perguntar se os fornecimentos de produtos poderiam estar em causa, caso importássemos alguma coisa de outros países, agora somos bombardeados sobre as descargas, os transportadores, os motorista: onde estiveram, por onde passaram, as máscaras, o álcool-gel, os cumprimentos, as visitas, formulários para preencher, medidas para tomar...

Não vou dizer que não estou preocupada. Estou. Até tenho alguma razão para estar, porque estou em permanente contacto com, pelo menos uma pessoa, que contacta com hospitais e centros de saúde, com doentes que podem ter e a coisa nem se manifestar. Mas tenho mesmo que tentar manter a calma.

A empresa tem um plano de contingência. Sabemos que todos podemos estar expostos ao vírus de forma inconsciente, e temos que zelar pela nossa e pela dos outros, tomando as providências recomendadas. e mais nada. acho que a situação é bem diferente quando nos expomos propositadamente a um perigo que sabemos existir e ainda assim, não nos protegermos ou mesmo evitarmos. Não podemos achar que acontece aos outros, ou lá longe, e que somos intocáveis, mas calma, sejamos prudentes na nossa histeria. Nunca vi o pânico salvar ninguém.

Por aqui há um dos elementos da empresa que está constantemente a ligar-se às notícias, para ver quantos novos casos há, onde é que são, se já há mortos, blablabla e vai anunciando tudo isto em voz alta... ontem, o dia não foi nada fácil em termos de trabalho e ter alguém constantemente a buzinar dados, alguns que prefiro ignorar para não panicar,  quase explodi. Já só queria que o dia acabasse, para ir libertar o stress todo para o treino. Ando outra vez a encher da idiotice das pessoas. Estou frágil emocionalmente porque as hormonas fazem destas coisas e até uma musiquinha qualquer faz logo vir a lágrima ao olho. Isto do vírus acrescenta mais fragilidade. e temos de estar todos fortes, para que possamos resistir ao contacto com o vírus se acontecer. Ter um sistema imunitário forte, é meio caminho andado para não sermos vítimas em potencial.

Acho que as pessoas deviam preocupar-se em se proteger e proteger os outros (contendo alguns dos seus actos pouco higiénicos, por exemplo) em lugar de andar a esmiuçar os dados todos e lançar o pânico. 
Acho que isto passou a ser uma epidemia do foro psicológico. a mente humana é pródiga em criar caos.  

terça-feira, 3 de março de 2020

Trocar o 7 pelo 6, e basicamente é isto...



Principalmente depois de ontem ter feito MONTES de exercícios de isometria de pernas. Ontem foi praticamente dar trabalho às pernas. Bom, lombei com um haltere (barra mais peso), para fazer agachamentos com ele, mas não deixou de ser dar trabalhinho às pernas.

Hoje é dias de braços, e nem os exercícios com halteres de 5 kg  em cada mão, fazem tantos estragos. Mesmo quando se tem que fazer ombros (o pior e o mais odiado da parte superior!)

tenho dias...

que me sinto tão exausta por fazer babysitting a gente adulta.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

basta isto.


a minha incompetência social a dar sinais desde mil novecentos e troca o passo

Ando a precisar de ter uma conversa com uma pessoa. Porque ando a sentir-me incomodada com algumas coisas. Ou posso eu estar a incomodar. Ou é tudo fruto da minha cabeça e não se passa nada.

Às vezes, as pessoas não esperam a minha frontalidade, talvez porque eu não sou de levantar ondas com as pessoas de quem gosto muito, mas um dia canso-me e, quando digo o que sinto, amedronto as pessoas, talvez.

Recuando atrás. 

Durante alguns anos, fui obrigada a fazer psicoterapia. Não, não estava doida. A psicoterapia faz falta até ao mais são dos seres. Toda a gente, de vez em quando, deveria fazer uma consulta.

Quando mudei de cargo para o que agora ocupo, entrei numa espiral de sofrimento pelo bulling que recebia por parte de três colegas. Não contava nada a ninguém, mas agia como animal ferido com as pessoas de quem mais gostava. Perante a minha mudez e o facto de não deixar cá chegar ninguém, a minha mãe tomou a resolução de marcar a primeira consulta, para me obrigar a falar com alguém. não admitiu qualquer desculpa da minha parte para eu não ir. Foi a primeira de muitas sessões. Agora faço muito esporadicamente. Quando preciso de pôr as coisas sob perspectiva e não quero partilhar com pessoas que podem ser directa ou indirectamente envolvidos.

Depois de desanuviar de nuvens grossas e feias, a terapeuta conseguiu resgatar-me de uma espécie de inferno interior. Depois foi um reconstruir de tudo o que tinha sido destruído. Ao ponto, de ela me dizer que só eu não via que era uma pessoa-luz. que , por onde passava, não deixava ninguém indiferente. Para o bem e para o mal. Que despertava coisas boas nos outros mas também as más. Porque havia quem não suportasse o brilho.

Sou facilmente irascível, mas rapidamente deixo de ser macambúzia, quando digo o que tenho a dizer. Facilmente, volto ao meu estado de riso e boa disposição.

Outra que me chamou pessoa-luz foi a M.. Também ela acha que eu nunca posso deixar ninguém indiferente com a minha alegria, a minha paixão e compaixão, a forma como me entrego aos outros e aos seus problemas, sem pedir nada em troca. Que sou uma pessoa que os outros querem ter por perto. São palavras dela, não minhas. Estou apenas a citá-la.

Curiosamente, ontem quando cheguei ao ginásio e sentei no banco para me equipar, manifestei a quem estava, que não me apetecia nada. Arrastei-me por ali, a tentar vestir as calças e calçar os ténis. Ontem não tinha compromisso com ninguém, podia demorar-me na troca de roupa. As pessoas à volta foram manifestando estado de espírito idêntico ao meu. Houve quem dissesse que devia ser da lua. Entretanto acabei por rir-me e dizer meia dúzia de parvoíces. e rimo-nos todas. Uma das mulheres que habitualmente costuma estar a arranjar-se para sair quando eu chego– deve ter pouco menos que a minha idade – aproxima-se de mim, e diz-me que já me observa há algum tempo e que eu estou sempre alegre e bem disposta, mesmo que não me apeteça nada. à entrada e à saída. fiquei sem saber o que lhe dizer. sou dessa forma sem dar conta. não me vejo a ser uma pessoa mal disposta por hábito. Pelo contrário. mas fiquei outra vez com aquela etiqueta de pessoa-luz. Há mais umas quantas pessoas que, recentemente, quando chego, me cumprimentam com um sorriso de orelha a orelha e me tratam pelo nome. Obviamente que me sinto acolhida e não encolhida.

E tudo isto, para dizer, que eu tenho todas as condições para ser uma óptima comunicadora, com capacidade para fazer amigos facilmente e ser óptima em relações interpessoais. Só que não. Sou-o apenas nas relações profissionais. Quando as relações começam a ser mais profundas, tenho sérios problemas em saber como agir, ou estou em constante auto-reavaliação, se estou  a portar-me bem ou se estarei a ser inconveniente. Sei quão intensa sou e, às vezes, admito que posso passar uma ideia completamente diferente a outra pessoa do que espero ou sinto por ela. O medo de ser mal interpretada ou manifestar um sentimento que, a outra pessoa pode interpretar de outra forma, leva-me a recuar. A comportar-me de uma forma que pode ser considerada arrogância, quando no fundo, é uma forte insegurança, sobre como saber estar. Sou péssima em relações interpessoais. E se, porventura, alguém me despertar sentimentos mais profundos, se bem me lembro, tenho tendência a tentar camuflar, para que não haja qualquer suspeita do que eu possa estar a sentir. Desde sempre fui assim, pelo medo da rejeição. Mesmo que me digam que o não é garantido, prefiro guardar para mim.

Confesso que me vai custar a conversa que tenho de ter, mas tem que ser. Temo estar a passar uma ideia de uma coisa que não é. e sinto que tenho estado a ter um comportamento algo dissimulado, como se estivesse a pisar ovos, porque não sei como agir. é uma relação que tinha tudo para ser fantástica e produtiva, e está a entrar em declínio. Sinto que não estou a conseguir chegar-lhe, como habitualmente chego a toda a gente. Porque isso já foi possível,  foi uma coisa que aconteceu logo no início, em que houve uma empatia fenomenal. O que terá mudado? fui eu? será que me passei a comportar de forma desagradável sem dar conta?

Acho que não posso adiar mais a conversa. só me está a fazer ficar cheia de dúvidas existenciais. Não acredito que seja da lua. :)

O que estarei a fazer agora de errado? o que posso fazer para mudar? será que conversar afinal só vai estragar tudo, porque depois serei demasiado sincera e amedronto o outro lado?

Acho que preciso tirar um curso sobre comportamento social...




segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

não é sangue...

Podia ter andado (ainda) mais devagar - não ia apanhar o comboio - mas isso não era um grande desafio. Acho que o pior mesmo, foi existir tanta subida e descida de forte inclinação.

Pelas dores que tenho no corpo, em larga escala, nos gémeos, acho que o que me circula nas veias e artérias não é sangue, é ácido láctico

Descobri que tenho as pernas arranhadas das silvas. e as dores musculares parecem prevalecer com tal intensidade que mal dou pela dor do nervo ciático. 


E logo, o treino vai ser de pernas. Doa o que doer...também não me vou fazer de fraca.




quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

debaixo d' olho...

E lá vou para a caixa, e o rapaz do supermercado - o mesmo daqui; mera coincidência - encara-me, mira-me bem.

Dá um grande sorriso, mostra o aparelho dos dentes, e diz: não se nota nada. o nariz está impecável.

Deito-lhe um sorriso e pisco-lhe o olho. 

Mesmo que eu já mal me lembre, ele não deixa esquecer :).

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

* conteúdo sensível para pessoas que padecem de preguiça crónica*. e é altamente provável que passe a ser recorrente.

Começo o meu diário de um novo desafio. mais comprido que os habituais. é capaz disto vir a tornar-se chato. é a vida! a minha.

Ao segundo dia do mês de Janeiro de dois mil e vinte abracei um novo desafio com as pernas que tenho [já não há retrocesso - nem o M. deixa! já andou a publicitar a  minha participação a algumas pessoas, contra a minha vontade. faz acrescer a responsabilidade e inibe a vontade de desistir.]. 

Comecei a correr [com método]. E não fiquei com a língua de fora. 

Habitualmente, se sprinto trinta segundos no treino metabólico fico logo a arfar (ou quase), e estou sempre a reclamar com o treinador a esse propósito. Eu odiava correr, mas ontem já não me pareceu tão mal. Claro que não me pus a correr como se o hospício tivesse deixado a porta aberta e eu tivesse oportunidade de fugir. Começámos muito ligeirinho, numa velocidade baixa, a intervalar entre corrida e caminhada. Ele a controlar tempos e as velocidades, e eu a controlar o passo, porque isto de correr na passadeira não é bem como caminhar. o início é estranho. parece que vou ser atropelada pelo tapete do equipamento.

Agora, quando fizer cardio sozinha, tenho que começar a intercalar a corrida. Amanhã, vou tentar sozinha e depois logo lhe digo como corre. estou um bocadinho ansiosa por experimentar na pista ao ar livre, no domingo. ver como corre. ou como corro, melhor dizendo.
Vou ter mais de trezentos dias para me preparar. Ao objectivo de participar na corrida, ele adicionou um outro: fazer a prova abaixo de um determinado tempo (que eu ainda desconheço mas ele já estipulou; eu só vou saber mais perto da prova). Acho que ele está a ser ambicioso. Já lho disse. ele diz que não, que está cheio de certezas [absolutas] que sou capaz de muito mais que julgo e que, acima de tudo mo quer provar. Ele diz que a única limitação em tudo o que eu possa pensar fazer sou eu própria.e se lhe argumento que uma das pessoas que ambos conhecemos, super bem fisicamente, quase ia deitando o baço e o fígado pela boca, quando participou na prova, ele faz ouvidos de mercador. só diz: Quero provar-lhe que consegue tudo, basta acreditar e ter uma ajuda. Porque habitualmente nunca acredita. estou a fazê-lo por si, para lhe provar que é capaz.

Vamos lá a isto. Ele sabe que eu gosto de desafios. e que, apesar das minhas dúvidas, não iria bater o pé e dizer que não.

Oxalá eu não venha a ser uma desertora. Tenho medo que a cabeça estrague tudo, confesso.




segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Acho que se acabaram as fitas...

Os treinos metabólicos são os que me deixam sempre mais apreensiva antes de começarem. Porque não sei ao que vou e principalmente porque existe aquele friozinho na barriga, indício de medo de não ser capaz. A ideia é puxar pelo coração mas tudo o resto também trabalha. Normalmente são a meio da semana, em que o corpo já acusa algum cansaço. Mas hoje, não tenho desculpa. E hoje, excepcionalmente, vai haver treino metabólico. Com ele, o treinador principal.
Eu costumo ser um bocadinho fiteira com ele [espero que ele não venha a saber, ou as consequências não serão pena leve] , descanso mais segundos do que os que ele me quer deixar descansar. Os choradinhos com ele costumam funcionar. Quando é a L. a dar estes treinos, não há lugar para grandes fitas... Ele descobriu isso no outro dia. Que sou mais desobediente com ele. E acho que hoje vai mudar de estratégia e não dar descanso nenhum...
Vou ser uma mulher morta. Mas, como sempre, vou reclamar das escolhas dele, e no fim admitir que o treino foi fantástico. E recebo um sorriso em troca. 
É sempre assim. Espero que hoje não seja diferente, mesmo não podendo eu fazer fitas...

Adenda: ainda tentei dizer que precisava recuperar o fôlego, mas tal como suspeitava, não tive grande margem de manobra com o choradinho... Nem tentei uma segunda vez, apelar à misericórdia. Não me ia safar, percebi logo. Foi cumprir o solicitado e... Shiuuu - só há descanso no fim de cada série!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

contingências festivas

Continuo a ter problemas com os collants.

ainda não é meio dia, e já fiz um foguete na perna direita. não ganho para collants, sejam eles comprados na loja xpto ou na banca da feira.

tenho uns suplentes [lisos] na carteira mas estes são tão pipis (têm umas pintas e ficam tão giros com este vestido) que vou teimosamente recusando em substitui-los. por enquanto. A ver se aguentam até ao jantar da empresa. enquanto o foguete não passar o joelho, apesar da racha do vestido, vou mantendo-os. [o pior é estar a inchar por causa de uns stresses, e os collants parecerem cada vez mais pequenos.]

Na verdade, já me via  de pijama no sofá da minha sala, de lareira acesa, e chávena de chá na mão. Isso sim, era coisa que me faria bem mais feliz que o jantar de Natal da empresa. eu nem tenho filhos; é por isso que a festa ainda vai existindo. 
Só vou mesmo marcar presença. mas vou pôr-me a andar mal haja uma aberta. Só o facto de ter que ter tento com a boca e uma viagem longa para fazer, debaixo deste temporal, podem ser bons argumentos para sair de fininho....

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Sei que para os outros isto são peanuts - actualização

Mas eu fiquei ko!

O treino metabólico devia ser dado por ela, mas hoje, o M. estava, e foi ele a dar as instruções. Mandou-me uma mensagem a dizer que o treino ia ser especial. Estava mesmo a ver que não ia sair boa coisa. O smile no final da frase deixava antever o que estava para vir.

Assim, resumindo em números:

- 10 minutos passadeira com declive 6 (não é muito, eu sabia que me tinha que poupar para o que vinha depois, já o conheço);

- 78 agachamentos com o saco de 10 kg (foi meiguinho, porque o saco costuma ser de 20kg  - passei a gostar mais de fazer porque os burpees são bem piores!);

- 78 burpees na caixa mais baixa (fazer isto passou a ser ... h-o-r-r-í-v-e-l! :) )

- 78 subidas e descidas da caixa (estou bem mais rápida nisso, mas o rabo continua a ser pesado);
- 78 jumping jacks (o mais fácil e rápido de fazer e eu gosto de fazer!);

- 90 crunch (ao fim dos primeiros 75, o abdominal começa a queixar-se...);

- 3 x 30 segundos em ski no trampolim - disse-lhe que não conseguia fazer por causa do equilíbrio, ele insistiu - depois de tudo feito, ele disse que é a minha cabeça que me incapacita, porque o corpo até faz na boa :) ;

- 3 x 30 segundos prancha (o rabo pesa tanto! foi horrível, que até me esqueci de por isto na lista);

- 3 séries de salto + agachamento em quadrados simulados no chão, com uma espécie de escada deitada (coordenação, muita coordenação para não fazer batota);

- 10 minutos de escadas (continua a ser a máquina do demónio mas que espreme a água que ainda me resta ao fim deste treino todo).

(andámos a trabalhar com múltiplos de 26... só porque sim!)

Bem sei que, para a maioria das pessoas, isto não é nada. Para mim, é cansar o corpo, ao ponto de parecer que tinha ido tomar duche vestida...

Cada um dá o que pode, e eu dei o litro. Para os outros isto faz se com uma perna às costas... Um dia destes eu também farei. Já foi pior!




acabaram-se as canções de Natal

Começou o All I want for Christmas no rádio e a minha primeira reacção foi começar a cantar a plenos pulmões, dentro do carro, numa auto-estrada deste país. Só que não. 
Tenho de poupar a voz que anda rouca há mais de um mês. era uma rouquidão diferente da que tenho em períodos de grande ansiedade. Fui de férias  e a rouquidão não me largou, por isso estranhei. foram umas férias tão zen...

Troca de emails com o otorrino e achámos melhor ver isto. ele estava convicto que não ia ser nada. mas que devíamos assegurar-nos em ver o que havia e o que não havia. para tranquilidade de ambos.
Ontem lá fiz a endoscopia laríngea. ele mandou-me sentar na cadeira e trauteou uma musiquinha qualquer - já estou habitada aos prólogos musicais dele; fazem parte do ritual de descontracção do paciente, pelo menos, nas consultas que faço com ele, desde sempre. disse uma piada qualquer, quando eu lhe disse que não queria que me descrevesse o que ia fazer - outra vez a ignorância a ser uma benção - e eu soltei uma gargalhada, que ficou registada na câmara da endoscopia.

Depois de me ter livrado há pouco menos de um ano de uns pólipos gigantescos no nariz (graças a Deus! e às mãos jeitosas do Sr. Doutor!), eu concluo que devo ser uma boa hospedeira - tenho um agora alojado nas cordas vocais. 

Não que eu não goste de ver o otorrino [continuo a adorá-lo e a recomendá-lo a toda a gente], mas voltar daqui a um mês por causa de um pólipo estúpido, que me deixa sem voz, é coisa para me deixar um bocadinho preocupada. Vamos ver se é passageiro. Ou não. 

Se o dinheiro fosse como os pólipos que me aparecem, oh pá, já não estava a trabalhar.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

de volta do pinheiro, a arranjar lenha para me queimar...

No ano passado, com o dinheiro dos cafés que fomos amealhando durante o horário de expediente, deu para comprar uma árvore de Natal um bocadinho maior que a média.

A empresa já merecia uma coisinha melhor e a árvore branca que sobreviveu de anos anteriores já estava a ficar amarelada e muito feiosa.

No ano passado, saí a correr do emprego e cheguei dez minutos antes do fecho aquela loja que toda a gente lê com sotaque inglês mas o nome parece que é francês. e comprei uma árvore de 2.40 m.

A árvore era tão grande e pesada que eu tive dificuldades em coloca-la no carrinho. quase me esbardalhava no meio da loja. Montei-a sozinha e, como fui operada logo a seguir ao Natal, já não fui eu que a desarmei. Ainda lhe fiz uns enfeites de feltro que, modéstia à parte, ficaram bem giros.

Este ano, a árvore ainda não foi armada. Tirando a A. e eu, ninguém nunca se interessa muito pela tarefa. Embora toda a gente goste de contemplar o resultado final.

Eu tenho saído a horaa porque  tenho bastante caminho para andar e não quero falhar ao ginásio.  Enquanto estou no horário de expediente raramente tenho grandes momentos de folga, entre trabalhos.

A A. já estava a ver que iam sobrar para ela estas coisas todas e eu também ainda não me tinha lembrado de me voluntariar para ajudar – costumo fazê-lo com bastante antecedência. Ela ontem pediu-me ajuda e, para variar, não fui capaz de dizer que não… mas vi a minha agenda a complicar-se.

No ano passado, pus o homem do armazém  a fazer uns bancos com paletes e eu costurei umas forras almofadadas. ficaram os coisas bem catitas. Este ano, não me vou por a inventar que não tenho tempo para isso. normalmente arranjo sempre lenha para me queimar para que tudo fique primoroso.

Hoje, almocei e fechei-me na sala a armar a árvore; em quarenta e cinco minutos tem quase todos os ramos no lugar. Creio que depois, colocar todos os berliques e berloques é coisa mais simples - desde que se suba a um escadote. estou um bocadinho mais aliviada por, ao final do dia, não ter que andar a correr. Tinha outras coisas pensadas para esta hora de almoço, mas decidi assim. e quando ponho uma coisa na cabeça, pouco há que me demova.

Admito que, às vezes, complico a minha vida, para ajudar os outros. e nem sempre a devolução da ajuda vem nas melhores palavras. mas faço o que me diz o coração . e fico de bem com a minha consciência. Acho que as coisas divididas por todos, pesa menos a cada um.

Para já, ninguém suspeita que a árvore está com um bom andamento. ainda não está no local dela, por isso ainda ninguém deu pelo meu trabalho do almoço. gosto de surpreender as pessoas e ver a sua cara de alivio, quando parte do trabalho está feito. Mas admito que habituo mal as pessoas, porque sabem sempre que podem contar comigo e aparece feito. Porque não sou capaz de me comprometer e depois faltar à palavra. Mas sei que ainda vão haver outras coisas. costuma haver...

Fiquei sem vontade nenhuma de fazer o pinheiro lá de casa. Já me está a chegar este. É o que faz eu não saber estar quieta e calada, não saber dizer que não.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

E todos os Dezembros é isto :)

estão à espera que eu crie uma assinatura de Natal (para os emails), para toda a gente copiar.

Acabaram de me perguntar: para quando?

[quando o espirito de Natal descer sobre mim :), talvez faça uma diferente do ano passado. Cantar a música da Mariah não é suficiente para o espírito de Natal chegar...]

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

E ao quarto dia...

Depois de ter regressado de férias, resolvi ganhar coragem, subir para a balança e sujeitar-me ao seu veredicto. foi esta manhã que aconteceu. Eu tinha uma suspeita, mas precisava confirmar.

Sei bem que as coisas, comigo, se processam um bocadinho diferentes das outras pessoas. Os outros costumam engordar. Costumo dizer que não sou bem como as pessoas :). A experiência que tenho é de que, nas férias, tenho tendência para perder peso, enfarde eu o que enfardar,  reduzindo a actividade ao dolce fare niente. Mas como o objectivo está mais firme que nunca, estas férias, mesmo com exercício no ginásio, a coisa podia descambar para o lado contrário do habitual. uma espécie de humor negro que, às vezes, a vida costuma ter comigo. 
Bom, isto de enfardar de que falo, não é comer à bruta, mas acabar por ceder a comidas que não comeria no quotidiano, todos os dias. Estando no hotel, os pequenos almoços costumam ser bastante completos. Quanto às restantes refeições, eu sou um esquisita em último grau. Molhos, pratos com eles ou a nadar em gordura ou coisas estranhas, não fazem parte no meu dia-a-dia, e também não fazem nas férias. Depois em hotéis em regime tudo incluído, como foi o caso, proliferam as batatas fritas a todas as refeições. É de ver as pessoas, sempre de prato cheio delas, a passearem-se entre os corredores da comida, à procura de acompanhamento p'ra elas. Eu cá ganho-lhes aversão. Se antes já não as comia, ou é muito raro, depois o cheiro frequente enjoa-me.
Ora estando em Cabo Verde, existe uma regra de ouro, a meu ver - e comigo resultou, passei ao lado das gastroenterites: Não comer nada cru! Com o problema das águas em Cabo Verde, o melhor mesmo, é fugir de eventuais contaminações. os locais estão mais ou menos imunes à bicharada, agora nós...  
Claro que as saladas seriam o que saberia melhor, com uma temperatura daquelas, mas paciência... Saberia melhor e compensaria os abusos do pequeno almoço (omeletes simples ou mistas, ovos cozidos, tostas mistas pão com isto e aquilo, fruta, panquecas, etc, etc, etc ;)). Com as saladas, a ideia de aumento de peso também estaria mais longe. Mas era indiscutível quebrar a regra. Ainda mais que tive de ir socorrer as miúdas algarvias do 732, com Imodium e Kompensan, que só tinham conseguido sair do quarto, no primeiro dia de férias (já iam no quarto). 
Gastroenterite é bom para a perda de peso, mas é provisório e estraga as férias. Portanto, deixa lá as saladas, sim?! comes em casa!
Posto isto, e eu que fujo de feijão verde como o diabo foge da cruz - sou incapaz de comer, infelizmente - fui-me ficando pelo arroz branco (que era bem bom!), e frango de todos os jeitos. Outras formas de arroz - desde que não levassem feijão verde eram óptimos. Quanto ao peixe, esta semana já de regresso à pátria, a todas as refeições não prescindo dele. Andava mortinha por um bom peixinho. Lá não recomendo. Sou muito esquisita. mesmo!
O ginásio no domingo, quando cheguei estava fechado. Na segunda fui para um passeio da parte da manhã e dormi toda a tarde. Estava morta. à noite, o M. perguntou-me se me me tinha entendido com o plano de treinos. Levei um puxão de orelhas virtual, quando lhe disse que não tinha ido, que compensaria na terça. Disse-me que eu já não cumpriria o que tínhamos planeado. Tirei-lhe a língua e mentalmente, mandei-o bugiar. Expliquei-lhe que tinha feito um bom cardio a subir  e descer escadas e a caminhar. Calou-se.
Nos outros dias fui ao ginásio, e num dos dias duas vezes. Mas dediquei-me,com muito mais afinco, à espreguiçadeira da praia e da piscina e à cama do meu alojamento, bem confortável por sinal. Houve um dia que me deitei deviam ser nove da noite. Dormi tanto, comi mais que o habitual e como ia ao ginásio logo ás sete da manhã, tomava dois pequenos almoços. Um bem ligeirinho e outro depois, com muita coisinha boa.

Portanto, a cena da engorda estava bem encaminhada. mas, por outro lado, vivia em mim a esperança, de se passar o mesmo que se passa em todas as férias: se não emagrecer, manter o peso.
Ainda bem que não me privei dos pequenos-almoços com tudo o que havia direito.
A balança ditou que eu tinha perdido peso. eu suspeitava mas, nestas coisas, temo ter alguma ilusão de óptica. As férias só me trazem saúde :).

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

estava a ver se passava no intervalo da chuva

Mas parece que não me safei!

O M. já me tinha dito que não me ia deixar folgar nas férias. Que ia elaborar um plano de treinos para a semana de férias fora de casa. Que agora todos os hotéis têm ginásio, e não se pode parar, nem deitar borda fora o trabalho anteriormente feito. e blablabla...

e eu pensei: ele, de certeza, que está no gozo comigo! Não o vou levar muito a sério... ou, pelo sim, pelo não é melhor precaver-me... é capaz de estar a  falar a sério, nunca fiando.

Fiz um mail para o hotel [só tu!, dirão os que me conhecem] a perguntar que tipo de equipamentos o ginásio tinha. De resposta, enviaram-me as fotos de cada um dos equipamentos. :).

Guardei o mail muito bem guardadinho e calei-me! 

Hoje recebi uma mensagem do M. : Hoje, sem falta, temos que falar nos planos de treino para as férias. [no plural? Planos? eu a pensar que seria UM plano de treino!]. Como não sou capaz de lhe mentir, disse-lhe que tinha fotos dos equipamentos - avisei-o que aquilo devia ser da era dos Flinstones - e bombardeei-o com quase duas dezenas de fotos. Respondeu-me que material para exercícios não faltam e ia elaborar os planos ( novamente o uso do plural). 

Acho que lhe consigo imaginar um sorriso maquiavélico a elaborar os tais planos. 
É provável que me fale que tenho que gravar para ele corrigir.
Meu caro PT: vá esperando deitado, porque sentado, vai-se cansar! :) nem fotos eu gosto, quanto mais fazer vídeos!

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

as pessoas gostam de números, mas só para algumas coisas...

O fim de semana foi um bocadito agitado socialmente e embora haja coisas (importantes) que gostaria de deixar registadas, ainda preciso pensar mais um pouco sobre elas. da minha evolução enquanto bicho que saiu do casulo. porque é disso que se trata.

Graças à narigueta partida e às fortes chuvadas no sábado, foi impossível fazer o treino ao ar livre que eu andava a ansiar. Estava projectado para ser para rebentar mas ainda estou impedida de fazer exercícios com muito impacto. Dr. José, hoje volto-lhe a fazer a  pergunta se pode ser! 
As chuvas foram um argumento forte para eu não me sentir tão desiludida. Isso não posso controlar, resta a resignação. Mas houve treino na mesma - com impacto controlado mas muita transpiração - , mesmo depois do ginásio fechado. para a maioria das pessoas, treinar forte é significado de dor e sofrimento, para mim continua a dar-me um prazer imenso. e digo-o sem ponta de cinismo. 

Se os números da balança agora têm andado preguiçosos, porque baixam mais lentamente, começo a ter sérios problemas com a roupa. Começo a largar as roupas de Verão - algumas já não as podia vestir de todo - e a abrir a gaveta das roupas de Inverno e a ter que descartar a maior parte delas. Mesmo que a balança indicie pouco movimento (ou talvez o que eu gostaria de ver não aconteça com a rapidez inicial), as roupas caem muito mal no corpo. Praticamente só tenho dois pares de calças, que já me ficam a nadar, mas não me caem pelas pernas abaixo, sem que eu as puxe. As camisolas servem em duas de mim. Há algumas roupas que voltaram a cair na perfeição, mas não são muitas. Os pijamas parecem mais compridos e largueirões porque os glúteos e as coxas diminuíram. A lingerie comprada no início de ir para o ginásio, alguma dela com a função de disfarçar o pneu na barriga, está agora folgada. Tenho que mandar apertar os vestidos que comprei e os que já tinha. 

Continuo a achar que não é boa ideia estar a comprar roupa, apesar de precisar muito de uns jeans novos, para conseguir combinar com partes de cima que ainda me servem. Tinha comprado uns que só consegui vestir uma vez, no início da minha entrada no ginásio. estão enormes e ficam-me horrivelmente mal. Nem vale a pena levar à costureira.

Ontem estive de serviço voluntário - e mais exposta que o habitual - e com uma roupa mais justa, fazia algumas pessoas olhar-me de alto a baixo, várias vezes, e constatar que é notória a perda de peso. e querem números: quantos já perdi? A minha colega vem em meu socorro e diz que vou todos os dias ao ginásio, que foi tudo graças a isso. Assinalam-me as pernas bem feitas, torneadas, e que o meu problema sempre foi a anca e o rabo. Discute-se sobre a minha pessoa e eu assisto impávida e serena. 
Sei bem que noutros tempos não saberia onde me enfiar. Agora deixo-os falar. Os seus argumentos são também uma motivação para continuar a trabalhar para me sentir cada vez melhor. Sei que estão à espera que caia e tudo volte ao mesmo. Quero pensar que não. Que vou continuar a ser forte de espírito e que me vai continuar a dar muito gozo ficar ensopada em suor, e no fim deitar-me no chão do ginásio, abrir os braços e acusar sorridentemente cansaço enquanto a respiração volta ao normal, mas sentir que mais do que o que fiz, era impossível.

[tenho que admitir que ir ao ginásio terá que ser como um daqueles medicamentos que temos que tomar para o resto da vida. tenho plena noção disso.não pode haver lugar para baldas. mas tenho medo... há sempre a histórias dos outros, que voltaram ao mesmo. não quero que a minha história faça parte desses registos...]