Em casa dos meus pais abundou boa educação, respeito, rectidão e justiça. Ai de nós que puséssemos o pé em ramo verde. Apesar de sempre sabermos que éramos a luz dos olhos dos nossos pais, nunca existiram muitas palavras de afecto. O meu pai não é propriamente a pessoa mais eloquente quanto a sentimentos, mas sempre tivemos a noção- pelo que ia dizendo aos outros- do orgulho e amor que sentia por nós. Ainda hoje é assim.
Acho que foi o meu marido que colmatou esta minha dificuldade em expressar afectividade, assimilada da educação que tive. Ele é a doçura em pessoa. Agora já me é mais fácil dizer que gosto, que amo. Contudo, continuo a preferir escrever a falar sobre o meu gostar.
Em dias como o de hoje, em que o meu irmão fez anos, e na impossibilidade de lhe dar os parabéns pessoalmente, deixei-lhe um cartão escrito com o presente. Respondeu-me que gostou de tudo e ainda mais do cartão. Comoveu-me. Ele será sempre o meu menino (carinhosamente é assim que o tratamos quando falamos dele), apesar dos seus 32 anos.
Fico muito contente por sermos dois bons irmãos, apesar das nossas diferenças. Desejo e orgulho-me da harmonia que existe entre os dois e, ditada pela educação que tivemos, tudo fazemos para que nenhum de nós se sinta prejudicado/beneficiado em relação ao outro. A felicidade dele é também a minha.
Hoje foi um óptimo dia para lhe dizer que gosto muito dele; e ele retribuir com um "gosto muito de ti, sabias?".


