Dizem que o que lá vai, lá vai. Por aqui o que lá vai, deixou algumas mazelas estranhas.
Tenho-me apercebido que o meu sexto sentido, ou poder de observação, tem-se tornado cada vez mais aguçado ao ponto de sentir um certo receio, por mim, pelos outros. às vezes, dava-me menos que pensar se não me apercebesse de certas realidades à minha volta.
Sei que a maioria das pessoas julga que o mal só acontece aos outros. Já eu - neste lado mais negro que não consigo aliviar - penso exactamente o contrário. Se o mal acontece aos outros, eu não sou diferente para não me acontecer a mim.
Nos últimos meses de 2013 pressagiei umas quantas coisas, que acabaram por se verificar [não tenho poderes sobrenaturais ou algo assim; limitei-me a ouvir e observar, volto a dizer]. Quando me contaram, senti-me mal por diversas razões: por ter pressentido que iriam acontecer, por terem acontecido e por as pessoas envolvidas nunca se terem apercebido.
Andei bastantes dias mais calada, tive alguns ataques de ansiedade e na véspera de Natal [de que tanto gosto] todo o encantamento da época se desfez.
A juntar a estes acontecimentos antevistos, passar mais de mês e meio a fingir que não sabia de nada foi coisa para me andar a atormentar. Foi fingimento a pedido que não deixou de o ser. Fingir que não sabia que o despedimento ia acontecer. Pensei tantas vezes que preferia não ter sabido. Falei cá em casa no assunto vezes sem conta. Dei-me conta que o fingimento dos outros era tão perfeito, que me assustava verdadeiramente. Esperei que acontecendo, ela ia "partir da loiça toda" e estranhamente não aconteceu. toda a gente o esperava daquela pessoa inigualável a alguém, a mais estranha e perturbadora das pessoas que conheci até hoje. Ao ponto de me arrepiarem as más energias que parecia sentir. Quase diabólicas. Mas quando não percebemos, justificamos com isoterismo.
Despedir alguém em altura de Natal também é coisa para não desejar a ninguém. Mas aconteceu. Com fundamentos de [mau] trabalho, de correcções desesperantes a uma pessoa que parecia viver em muitas realidades paralelas. Mas continuo a achar que por ali havia uma justificação mais presente que a incompetência.Doença. Psicopatia não tratada. Gostava de ter sido eficaz na minha avaliação e tudo tivesse sido diferente. Gostava de poder ter ajudado se eu soubesse onde/como ajudar. Lá porque antevemos coisas não quer dizer que tenhamos o poder de as mudar antes de acontecerem. Normalmente as pessoas são surdas a estas antevisões. E eu sou muda em dizê-las, porque não me cabe a mim ditar o futuro de ninguém com o que observo, com o que não consigo explicar, com aquilo que não passa de um presságio. Como justifico a alguém que o caminho não é aquele só porque o meu sexto sentido diz? O sexto sentido é coisa com pouco intervalo de confiança, é coisa empírica.
Já disse que as mudanças me assustam? Fazem-me sentir frágil, incompetente, agitada.
2014 foi o ano de começar tudo de novo. Conhecer uma pessoa nova, dar formação a par de trabalhar [muito]. Medos estranhos das mudanças - ainda que esperadas, são sempre uma incógnita.
Ando cansada desta roda viva. ando assustada com uma série de situações. Não ando apaixonada por nada. As resoluções ainda não foram passadas para o papel, apesar de ter prometido fazê-las. A mudança de atitude exigia o marco da mudança de ano, a par das mudanças do último ano. Se calhar ando a fazer ajustes e ainda não me sinto preparada. Às vezes pergunto-me se, de tão desajustada que sou, não caiba na minha vida um filho. Agora, seis anos de tentativas dão-me para avaliar as coisas desta forma. Amadurecer também traz ideias do passado amadurecidas. Se calhar é a natureza a ter a sua razão, a não deixar acontecer.
Se nunca pressagiei que poderia não conseguir ter um filho? Talvez a resposta não estranhe. sim, pressagiei. Nem sei porquê. Talvez porque saiba que, nesta vida, nada é perfeito.