Imaginem que têm uma amiga, que não vêem há algum tempo. Ao longo desse tempo, notando que há muita falta de vontade da outra parte em manter um contacto regular- apesar dos inúmeros esforços que fiz, para que não se sentisse sozinha, fartamo-nos da indiferença,começamos a fazer o mesmo. Há a possibilidade de nos revermos, e ela faz muita questão nisso. Enquanto estamos juntas consulta o telemóvel uma dezena de vezes - só isso faz-me pensar que sempre que lhe mandei sms, não me responderia por não ter visto, já que está sempre com o telemóvel debaixo de olho. Separamo-nos e, poucos dias depois, volto ao esquecimento, quando lhe mando duas sms. Numa a pedir uma informação - se disso dependesse a minha vida, já teria morrido- e noutra num acto de cortesia e delicadeza desejo-lhe felicidades para mais uma das suas jornadas difíceis. Silêncio absoluto.
Porque é que eu gasto o meu precioso tempo, que o que tem mais para me dar é indiferença?
Também tenho daquelas pessoas que falam da sua vida, só tristeza, só lamúrias, são umas coitadinhas que o universo conspira contra elas e o que é que eu faço? Lá injecto eu o máximo de optimismo que consigo, uso o meu parco tempo a evitar um pseudo-suícidio (não me pese depois isso na consciência) mostro-lhe uma série de opções melhores do que o que caminho que estão a enveredar. Uau, fantástico, parecem renovadas, prontas para a luta: Ok, respondem-me. Daí a uns tempos falamos: porque ai que estou muito triste, muito desiludida, que coitadinha que eu sou.E então o que lhes disse? Se as pessoas preferem continuar no mesmo registo para que me pedem ajuda?
Não costumo dizer palavrões, não em público, não aqui com todas as letras. Mas, puta que pariu isto, que só não me sai na rifa gente que está-se a borrifar para o que eu digo, para o que eu sinto, ou para o tempo que estou a perder. E depois venham-me com histórias que acham que eu estou mais silenciosa, logo estou mal. O silêncio é preciso e não é porque se esteja mal, é porque à minha volta conheço muita gente com muita vontade de falar e nenhuma para ouvir. Às vezes tenho coisas muito boas para contar e perco logo a vontade de as dizer, por isso, deixa-te estar calada, boca...
Ando tão fartinha! Nem imaginam quanto. Só não se aproximam de mim para me dar nada, ou facilitar a vida. e isso era bem-vindo, oh se era! (pronto, há excepções; mas a regra tem sido atrair gente a quem só precisa de mim quando dá jeito. Há que procurar gente optimista, porque para negro já basta o lado mais escuro da minha vida que me entristece e com o qual não faço alguém perder tempo).