quinta-feira, 15 de maio de 2014

Preliminares


O meu marido ao meio-dia manda-me uma sms com o seguinte conteúdo:

"Boas.[não aprecio este começo, mas enfim...]. Dia 22 tens de sair cedo da empresa. Não perguntes porquê, que eu não te vou dizer. Bjs"

isto é ele a tentar fazer uma surpresa. Sem eu lhe perguntar, sem nunca termos falado de nada de programa para Maio [as noites nos Bombeiros são agora mais habituais dado que a prevenção já começou], estou capaz de apostar na ida a um concerto, num local que desconfio.

Quando chegar a data tenho de fazer cara de surpreendida para não o ferir. Ele nunca conta com o meu sexto sentido. Ou a pulga atrás da orelha.

Fiquei bem surpreendida pela iniciativa. Até aplaudo!

Acho que a única situação em que não dipensam [anúncios] preliminares é mesmo nas surpresas.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Quando as coisas mudaram...




Lá por casa as nossas rotinas matinais mudaram há pouco mais de um mês; quase voltaram aos primeiros tempos de casados, com os dois juntos à mesa do pequeno-almoço. Uma parte do caminho para o trabalho é feita em conjunto, embora cada um no seu carro. Nunca tinha acontecido, mas tenho gostado disso. alivia a minha hora de condução solitária para o trabalho. Podemos ir falando ao telefone os dois, até que ele chegue ao trabalho. Eu faço o resto do meu percurso ao som da rádio.

Outrora, quando ele saía depois de mim, era difícil dar-lhe um recado para ele cumprir uma determinada tarefa. Apesar de me responder que sim, que tinha em atenção ao que eu lhe estava a dizer, que ia fazer, ao final do dia eu percebia que pouco adiantava dizer-lhe o que quer que fosse. estaria ainda a dormir acordado, com os sentidos nada despertos. Solucionou deixar-lhe recados escritos, pousados num local  bem visível.

Nestas recentes rotinas acho piada que, embora ainda não estando acordado em pleno, enquanto comemos, se lembra de discutir sobre a temperatura a que se encontra o núcleo do Sol. Hoje tivemos esse debate, comigo sempre a dizer-lhe que não me lembrava e ele sempre a querer que eu desse palpites.  No outro dia, pôs-se a criar uma fórmula matemática de cálculo para uma área estranha. E a pedir ajuda, porque eu devia saber, já que tínhamos tido isso na disciplina de Cálculo, na Universidade. Confesso que ele tem bem mais presente os conhecimentos académicos e tenta pô-los mais em prática que eu.   

Portanto, mudaram as rotinas e passei a ter debates muito eruditos logo pela manhã.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

trinta e sete





Não me custa dizer a idade, não temo as rugas - senão não me desleixava tantas vezes com o creme -, e quanto aos cabelos brancos, já não há volta a dar- já cá moram há uns tempos, ainda antes dos trinta e cinco. A genética nestas coisas fala mais alto. O stress e as mói-almas desta vida também deram o seu contributo.

Custam-me os trinta e sete cá por coisas. Por estar cada vez mais perto de enfrentar o meu maior medo e cada vez mais longe de um dos meus sonhos de sempre.

Mentirei se disser que estou contente por fazer anos. Acho que é  a primeira vez que não estou. Não serão razões comuns às outras pessoas; a vida fugiu em muito do meu traçado, dos meus sonhos, expectativas e ambições (que nem são nada exageradas). E vejo portas a fecharem-se mais rápido do que aquilo que tenho capacidade para chegar a elas.

Que venham os trinta e sete. se tiver saúde para os viver, já não é mau. Sobrevive-se.



terça-feira, 22 de abril de 2014

o que é que eu gostaria mesmo, mesmo?



Ter tudo feito por um tempo.
Para não ter nada para fazer.

[não sei se é do cansaço, se da idade. gostaria de parar um pouco este vida de carrossel]

 

o livro de poesias

O meu sobrinho pequenito quase me preenche o coração por cpompleto, não morassem cá outras pessoas também. sou apaixonada pelas suas doçuras e até travessuras. Pergunto-lhe primeiro se  lhe posso dar um beijinho de olá, e ele estende-me a bochecha rosácea da euforia que vive com a minha chegada. Pergunto-lhe depois, se me quer dar um beijo; agora, ele nunca me nega nenhum. Assim, sem obrigações entramos num consentimento mútuo de dar beijinhos, já que ambos somos pessoas de beijoquice selectiva.

Sei que tem uma panóplia de livros, muitos dados por mim, alguns já não estão no seu melhor estado de tanto serem folheados e transportados. Não resisto ao vício e a vontade de lhe oferecer mais um. Contrario a maioria que teima em oferecer-lhe doces. Tem tempo para os comer quando crescer. Sou contra dádivas dessas.

Sei que gosta de rimas, sabe o que são. Encontro o livro perfeito, com muitas para lhe ler. Pequenas poesias engraçadas a par com ilustrações bem giras. Leio lhe umas quantas mas ele, apesar de atento, pisca e esfrega os olhos de sono. Diz que não, que não tem sono, que estava só a tirar uma remela. Pede que continue, que não quer ir ainda para a cama . Mas tem de ser, as outras rimas ficarão para outro dia. Sussurra: neste livro tem alguma rima André chimpanzé? digo-lhe que acho que não.
Fica um pouco decepcionado: todos os livros de rimas deviam trazer essa.

não posso deixar de sorrir porque ainda ecoa na minha memória, o seu riso infantil e doce ao ouvir aquelas rimas todas. Creio também que dei uma pequena desilusão ao pequeno, por lhe dar um livro com uma falha tão grande, aquela do André que rima com chimpanzé.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Ando com dúvidas se isto acaba aqui









Há poucas semanas fechei o blogue, porque achei que precisava pensar se valia a pena mantê-lo, se valia a pena as pessoas visitarem, porque quis estabelecer novas prioridades Sei que houve quem pensasse que eu tinha feito uma escolha selectiva de leitores e só alguns teriam acesso. não dei acesso a ninguém, deixei o blogue sossegado e eu dediqui-me a outras coisas e outras pessoas. A par de umas quantas decepções, achei que o tempo devia ser distribuido por coisas que me fizessem sentir mais útil. Voltei a abri-lo porque achava que estava outra vez a apetecer-me e também porque me deram alguma força para isso, confesso. Até lhe mudei o nome para me sentir motivada a escrever as coisas mais felizes que fossem acontecendo, fugindo de um registo depressivo.
Nos últimos dias, venho cá só para fazer uma pequena pausa no trabalho que é cada vez mais cansativo, pelas pessoas que se limitam aos serviços mínimos e os outros que façam. Dificilmente me ligo à net à noite, porque só penso em cama e sobreviver a mais outro dia, até que o fim-de-semana chegue.

Ando seriamente a pensar acabar com isto de vez. Porque não há nada de novo na minha vida que alimente o pensamento e a vida. A motivação. é isso que nos move. é muito do que me falta.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

desalento

Há dias de exaustão, em que ponho em causa quase todas as minhas decisões.

Ando há semanas nisto.