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as vidas e a morte na aldeia (ou mero exercício de escrita)

Ainda o homem tinha acabado de sentir o seu coração pela última vez, e já as más línguas avaliavam se mereceria o Céu, se o Inferno. Enquanto não vinham homens de bata branca e bisturi em punho para lhe atestar a morte, já o cangalheiro da aldeia esfregava as mãos. Mais um, com muita sorte, lhe entregariam para amortalhar. Bateriam umas quantas notas de euro. O negócio já não era como no tempo do avô. Agora a aldeia estava povoada  por velhos que teimavam em viver. Pareciam ter feito pacto com o Diabo. No contrato com o Demo devia estar bem esclarecido o termo longevidade. Ao avô tinha-lhe bastado os sanatórios que albergavam tuberculosos. A ele, não lhe valia de muito dar nova morada aos mortos, por isso, contruía casas aos vivos. Bem vistas as coisas, nenhum dos negócios corria de feição. Eram já em pouco número os mortos, assim como os vivos bons pagadores ou com crédito bancário. Deixemos, portanto, o cangalheiro despir a farda de construtor; é sábado, o muro fica por chapiscar, …

o silencio instalou-se

Depois desta tarde, de lagrimita nos olhos, renovarmos os nossos votos matrimoniais por causa dos pedacinhos dos casamentos de Santo António que fomos "obrigados" a ver, vamos de regresso a casa.
Vamos em viagem e berrámos um com outro, depois de deixarmos o meu sogro em casa da minha cunhada. Estamos de candeias as avessas, depois de uma demonstração de mais um acto de egoísmo do meu sogro. Quer gerir a vida dos filhos, que nem sequer vivem perto uns dos outro, está a tornar-se um hábito para ele. Parecem peões nas mãos dele. Ele finge lágrimas cada vez que o contrariam e ele decide tudo - quando depende de nós - e temos de fazer o que ele quer. As coisas não são assim; se todos colaborarem - incluindo-o - e tudo se faz. Todos estamos a fazer os possíveis para que ele, todos os fins de semana durma na cama dele, esteja na casa dele, mesmo quando temos de fazer mais de trezentos quilómetros de viagem. Sugiro-lhes que, calmamente, falem com ele; dialoguem. A minha cunhada di…

das minhas fragilidades. tenho coisas para contar, mas hoje "roubo" palavras a outros

O momento de escrever o que Maio me trouxe e me levou, vai chegar. falarei sobre isso, quando me sentir com os pés mais perto da terra e menos de cabeça para baixo. Sem os dramatismos com que agora vejo os acontecimentos.Maio trouxe e levou. A minha vida continua um novelo com muitas pontas e poucos fins à vista. tenho de falar nisso. Porquê? porque preciso. só não sei por que ponta começar.

Enquanto as minhas palavras não saem, gostei das de outrem, que não hesitei em roubar, sem pedir licença, mas dando os devidos créditos.

Tantas palavras te disse hoje,
mas as mais frágeis reservo-as
para o dia em que te encontrar.[Deste blogue]

da minha intensidade

Dói-me muito perder pessoas [e não estou a falar da morte].

não é fácil ser-se filho. nem feliz quando se é velho

Percebi há algum tempo que talvez ele não ame o pai da mesma forma que amou a mãe. Ainda dizem que os pais e as mães não terão preferências pelas suas crias. Se acontece os filhos preterirem um dos progenitores, porque não o contrário? Também já entendi que a irmã prefere o pai à mãe. Estou mais crente que seja uma das hipóteses seguintes: remorsos de ter sido uma ausente cuidadora da mãe ou o cheiro,ainda que nauseabundo, de dinheiro lhe continua a saber muito bem, que continua a desejar que caia na conta, sem que para isso veja deveres. 
Do lado dele sinto-lhe a falta de uma paciência (sintoma que nunca lhe julguei ver) para ouvir as repetições, vezes sem conta, de histórias passadas, de pedidos inusitados, de clamores a Deus do pai, que nos seus oitenta e quase sete, ainda se julga novo para ser visitado pela Morte. Consigo ler-lhe a pouca vontade de voltar à serra [um dia disse-me que queria ser sepultado junto da mãe, agora estranho-lhe este comportamento], numa obrigação de faz…

as pequenas coisas do amor

ser recebida à porta de casa, no regresso do trabalho, com um abraço e um ramo simples [mas muito bonito] de flores. simplesmente perfeito.
que amoroso foi o meu fim de tarde.

Blogues XY

Se é um vazio porque pesa tanto? Este é o título de um post de um blog, creio que seja masculino (concluído, por outros pequenos textos que lhe vou lendo e que entretanto vai subtraindo ). Pode ser visto aqui. Tem pequenas frases que me deixam a pensar. Esta foi uma delas.
Da lista de blogues que leio habitualmente, não tenho muitos que sejam masculinos. Mas há alguns muito bons. Melhores que os de muitas mulheres. E que nem sequer serão da área do jornalismo ou afins. Normalmente nem me atrevo a comentar ou não admitem comentários. Mas não deixam de estar entre as minhas preferências. Outro que descobri há pouco foi este este.
Se alguém tiver outras sugestões de leitura, existe uma caixa de comentários que eu amavelmente terei gosto em receber.