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balões de oxigénio precisam-se...

Tenho andado longe daqui e de outros locais virtuais que, habitualmente apreciava ler. Os emails acumulam-se neste endereço que associei ao blog. Tem havido pouco tempo, pouca vontade e uma energia há muito no vermelho. Não e por desinteresse que tenho estado longe, e por desequilíbrio mental. Querer escrever aqui ou numa caixa de comentários tem se tornado uma tarefa quase hercúlea. Escrever sempre um prazer para mim, mas tenho-me sentido incapaz de o fazer nos últimos tempos. Tenho aceitado com alguma ansiedade os muitos acontecimentos que se vão sucedendo, mais desde Abril- outro Abril que se verificou agourento. Tenho muitas coisas pendentes neste momento que apenas requerem tempo- e Paciência - para que possam resolver-se. Apesar de tudo e cada vez mais, acredito - embora nem sempre aceite, em primeira instancia- nada acontece por acaso. Embora almejasse deste o início do ano por umas boas e retemperadoras férias, não foi a possibilidade de um ultimo tratamento que as veio por …

seis anos sobre o nascimento do meu amor pequenino e outras coincidencias (romper o silencio)

Tinha feito seis anos em Abril e a escola começaria nos primeiros de Outubro. Lembro-me bem da ansiedade que tinha em ir para a escola. Recebi uma mala de por as costas, rectangular, a imitar a pele, castanho alaranjada, com o desenho animado do momento: o indio sioux yakari (e só googlar, deve haver quem se lembre disso...). Foi um presente da minha madrinha. Ficou guardada durante meses, num armário da sala de jantar. Lembro-me de me pular o coração, cada vez que a ensaiava nas minhas costas, as escondidas da minha mãe. Ansiei peloo primeiro dia de aulas, durante quase todos os dias, entre Abril e Outubro daquele ano

A poucos dias do meu sobrinho/afilhado fazer seis anos, perguntei-lhe o que desejaria. Pediu-me para pensar. A mãe disse-me que era melhor ser ele a dizer. Dias depois pediu-me uma mochila dos Mínimos, o estojo e uma capa com dois elásticos. Perguntei-lhe se queria um brinquedo. Disse, veemente, que não.

Hoje o meu amor pequenino fez seis anos. Delirou com a mochila, o …

as vidas e a morte na aldeia (ou mero exercício de escrita)

Ainda o homem tinha acabado de sentir o seu coração pela última vez, e já as más línguas avaliavam se mereceria o Céu, se o Inferno. Enquanto não vinham homens de bata branca e bisturi em punho para lhe atestar a morte, já o cangalheiro da aldeia esfregava as mãos. Mais um, com muita sorte, lhe entregariam para amortalhar. Bateriam umas quantas notas de euro. O negócio já não era como no tempo do avô. Agora a aldeia estava povoada  por velhos que teimavam em viver. Pareciam ter feito pacto com o Diabo. No contrato com o Demo devia estar bem esclarecido o termo longevidade. Ao avô tinha-lhe bastado os sanatórios que albergavam tuberculosos. A ele, não lhe valia de muito dar nova morada aos mortos, por isso, contruía casas aos vivos. Bem vistas as coisas, nenhum dos negócios corria de feição. Eram já em pouco número os mortos, assim como os vivos bons pagadores ou com crédito bancário. Deixemos, portanto, o cangalheiro despir a farda de construtor; é sábado, o muro fica por chapiscar, …

o silencio instalou-se

Depois desta tarde, de lagrimita nos olhos, renovarmos os nossos votos matrimoniais por causa dos pedacinhos dos casamentos de Santo António que fomos "obrigados" a ver, vamos de regresso a casa.
Vamos em viagem e berrámos um com outro, depois de deixarmos o meu sogro em casa da minha cunhada. Estamos de candeias as avessas, depois de uma demonstração de mais um acto de egoísmo do meu sogro. Quer gerir a vida dos filhos, que nem sequer vivem perto uns dos outro, está a tornar-se um hábito para ele. Parecem peões nas mãos dele. Ele finge lágrimas cada vez que o contrariam e ele decide tudo - quando depende de nós - e temos de fazer o que ele quer. As coisas não são assim; se todos colaborarem - incluindo-o - e tudo se faz. Todos estamos a fazer os possíveis para que ele, todos os fins de semana durma na cama dele, esteja na casa dele, mesmo quando temos de fazer mais de trezentos quilómetros de viagem. Sugiro-lhes que, calmamente, falem com ele; dialoguem. A minha cunhada di…

das minhas fragilidades. tenho coisas para contar, mas hoje "roubo" palavras a outros

O momento de escrever o que Maio me trouxe e me levou, vai chegar. falarei sobre isso, quando me sentir com os pés mais perto da terra e menos de cabeça para baixo. Sem os dramatismos com que agora vejo os acontecimentos.Maio trouxe e levou. A minha vida continua um novelo com muitas pontas e poucos fins à vista. tenho de falar nisso. Porquê? porque preciso. só não sei por que ponta começar.

Enquanto as minhas palavras não saem, gostei das de outrem, que não hesitei em roubar, sem pedir licença, mas dando os devidos créditos.

Tantas palavras te disse hoje,
mas as mais frágeis reservo-as
para o dia em que te encontrar.[Deste blogue]

da minha intensidade

Dói-me muito perder pessoas [e não estou a falar da morte].

não é fácil ser-se filho. nem feliz quando se é velho

Percebi há algum tempo que talvez ele não ame o pai da mesma forma que amou a mãe. Ainda dizem que os pais e as mães não terão preferências pelas suas crias. Se acontece os filhos preterirem um dos progenitores, porque não o contrário? Também já entendi que a irmã prefere o pai à mãe. Estou mais crente que seja uma das hipóteses seguintes: remorsos de ter sido uma ausente cuidadora da mãe ou o cheiro,ainda que nauseabundo, de dinheiro lhe continua a saber muito bem, que continua a desejar que caia na conta, sem que para isso veja deveres. 
Do lado dele sinto-lhe a falta de uma paciência (sintoma que nunca lhe julguei ver) para ouvir as repetições, vezes sem conta, de histórias passadas, de pedidos inusitados, de clamores a Deus do pai, que nos seus oitenta e quase sete, ainda se julga novo para ser visitado pela Morte. Consigo ler-lhe a pouca vontade de voltar à serra [um dia disse-me que queria ser sepultado junto da mãe, agora estranho-lhe este comportamento], numa obrigação de faz…