Mensagens

nao é o assunto premente deste blog mas, de vez em quando, torna-se incontornável

Acho que são as nossas convicções que nos limitam a conduta. Também por isso não somos todos ladrões ou psicopatas. Felizmente.  Cada um sabe de si, e se há quem veja nas barrigas de aluguer uma forma de ser mãe, se viverá bem com a decisão e as respectivas consequências - porque as pode haver - eu não tenho nada a julgar. Eu não optaria por esse caminho. Conheço-me demasiado bem e recearia não saber lidar com diversos problemas, a meu ver, muitos de âmbito deontológico. Mas eu sou eu e os outras são as outras.Nada de julgamentos. Quando as poucas pessoas que sabem que não consigo ter filhos, querem apontar a minha atenção para a adoção, tenho-me calado porque não vale a pena explicar a quem conseguiu ser mãe, que a adoção não nos diminui a dor e, atrevo-me a dizer, cria-nos outros problemas que nem discuto. Da mesma forma que não julgo um casal que opta por maternidade de substituição, agora já legalizada, acho que ninguém tem o direito de me julgar por não estar inclinada para a ad…

3/4 de ferias

Quanto menos faço- e tenho feito tão pouco, e há tanto aqui por casa que devia ficar feito- menos me apetece fazer.

Isto atesta bem o meu nível de cansaço e de apatia.

passou a primeira de duas semanas...

O fim-de-semana passado não correu bem. Isto de partir à descoberta, desta vez, correu mal. Isto de se pensar num hotel em cada dia, ao sabor da viagem, deu num regresso a casa bastante prematuro. Os hotéis estavam esgotados e, ao que parecia, não caberia nem uma agulha. O único que ainda poderia estar disponível, dentro do raio de distância que tínhamos traçado, custava mais de oitocentos euros por noite... coisa pouca, portanto. Frustração e desânimo pautaram dois dos três dias do fim-de-semana. E um arrufo entre os dois, um bocadito feio. Ele,farto de estar em cláusula domiciliária, eu farta da gerir frustrações e desejos alheios no trabalho, numa frustração comum por não conseguirmos uns dias de dolce fare niente, deu em andarmos macambúzios um com o outro por uns dias. Já passou. Portanto, não querendo deixá-lo sozinho enquanto a cirurgia não sai, tenho dormido bastante - desta vez, o telefone do trabalho fica desligado no período da manhã, pelo menos- e o dinheiro das férias te…

...

Decididamente, por aqui, a vida não quer mesmo correr bem...

[já tentei dar volta a este argumento, olhando de diferentes perspectivas...]

balões de oxigénio precisam-se...

Tenho andado longe daqui e de outros locais virtuais que, habitualmente apreciava ler. Os emails acumulam-se neste endereço que associei ao blog. Tem havido pouco tempo, pouca vontade e uma energia há muito no vermelho. Não e por desinteresse que tenho estado longe, e por desequilíbrio mental. Querer escrever aqui ou numa caixa de comentários tem se tornado uma tarefa quase hercúlea. Escrever sempre um prazer para mim, mas tenho-me sentido incapaz de o fazer nos últimos tempos. Tenho aceitado com alguma ansiedade os muitos acontecimentos que se vão sucedendo, mais desde Abril- outro Abril que se verificou agourento. Tenho muitas coisas pendentes neste momento que apenas requerem tempo- e Paciência - para que possam resolver-se. Apesar de tudo e cada vez mais, acredito - embora nem sempre aceite, em primeira instancia- nada acontece por acaso. Embora almejasse deste o início do ano por umas boas e retemperadoras férias, não foi a possibilidade de um ultimo tratamento que as veio por …

seis anos sobre o nascimento do meu amor pequenino e outras coincidencias (romper o silencio)

Tinha feito seis anos em Abril e a escola começaria nos primeiros de Outubro. Lembro-me bem da ansiedade que tinha em ir para a escola. Recebi uma mala de por as costas, rectangular, a imitar a pele, castanho alaranjada, com o desenho animado do momento: o indio sioux yakari (e só googlar, deve haver quem se lembre disso...). Foi um presente da minha madrinha. Ficou guardada durante meses, num armário da sala de jantar. Lembro-me de me pular o coração, cada vez que a ensaiava nas minhas costas, as escondidas da minha mãe. Ansiei peloo primeiro dia de aulas, durante quase todos os dias, entre Abril e Outubro daquele ano

A poucos dias do meu sobrinho/afilhado fazer seis anos, perguntei-lhe o que desejaria. Pediu-me para pensar. A mãe disse-me que era melhor ser ele a dizer. Dias depois pediu-me uma mochila dos Mínimos, o estojo e uma capa com dois elásticos. Perguntei-lhe se queria um brinquedo. Disse, veemente, que não.

Hoje o meu amor pequenino fez seis anos. Delirou com a mochila, o …

as vidas e a morte na aldeia (ou mero exercício de escrita)

Ainda o homem tinha acabado de sentir o seu coração pela última vez, e já as más línguas avaliavam se mereceria o Céu, se o Inferno. Enquanto não vinham homens de bata branca e bisturi em punho para lhe atestar a morte, já o cangalheiro da aldeia esfregava as mãos. Mais um, com muita sorte, lhe entregariam para amortalhar. Bateriam umas quantas notas de euro. O negócio já não era como no tempo do avô. Agora a aldeia estava povoada  por velhos que teimavam em viver. Pareciam ter feito pacto com o Diabo. No contrato com o Demo devia estar bem esclarecido o termo longevidade. Ao avô tinha-lhe bastado os sanatórios que albergavam tuberculosos. A ele, não lhe valia de muito dar nova morada aos mortos, por isso, contruía casas aos vivos. Bem vistas as coisas, nenhum dos negócios corria de feição. Eram já em pouco número os mortos, assim como os vivos bons pagadores ou com crédito bancário. Deixemos, portanto, o cangalheiro despir a farda de construtor; é sábado, o muro fica por chapiscar, …