Acho que são as nossas convicções que nos limitam a conduta. Também por isso não somos todos ladrões ou psicopatas. Felizmente.
Cada um sabe de si, e se há quem veja nas barrigas de aluguer uma forma de ser mãe, se viverá bem com a decisão e as respectivas consequências - porque as pode haver - eu não tenho nada a julgar. Eu não optaria por esse caminho. Conheço-me demasiado bem e recearia não saber lidar com diversos problemas, a meu ver, muitos de âmbito deontológico. Mas eu sou eu e os outras são as outras.Nada de julgamentos.
Quando as poucas pessoas que sabem que não consigo ter filhos, querem apontar a minha atenção para a adoção, tenho-me calado porque não vale a pena explicar a quem conseguiu ser mãe, que a adoção não nos diminui a dor e, atrevo-me a dizer, cria-nos outros problemas que nem discuto.
Da mesma forma que não julgo um casal que opta por maternidade de substituição, agora já legalizada, acho que ninguém tem o direito de me julgar por não estar inclinada para a adoção.
Quando li há uns dias o "Filhos da ciência", encontrei umas quantas declarações que, a mim, nunca saíram da mente para a boca. Agora vejo que há quem pense como eu. E eu já não me sinto culpada por pensar desta maneira. Ninguém tem o direito de julgar a minha opção de vida. Deverei apenas compreendida pelo meu marido. E isso felizmente acontece.
''Enquanto eu tiver pessoas a dizerem-me o que eu devo fazer, que posso sempre ser mãe, pois tenho a opção de adoptar... essa pessoa esta a decidir por mim. Primeiro, porque se EU optar pela adopçao, posso encarar essa decisão como uma obrigação[...] Porque não incentivam os casais ditos normais a adoptar; porque tenho de ser eu, que não posso ter filhos, a ficar com essa missão?''(pag. 182, 183)
''Só lamento que estas mesmas pessoas que atribuem aos casais inférteis a missão de solucionar o problema das crianças institucionalizadas, que considerem suficiente amar os sobrinhos e os filhos dos outros ou adorar um qualquer deus [...], não lutem pelo agravamento de penas de crimes horríveis que contra elas são cometidos, não deem o corpo as balas em nome das crianças que passam fome, maus tratos e desamor.''(pag. 150)