Acho que já vos disse que, numa outra fase da minha vida, tive um blogue com um registo um bocadinho mais reservado do que este. Desse para este, foram poucas as pessoas que me acompanharam. Foi como se começasse uma vida nova, numa outra morada. A minha vida não era fictícia, tal como continua agora a não ser. Foi um ciclo que fechei, que meteu doenças e mortes, desencontros e separações, e um amor que podia não ter sobrevivido não fosse ele mais forte que tudo isso. Foi um ciclo longo da minha vida que quase me levou a loucura, e enlouqueceu de dor quem acabara de perder alguém.
Este blogue, o Sítio, acabou por desvendar o outro lado mais relacionado com a maternidade, das aventuras daquela que tem sido a minha jornada de infertilidade.
Podem não acreditar, mas ate há pouco tempo atras era-me mais difícil ler sobre a infertilidade dos outros do que viver a minha própria. Via nos outros uma revolta que eu não tinha. O caminho ia-se fazendo, caminhando. Acho que, com isso, conseguem perceber que sofro bastante com a infelicidade dos outros. quando se trata de mim, julgo que me podia acontecer ainda pior... tenho relativizado, ate ao dia que descobri , ou melhor, fui informada que, ainda não sabendo o que me impede de engravidar, sofro de um problema torna a gravidez num processo não evolutivo. Soube disto em Setembro. Um dia antes, soubemos da noticia que , ao fim de seis meses, ele iria submeter se a tão desejada cirurgia. o problema que me ocupou a mente, foi finalmente resolvido. Distraiu-me do meu. O dele nada tem a ver com fertilidade. Felizmente esta a recuperar bem. Em dois dias de Setembro, curiosamente, um deles coincidiu com o aniversário dele, este ciclo começou a fechar-se.
E porque conto tudo isto?
Porque me parece que este meu ciclo de vida esta prestes a encerrar.
Gostaria de um dia, ainda chegar aqui e dar a boa nova a quem realmente me acompanha e torce verdadeiramente pela concretização do sonho. E certo que o ciclo da minha vida ainda não se fechou totalmente, e quando se fechar, não vou fechar este blogue e abrir o outro. Não creio que isso torne a fazer sentido.
E natural que, um dia, eu me tenha ido embora, sem deixar outra morada. Ainda me prendem aqui algumas pessoas, mas findo um ciclo e natural que não nos reencontremos por aqui.
Obrigada aos que se importam, aos que retornam todos os dias em busca de esperança para si também, aos que vêm porque sim. Obrigada Por me acompanharem neste ciclo de vida. Irei embora devagarinho. De mansinho.