A ideia de sair do emprego não era nova. Era uma ideia
adiada. Viver agarrada à ideia que precisava do emprego para concretizar sonho(s)
era só forma de me ancorar ao certo, ao fácil, ao controle, caso algo corresse
mal. Afinal, ter um filho a quem se pensaria dar tudo era, para mim, condição
suficiente e necessária, para manter o sustento sem solavancos nem travagens bruscas.
Já há demasiadas coisas simples a subtraírem minutos ao meu
sono todos os dias. Se pensava em trazer alguém ao mundo então tudo deveria ser
bem calculado, medido, pensado ao mais ínfimo pormenor.
Preocupei-me demasiado em aconchegar um sonho em camas de
algodão fofo e sedoso, que tudo o resto foi descuidado. Os outros [sonhos] foram
sendo descuidados, apagados da memória, subnutridos até serem deixados morrer
por incúria de mim mesma.
Esta semana comecei a enviar CV e até tive uma proposta de
entrevista no mesmo dia.
Retraio-me em candidatar-me a umas quantas coisas, em dar conhecimento
a conhecidos do meio so…