sexta-feira, 22 de junho de 2018

Dá-me vontade de voltar a escrever...

sempre vou à farmácia da terra e falo com o Sr. M., que me trata sempre por menininha...

há tantas histórias que me apetecia pôr por escrito.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

nada que consiga com palavras simples

A ideia de sair do emprego não era nova. Era uma ideia adiada. Viver agarrada à ideia que precisava do emprego para concretizar sonho(s) era só forma de me ancorar ao certo, ao fácil, ao controle, caso algo corresse mal. Afinal, ter um filho a quem se pensaria dar tudo era, para mim, condição suficiente e necessária, para manter o sustento sem solavancos nem travagens bruscas.

Já há demasiadas coisas simples a subtraírem minutos ao meu sono todos os dias. Se pensava em trazer alguém ao mundo então tudo deveria ser bem calculado, medido, pensado ao mais ínfimo pormenor.
Preocupei-me demasiado em aconchegar um sonho em camas de algodão fofo e sedoso, que tudo o resto foi descuidado. Os outros [sonhos] foram sendo descuidados, apagados da memória, subnutridos até serem deixados morrer por incúria de mim mesma.
Esta semana comecei a enviar CV e até tive uma proposta de entrevista no mesmo dia.
Retraio-me em candidatar-me a umas quantas coisas, em dar conhecimento a conhecidos do meio sobre a minha vontade em mudar. Revejo os pontos do perfil traçado para cada emprego e nunca me acho à altura. Nem sei se me subestimo, se me acho cheia de imperfeições. Acobardo-me e não respondo a este ou aquele por medo da má figura, da redução à insignificância. Agarro-me ao desconforto de um emprego em que tenho o que me baste menos qualidade de vida em contraposição ao desconhecido.
Nestes últimos meses [antes sabia mas negava-o] percebi que morri por dentro, há tanto tempo, que só agora vou dando conta. Foi preciso ter a noção que os pais não duram para sempre, os casamentos nem sempre são felizes, os amigos não são quem julgamos, que não tenho nada a fazer-me acordar com o sangue a fervilhar de excitação. Fico alheia a olhar tudo, mas só resta um vazio que fui sufocando para que não gritasse de dentro aos que vivem no meu mundo de fora. Agrilhoou-se uma negra e pesada escuridão cá dentro com mentiras sorridentes de que tudo estava bem.  Confrontavam-me com uma realidade a que eu contrapunha exemplos de que tudo podia ser pior. Que estava tudo tão bem que negava a mudança. Hoje reconheço que a única pessoa a quem vou sabendo enganar muito bem é a mim mesma. Tornei-me pródiga numa mentira. Tornei-me prisioneira dos meus medos. Afinal sou conduzida não por sonhos mas pelo medo.
A realidade, há um par de dias, tornou-se uma masmorra com paredes movediças que se vão aproximando do meu corpo, estreitam o meu campo de visão e empurram o meu foco que isto que faço todos os dias não é nada. este autómato em que me tornei sofre agora de uma cansaço da rotina. O casamento, o emprego, algumas pessoas tornaram-se um fardo tão pesado em certos momentos, que eu já não caminho erecta. Vivo corcovada, numa agonia de mais um dia igual ao outro, disforme e sem futuro.
Em momentos de alucinação, sinto a imaginação a injectar adrenalina nas veias e dar forças a um salto para o impensável, para o risco, contra o medo. E depois volto a morrer dentro de mim mesma, por viver do medo de não ser capaz.

Até quando aguentarei? Até ao dia em que fizer uma asneira que nunca conseguirei justificar. E todos me vão julgar por ela…

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Memória curta

Sabem que podia dizer tanto coisa sobre incêndios e sobre OS incêndios. Claro que sabem. O meu marido é bombeiro.

Por agora, apenas vou dizer que o que falta mais é consciência.

Este domingo e segunda tive o incêndio às portas de casa . Tive um medo avassalador que aquele Adamastor nos entrasse pelas portas dentro. O marido, longe, de volta das chamas, fez-me as recomendações devidas e pouco mais falámos. Ligar-lhe podia ser um entrave e colocá-lo em perigo. Uma distracção é suficiente.

A chuva veio. Respirou-se de alívio.

Hoje já andam a fazer queimadas num terreno, lá na aldeia. Fui avisada por um amigo, para que se avisassem os bombeiros.

Choveu, pois foi! Mas os acontecimentos recentes deviam deixar a consciência mais alerta. pelo menos, enquanto não vem mais chuva e haja segurança suficiente para um acto destes.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

estar enferrujada nisto da blogosfera

fez com que eu acabasse de perder toda a minha lista de blogues de leitura ali do lado.

isto anda em mudanças, não se assustem. eu estou a tentar fazer o mesmo.



segunda-feira, 9 de outubro de 2017

nas piores companhias

Há quem nunca me queira deixar só. A constipação foi-se hoje embora, depois de me manter incomodada por uma série de dias. O lugar foi logo ocupado pelo torcicolo.

Espero que não se revezem.

sábado, 7 de outubro de 2017

um ano se passou e tanta coisa tambem...

- alinhei em 2016 numa festa a realizar em 2017, daquelas que misturam o religioso com pagão;

- tive muitas ideias para angariação de fundos e isso deu-me um grande gozo; senti-me viva;

- ajudei a organizar eventos culturais e gastronómicos, uma grande dor de cabeça mas com optimos resultados;

- consegui novas amizades e adorei trabalhar com algumas pessoas com quem aprendi coisas boas;

-reatei uma amizade que julguei perdida,  com uma amiga dos tempos da universidade;

- injectei-me contra as trobofilias e fiz o ultimo tratamento de fertilidade a que o Estado da acesso;

- descobri que uma colega de trabalho e amiga também estava a realizar um tratamento de fertilidade e trocamos experiências;

- o meu tratamento resultou num negativo sem qualquer margem de duvida desta vez, numa barriga negra das picadas e mais meia dúzia de quilos no lombo;

- recebi a noticia da gravidez da minha cunhada, mulher do meu irmão;

- recebi a noticia da gravidez da minha amiga e colega de trabalho;

- passei por um estado de ansiedade devido ao excesso de trabalho no emprego, devido a organização da festa e ao resultado do tratamento, que tive um ataque de histerismo no emprego;

- pedi a demissão do emprego e não foi aceite;

-fui colocada de baixa medica numa consulta por causa de uma rouquidão que não passava;

- estive a beira de um ataque cardíaco, literalmente, e andei a ser monitorizada com uns aparelhos para o efeito;

- fiz 40 e começo a sentir os efeitos;

- fui a Madeira como presente de aniversário dado pelo marido;

- comi a melhor bifana do mundo servida em bolo do caco (só de lembrar babo-me toda)

- diagnosticaram-me ansiedade por excesso de stress e continuei de baixa, arredada de qualquer actividade laboral, nomeadamente de emails, algo que nunca tinha acontecido;

- dormi numa semana de baixa mais do que dormia num mes de "vida normal" e não foram necessários comprimidos;

- vivi mais uma saída do emprego do marido, com a qual não concordei, principalmente porque queria sair do meu. Ainda não estou segura que tenha sido a opção certa;

-escrevi dois ou três artigos para um jornal local;

- tive a noticia da gravidez da minha amiga com quem tinha reatado amizade;

-  vivenciei, como pessoa e como mulher de um bombeiro,talvez a maior e pior época de incêndios que tenho memoria desde que conheço o meu marido, há 22 anos;

- tive um dos maiores momentos de solidão de que tenho memória;

- abandonei-me a tristeza, ao cansaço e a frustração e vivi como morta-viva, só não deixei de tomar banho para não cheirar mal;

- recebi aumento salarial e uma generosa gratificação mas que se reduziu a uma insignificância por causa dos impostos;

- fiz um discurso improvisado, para o qual não estava preparada, e para o qual fui obrigada;

- conseguimos realizar a festa, e no fogo de artifício chorei de frustração pelas coisas que não correram bem;

- trabalhei ao lado de uma colega nova que se recusou a aceitar que estava grávida, e que entretanto (infelizmente) perdeu o bebé;

- fiz um investimento que me deixou sem dinheiro e sem margem para deixar o emprego (não tendo outro) nos tempos mais próximos;

- pedi o divórcio mas não me divorciei;

- sou tia de outro rapaz;

- já fiz dois enxovais para bebés e estou a começar um para o terceiro que ainda vai nascer;

- voltei ao blog, não sei se pontualmente, se para ficar...

Como se pode ver, não há muita coisa para contar, e se a maioria forem tristezas podem causar toxicidade a quem lê. Essa foi, sem duvida, uma das razões porque deixei de escrever, a outra porque entrei em serviços mínimos de onde sinto que ainda não sai. Tem sido a costura que me tem valorizado um bocadinho a autoestima, mesmo que seja fazer enxovais para recém-nascidos...

Ainda ando a procura de algo que me faca feliz, mas sinto que já estive mais longe... assim vai a vida, insípida, com pouco interesse no mundo dos blogues e na vida real.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

se um dia pensar em me tornar uma empresaria

Que tenha a lucidez de não pensar em fazer salgadinhos para fora. Será falência pela certa...
Podia ilustrar com uma foto mas e mau demais, e ainda me resta alguma vergonha na cara. Não sei porque ainda teimo.
 
Tenho algum jeito para a cozinha, mas croquetes e afins estão mais perto de ser a minha ruina do que a minha especialidade. Porque e que os meus não ficam com aquele aspecto que estamos habituados a ver?
 
(há quanto tempo já ca não vinha; hoje apeteceu-me vir dizer baboseiras)