quarta-feira, 11 de julho de 2018

férias, quais férias?


Mesmo não havendo incêndios (felizmente), o tempo dele reparte-se mais pelo quartel, que por casa; o meu tempo pouco mais serve para trabalhar e andar de volta das papeladas de um clube do que para dormir ou outras tarefas básicas de casa.

Quando a minha vida e a dele coincidem algures numa das partes da casa, serve para nos lamuriarmos com um “estou morto/a de cansaço”. esparramamo-nos cada um num sofá (devíamos ter pensado em algo maior para dividir por dois) enquanto fingimos ver, pela quinquagésima sétima vez aquela série na FOXCRIME. Sucumbimos ao sono sem nunca chegarmos a saber quem foi o autor do crime. arrastamo-nos bem depois da 1 da manhã para a cama, para um par de horas de sono. há que levantar cedo todos os dias. o fim-de-semana também conta.

Andamos os dois a gritar por tudo quanto é poro que precisamos de férias; e isso nada tem a  ver com o Verão ou de já termos recebido o subsídio ou ainda de toda a gente já ter as férias programadas e falar nelas  pelo menos quinhentas vezes ao dia.

Estamos mesmo em modo de sobrevivência. As noites não têm horas suficientes para que o sono seja retemperador e os fins-de-semana são quase uma cópia da semana.

Há a cirurgia e as obras em casa que queremos fazer antes que o Verão acabe.

Eu só penso em estar de papo para o ar, com sol e sal na pele, sem preocupações N-E-N-H-U-M-A-S.  

Acabei de lhe perguntar a ele se ainda teremos férias juntos. Disse-me: talvez em Novembro.

o melhor é esquecer o sol e o sal e resignar-me que este ano não há férias… para onde haveria de ir em Novembro?

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Dá-me vontade de voltar a escrever...

sempre vou à farmácia da terra e falo com o Sr. M., que me trata sempre por menininha...

há tantas histórias que me apetecia pôr por escrito.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

nada que consiga com palavras simples

A ideia de sair do emprego não era nova. Era uma ideia adiada. Viver agarrada à ideia que precisava do emprego para concretizar sonho(s) era só forma de me ancorar ao certo, ao fácil, ao controle, caso algo corresse mal. Afinal, ter um filho a quem se pensaria dar tudo era, para mim, condição suficiente e necessária, para manter o sustento sem solavancos nem travagens bruscas.

Já há demasiadas coisas simples a subtraírem minutos ao meu sono todos os dias. Se pensava em trazer alguém ao mundo então tudo deveria ser bem calculado, medido, pensado ao mais ínfimo pormenor.
Preocupei-me demasiado em aconchegar um sonho em camas de algodão fofo e sedoso, que tudo o resto foi descuidado. Os outros [sonhos] foram sendo descuidados, apagados da memória, subnutridos até serem deixados morrer por incúria de mim mesma.
Esta semana comecei a enviar CV e até tive uma proposta de entrevista no mesmo dia.
Retraio-me em candidatar-me a umas quantas coisas, em dar conhecimento a conhecidos do meio sobre a minha vontade em mudar. Revejo os pontos do perfil traçado para cada emprego e nunca me acho à altura. Nem sei se me subestimo, se me acho cheia de imperfeições. Acobardo-me e não respondo a este ou aquele por medo da má figura, da redução à insignificância. Agarro-me ao desconforto de um emprego em que tenho o que me baste menos qualidade de vida em contraposição ao desconhecido.
Nestes últimos meses [antes sabia mas negava-o] percebi que morri por dentro, há tanto tempo, que só agora vou dando conta. Foi preciso ter a noção que os pais não duram para sempre, os casamentos nem sempre são felizes, os amigos não são quem julgamos, que não tenho nada a fazer-me acordar com o sangue a fervilhar de excitação. Fico alheia a olhar tudo, mas só resta um vazio que fui sufocando para que não gritasse de dentro aos que vivem no meu mundo de fora. Agrilhoou-se uma negra e pesada escuridão cá dentro com mentiras sorridentes de que tudo estava bem.  Confrontavam-me com uma realidade a que eu contrapunha exemplos de que tudo podia ser pior. Que estava tudo tão bem que negava a mudança. Hoje reconheço que a única pessoa a quem vou sabendo enganar muito bem é a mim mesma. Tornei-me pródiga numa mentira. Tornei-me prisioneira dos meus medos. Afinal sou conduzida não por sonhos mas pelo medo.
A realidade, há um par de dias, tornou-se uma masmorra com paredes movediças que se vão aproximando do meu corpo, estreitam o meu campo de visão e empurram o meu foco que isto que faço todos os dias não é nada. este autómato em que me tornei sofre agora de uma cansaço da rotina. O casamento, o emprego, algumas pessoas tornaram-se um fardo tão pesado em certos momentos, que eu já não caminho erecta. Vivo corcovada, numa agonia de mais um dia igual ao outro, disforme e sem futuro.
Em momentos de alucinação, sinto a imaginação a injectar adrenalina nas veias e dar forças a um salto para o impensável, para o risco, contra o medo. E depois volto a morrer dentro de mim mesma, por viver do medo de não ser capaz.

Até quando aguentarei? Até ao dia em que fizer uma asneira que nunca conseguirei justificar. E todos me vão julgar por ela…

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Memória curta

Sabem que podia dizer tanto coisa sobre incêndios e sobre OS incêndios. Claro que sabem. O meu marido é bombeiro.

Por agora, apenas vou dizer que o que falta mais é consciência.

Este domingo e segunda tive o incêndio às portas de casa . Tive um medo avassalador que aquele Adamastor nos entrasse pelas portas dentro. O marido, longe, de volta das chamas, fez-me as recomendações devidas e pouco mais falámos. Ligar-lhe podia ser um entrave e colocá-lo em perigo. Uma distracção é suficiente.

A chuva veio. Respirou-se de alívio.

Hoje já andam a fazer queimadas num terreno, lá na aldeia. Fui avisada por um amigo, para que se avisassem os bombeiros.

Choveu, pois foi! Mas os acontecimentos recentes deviam deixar a consciência mais alerta. pelo menos, enquanto não vem mais chuva e haja segurança suficiente para um acto destes.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

estar enferrujada nisto da blogosfera

fez com que eu acabasse de perder toda a minha lista de blogues de leitura ali do lado.

isto anda em mudanças, não se assustem. eu estou a tentar fazer o mesmo.



segunda-feira, 9 de outubro de 2017

nas piores companhias

Há quem nunca me queira deixar só. A constipação foi-se hoje embora, depois de me manter incomodada por uma série de dias. O lugar foi logo ocupado pelo torcicolo.

Espero que não se revezem.

sábado, 7 de outubro de 2017

um ano se passou e tanta coisa tambem...

- alinhei em 2016 numa festa a realizar em 2017, daquelas que misturam o religioso com pagão;

- tive muitas ideias para angariação de fundos e isso deu-me um grande gozo; senti-me viva;

- ajudei a organizar eventos culturais e gastronómicos, uma grande dor de cabeça mas com optimos resultados;

- consegui novas amizades e adorei trabalhar com algumas pessoas com quem aprendi coisas boas;

-reatei uma amizade que julguei perdida,  com uma amiga dos tempos da universidade;

- injectei-me contra as trobofilias e fiz o ultimo tratamento de fertilidade a que o Estado da acesso;

- descobri que uma colega de trabalho e amiga também estava a realizar um tratamento de fertilidade e trocamos experiências;

- o meu tratamento resultou num negativo sem qualquer margem de duvida desta vez, numa barriga negra das picadas e mais meia dúzia de quilos no lombo;

- recebi a noticia da gravidez da minha cunhada, mulher do meu irmão;

- recebi a noticia da gravidez da minha amiga e colega de trabalho;

- passei por um estado de ansiedade devido ao excesso de trabalho no emprego, devido a organização da festa e ao resultado do tratamento, que tive um ataque de histerismo no emprego;

- pedi a demissão do emprego e não foi aceite;

-fui colocada de baixa medica numa consulta por causa de uma rouquidão que não passava;

- estive a beira de um ataque cardíaco, literalmente, e andei a ser monitorizada com uns aparelhos para o efeito;

- fiz 40 e começo a sentir os efeitos;

- fui a Madeira como presente de aniversário dado pelo marido;

- comi a melhor bifana do mundo servida em bolo do caco (só de lembrar babo-me toda)

- diagnosticaram-me ansiedade por excesso de stress e continuei de baixa, arredada de qualquer actividade laboral, nomeadamente de emails, algo que nunca tinha acontecido;

- dormi numa semana de baixa mais do que dormia num mes de "vida normal" e não foram necessários comprimidos;

- vivi mais uma saída do emprego do marido, com a qual não concordei, principalmente porque queria sair do meu. Ainda não estou segura que tenha sido a opção certa;

-escrevi dois ou três artigos para um jornal local;

- tive a noticia da gravidez da minha amiga com quem tinha reatado amizade;

-  vivenciei, como pessoa e como mulher de um bombeiro,talvez a maior e pior época de incêndios que tenho memoria desde que conheço o meu marido, há 22 anos;

- tive um dos maiores momentos de solidão de que tenho memória;

- abandonei-me a tristeza, ao cansaço e a frustração e vivi como morta-viva, só não deixei de tomar banho para não cheirar mal;

- recebi aumento salarial e uma generosa gratificação mas que se reduziu a uma insignificância por causa dos impostos;

- fiz um discurso improvisado, para o qual não estava preparada, e para o qual fui obrigada;

- conseguimos realizar a festa, e no fogo de artifício chorei de frustração pelas coisas que não correram bem;

- trabalhei ao lado de uma colega nova que se recusou a aceitar que estava grávida, e que entretanto (infelizmente) perdeu o bebé;

- fiz um investimento que me deixou sem dinheiro e sem margem para deixar o emprego (não tendo outro) nos tempos mais próximos;

- pedi o divórcio mas não me divorciei;

- sou tia de outro rapaz;

- já fiz dois enxovais para bebés e estou a começar um para o terceiro que ainda vai nascer;

- voltei ao blog, não sei se pontualmente, se para ficar...

Como se pode ver, não há muita coisa para contar, e se a maioria forem tristezas podem causar toxicidade a quem lê. Essa foi, sem duvida, uma das razões porque deixei de escrever, a outra porque entrei em serviços mínimos de onde sinto que ainda não sai. Tem sido a costura que me tem valorizado um bocadinho a autoestima, mesmo que seja fazer enxovais para recém-nascidos...

Ainda ando a procura de algo que me faca feliz, mas sinto que já estive mais longe... assim vai a vida, insípida, com pouco interesse no mundo dos blogues e na vida real.