sábado, 5 de janeiro de 2019

Diário da gratidão | 05.01.2019

Como Touro assumo que dou muita importância ao conforto material e financeiro. Trabalho para algumas das coisas que considero importantes, para ter conforto, qualidade de vida. Assusta-me ficar "descalça" nos momentos difíceis. 
Penso a longo prazo.


Hoje estou grata pela possibilidade de ter acesso a cuidados de saúde, infelizmente inacessíveis a muita gente. Penso nisso muitas vezes. Às vezes os problemas de saúde  das pessoas agravam-se por uma desajustada resposta no tempo. Se tudo pudesse ser mais fácil, evitava-se tanta desgraça.
Estou grata por ter conhecido um cirurgião fantástico, que me deu confiança para avançar e a quem eu confiei a minha saúde. Está  a ajudar-me a conseguir alguma qualidade de vida que julgava  perdida. Tenho essa possibilidade e estou grata por  isso.
Hoje houve revisão da cirurgia, e as coisas vão bem encaminhadas. Entre marcar a cirurgia e a mesma acontecer passaram menos de trinta dias e fui eu que escolhi o dia.
Estou grata por estar tudo a correr bem. 

Diário da gratidão | 04.01.2019

Estou grata pela coragem que senti hoje em mudar; não ter medo da opinião dos outros, por ter receio dos comentários parvos.
Há 23 anos que não fazia isto. Hoje foi o dia de deixar os cabelos compridos e ter um corte radical.

Estou grata por gostar de me olhar ao espelho e gostar do que vejo ( mesmo que os outros não gostem).

(Estou estupidamente eléctrica que nem consigo adormecer. Lembrei-me que não tinha tomado o anti-histamínico. Pode ser que  agora acalme...)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Antes que isto se fine, falarei da Vida. Bonita. De alguém bonito.


Estou a tentar tomar uma decisão radical, contudo não sei bem o que fazer a este blogue. Grande parte dos blogues que estão na barra lateral já não escrevem nada assiduamente - devia actualizá-la - mas vivo sempre na esperança (cada vez que abro isto) que voltem a escrever e que eu, por antes gostar tanto de os ter lido, possa perder pitada. Ou fecho isto ou tenho mesmo que fazer uma grande remodelação,o que incluirá fazer uma limpeza geral...

Enquanto não decido o que fazer, e antes que eu quebre uma promessa feita a mim própria, queria escrever sobre um blogue,ou melhor, sobre alguém que de certa forma me tem incutido uma outra forma de ver algumas coisas na vida, para melhor. Também ajudou a criar um  estranho hábito, antes de dormirmos, cá em casa.

Às vezes, confesso, nas pausas do trabalho ou quando as chamadas são chatas, abro o Sapo, leio as "gordas" e volto a fechar e a regressar ao trabalho.
Talvez por o bichinho dos blogues já morar cá há 10 anos, é impossível descurar os destaques do Sapo nesta temática.

Foi assim que conheci um blogue do Sapo, ainda em 2017. Em Outubro, talvez. Mas o blogue já existe desde 2016, acho eu.
Quando começou a ser destaque frequente no Sapo, passei-o para os Favoritos no Chrome. Ao final do dia, mesmo que não tivesse tido tempo para ir ao Sapo, mesmo que não tivesse sido destacado, ali estava, mesmo ao jeitinho de dar um clique nele. E ler. E rir-me sozinha, porque na maior parte das vezes, a escrita e os acontecimentos relatados resultavam numa explosão de gargalhadas. Com o tempo, o hábito e a escrita que se foi aprofundando, o blogue que passei a ler todos os dias e, por diversas vezes ao dia, começou a despoletar outras reacções: lágrimas frequentes de emoção, nostalgia, recordações, valores e princípios meio adormecidos. 

Quando comecei a ler o blogue muitas das histórias eram relacionadas com o Vasco; depois veio a Alice. O Pedro apareceu uns meses mais tarde, e a Mariana que não demorará muito mais a chegar.

O blogue chegou a ser viciante; foi visitado por mim várias vezes ao dia ( e mais tarde, cheguei a perceber na leitura de comentários que havia muitos mais como eu que queriam ver como a história da Joana e do Pedro ia acontecer). Acho que os leitores foram todos apanhados de surpresa com a notícia do casamento.

Quando comecei a ler o blogue, a escrita escorreita, livre, simples e muitas vezes peculiar, fez-me avaliar mal a pessoa que o escrevia. Avaliei mal os traços gerais de quem o escrevia. Quando eu inicialmente pensei que a pessoa nao devia ter mais do que 23 anos e que estava a tentar ter alguma  graça, tive, após leituras mais frequentes, de dar a mão à palmatória, e reconhecer o meu erro. Cometi vários erros de avaliação, pouco costumeiros do meu apurado sexto sentido. 

O que os blogues antes tinham de fascinante, era o anonimato e o que as pessoas deixavam antever pelo que não era explicitamente dito; dizia um pouco do que eram. Foi-me muitas vezes fácil adivinhar estados de alma e outras características das pessoas, pelo que diziam no meio das palavras escritas. Era a magia das palavras a funcionar. Aqui o tiro saiu ao lado. Passei a perceber que era uma miúda muito singular aquela que escrevia. Madura. Vivida. Que de parva não tinha nada. Passei a gostar dela sem nunca a ter conhecido. Depois veio a filha. Com um nome que eu gostaria de ter posto a uma, se alguma dia essa oportunidade miraculosamente surgisse. E depois tudo o resto, repentino, certeiro, com o feitiço do amor à mistura.
Gosto das suas histórias do dia-a-dia, da sua ingenuidade noutras, da sua valentia, do atirar-se para a frente sem medo, sem pensar muito nas consequências, do ir à luta e de dar luta, da sua infinita paciência com o sr. Ludovino, da sua capacidade de se rir de si própria, da sua objectividade e perseverança. Do seu sentido de família, do muito amor que tem e que  recebe, da sua imensa grandiosidade enquanto pessoa, da sua infância feliz e cheia de bons exemplos. Cheia de bons valores onde me revejo. Da sua energia louca que ja me fez lembrar de mim e que, quase me esqueci. E descobri outra forma de analisar as coisas que nos acontecem na vida. Aprendi resiliência. acumulei sabedoria. Comecei devagar a erguer os braços, fazer-me à vida, em lugar de continuar adormecida. A vida nao corre como foi programada? Paciência... é seguir em frente. Lamber feridas q.b. e depois fazer-nos à estrada da vida.

Depois, as histórias do Vasco (e não só)  eram/são tão hilariantes, que tive de passar a partilhá-las com o meu marido. 


Agora tornou-se um hábito, um vício, esse de ler em voz alta,na cama, os posts da Joana. As vezes, como ja tenho lido o post do dia, se a história me toca  particularmente sou a primeira a falar  no assunto com o marido. A maior  parte das vezes, já na cama, quando o cansaço está prestes a engolir-nos num sono profundo, e muitas vezes já de luz apagada, ele lembra-se e diz: e o Vasco? 

E lá vou eu ao blogue de que tenho estado a falar.  O quiosque da Joana
As vezes, damos por nós, antes de dormirmos, a rir até faltar o ar; outras vezes, emocionamo-nos, comentamos acerca do assunto; outras vezes, acho que ele adormece antes que acabe de ler, não porque não tenha interesse, mas porque o cansaço vence. No dia seguinte sei que terei de voltar a ler, porque adormeceu, mas néo quer perder pitada. 


Não tenho por hábito escrever sobre outros blogues. Antes havia  quem o fizesse para projectar o seu próprio blogue. Não passei a falar do Quiosque da Joana para ressuscitar um blogue moribundo como o meu. Falo dela porque passei a gostar muito dela. O que lhe lemos é só uma parte daquilo que é, e sou realista que  também ela terá o seu lado "negro". Mas deve ser muito fácil gostar dela. Apaixonar-se por ela.[quando um animal ama incondionalmente um humano, creio que isso possa dizer  muita coisa do humano]
Quando escreve, gosto de ler os  comentários. E aprecio muito quando o Pedro tem qualquer coisa para dizer. Gosto disso. 
Não invejo a sua felicidade, prefiro aprecia-la, dar conta que ela existe. Que a felicidade é possível mas, as vezes, quase leio nos comentários quem tenha inveja. E entristece-me porque esta rapariga trabalha para aquilo que tem. Eu valorizo muito quem trabalha para a sua felicidade, quem trabalha muito para ter o que quer.

Achei que eu tinha que fazer este destaque, antes da derradeira decisão de acabar com o blogue, ou remodelar isto. [Se remodelar, como eu disse, vou  ter de limpar a barra de blogues, mas hei-de lá colocar o da Joana.]

Não sei se a Joana alguma vez  verá o que escrevi sobre ela, e também não é importante para mim que ela saiba que lhe andei a publicitar o blogue. É importante haver exemplos de quem não fique a olhar " pra ontem", como eu fiquei. 
Não sou de lhe comentar os posts porque andei dois anos adormecida, de luto; passei a estar mais espevitada há coisa de dois meses. Não comento habitualmente no seu blogue, mas ficam-me muitas palavras no coração, outras são o avivar de momentos felizes que também estiveram adormecidos. Demorei muito neste estado letárgico; tempo demais. Começo a acordar para a vida outra vez, porque ela passa e já não vamos a tempo... e tal como a Jona, também eu tenho medo da morte. Só ãao sou tão ferverosa pelo Sporting como ela. 

A Joana é uma mulher de coração verde, apaixonada pela vida.





domingo, 2 de dezembro de 2018

E tu, quem és afinal?

Sabem aquelas folhas de acetato para verificar testes de resposta múltipla? Não sei se ainda é isso que usam os professores, mas lembro-me que, era deste modo, que se corrigiam os testes teóricos quando tirávamos a carta de condução. Era assim que o faziam muito depressa. Já lá vão muitos anos, ainda a internet estava a nascer...

Às vezes também me questiono se há  umas folhas destas, imaginárias, para ver onde se encaixam as pessoas que conhecemos. Para saber se têm "algum parafuso" a menos. O que é isso do "parafuso a menos"? O que é a norma? Pode a loucura ser confundida com criatividade? O "pensar fora da caixa" é vanguardismo, inovação? Ou, por outro lado, será delírio mental?
Porque nos destacamos como mentalmente sãos e aos outros, os que fazem coisas estranhas, denominamos "os loucos", os que "não são bons da cabeça"?



A empresa admitiu um estagiário. Cedo verifiquei que era um rapaz com um comportamento a que estava pouco familiarizada. Eu e os demais. 
Uma das minhas colegas sabe a minha tendência a proteger os recém-chegados. Ela avisou-me para ter cuidado porque não gostaria de ver-me envolvida numa situação que denotava a cada dia ser "mais especial" . Ela tem a frieza de se distanciar. Eu não. Nunca tive. Desde criança que tenho este magnetismo pelas causas diferentes.
Pelo aviso dela, retraí-me. Quase sempre acabo sozinha contra a maioria,  a defender os mais fracos ou os menos compreendidos. Os outros, a maioria, analisam e desprezam ou tornam-se indiferentes, preferindo ignorar a situação. Coloquei-me mais longe do que o costume mas, sem assim, deixar de estar perto.
Dei conta do comportamento letárgico deste meu recente vizinho de secretária,  ao longo do mês de Novembro. Caía facilmente no sono, por intermináveis horas. Cheguei a  convidá-lo a ir tomar café, não querendo apontar-lhe que o apanhara a dormir.
Caminha com passos "secos", os pés batem no chão como se fossem macetas a martelar uma superfície dura. Os ombros e as costas vergam como se estivesse a ser comprimido por um abraço invisível muito apertado. Quase caminha como se estivesse enrolado em si mesmo. 
Percebi há muito que vai almoçar mais cedo para não se sentir tão desconfortável. Percebi que lhe é mais fácil receber os outros no refeitório do que a chegar  e já lá estarem todos.
Percebi a sua parca cultura geral, o seu interesse por assuntos menos usuais. Li-lhe a admiração quando lhe explicamos porque se diz "bife com ovo a cavalo". Parece nunca ter ouvido falar na expressão. Ou que não temos bacalhau no Oceano Atlântico. Quem vem habitualmente do mar da Noruega.
Há muito que lhe diagnostiquei, no meu acetato imaginário, uma doença a que chamam autismo. Preocupei-me por si, pela reacção dos outros, pela catalogação que os outros logo se prestam a fazer, que eu já conheço, pelas consequências. 
Limitei, o mais que pude, os relatos jocosos  de umas colegas, para não ouvir o riso de outras, para evitar avaliações redutoras, para evitar chegar a quem eu não queria, por temer consequências na vida de quem é avaliado pelo nome da doença que tem e não pelas suas capacidades; porém, foi inevitável ouvir o primeiro passo para o precipício: esse gajo é maluco, não bate bem da bola.

Esta semana veio a confirmação da sua  professora coordenadora do mestrado, quando lhe foi dito que ele adormecia. O estado de ansiedade de estar a viver uma coisa nova ou uma nova medicação, podem estar a tirar-lhe o sono, explicou ela. 
Ele ficou  3 dias a descansar, aconselhado pelo médico.
Para as minhas colegas, ele "não bate bem da cabeca", tem "muitos parafusos a menos", é um "totó"... 
Para mim, é só uma pessoa que tem uma doença com nome, que assusta muita gente. Porque se não tivesse sido classificada, talvez não causasse repercussões tão drásticas na vida de quem as tem e tanto desdém de quem julga que não as tem. 
Ser diferente já é difícil. Não ter direito a oportunidades iguais é ainda pior. Talvez fosse mais fácil não haver nome para as doenças. Esta, soubemos, tem o nome do homem que a "catalogou". É uma síndrome mais leve de autismo. Mas o nome existe, tem sintomas, está catalogado. Foge daquele acetato imaginário que as pessoas têm para avaliar se o SEU grau de normalidade é verificado.
 Quanto a mim, afinal a colega tinha razão. Não saí ilesa deste envolvimento. Nunca senti tanta vergonha de trabalhar na empresa onde estou, quando ouvi dizer: livrem-se dele, não quero cá malucos...
Há coisas que me tocam demasiado para eu simplesmente ignorar. Talvez eu também seja diferente; maluca dirão os outros certamente. Estúpidos e ignorantes, chamar-lhes-ei eu.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

É parvo e não muda nada...

Estou à espera de um resultado que há-de vir por e-mail. Ao final da tarde.
É estúpido que eu não queira que as férias cheguem ao fim contudo anseio o final do dia.
O único sítio onde pareço sentir-me bem é aqui, no sofá da sala, a olhar para o tecto branco.
Passam-me milhentas coisas pela cabeça. Devia ocupa-la com outras coisas, ir à praia que  tal como ontem, também hoje deve estar óptima.

Claro que tenho um feeling (quase certeza) e só isso era motivo para me pôr a fazer alguma coisa. Mas não consigo deixar de estar sossegada, à espera do momento em que chegará a informação que o meu feeling estava certo. Assim acaba-se o nervoso miudinho que não me deixou dormir a última noite e agora me impede de fazer o que quer que seja. À espera...

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

a minha vida são tiros ao lado, nunca acerto em nada… [o post do sofrimento]



[ultimamente sinto que a minha vida é um aglomerado de más escolhas]

Já toda a gente foi de férias… todos me perguntam: então que tal as férias. eu respondo que não, que ainda não foram.

Um destes dias soube que ele só está a pensar dispor de férias no final de Novembro.

Aliás, eu tinha falado nisso aqui, mas tinha planeado que logo nos primeiros dias de Novembro estaríamos a sobrevoar o Atlântico rumo a um local soalheiro, onde não fizesse mais nada a não ser apanhar sol. é disso que preciso: sopas, descanso e sol.

Disse-me há poucos dias que só para a última semana de Novembro. Achei que ia morrer. Não estou a  exagerar, sinto-me cansada. Mesmo muito. Esgotada, exausta, deprimida, desanimada, frustrada, decepcionada.

Tomei a decisão que não posso esperar por ele. que já não quero esperar por ele para férias.

Ontem fui tentar ir ver quais são as opções. Parece que Cabo Verde; Marrocos, Tunísia estão fora de opção para uma mulher sozinha [já todos foram de férias, não tenho quem me acompanhe]; Caraíbas são demasiadas horas de voo para o meu gosto; ir num cruzeiro fica for de hipótese, porque já devia ter reservado em Maio agora para Setembro. Malta não é um destino de praia.

E os destinos de sol resumem-se a pouco mais que isto. A agência de viagem vai tentar ver o que arranja e ainda me diz, mas acha pouco provável conseguir encontrar algo. O que há é para o Reveillon…

Saí da agência ainda mais deprimida. cheguei a casa e enfiei-me na cama. Preciso tanto de descanso.

Acho que me vou internar numa Casa de Repouso. Ou isso ou ir passar o Outono nas Termas lá para o interior do país, onde o sol é pouco ou nenhum…


quinta-feira, 6 de setembro de 2018