Estou a tentar tomar uma decisão radical, contudo não sei bem o que fazer a este blogue. Grande parte dos blogues que estão na barra lateral já não escrevem nada assiduamente - devia actualizá-la - mas vivo sempre na esperança (cada vez que abro isto) que voltem a escrever e que eu, por antes gostar tanto de os ter lido, possa perder pitada. Ou fecho isto ou tenho mesmo que fazer uma grande remodelação,o que incluirá fazer uma limpeza geral...
Enquanto não decido o que fazer, e antes que eu quebre uma promessa feita a mim própria, queria escrever sobre um blogue,ou melhor, sobre alguém que de certa forma me tem incutido uma outra forma de ver algumas coisas na vida, para melhor. Também ajudou a criar um estranho hábito, antes de dormirmos, cá em casa.
Às vezes, confesso, nas pausas do trabalho ou quando as chamadas são chatas, abro o Sapo, leio as "gordas" e volto a fechar e a regressar ao trabalho.
Talvez por o bichinho dos blogues já morar cá há 10 anos, é impossível descurar os destaques do Sapo nesta temática.
Foi assim que conheci um blogue do Sapo, ainda em 2017. Em Outubro, talvez. Mas o blogue já existe desde 2016, acho eu.
Quando começou a ser destaque frequente no Sapo, passei-o para os Favoritos no Chrome. Ao final do dia, mesmo que não tivesse tido tempo para ir ao Sapo, mesmo que não tivesse sido destacado, ali estava, mesmo ao jeitinho de dar um clique nele. E ler. E rir-me sozinha, porque na maior parte das vezes, a escrita e os acontecimentos relatados resultavam numa explosão de gargalhadas. Com o tempo, o hábito e a escrita que se foi aprofundando, o blogue que passei a ler todos os dias e, por diversas vezes ao dia, começou a despoletar outras reacções: lágrimas frequentes de emoção, nostalgia, recordações, valores e princípios meio adormecidos.
Quando comecei a ler o blogue muitas das histórias eram relacionadas com o Vasco; depois veio a Alice. O Pedro apareceu uns meses mais tarde, e a Mariana que não demorará muito mais a chegar.
O blogue chegou a ser viciante; foi visitado por mim várias vezes ao dia ( e mais tarde, cheguei a perceber na leitura de comentários que havia muitos mais como eu que queriam ver como a história da Joana e do Pedro ia acontecer). Acho que os leitores foram todos apanhados de surpresa com a notícia do casamento.
Quando comecei a ler o blogue, a escrita escorreita, livre, simples e muitas vezes peculiar, fez-me avaliar mal a pessoa que o escrevia. Avaliei mal os traços gerais de quem o escrevia. Quando eu inicialmente pensei que a pessoa nao devia ter mais do que 23 anos e que estava a tentar ter alguma graça, tive, após leituras mais frequentes, de dar a mão à palmatória, e reconhecer o meu erro. Cometi vários erros de avaliação, pouco costumeiros do meu apurado sexto sentido.
O que os blogues antes tinham de fascinante, era o anonimato e o que as pessoas deixavam antever pelo que não era explicitamente dito; dizia um pouco do que eram. Foi-me muitas vezes fácil adivinhar estados de alma e outras características das pessoas, pelo que diziam no meio das palavras escritas. Era a magia das palavras a funcionar. Aqui o tiro saiu ao lado. Passei a perceber que era uma miúda muito singular aquela que escrevia. Madura. Vivida. Que de parva não tinha nada. Passei a gostar dela sem nunca a ter conhecido. Depois veio a filha. Com um nome que eu gostaria de ter posto a uma, se alguma dia essa oportunidade miraculosamente surgisse. E depois tudo o resto, repentino, certeiro, com o feitiço do amor à mistura.
Gosto das suas histórias do dia-a-dia, da sua ingenuidade noutras, da sua valentia, do atirar-se para a frente sem medo, sem pensar muito nas consequências, do ir à luta e de dar luta, da sua infinita paciência com o sr. Ludovino, da sua capacidade de se rir de si própria, da sua objectividade e perseverança. Do seu sentido de família, do muito amor que tem e que recebe, da sua imensa grandiosidade enquanto pessoa, da sua infância feliz e cheia de bons exemplos. Cheia de bons valores onde me revejo. Da sua energia louca que ja me fez lembrar de mim e que, quase me esqueci. E descobri outra forma de analisar as coisas que nos acontecem na vida. Aprendi resiliência. acumulei sabedoria. Comecei devagar a erguer os braços, fazer-me à vida, em lugar de continuar adormecida. A vida nao corre como foi programada? Paciência... é seguir em frente. Lamber feridas q.b. e depois fazer-nos à estrada da vida.
Depois, as histórias do Vasco (e não só) eram/são tão hilariantes, que tive de passar a partilhá-las com o meu marido.
Agora tornou-se um hábito, um vício, esse de ler em voz alta,na cama, os posts da Joana. As vezes, como ja tenho lido o post do dia, se a história me toca particularmente sou a primeira a falar no assunto com o marido. A maior parte das vezes, já na cama, quando o cansaço está prestes a engolir-nos num sono profundo, e muitas vezes já de luz apagada, ele lembra-se e diz: e o Vasco?
As vezes, damos por nós, antes de dormirmos, a rir até faltar o ar; outras vezes, emocionamo-nos, comentamos acerca do assunto; outras vezes, acho que ele adormece antes que acabe de ler, não porque não tenha interesse, mas porque o cansaço vence. No dia seguinte sei que terei de voltar a ler, porque adormeceu, mas néo quer perder pitada.
Não tenho por hábito escrever sobre outros blogues. Antes havia quem o fizesse para projectar o seu próprio blogue. Não passei a falar do
Quiosque da Joana para ressuscitar um blogue moribundo como o meu. Falo dela porque passei a gostar muito dela. O que lhe lemos é só uma parte daquilo que é, e sou realista que também ela terá o seu lado "negro". Mas deve ser muito fácil gostar dela. Apaixonar-se por ela.[quando um animal ama incondionalmente um humano, creio que isso possa dizer muita coisa do humano]
Quando escreve, gosto de ler os comentários. E aprecio muito quando o Pedro tem qualquer coisa para dizer. Gosto disso.
Não invejo a sua felicidade, prefiro aprecia-la, dar conta que ela existe. Que a felicidade é possível mas, as vezes, quase leio nos comentários quem tenha inveja. E entristece-me porque esta rapariga trabalha para aquilo que tem. Eu valorizo muito quem trabalha para a sua felicidade, quem trabalha muito para ter o que quer.
Achei que eu tinha que fazer este destaque, antes da derradeira decisão de acabar com o blogue, ou remodelar isto. [Se remodelar, como eu disse, vou ter de limpar a barra de blogues, mas hei-de lá colocar o da Joana.]
Não sei se a Joana alguma vez verá o que escrevi sobre ela, e também não é importante para mim que ela saiba que lhe andei a publicitar o blogue. É importante haver exemplos de quem não fique a olhar " pra ontem", como eu fiquei.
Não sou de lhe comentar os posts porque andei dois anos adormecida, de luto; passei a estar mais espevitada há coisa de dois meses. Não comento habitualmente no seu blogue, mas ficam-me muitas palavras no coração, outras são o avivar de momentos felizes que também estiveram adormecidos. Demorei muito neste estado letárgico; tempo demais. Começo a acordar para a vida outra vez, porque ela passa e já não vamos a tempo... e tal como a Jona, também eu tenho medo da morte. Só ãao sou tão ferverosa pelo Sporting como ela.
A Joana é uma mulher de coração verde, apaixonada pela vida.