sexta-feira, 11 de janeiro de 2019
Diário da gratidão | 10. 01.2019
Estou grata por ter pessoas que verdadeiramente se preocupam e acarinham.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2019
Imprevistos do final do ano
Com a cirurgia marcada para o dia logo a seguir ao Natal, comecei a fazer os preparativos no início de Dezembro, para o internamento e para a baixa que já estava decidida pelo médico, que tinha que ser.
Avisei somente as pessoas que tinha que avisar e não fiz grande alarido do caso. Avisei a administração da empresa, com quem trabalho directamente. Sei de quem não ficou agradado por não saber, mas não lamento não o ter dado a conhecer. Não é alguém a quem eu tenha que dar satisfações. A pessoa em causa gosta muito de ser a primeira a saber das notícias, para depois ser o arauto, enunciando que soube primeiro que qualquer um. Não tenho que contar tudo ao mundo.
Os meus pai souberam quando tinham de saber, porque eu não quis dramas. Confesso que estive para não lhes contar, mas era muito mau se algo acontecesse. O meu marido estava contra se eu o tivesse feito. Dou-lhe razão agora.
Eu sou daquelas pessoas que fico extremamente nervosa só por ouvir falar em "medir a tensão". Aliás eu sou bastante nervosa, principalmente com avaliações, sejam elas de que natureza forem. É um stresse que me prejudica sempre. Ir ao médico é uma coisa que me deixa extremamente nervosa e nunca corre bem. Na empresa faço um drama quando há aquelas idas obrigatórias ao médico para avaliação dos colaboradores. quero se sempre a última, e se me deixassem não ia. Sou portanto uma utente difícil.
Ainda não estava nervosa a uma semana da cirurgia. Não tinha pensado muito no assunto e achava que estava tudo sobre controle. Eis que um sábado à tarde, de chuva, consegui dar um grande "esbardalhanço" por não notar um declive; pus o pé em falso, julgava o chão mais perto; com a mala numa mão e o chapéu de chuva na outra, caio estatelada e ganhei uma luxação no dedo e um joelho esfolado (que só me doeu muito depois, mas que ainda arranjou uma pequena infecção).
Meio mundo a querer pôr-me o dedo no lugar, e eu só olhava para o dedo virado ao contrário e questionava o meu marido: agora tenho de ser operada? eu não posso ser operada! ele calmo e sereno, e lá fomos ao hospital. Voltei a ter o dedo no lugar, e uma tala até ao dia da cirurgia anteriormente marcada.
Fui levando a coisa entre piadas e bom humor, e sempre a pegarem comigo, por ter o dedo sempre espetado… mas que me foi dando sempre alguma preocupação. ainda hoje é o que está a acontecer. estou quase boa da cirurgia mas do dedo ainda vou ter aqui muito mais que "dois dedos de conversa".
Conclusão: nada como um imprevisto de um dedo que me dói, e não é pouco, para esquecer o nervosismo de uma cirurgia complicada. A minha preocupação era tanta a de ficar com o dedo bom antes da cirurgia, que esqueci tudo o resto.
Claro que o cirurgião tem todo o mérito nisto de ter corrido bem, mas comigo sendo nervosa, acho que não teria sido assim tão fácil!
há males a acontecerem por bem. mas eram dispensáveis.
domingo, 6 de janeiro de 2019
Diário da gratidão | 06.01.2019
Estou grata pela lareira acesa, pela mantinha , o chá e o sofá.
Lá fora estavam cinco graus às 20 h. Nem sei quantos estarão agora.
Estou grata pelo calor do meu lar nesta noite tão fria.
Retomar o equilíbrio e ser mais positiva
Para o meu pai qualquer contrariedade é um drama. A minha mãe é uma pessoa, na maior parte das vezes, demasiado pragmática. Vivi com eles até ir para a universidade - continuando a sofrer da influência de ambos, embora de forma mais distanciada - e quando regressei da universidade, outros dois anos.
A verdade é que, às vezes, não somos nem sentimos outras coisas, ou não somos mais ou menos autónomos porque resultamos da educação dos nossos pais. Nós somos o resultado da mistura dos dois gametas, onde é a probabilidade a funcionar, e a influência deles.
O casamento dos meus pais está muito longe de ser um bom exemplo. O meu pai é uma pessoa muito difícil e ultra conservadora, com os seus dramas sempre à flor da pele. A minha mãe é dura, uma lutadora, pouca dada a perder tempo com dramas e muitas choradeiras, com uma visão muito vanguardista das coisas.
Viver no meio disto, não foi fácil. Com o tempo e o meu casamento, afastei-me um pouco da influência emocional deles. Fiquei muito autónoma deles, evito contar coisas da minha vida, porque, de um lado, tenho um drama, do outro, tenho o lema do pragmatismo sem grandes floreados. Preciso de um certo equilíbrio entre as duas coisas. O meu irmão conta tudo, principalmente à minha mãe. O mesmo acontece com o meu marido que, já não tendo mãe, gosta muito da minha. Entendem-se bem. Aliás, quando comento qualquer sobre a minha mãe que não apreciei, que me doeu, ele quase sempre diz que eu falo "de barriga cheia". Acho que o entendo.
A minha cunhada diz que a minha mãe é uma mulher "de meninos", que não percebe nada de raparigas
É dificil ser-se optimista numa casa de extremos. Mas fui aprendendo a trabalhar alguma coisa nisso, e obriguei-me por outras razões, a faze-lo em terapia.
Neste interregno de dois anos, nao fui optimista nem pessimista. Nem sei bem o que fui. Andei ao sabor do quotidiano.
Assumo que a chegada aos 40 me fez pior do que eu pensaria. Nunca achei que envelhecer me preocupasse. Quando falo nisso, refiro-me a rugas e cabelos brancos. Isso nunca me preocupou. Mas a chegada dos 40 fez me muito mal psicologicamente. Nao estava preparada para largar a luta, resignar-me ao factos. Eu achava-me bem resolvida, com tudo controlado. Talvez a tentar ser dura comk a minha mãe.
Os 40 foram o fechar de uma luta com 11 anos. Foi matar decididamente um assunto, porque a idade o impõe , assim mesmo. Achei que era mais forte que isso, mas dei agora conta, há dois meses, que andei dois anos às voltas com o luto, com a perda. Com a dureza qud tinha encarado as coisas. Temos de nos permitir chorar todas as perdas e seguir em frente. Eu nao me permiti isso. Só agora. E foi demasiado tempo.
Os 40 foram o fechar de uma luta com 11 anos. Foi matar decididamente um assunto, porque a idade o impõe , assim mesmo. Achei que era mais forte que isso, mas dei agora conta, há dois meses, que andei dois anos às voltas com o luto, com a perda. Com a dureza qud tinha encarado as coisas. Temos de nos permitir chorar todas as perdas e seguir em frente. Eu nao me permiti isso. Só agora. E foi demasiado tempo.
Nunca dividi esta luta com os meus pais. Fiz questão que assim fosse. Sucumbir aos dramas do meu pai, ou ao pragmatismo exacerbado da minha mãe iria tornar o meu caminho mais penoso. Sou má a lidar com as emoções deles quando as minhas já são dificeis de digerir.
Gosto muito dos meus pais, a eles lhes devo o que sou, de bom e de mau, contudo no meio dos dramas e pragmatismos deles eu fui pondo-me de fora, ao ponto de ser incapaz de lhes pedir qualquer ajuda.
Assumo que isso as vezes me dificulta a vida, mas prefiro continuar de fora dos dramas e atitudes secas. O equilíbrio é a melhor coisa e há que trabalhar por ele.
E é isso que procuro. Que vou conseguindo encontrar. E por isso tenho conseguido tomar decisões com alguma leveza e sabedoria, sem grandes dramas, com sabedoria q.b.
[Este post era para contar como decidi tomar uma decisão sobre a cirurgia; depois isto toma outro rumo, e falo de tudo menos o que pensei...]
sábado, 5 de janeiro de 2019
Diário da gratidão | 05.01.2019
Como Touro assumo que dou muita importância ao conforto material e financeiro. Trabalho para algumas das coisas que considero importantes, para ter conforto, qualidade de vida. Assusta-me ficar "descalça" nos momentos difíceis.
Penso a longo prazo.
Hoje estou grata pela possibilidade de ter acesso a cuidados de saúde, infelizmente inacessíveis a muita gente. Penso nisso muitas vezes. Às vezes os problemas de saúde das pessoas agravam-se por uma desajustada resposta no tempo. Se tudo pudesse ser mais fácil, evitava-se tanta desgraça.
Estou grata por ter conhecido um cirurgião fantástico, que me deu confiança para avançar e a quem eu confiei a minha saúde. Está a ajudar-me a conseguir alguma qualidade de vida que julgava perdida. Tenho essa possibilidade e estou grata por isso.
Hoje houve revisão da cirurgia, e as coisas vão bem encaminhadas. Entre marcar a cirurgia e a mesma acontecer passaram menos de trinta dias e fui eu que escolhi o dia.
Estou grata por estar tudo a correr bem.
Diário da gratidão | 04.01.2019
Estou grata pela coragem que senti hoje em mudar; não ter medo da opinião dos outros, por ter receio dos comentários parvos.
Há 23 anos que não fazia isto. Hoje foi o dia de deixar os cabelos compridos e ter um corte radical.
Estou grata por gostar de me olhar ao espelho e gostar do que vejo ( mesmo que os outros não gostem).
(Estou estupidamente eléctrica que nem consigo adormecer. Lembrei-me que não tinha tomado o anti-histamínico. Pode ser que agora acalme...)
quinta-feira, 3 de janeiro de 2019
Antes que isto se fine, falarei da Vida. Bonita. De alguém bonito.
Estou a tentar tomar uma decisão radical, contudo não sei bem o que fazer a este blogue. Grande parte dos blogues que estão na barra lateral já não escrevem nada assiduamente - devia actualizá-la - mas vivo sempre na esperança (cada vez que abro isto) que voltem a escrever e que eu, por antes gostar tanto de os ter lido, possa perder pitada. Ou fecho isto ou tenho mesmo que fazer uma grande remodelação,o que incluirá fazer uma limpeza geral...
Enquanto não decido o que fazer, e antes que eu quebre uma promessa feita a mim própria, queria escrever sobre um blogue,ou melhor, sobre alguém que de certa forma me tem incutido uma outra forma de ver algumas coisas na vida, para melhor. Também ajudou a criar um estranho hábito, antes de dormirmos, cá em casa.
Às vezes, confesso, nas pausas do trabalho ou quando as chamadas são chatas, abro o Sapo, leio as "gordas" e volto a fechar e a regressar ao trabalho.
Talvez por o bichinho dos blogues já morar cá há 10 anos, é impossível descurar os destaques do Sapo nesta temática.
Foi assim que conheci um blogue do Sapo, ainda em 2017. Em Outubro, talvez. Mas o blogue já existe desde 2016, acho eu.
Quando começou a ser destaque frequente no Sapo, passei-o para os Favoritos no Chrome. Ao final do dia, mesmo que não tivesse tido tempo para ir ao Sapo, mesmo que não tivesse sido destacado, ali estava, mesmo ao jeitinho de dar um clique nele. E ler. E rir-me sozinha, porque na maior parte das vezes, a escrita e os acontecimentos relatados resultavam numa explosão de gargalhadas. Com o tempo, o hábito e a escrita que se foi aprofundando, o blogue que passei a ler todos os dias e, por diversas vezes ao dia, começou a despoletar outras reacções: lágrimas frequentes de emoção, nostalgia, recordações, valores e princípios meio adormecidos.
Quando comecei a ler o blogue muitas das histórias eram relacionadas com o Vasco; depois veio a Alice. O Pedro apareceu uns meses mais tarde, e a Mariana que não demorará muito mais a chegar.
O blogue chegou a ser viciante; foi visitado por mim várias vezes ao dia ( e mais tarde, cheguei a perceber na leitura de comentários que havia muitos mais como eu que queriam ver como a história da Joana e do Pedro ia acontecer). Acho que os leitores foram todos apanhados de surpresa com a notícia do casamento.
Quando comecei a ler o blogue, a escrita escorreita, livre, simples e muitas vezes peculiar, fez-me avaliar mal a pessoa que o escrevia. Avaliei mal os traços gerais de quem o escrevia. Quando eu inicialmente pensei que a pessoa nao devia ter mais do que 23 anos e que estava a tentar ter alguma graça, tive, após leituras mais frequentes, de dar a mão à palmatória, e reconhecer o meu erro. Cometi vários erros de avaliação, pouco costumeiros do meu apurado sexto sentido.
O que os blogues antes tinham de fascinante, era o anonimato e o que as pessoas deixavam antever pelo que não era explicitamente dito; dizia um pouco do que eram. Foi-me muitas vezes fácil adivinhar estados de alma e outras características das pessoas, pelo que diziam no meio das palavras escritas. Era a magia das palavras a funcionar. Aqui o tiro saiu ao lado. Passei a perceber que era uma miúda muito singular aquela que escrevia. Madura. Vivida. Que de parva não tinha nada. Passei a gostar dela sem nunca a ter conhecido. Depois veio a filha. Com um nome que eu gostaria de ter posto a uma, se alguma dia essa oportunidade miraculosamente surgisse. E depois tudo o resto, repentino, certeiro, com o feitiço do amor à mistura.
Gosto das suas histórias do dia-a-dia, da sua ingenuidade noutras, da sua valentia, do atirar-se para a frente sem medo, sem pensar muito nas consequências, do ir à luta e de dar luta, da sua infinita paciência com o sr. Ludovino, da sua capacidade de se rir de si própria, da sua objectividade e perseverança. Do seu sentido de família, do muito amor que tem e que recebe, da sua imensa grandiosidade enquanto pessoa, da sua infância feliz e cheia de bons exemplos. Cheia de bons valores onde me revejo. Da sua energia louca que ja me fez lembrar de mim e que, quase me esqueci. E descobri outra forma de analisar as coisas que nos acontecem na vida. Aprendi resiliência. acumulei sabedoria. Comecei devagar a erguer os braços, fazer-me à vida, em lugar de continuar adormecida. A vida nao corre como foi programada? Paciência... é seguir em frente. Lamber feridas q.b. e depois fazer-nos à estrada da vida.
Depois, as histórias do Vasco (e não só) eram/são tão hilariantes, que tive de passar a partilhá-las com o meu marido.
Agora tornou-se um hábito, um vício, esse de ler em voz alta,na cama, os posts da Joana. As vezes, como ja tenho lido o post do dia, se a história me toca particularmente sou a primeira a falar no assunto com o marido. A maior parte das vezes, já na cama, quando o cansaço está prestes a engolir-nos num sono profundo, e muitas vezes já de luz apagada, ele lembra-se e diz: e o Vasco?
E lá vou eu ao blogue de que tenho estado a falar. O quiosque da Joana.
As vezes, damos por nós, antes de dormirmos, a rir até faltar o ar; outras vezes, emocionamo-nos, comentamos acerca do assunto; outras vezes, acho que ele adormece antes que acabe de ler, não porque não tenha interesse, mas porque o cansaço vence. No dia seguinte sei que terei de voltar a ler, porque adormeceu, mas néo quer perder pitada.
Não tenho por hábito escrever sobre outros blogues. Antes havia quem o fizesse para projectar o seu próprio blogue. Não passei a falar do Quiosque da Joana para ressuscitar um blogue moribundo como o meu. Falo dela porque passei a gostar muito dela. O que lhe lemos é só uma parte daquilo que é, e sou realista que também ela terá o seu lado "negro". Mas deve ser muito fácil gostar dela. Apaixonar-se por ela.[quando um animal ama incondionalmente um humano, creio que isso possa dizer muita coisa do humano]
Quando escreve, gosto de ler os comentários. E aprecio muito quando o Pedro tem qualquer coisa para dizer. Gosto disso.
Não invejo a sua felicidade, prefiro aprecia-la, dar conta que ela existe. Que a felicidade é possível mas, as vezes, quase leio nos comentários quem tenha inveja. E entristece-me porque esta rapariga trabalha para aquilo que tem. Eu valorizo muito quem trabalha para a sua felicidade, quem trabalha muito para ter o que quer.
Achei que eu tinha que fazer este destaque, antes da derradeira decisão de acabar com o blogue, ou remodelar isto. [Se remodelar, como eu disse, vou ter de limpar a barra de blogues, mas hei-de lá colocar o da Joana.]
Não sei se a Joana alguma vez verá o que escrevi sobre ela, e também não é importante para mim que ela saiba que lhe andei a publicitar o blogue. É importante haver exemplos de quem não fique a olhar " pra ontem", como eu fiquei.
Não sou de lhe comentar os posts porque andei dois anos adormecida, de luto; passei a estar mais espevitada há coisa de dois meses. Não comento habitualmente no seu blogue, mas ficam-me muitas palavras no coração, outras são o avivar de momentos felizes que também estiveram adormecidos. Demorei muito neste estado letárgico; tempo demais. Começo a acordar para a vida outra vez, porque ela passa e já não vamos a tempo... e tal como a Jona, também eu tenho medo da morte. Só ãao sou tão ferverosa pelo Sporting como ela.
A Joana é uma mulher de coração verde, apaixonada pela vida.
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