quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Quando a ferida volta a abrir

E porque não adopta?

Foi esta a pergunta que o médico me fez, ontem, depois de mais uma de muitas vistorias ao nariz, enquanto falávamos na vida.

Respondi aquilo que já respondi à médica de família quando ela me aborda o assunto: tenho medo de não saber amar.

Amar aprende-se! ambos me responderam.

Eu sei que há a outra parte da frase que eu guardo para mim:  tenho medo que a criança não me ame, tenho medo de não saber ser mãe. Afinal é-me confiada uma criança que não tem nenhum elo comigo.

Sei que o meu marido pensa muito nesse assunto; vejo nos seus olhos o brilho de esperança que eu possa estar finalmente preparada para essa hipótese, quando eu conto que me falaram nisso. Mas respeita e não insiste, quando digo que não sou capaz. Vejo que o brilho se apaga. 

Amar uma criança é uma enorme responsabilidade. Amar uma criança a quem já falharam uma vez, é responsabilidade acrescida. Nenhuma criança (nem ninguém) merece ser mal amado.

Também escondo dentro de mim que, apesar de estar a perder a validade, um dia o milagre acontecesse. É a réstia de esperança a falar. E com isto posso contar pouco.

Como dizia o médico ontem, ter um filho é permitir que os nossos sentimentos sobre a morte não prevaleçam sobre as alegrias da vida. Há os que já partiram mas há quem precise muito de nós e nos apazigue as perdas.

(assumo que ando a caminhar sobre uma falsa serenidade sobre este assunto, porque a ferida volta a abrir e eu vou-me abaixo, como agora, que as lágrimas correm em bica.) 

Não aceito

A morte é "demasiado" eterna para eu a conseguir aceitar.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Acho que são as duas coisas o que me atormenta

Não é da morte que temos medo, mas de pensar nela.
Sêneca

Hoje a morte levou [prematuramente] uma pessoa que surgiu mais recentemente - de um modo mais presente - na minha vida. Não serei capaz de esquecer o seu ar brincalhão, ou o riso que tinha perante a vida. Quando nos começam a entrar muitas pessoas pela vida dentro, maior é o nosso vazio quando partem. Esta partida vai deixar um vazio grande a muita gente. Há coisas que já não serão como antes. Nunca mais. 
Descansa em paz, PJ.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

A velha questão do vinho do Porto

Tenho uma amiga que acaba de fazer quarenta. Também ela acha que metade do caminho já está percorrido, e a outra metade que se pode seguir já não auspicia tanto como a que já passou.
Conversa puxa conversa, acabámos por concordar que a idade também nos traz outros gostos, outras formas de apreciar. 
Os homens de vinte parecem-nos uns miúdos. É se antes os homens de quarenta nos pareciam descuidados, sem grande interesse, agora parecem muito mais apelativos, bem cuidados e mesmo com os seus cabelos já a puxar para o grisalho têm um charme de cortar a respiração. Conheço uma meia dúzia com quem lido quase diariamente e até percebo que alguns tenham consciência do sexappeal que emanam. 
Os homens mais novos agora deram em se tornar adeptos da barba crescida que, quanto a mim, lhes dá um ar um tanto chungoso. 
A idade definitivamente apura os gostos das mulheres e deixa alguns dos homens ainda melhores. 

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Quando se conhecem os sintomas e se diagnostica a doença

Estar apaixonada (o).Não é necessariamente uma coisa boa.
Por muito que aconchegue a alma há coisas que devem ficar sossegadas.
Não alimentar a chama até que se auto-extinga.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Guilty pleasure

Quando era miúda, a minha mãe nunca nos deixava comer uma banana como remate de uma refeição. Não eram baratas como hoje são e, portanto, não podiam ser desperdiçadas como sobremesa.
As bananas eram aproveitadas como lanches, esmagadas dentro de um pão.

Talvez por isso e, contrariamente a outras pessoas que adoram molhar pão com manteiga no leite (blhec!) e comer em bocarradas, eu adoro comer pão com banana e acompanhar com leite quente com chocolate de uma determinada marca.

Coisas de infância que, de vez em quando, me saciam a até a alma. [agora menos, pois, por questões de saúde, ando a fazer o desmame do leite; mas não deixa de me fazer água na boca só de pensar.]

Será que há alguém com um guilty pleasure idêntico ao meu? Mixórdias improváveis?

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Diário da Gratidão | 06.02.2019


Não sou habitualmente de acreditar em sorte, apesar de usar, como toda a gente, alguns clichés com a palavra incluída. 
Nem em mão de Deus.Não acredito.
Não acredito em sorte porque acho que tudo o que nos acontece é resultado do nosso trabalho e das nossas atitudes.
Grande parte dos nossos valores são ditados pela religião que vai passando de geração em geração. A religião serve para nos modelar e apaziguar. Deus, seja Ele qual for, a existir, não deve intervir muito na existência humana. E, batendo com a mão no peito [ mea culpa, mea culpa], eu assumo que, às vezes, a religião me dá esperança, quando tudo o resta falha. E se Deus me estiver a ouvir, que me perdoe este bocadinho de hipocrisia que denuncio.
Mas pouco mais me quero adiantar quanto a estas minhas ideias. Respeito as crenças dos outros. Tenho as minhas, que também agradeço que os outros respeitem.
Não acredito que nenhuma das duas [sorte ou Deus] tenha o papel principal no que nos acontece. Somos nós quem tem a faca e o queijo na mão, em cada uma das decisões que tomamos.
Contudo, tendo acabado de dizer que não acredito em Deus ou na sorte, não sou capaz de explicar – porque resultaram de factos aleatórios, que não controlei [eu, que não deixo as situações habitualmente derraparem]- um caminho que tenho vindo a percorrer cheia de coisas e pessoas que nunca contei que me pudessem dar uma volta à vida. Pô-la a correr sobre rodas.

Não tenho escrito o meu diário de gratidão, porque além das coisas comuns que sou grata todos os dias, não tem havido grandes registos para fazer. Das comuns lembrar-me-ei sempre. As diferentes, são as que ficam registadas.
Casa, trabalho, consultas e pouco mais. Nada que mereça grande destaque.
Todavia, hoje tenho de estar grata por algumas pessoas que me têm aparecido na vida, nos últimos tempos – por sorte, por mão de Deus, por seja lá o que for – que me têm dado outro ânimo para a mudança. Ontem tive oportunidade de estar à conversa com uma pessoa que estou muito grata por conhecer – e isso simplesmente aconteceu, aleatoriamente. Se já tinha a minha admiração, ontem conseguiu passá-la a um nível diferente. Estou grata por existirem pessoas novas e fantásticas a entrar na minha vida. Que fiquem por boas razões.