domingo, 3 de março de 2019

Quando, por momentos, somos a vedeta

Nada como ter uma uma atitude bem disposta quando eu, uma mulher dos anos 20, deixo o colar de pérolas preso na caixa registadora, quando estou debruçada, e ao erguer-me o resultado são múltiplas pedras e pedrinhas a rolar pelo chão. Há quem teime em ajudar e é ver umas quantas pessoas quase de rabo para o ar atrás das ditas pérolas falsas.

Tirando este incidente - em que, quem viu, não pode deixar de sorrir - a minha fantasia foi um sucesso. Os elogios rasgados que ouvi chegaram a deixar-me sem fala. Acho que acima de tudo, as pessoas que julgavam conhecer-me não me viam mascarar no Carnaval, muito menos desta forma tão... Sexy.

Há quem me tenha vindo abraçar e dizer que gosta de me ver por aqui. Acham que o meu lado bem humorado e divertido despertou agora. Não podiam estar mais enganados.

Parece que também sou invejada por conseguir andar todo o dia em saltos altos. Isto tem custos que eu resolvi pagar só para não estragar a performance. 
Foi bom ter encarnado a personagem. Mesmo! 

Mesmo com tudo de bom, continuo a ter ideia que isto não é para mim. Por ter demasiado sentido do ridículo ou de me sentir ridícula. 

O melhor do Carnaval

O pão com chouriço acabado de fazer...

Que maravilha.

Foi pior ter dormido

Estou morta.

Só ainda não foi declarado o óbito.


Uma mulher vintage com o sono atrasado

7:32h

Olho-me ao espelho. Ainda não fui à cama porque a cabeça passou, de repente, a trabalhar a mil e o sono eclipsou-se.

Aprecio a imagem reflectida. Penso com os meus brilhantes: se um dia eu tiver a triste ideia de pintar o cabelo de loiro platinado, que me caia uma bigorna em cima.

Andei toda a semana  magicar o vestido dos anos 20. Comprei alguns acessórios e resolvi fazer outros. Já tinha decidido usar um vestido preto comum, embora não o apreciasse muito pela transparência.
Quando cheguei a casa há pouco, não sei se foi da noite nao dormida, se do quê, acabei por ter um ataque de criatividade.

Do vestido vintage vermelho tirei lhe as mangas. Apliquei a franja preta na bainha, espalhei lantejoulas pelo vestido. Atrás o vestido tem uma abertura generosa mas não retira beleza ao figurino. Experimentei por a peruca louro platinada, que contrasta fortemente com as minhas sobrancelhas pretas. A fita no cabelo, as luvas pretas e a boquilha. Colar de pérolas ao pescoço... Olho-me ao espelho e gosto.

Agora estou mesmo pronta para a festa. Espero que os collants com o risco atrás me fiquem a matar, a liga preta na perna e os sapatos de salto preto. Ou vermelho. ainda vou decidir.

Estou satisfeita apesar da noite em claro. Parece que, depois da noite sem sono, veio uma manhã de João Pestana. A ver se durmo alguma coisa. Às nove já tenho que me levantar.


1a noite - o carnaval são 3 dias

5:30h

Acabo de chegar a casa. Banho tomado. Pregar olho, não há maneira. 

Não se facturou mal. Ainda tive uma chatice com um gajo e os pedidos de água quando estava perdido de bêbedo. Tudo controlado mas ainda me chamaram um guarda-costas. Para quê? Para por o fulano na linha, isto é, na rua. Achei a atitude exagerada, mas está bem, o seguro morreu de velho.
Depois há os abusos do álcool. Não os meus, os dos outros, e as idas para o hospital para sairem do coma. E uma pequena cena de pancadaria, que se resolveu rapidamente.

Depois já não sei mais. Mas não deve ter ficado por aqui.

Definitivamente trocar os dias pelas noites não é para mim. Sou uma mulher de dias , de sol, de luz. E de uma noite retemperadora de sono. Esta já passou e eu perdi-a.  

Agora tenho que esperar pela próxima. 


sexta-feira, 1 de março de 2019

ao meu melhor amigo, desejo o melhor

Andei todo o dia a lembrar-me de lhe dar os Parabéns, mas o dia foi cheio. de coisas boas e de menos boas. A cabeça estava em vários sítios e com sentido em várias pessoas ao mesmo tempo. Liguei-lhe já eram nove e meia da noite e senti-me mal por só nessa altura ter disponibilidade para lhe ligar. Ele não merece que este dia seja passado em branco. só lhe desejei um resto de boa noite muito feliz.

Normalmente tenho uma memória demasiado boa para esquecer as datas de aniversário. estupidamente, guardo tanta coisa no cérebro que é pura ocupação de espaço de memória.

O meu amigo do coração faz hoje anos. Conheci-o há uns atrás por circunstâncias que não acho necessário descrever. Temos nove anos de diferença. ele é mais velho. é o meu anjo cuidador. com ele falo de tudo. deve ser a pessoa com quem mais à vontade tenho. quando o conheci percebi que ele queria ter um papel importante na minha vida; ele têm-no. Mas não é o mesmo que ele quer desempenhar. faço de conta. tento fazer-me despercebida. Tento que valorize a relação que tem com outra pessoa.

Contrariando o Rui Veloso que, em O anel de Rubi, diz que não se pode amar alguém que não ouve a mesma canção. Não escolhemos a quem amar. Mesmo que ouçamos a mesma canção.

Amo-o como um amigo. gosto dele. [o nosso português permite esta distinção entre gostar e amar]. ele tem sempre um bocadinho para me ouvir quando venho na viagem de regresso, depois do trabalho. Ele arranja sempre justificação para as minhas doideiras, apoia-me nos meus momentos maus. Vive um pouco as minhas paixões e, em prol das minha felicidade, alimenta-as para que eu seja feliz. Incita-me que eu lhe conte tudo, timtim por timtim. vejo nisso uma espécie de masoquismo (pouco saudável). 

sei que me adora, que me quer muito bem. é uma das pessoas boas que a vida me deu.

Parabéns ZC. nunca me esquecerei de ti. Amigos bons são para preservar. Nunca me canso de te agradecer o facto de seres O meu amigo. Um dos mais queridos.


muita agitação

Acho que é a primeira em uma semana (ou, se calhar, em duas) que consigo estar de pijama vestido antes das duas da manhã. Noites houve que nem sequer fui capaz de o vestir, me parece. Caí redonda na cama.

Esta semana, isto tem sido mesmo duro. O Carnaval e as pessoas nele envolvido têm-me dado que fazer.

Hoje pensava que estava escalada para serviço de bar, mas afinal enganei-me. As coisas só começam a bombar amanhã.  Já andava a antecipar a coisa um dia. Isto está mesmo mal; devia lembrar-me porque fui eu que fiz a escala.

Ainda tenho tempo para acabar a fatiota de Carnaval. E dormir. Para fazer uma lista de coisas urgentes. E dormir.

Ou não.

Aposto que amanhã, logo depois das seis horas da manhã, não vou conseguir pregar olho. O hábito de levantar cedo não se pode desligar ao fim-de-semana. É pena.