quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

já foi pior

mas ainda custa um bocadito a passar...
[Via Pinterest]

e um ano passou...


[Via Pinterest]


faz hoje um ano que a porta à mudança se começava a entreabrir. Havia uma promessa no processo: a qualidade de vida ia melhorar. eu só não imaginaria o que ainda estaria para vir.
Todos os dias agradeço por ter perdido o medo. Todos os dias penso que nada acontece por acaso. e estou ainda mais atenta às coisas em meu redor. para aprender. para aproveitar. para abraçar o que aí vem.

[e quando estiver organizado melhor as ideias para não esquecer nada, hei-de fazer o resumo de um ano de, como alguém diz, uma grande metamorfose. e o ano que voltei a escrever depois de dois anos de quase silêncio. a metamorfose e a escrita foram-se complementando.]




quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

O conto de Natal da minha infância

Este será sempre o meu conto de Natal. Sei de cor, frases inteiras, pois desde  que o descobri no livro de Português do quinto ano, reli-o centenas de vezes. Por gostar tanto dele. E devo gostar tanto, tanto que ao lê-lo agora, em voz alta, me cai uma lágrima pela cara abaixo. 
Consigo, ver-me há muitos anos atrás, a fazer as falas diferentes das personagens e a conta-lo ao meu irmão. Eu, que naquela altura, era uma menina sonhadora, que achava que era fácil mudar o mundo, bastava querer. Às vezes, essa menina ainda aparece, mas rápido tem a noção que não basta apenas que ela queira, para que o mundo mude... 

Ao fim de muitos anos consegui encontrar  conto em formato digital, que quero aqui deixar registado. Porque tanbem faz parte da magia em que ainda vou acreditando. 



AS FILHÓS DO NATAL

Era uma vez uma velhinha que morava na última casa da aldeia, e como sempre acontece às pessoas que vivem sós, costumava pensar em voz alta.
O tempo do Natal estava a chegar e a velhinha certo dia lamentou-se:
— Ai, já amanhã é a véspera de Natal e pela primeira vez na minha vida não vou comer filhós!
Mas como havia eu de as amassar? Não tenho força nestes braços para pegar na abóbora que está em cima do muro... Não posso subir a uma escada para apanhar laranjas... 0 reumatismo
não me deixa ir ao moinho buscar farinha, nem à loja comprar azeite... Para mais, as malucas das galinhas escondem as ovos lá pelos campos... E o mel acabou-se quando me constipei e tive de o tomar às colheres para curar a tosse.
Dizia aquilo, mas bem se via que estava triste, porque gostava muito de filhós.
Todos os velhinhos gostam de coisas doces. Naturalmente porque já têm poucos dentes e os doces derretem-se na boca sem ser preciso mastigá-los.
Um cão que passava em frente da casa, ouviu-a e ficou cheio de pena.
- Coitada da velhinha! Se eu pudesse, ajudava-a...
Olhou para o muro e viu a abóbora grande, redonda, cor-de-rosa.
— Sou muito bem capaz de a atirar ao chão — ladrou o cão lá para consigo. – Assim soubesse trepar às árvores que também lhe apanhava as laranjas.
Foi então que se lembrou do gato que andava em cima do telhado e chamou-o:
-Ó gato, queres ajudar a velhinha a fazer filhós?
- Eu?! De que maneira?
- Podes trepar à laranjeira e apanhar-lhe duas laranjas.
0 gato miou logo que sim, e o cão contou-lhe o que também pensava fazer.
- Bom, mas ainda falta a farinha.
- Pois falta! - ladrou o cão.
- Há por aí um rato que deve conhecer todos os cantos do moinho e pode arranjá-la. Vou falar com ele.
E o gato pôs-se à procura do rato.
Não foi difícil encontrá-lo, a espreitar à entrada do seu buraquinho.
Ó rato, queres ajudar a velhinha a fazer filhós?
- Eu?! De que maneira?
- Podes ir ao moinho e trazer-lhe farinha.
O rato soltou dois guinchinhos que queriam dizer "sim, sim", mas perguntou por sua vez:
- E o azeite?
- É verdade! Falta o azeite ainda.
- Eu conheço uma coruja que mora na torre da igreja. Talvez ela consiga arranjar algum. Vou pedir-lho.
E o rato meteu por um carreirinho que ia ter à igreja da aldeia. Subiu os degraus da torre, e lá no alto foi encontrar a coruja a dormitar. Chamou por ela:
- Ó coruja, queres ajudar a velhinha a fazer as filhós?
- Eu?! De que maneira?
- Podias dar-lhe uma pinguinha de azeite.
- O azeite não é meu, é de Nosso Senhor; mas como é para a velhinha festejar o Natal, tenho a
certeza de que Ele não se vai importar. Que eu para mim nunca Lhe bebi nem uma gota,apesar do que muita gente pensa a meu respeito.
- Bom. O azeite está garantido.
- Sim, mas então os ovos? - piou a coruja.
- Pois é, faltam ainda os ovos, mas as malucas das galinhas escondem-nos bem escondidos.
- Talvez o milhafre que vê muito bem ao longe possa dar um jeito. Nós ainda somos parentes; vou falar com ale.
E a coruja foi em busca do milhafre. Custava-lhe um bocado a aguentar nos olhos a claridade do dia a que não estava habituada, mas para ajudar a velhinha, valia a pena o sacrifício.
Lá muito no alto, ao pé das nuvens, viu um milhafre a peneirar, de asas abertas. Peneirar, chama-se ao voo quase parado dos milhafres, quando andam à procura de caça.
- Ó milhafre! - gritou a coruja. Tu queres ajudar a velhinha a fazer as filhós?
- Eu?! De que maneira?
- Vê se descobres o sítio onde as galinhas escondem os ovos.
- Está bem — respondeu o milhafre. Mas onde se vai arranjar o mel?
- É verdade! 0 mel...
Deixa que eu pergunto às galinhas se por acaso viram alguma abelha.
Enquanto a coruja voltava para a sua torre, o milhafre começou lentamente a descer lá dos altos, sempre de olhos bem abertos até que por fim avistou três ovos escondidos numas moitas.
Baixou mais e veio pousar num terreno onde uma galinha depenicava.
- Olá, galinha! Queres ajudar a velhinha a fazer as filhós?
- Eu?! De que maneira?
- Oferecendo-lhe alguns dos teus ovos.
- Com todo o gosto – cacarejou a galinha. – Mas ainda falta outra coisa, que é o mel.
- Já tinha pensado o mesmo. Não encontraste por aí nenhuma abelha?
- As abelhas no Inverno pouco saem do cortiço... Mas agora me lembro de que vi uma delas, meio entorpecida de frio, acolá nas urzes. Assim lá esteja ainda.
E a galinha dirigiu-se ao sítio indicado, pezinho cauteloso à frente um do outro, cabecinha à banda ora virada à direita, ora virada à esquerda.
A abelha continuava, sonolenta e friorenta, poisada numa haste.
- Ó abelha queres ajudar a velhinha a fazer as filhós?
- Eu?! De que maneira?
- Dando-lhe um bocadinho de me! É só o que falta.
– Nesta altura do ano há pouco, mas temos ainda uma pequena reserva, e como é só para uma
pessoa, arranja-se. Vou buscá-lo – zumbiu a abelha, levantando voo com alguma dificuldade.
– Se tens frio e estás cansada, pousa na minha cabeça que eu levo-te ao cortiço – ofereceu a galinha.
– Aceito e agradeço – respondeu a abelha.
Na véspera de Natal, quando a velhinha se levantou foi encontrar na cozinha a abóbora, as laranjas, a farinha, o azeite, os ovos e o mel necessários para fazer as suas filhós.
(Não me perguntem como foi que os animais transportaram tudo para ali. Nas histórias estas coisas acontecem, mas ninguém sabe como...)
– Milagre de Natal! – exclamou a velhinha.
E foi cozer a abóbora, descascar as laranjas, amassar os ovos com a farinha, fritar as filhós… e à ceia enquanto as comia, regadas com mel, repetia sempre:
– Milagre de Natal! Milagre de Natal!
Para mim, o verdadeiro milagre de Natal foi outro: foi o cão não ter mordido no gato, o gato e a coruja não terem querido comer o rato, o milhafre não ter levado a galinha, a galinha não ter
comido a abelha, a abelha não a ter picado e todos, sem desconfiança uns dos outros e em paz, terem juntado a sua boa vontade para que a velhinha pudesse comer as suas filhós na
noite santa de Natal.
 Antoine de Saint-Exupéry

Curiosidades do (meu) Natal

Em quinze anos, recebi da pessoa de sempre e pela quinta vez, ontem, um conjunto de chávenas de café. Sempre feias, que até dói. (Deus me perdoe esta ingratidão, mas mentir também é pecado. Portanto, que seja dita a verdade, doia o que doer.) 
Já podia ter uma rica colecção, não fosse eu ter dado as outras para lojas de caridade. Sempre lhe dão melhor uso que eu... 
Eu gostaria de dizer à pessoa, que não precisa comprar nada, mas acho que levaria a mal...
Venham mais chávenas nos próximos anos. Será bom sinal! 


terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Para comer sem culpa, uma fatiazinha de bolo rei...

Nada como um treino "rebenta tudo" daqui a hora e meia.

Depois, logo virá o bacalhau com as couves, e a tal fatia de bolo rei que comerei sem culpas, a primeira (e talvez a única) do ano.

Se me esforço para dois treinos em menos de 24 horas, não vou vingar-me depois na época festiva, como ouvi muitos, no ginásio, dizerem que iam fazer. Lá pra Janeiro deve estar à pinha... 

Quero acima de tudo terminar o ano, com um comportamento equilibrado. Sem culpas. Com a minha parte feita. Aquela que eu controlo. 

Feliz Natal aos que por aqui passam. E não abusem dos doces. :) 


segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Acho que não consigo adivinhar...

- olha, manda-me uma sms com o nome do perfume!
- qual perfume?
- aquele francês...

Deixa-me cá pensar para que quererá o nome do perfume... Já sei... Vai oferecer - me um relógio, um da One; bem giros por sinal... A ver se eu deixo de me atrasar.

Claro que, quando as pessoas são tão evidentes, nem sabem disfarçar, perde-se logo a magia.
Que venha o perfume, que o meu está quase a acabar e quero voltar a preferências antigas. Dior ou Lancome cheiram sempre bem...
Perde-se a magia , mas antes saber que é um perfume dos meus preferidos, do que desembrulhar e dar de caras com um cão de loiça...



sábado, 21 de dezembro de 2019