sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

não costumo usar


Não sou nada apreciadores de epítetos para identificar as pessoas. Aliás, acho de extremo mau gosto e de uma grande falta de educação.

O director de produção da empresa tem por hábito,  de se dirigir a algumas de nós mulheres, todas com idades para sermos suas filhas, como madames ou mademoiselles. Já não levamos a mal porque tentamos levar a coisa para a brincadeira. Já querendo referir-se a algum colaborador da produção, trata-os por “fadistas”. Coisa mai linda!

Claro que, nas aldeias ainda proliferam as alcunhas, que são coisa que quase parece ser hereditária, porque se o pai era, o filho também é, salvo se se registar um feito de tal ordem grandioso, mas digno de muita piada e com muita vergonha para o próprio, muda de epíteto.

Depois, há aquelas epítetos usados entre nós mulheres, que não aprecio nem sei lidar com nenhum. `Miga e linda são coisas que me fazem confusão. Muita tremenda. Tenho duas amigas que usam comigo este último com frequência, e eu sinceramente acho tão descabido que não sei como reagir.

A empresa teve, em tempos uma brasileira como comercial que tratava os clientes por querido/a. Era maravilhoso também. Um cliente que temos, com os seus 80 anos, adorava. Babava-se todo...

Há os dedicados aos namorados e maridos, que aposto que hoje serão usados por tudo e um par de botas,  o ‘mor - que é outro que me faz uma confusão…

Eu uso os nomes que constam habitualmente dos documentos de identidade. Sejam feios ou sejam bonitos; são aquilo que são. Não ofendem ninguém.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

basta isto.


a minha incompetência social a dar sinais desde mil novecentos e troca o passo

Ando a precisar de ter uma conversa com uma pessoa. Porque ando a sentir-me incomodada com algumas coisas. Ou posso eu estar a incomodar. Ou é tudo fruto da minha cabeça e não se passa nada.

Às vezes, as pessoas não esperam a minha frontalidade, talvez porque eu não sou de levantar ondas com as pessoas de quem gosto muito, mas um dia canso-me e, quando digo o que sinto, amedronto as pessoas, talvez.

Recuando atrás. 

Durante alguns anos, fui obrigada a fazer psicoterapia. Não, não estava doida. A psicoterapia faz falta até ao mais são dos seres. Toda a gente, de vez em quando, deveria fazer uma consulta.

Quando mudei de cargo para o que agora ocupo, entrei numa espiral de sofrimento pelo bulling que recebia por parte de três colegas. Não contava nada a ninguém, mas agia como animal ferido com as pessoas de quem mais gostava. Perante a minha mudez e o facto de não deixar cá chegar ninguém, a minha mãe tomou a resolução de marcar a primeira consulta, para me obrigar a falar com alguém. não admitiu qualquer desculpa da minha parte para eu não ir. Foi a primeira de muitas sessões. Agora faço muito esporadicamente. Quando preciso de pôr as coisas sob perspectiva e não quero partilhar com pessoas que podem ser directa ou indirectamente envolvidos.

Depois de desanuviar de nuvens grossas e feias, a terapeuta conseguiu resgatar-me de uma espécie de inferno interior. Depois foi um reconstruir de tudo o que tinha sido destruído. Ao ponto, de ela me dizer que só eu não via que era uma pessoa-luz. que , por onde passava, não deixava ninguém indiferente. Para o bem e para o mal. Que despertava coisas boas nos outros mas também as más. Porque havia quem não suportasse o brilho.

Sou facilmente irascível, mas rapidamente deixo de ser macambúzia, quando digo o que tenho a dizer. Facilmente, volto ao meu estado de riso e boa disposição.

Outra que me chamou pessoa-luz foi a M.. Também ela acha que eu nunca posso deixar ninguém indiferente com a minha alegria, a minha paixão e compaixão, a forma como me entrego aos outros e aos seus problemas, sem pedir nada em troca. Que sou uma pessoa que os outros querem ter por perto. São palavras dela, não minhas. Estou apenas a citá-la.

Curiosamente, ontem quando cheguei ao ginásio e sentei no banco para me equipar, manifestei a quem estava, que não me apetecia nada. Arrastei-me por ali, a tentar vestir as calças e calçar os ténis. Ontem não tinha compromisso com ninguém, podia demorar-me na troca de roupa. As pessoas à volta foram manifestando estado de espírito idêntico ao meu. Houve quem dissesse que devia ser da lua. Entretanto acabei por rir-me e dizer meia dúzia de parvoíces. e rimo-nos todas. Uma das mulheres que habitualmente costuma estar a arranjar-se para sair quando eu chego– deve ter pouco menos que a minha idade – aproxima-se de mim, e diz-me que já me observa há algum tempo e que eu estou sempre alegre e bem disposta, mesmo que não me apeteça nada. à entrada e à saída. fiquei sem saber o que lhe dizer. sou dessa forma sem dar conta. não me vejo a ser uma pessoa mal disposta por hábito. Pelo contrário. mas fiquei outra vez com aquela etiqueta de pessoa-luz. Há mais umas quantas pessoas que, recentemente, quando chego, me cumprimentam com um sorriso de orelha a orelha e me tratam pelo nome. Obviamente que me sinto acolhida e não encolhida.

E tudo isto, para dizer, que eu tenho todas as condições para ser uma óptima comunicadora, com capacidade para fazer amigos facilmente e ser óptima em relações interpessoais. Só que não. Sou-o apenas nas relações profissionais. Quando as relações começam a ser mais profundas, tenho sérios problemas em saber como agir, ou estou em constante auto-reavaliação, se estou  a portar-me bem ou se estarei a ser inconveniente. Sei quão intensa sou e, às vezes, admito que posso passar uma ideia completamente diferente a outra pessoa do que espero ou sinto por ela. O medo de ser mal interpretada ou manifestar um sentimento que, a outra pessoa pode interpretar de outra forma, leva-me a recuar. A comportar-me de uma forma que pode ser considerada arrogância, quando no fundo, é uma forte insegurança, sobre como saber estar. Sou péssima em relações interpessoais. E se, porventura, alguém me despertar sentimentos mais profundos, se bem me lembro, tenho tendência a tentar camuflar, para que não haja qualquer suspeita do que eu possa estar a sentir. Desde sempre fui assim, pelo medo da rejeição. Mesmo que me digam que o não é garantido, prefiro guardar para mim.

Confesso que me vai custar a conversa que tenho de ter, mas tem que ser. Temo estar a passar uma ideia de uma coisa que não é. e sinto que tenho estado a ter um comportamento algo dissimulado, como se estivesse a pisar ovos, porque não sei como agir. é uma relação que tinha tudo para ser fantástica e produtiva, e está a entrar em declínio. Sinto que não estou a conseguir chegar-lhe, como habitualmente chego a toda a gente. Porque isso já foi possível,  foi uma coisa que aconteceu logo no início, em que houve uma empatia fenomenal. O que terá mudado? fui eu? será que me passei a comportar de forma desagradável sem dar conta?

Acho que não posso adiar mais a conversa. só me está a fazer ficar cheia de dúvidas existenciais. Não acredito que seja da lua. :)

O que estarei a fazer agora de errado? o que posso fazer para mudar? será que conversar afinal só vai estragar tudo, porque depois serei demasiado sincera e amedronto o outro lado?

Acho que preciso tirar um curso sobre comportamento social...




quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Confissão

O tempo está tão mortiço que até me apetece fazer gazeta ao treino. E ir enrolar me numa manta, no sofá, com a TV no 24 kitchen. Ando enjoada e a dor de cabeça não me larga. Era um belo soninho em poucos minutos. 

Mas não pode ser.

o medo da imagem


Nos últimos tempos, tem sido uma grande aprendizagem aquela a que me tenho dedicado, isto de crescer por dentro.

Uns dias progride-se, outros dias o contrário. Como diz alguém que eu conheço e de quem vou gostando cada mais da sua postura perante a vida, às vezes é preciso dar um passo atrás, para dar dois à frente.

Há muito coisa que ainda tenho medo de ser ou de estar; não sei se sempre fui medrosa ou foi o tempo e os outros que me fizeram assim; acho que já nasci velha para o risco. e precavida, sempre a tentar controlar as variáveis que me possam por em causa.

E depois olho para os que me rodeiam, e de vez em quando, também me contam pormenores que não gostam em si que, aos meus olhos, não têm nenhuma razão de ser. Acho que todos somos um pouco exigentes nas auto-avaliações.

Num mundo global, em que deixa o anonimato e passamos a dar-nos a conhecer aqui ou a alguém que está no Japão, é hoje em dia coisa comum. O mundo hoje vive da imagem, do seu poder de sedução. ou da falta dele.

Mas eu ainda tenho muitas dificuldades de passar das palavras à imagens. Sei o quanto me acautelo  por medo de decepcionar os outros. Porque me conhecerão de dentro para fora, e receio que o medo da imagem faça esquecer tudo aquilo que me conhecem por dentro. Porque me prefiro, com os meus mil e um defeitos, pelo que sinto e penso, e não a minha imagem. Porque a imagem vale mais que mil palavras e pode deitar tudo a perder.

Falo com muitas pessoas, mas a maioria delas só me conhece a voz. Não raras as vezes, dizem-me que gostariam tanto de me conhecer.  e garantidamente não é por ter a voz sexy, embora nestes últimos tempos esteja rouca. às vezes, comentam com os comerciais sobre mim, e voltam a expressar a vontade de estarem comigo cara a cara. Não percebo a fascinação, porque da minha parte não existe essa reciprocidade na vontade. Não sou muito curiosa quanto a isso, ou só estou a espelhar que, não querendo eu que se quebre essa aura de fascinação [porque se vai quebrar certamente], não me despertam a curiosidade.

Ontem contrariei esse medo da imagem.  A mim, não me faz confusão falar com alguém ao telefone, ou por mensagens ou email a quem nunca vi a cara. Mas finalmente percebo que nem toda a gente pensa como eu. Há a quem isso faça confusão.

Há muitos anos que nos conhecemos, mas nunca estive pessoalmente com ela. Um dia, hei-de dar-lhe um abraço. Prometi-lhe ontem. Ela partilha comigo, desde cedo, algumas das cenas da sua vida, das suas fotos do dia a dia, quando falamos de pedaços da nossa vida, que têm pontos em comum. Acho que ela é linda, apesar de ela apontar continuamente algumas das características que acha que lhe arruínam a imagem. eu não acho nada disso. Acho que tem um encantamento que ela ainda não descobriu quando se olha no espelho, mas eu vejo-o lá.

Ontem, e talvez porque esteja a acontecer progressão em mim mesma, dei-lhe a conhecer quem eu sou fisicamente. Uma foto recentíssima, que não me envergonha muito, não me deixa apreensiva.  Não é pela maquilhagem, mas porque me senti bonita. Porque uma coisa é estar bem – e aí creio que não me avalio mal – outra coisa é estar bonita. Não que quisesse impressionar, mas não me queria envergonhar. e queria retribuir-lhe o gesto de poder perceber com quem fala, sem ser necessário imaginar. Talvez seja parvo mandar uma foto a alguém – chego a pensar que é – contudo, às vezes, temos de vencer o medo de nos expormos e de nos sujeitarmos às avaliações de outrem. Afinal, e salvo de fizermos uma cirurgia estética, é assim, com tendência para pior possivelmente, que vamos estar. Não vamos poder apresentar uma versão revista do que somos.

Para a maioria das pessoas, sei que isto que escrevi, é uma tremenda tolice. Mas como disse atrás, as pessoas sofrem com problemas com pequenos pormenores que não gostam em si. O meu pormenor tem 1.62 m e um palmo de cara que não aprecio particularmente, este, o meu. mas estou a tentar mudar. e ontem resolvi que me tinha que expor, dar um voto de confiança, retribuir para que a outra pessoa percebesse que eu existo mesmo, e sou quem digo ser.

e quanto a isto da imagem, foi um pequeno passinho [uma parvoíce para alguns, bem sei] mas é sinal que quero dar passos em frente.

O próximo passo será vencer o medo terrível que tenho de subir a uma balança em público [salvo seja]. Se as pessoas soubessem as birras que faço nos consultórios médicos para escapar a esta tortura psicológica. Quase faço chantagem para não ser submetida a esta avaliação. é horrível. Como se aquele aparelho tivesse sido feito para me humilhar. Adoro saber quando a balança está avariada. é parvo? é, mas tenho dificuldade em ultrapassar, mesmo sabendo que aquele número que lá consta possa ser motivo de orgulho e não de humilhação…

Um dia de cada vez. e cada um com o seu parafuso desapertado.



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Onde chega a parvoíce...

[primeira parvoíce] Sempre que uma das estagiárias está a trabalhar à hora que eu entro no ginásio, promove o meu outfit do dia, com comentários que me chegam a deixar encavacada. Tira-me as medidas de alto a baixo e comenta o que trago vestido. Hoje, depois do fogo de artifício costumeiro, disse-me que estou sempre impecável, com tudo a combinar. Que gostava de ser assim. Não sei onde viu ela o estilo, mas parece que lhe agrada muito a maneira como visto. Tenho uma fã declarada. 😂
[segunda parvoíce]  Depois da indumentária vestida para malhar, e nos descansos entre séries, tenho o  treinador a falar em objectivos. Estou eu a falar em objectivos a curto e está ele a dizer que também tenho de ter a longo prazo. E pela terceira vez em poucos dias, volta à proposta peregrina (e tão parva, senhores!) que eu só posso considerá-la puro gozo. Levaria mais a sério uma proposta indecente (agora estou eu a brincar). Disse-me para eu pensar em tornar-me bodybuilder. Até me mostrou o Instagram de uma miúda.  Eh pá, não! Gosto muito de ser feminina! Ter chicha!
Já me convenceu com a corrida, agora com isso, acho que não! Não sei o que anda a tomar o rapaz, mas anda a alucinar, certamente!

Este ginásio tem umas personagens com tanta piada. Oh se tem... Tanta parvoíce junta, a que se soma a minha. 

A transformação que faz bem à alma

Ainda não fiquei cega pelos resultados que tenho obtido no ginásio [a achar que estou uma boazona; nada disso!] e, continuo a sentir que estou longe de estar onde quero, embora haja quem pense o contrário. Tenho um objectivo bem delineado a cumprir até ao meu aniversário, em Abril. Só espero que não haja lesões ou contratempos de maior. 

Há uns anos estava com um peso idêntico e não me dava para comprar vestidos que dessem tão nas vistas como o que usei no sábado. aliás, fugia disso, como o diabo foge da cruz. Admito que, enquanto vou trabalhando o corpo, também tenho modelado a mente, e a auto-confiança tem subido. Ainda tremo um bocadinho de insegurança, sempre receosa de não estar bem, mas nada como antes. Tenho tido bons auxílios que me ajudam a ver com outros olhos, embora seja difícil mudar a opinião que tenho sobre mim, de um dia para o outro. A fase de aceitação tem-se trabalhado devagarinho. como o corpo.
No sábado, não me reconheci. Achei que a mulher que via ao espelho não podia ser eu, porque além de super elegante, estava gira que impressionava. A M. caprichou, fez os meus olhos castanhos ficarem maiores e deu-lhes ainda mais ênfase.
eu que nunca me achei bonita confrontei-me com uma imagem que me impressionou. Aquela era eu? era sim, e segundo a M., estava linda de morrer. Eu, linda de morrer? Baaah. Estava gira, sim. Mas, linda de morrer, é um atributo demasiado fantástico e descabido para mim. Pedi-lhe que me tirasse uma foto [eu detesto tirar fotos], porque estava muito impressionada do resultado final.

Entrei naturalmente para onde iria ser o jantar, e ainda não me tinha sentado à mesa, e já tinha recebido uma mão cheia de elogios, principalmente de alguns dos participantes masculinos no jantar. Alguns, sequer alguma vez troquei uma palavra só que fosse com eles. Desta vez não senti a habitual vergonha e fui capaz de pronunciar um seguro obrigada. Também houve elogios do lado feminino, mas em menor frequência. A M. diz que as mulheres são terríveis umas para as outras, e elogios são coisas que não sabem fazer...

O curioso disto tudo é que a pessoa que mais à vontade poderia estar para me dar um elogio, foi a única que não se pronunciou e que, parece, ficou completamente imune à transformação. Não vou dizer que não me custou que não o tivesse feito. Por diversas razões. E porque sabe como funciono.

Como diz o ditado, não podemos agradar a Gregos e Troianos. Uma coisa é certa, no sábado, deixei de me sentir bichinho para me sentir um bocadinho borboleta. e soube maravilhosamente bem. 
Posso parecer pretensiosa. Cada um que pense o que quiser.