Costuma dizer-me que eu sou complicada em coisas que devia ser simples. e em coisas complicadas, simplifico em demasiado. Talvez tenha razão.
Penso muito. demoro tempo para pensar. muito do tempo perdido é com os meus pensamento, algures no nada. e acabo por nunca chegar a tempo, a lado nenhum, ultimamente.
Estava cansada demais para fazer umas quantas coisas que deviam ficar prontas impreterivelmente até ontem. Certo é, que adiei isso para hoje, pensando levantar-me uma hora mais cedo que o habitual; pus o despertador para as cinco da manhã. Não tenho dificuldade em adormecer. Às quatro e meia da manhã já estava de olho arregalado. Pensei aguardar pelo sono até às cinco, mas pus-me a pensar no que tinha para fazer, a passar a pente fino os últimos tempos, a medir as minhas últimas frustrações. Andei perdida em divagações profundas até ao toque de despertar do telemóvel. Sabia que não podia adiar mais o que tinha para fazer antes de seguir para o trabalho, mas insisti em ficar deitada, de luz apagada. em posição fetal, a pensar sobre montes de coisas: as do trabalho, as de casa, as do ginásio, as da associação, as da família, as da alma.
Levantei-me às seis como habitualmente - continuo a não conseguir recuperar dos exercícios tramados de isometria de há quase uma semana -, tentei adaptar os músculos à realidade de ter que suportar o corpo. Custa tanto pôr um pé e depois o outro no chão.
Antes de pôr a água a correr e o pé na banheira, obrigo-me a mim mesma a evitar pôr-me a pensar em coisas: as do trabalho, as de casa, as do ginásio, as da associação, as da família, as da alma. Porque se, no escuro, já tinha pensado muito, debaixo de água vou parar a um sitio qualquer onde só moram eu e os meus pensamentos, mas o tempo continua a correr fora dessa bolha quase inóspita. Apetece-me deitar-me na banheira e simplesmente deixar correr a água sobre o corpo enquanto o pensamento corre veloz. Sei que posso passar vinte minutos alheada de tudo e não me posso permitir a isso, quando tenho coisas para fazer ainda antes de sair. Hoje não cedi à tentação de passar muito tempo debaixo de água. Mas arrasto-me pela casa; as dores do corpo não se sentem, porque passei à actividade, mas é de má vontade que me apetece seguir para o trabalho. uma hora de caminho, para pensar.
Chego outra vez atrasada ao trabalho. tem sido recorrente, infelizmente. Não preciso picar o ponto, mas não me sinto nada contente com este comportamento que não estou a conseguir contrariar. é difícil de o fazer, principalmente porque tenho pouca vontade de passar oito horas fechada, a ouvir exigências de tudo quanto é lado e a estragar o meu bom humor com o azedume dos outros.
Só fiz metade das coisas que queria fazer. Subestimo o tempo que levo a fazer as coisas e a agravar isso, perco um tempo a pensar sobre coisas que não consigo resolver nada. Pareço um gato atrás da cauda, sem a conseguir apanhar. Penso muito, mas não resolvo nada.
Logo vou estar cansada para fazer o que ainda ficou por fazer e mais o que aparece de novo.
Sou só eu que sou assim complicada e desperdiço tempo a pensar, não sou?