sexta-feira, 27 de março de 2020

Desintoxicar

Ainda não são 6.30h da manhã. Lá fora já há luz há algum tempo e eu estou farta de dar voltas na cama. Uma semana em casa e o velho hábito de acordar antes das seis ainda está em automático. Não consigo estar sossegada na cama, a minha cabeça nem está a pensar nada de especial, mas não consigo estar quieta nem o sono volta. Ontem dei descanso às pernas e fiz treino de braços. Sinto que me faz falta exercitar mais os braços, mesmo depois um treino com halteres, arrendando móveis e por e tirar cortinados. Temo que o peso que, ao fim de uma semana a balança regista, possa ser de perda de massa muscular e não gordura. Espero que não.
Vou mas'é levantar-me e vou correr. A corrida é una varredora gigante de pensamentos parvos que só me fazem mal.
Lá vou eu fazer uma desintoxicação. Segunda já vou trabalhar e não sei se consigo fazer isto antes de ir. Vou aproveitar enquanto posso. 

quarta-feira, 25 de março de 2020

Parecida só mesmo no bigode, não tarda

Acho que de feminina só tenho mesmo o corpo e a atitude. Não percebo praticamente nada de maquilhagem, nao tenho dotes para esticar cabelos ou fazer-lhes caracóis, apesar das 425 máquinas que já comprei para ambos os efeitos. Sou uma nulidade em fazer manicure e pedicure. Pintar unhas nem pensar. Tratar das sobrancelhas nem me atrevo. Portanto, tudo isto são serviços que pago a outrem para fazer. As marcações foram todas adiadas para depois do estado de emergência e só acontecerão, se não houver novo estado de emergência. 

Enquanto penso nisso como algo secundário, hoje,  às sete e meia, já tinha deixado os bons dias no email às colegas que ficaram a trabalhar e já estava a aquecer para corrida da manhã.
Piorei no tempo de corrida, e dou conta que uma noite mal e pouco dormida, além do meu estado mental não estar nos melhores dias podem estar reflectidos nos resultados.
Ainda ontem quando mandei os resultados da corrida ao treinador, ele me devolveu mensagens de orgulho. E eu ja quase a ver-me como uma Fernanda Ribeiro, a preparar - me para a corrida de S. Silvestre... 

Afinal, com estes resultados de hoje, só devo ficar mesmo parecida com ela no tamanho do buço, comigo a continuar a ser um desastre, quer nas corridas (até que não foi tão mal assim...) quer na minha habilidade de coisas da estética...

[para não me esquecer, consegui manter os 7 km a correr, sem parar, e fiz mais 4km de caminhada. Portanto objectivos cardio para hoje estão cumpridos] 

Alento

Comunicamos por whatsapp. Sei que tem evitado, nas últimas vezes, para que eu não veja o quanto se tem feito velho nos últimos dias, não lhe veja as rugas de preocupação, as olheiras de não dormir. O quanto sofre por saber que, quem tem sobre a sua responsabilidade, pode estar a correr riscos a qualquer instante. 
Está decepcionado com algumas coisas, sente -se impotente, com um enorme peso da responsabilidade. Tem medo debaixo da sua calma aparente. Medo de decepcionar quem tem sob sua alçada, de não proteger o suficiente neste cenário de guerra.

Quando já nada do que lhe possa dizer lhe alimente a esperança, apelo à sua fé. Relembro - o que é crente. Que antes de dormir, faça a sua oração.

Responde-me: faço tantas o dia inteiro. Não me canso de orar.

E, por muito que eu queira controlar as lágrimas, perante a sua resposta, elas caem sem pedir licença.
Amanhã é outro dia, e eu não posso desarmar da minha convicção que não se pode sucumbir ao desânimo e ao derrotismo. Temos de lutar, cada um com as armas que tem, seja a fé, o humor, a alegria.
Temos de manter a esperança que tudo vai correr pelo melhor, que o medo não vai vencer.
Talvez eu seja uma sonhadora; eu sou mais de acreditar que não é de ombros caidos e mãos em baixo, que se está pronto para a luta.


terça-feira, 24 de março de 2020

O que me está a mexer com os nervos mesmo

É estar a ouvir, há tres dias para cá (folgou no domingo), todas as tardes, o vizinho raspar com a pá no monte de gravilha que deve ter no quintal, para levar para o jardim, num carro de mão.

Até já me arrepia...

segunda-feira, 23 de março de 2020

Não deixar a tristeza chegar-se à minha beira...

Passa pouco das 21h, quando escrevo a partir da minha cama. Praticamente desde quinta que quase me deito com as galinhas. Tenho andado a dormir em média dez horas; continuo a acordar cedo. 
Não ligo a TV desde quinta; não porque queira ser avestruz a enterrar a cabeça na areia, mas porque esteja eu ou não a par dos factos, isso não os vai mudar. Todos os dias quando me levanto, não faço nenhuma oração - se calhar, devia, não sei - mas tento cultivar a alegria e o bom humor, e ligo o radio ou coloco músicas boa onda em modo repeat. Ando todo o dia de fones nos ouvidos. Preciso de boas energias. Tennto que os que me são próximos, que me são queridos, se mantenham serenos e saibam driblar neste jogo sem regras, com aquilo que lhes cabe fazer. Tento não pensar no que pode estar para vir, tento ser positiva, tento manter-me mentalmente sã. 
Esta semana estou em casa, está previsto na próxima ir trabalhar. Hoje mandei os bons diasàs colegas que ficaram. Enviei-lhes uma graça, para que, pelo menos, uma vez hoje dessem una gargalhada. O feedback foi positivo. Amanhã torno a repetir a dose. 
Tenho-me levantado cedo e tenho ido correr, quando ainda não anda ninguém na rua. É a vantagem de viver na aldeia. Não há engarrafamentos nem aglomerados de gente. Em três dias fiz quase 20 quilómetros de corrida, sinto-me com maior capacidade respiratória e maior resistência ao cansaço. Ontem nem a chuva me impediu de ir, e afugentou pessoas da rua. As caminhadas têm sido rua acima, rua abaixo, em frente às portas de casa. Acho que só hoje vi algum dos meus vizinhos - espreitava à janela. As pessoas podem achar-me doidinha de tanto repetir o trajecto, mas estou pouco importada com isso. 
Alem disso, há os treinos enviados pelo treinador, os treinos propostos pelo ginásio, os desafios. Fazer agachamentos, flexões, abdominais. O maior número num minuto. Tudo serve de desafio, tudo serve para pôr o corpo a mexer. Tenho papado montes de vídeos de exercícios, passo praticamente uma manhã inteira a dar trabalho ao corpo, interrompo para uma sesta, e a tarde é dedicada às limpezas e arrumações, aos emails do trabalho e papelada. Telefono aos meus e pergunto lhes se tudo continua bem, mando mensagens desejando que, do outro, venha um ok, está tudo bem. 
Só importa manter-me serena, com os pés assentes na terra. Preciso ser força e não fraqueza, preciso ser sorriso e não tristeza, porque sei que preciso ser para quem precisa que eu seja força, porque a luta vai ser dura, quando chegar a altura. Porque sei que chegará. 

sexta-feira, 20 de março de 2020

agora a minha posição é: cada um sabe de si...

Por aqui trabalha-se normalmente. na empresa. controlam-se mais as entradas.

O pior é as pessoas não saberem usar devidamente, e de forma oportuna, os equipamentos disponíveis de protecção. Estou no meio de gente que acha que usando luvas se protege. se as soubessem usar, acredito que estariam protegidos. parece que levantar o rabiosque, com WC ali ao lado, não é solução. 

Ontem já me irritei. Hoje deixei de me chatear. Cuido de mim, o máximo que posso. Quanto aos outros, bom, são os outros. Porque como dizia a minha mãe, quando eu não fazia caso do que dizia: pregar ao cu ou à cabeça, vale o mesmo.

[update: acabo de saber que, vamos trabalhar alternado; como a colega tem a custodia do filho assegurada, vou eu para casa na próxima semana. vou dando uma ajuda de lá. porque teletrabalho não dá.]

quinta-feira, 19 de março de 2020

Brigada Antivirus. Quem alinha?

Durante a hora de almoço, aproveitei para levar a comida para a rua e fui fazer um picnic improvisado no jardim da empresa [sem ninguém]. e estive a ouvir umas musiquinhas alegres para mexer um bocadinho o corpo.

Como diz o povo, quem canta seus males espanta. Então lembrei-me, já tenho uma playlist para correr, outro para o treino e agora 'bora lá criar uma playlist antivirus.
 Ficam duas sugestões [recentes, mas não é obrigatório] alegres e mexidas. para ouvirmos quando acontecerem conversas sobre o virus, que não nos apetece ouvir...



quem deixa as próximas sugestões? por favor, cheguem-se à frente :)!