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Lembro-me do vestido azul escuro, com bolinhas azuis claras, – a lembrar bolas de sabão - que a minha mãe trazia no corpo. Outubro. Um mês inexplicavelmente quente nesse ano. Lembro-me que se abraçou à barriga proeminente, sentindo mais fortes as contracções que tinham começado durante a noite. Eu senti, na minha pequenez de idade e altura, que finalmente ia acontecer.
Lembro-me que o meu pai foi, a correr, chamar o taxista da terra, para a levar à maternidade. O Renault 5, só apareceria dois anos mais tarde, lá por casa. A minha mãe terminou de fazer a cama. Lembro-me da colcha cor-de-vinho da cama e do desconforto espelhado na cara.
Na euforia do momento, lá seguimos para a maternidade. Ainda me lembro que não queria largar a mão da minha mãe, quando entrou para a sala de partos. Lembro-me dela tirar da mala o cobertor azul, novinho em folha, que eu vira comprar uns meses antes. Tantos anos já passaram, e o cobertor foi preservado como uma relíquia, e já mudou de casa, mas dono continua o mesmo. Agora já está grande demais para se embrulhar nele, como da primeira vez.
E, às quatro da tarde, com quase quatro quilos, lá nasceu uma das pessoas que mais amo. O meu irmão. Foi talvez uns dos momentos mais felizes da minha vida. Lembro-me de, meses antes, ver a barriga da minha mãe crescer e lhe perguntar, quando é que vou ter um irmão? Não eram vulgares as ecografias naquele tempo, mas disse-me a intuição, que seria um menino. E eu sempre quis que fosse um rapaz. Não sei porquê, mas quis… E ainda hoje é o menino. É assim que o tratamos. Onde está o menino? O menino veio cá? O menino disse-te alguma coisa? entre mim e os meus pais, nunca usamos o seu nome; será sempre o menino. O meu menino[mesmo já tendo ele sido pai].
Este texto é uma reedição. E merece ser reeditado todos os anos pelo imenso amor que tenho ao meu irmão. No ano passado, o aniversário dele foi marcado por uma eventual gravidez minha, caso o tratamento tivesse resultado. Serão duas datas que nunca irei esquecer, por razões diferentes. Lembro-me dele ter dito que seria o melhor presente do seu aniversário se acontecesse. Não aconteceu. A vida não é como queremos que seja, mas tenho a felicidade de, neste dia, há muitos anos atrás ter tido outro menino, o meu irmão.
Este texto é uma reedição. E merece ser reeditado todos os anos pelo imenso amor que tenho ao meu irmão. No ano passado, o aniversário dele foi marcado por uma eventual gravidez minha, caso o tratamento tivesse resultado. Serão duas datas que nunca irei esquecer, por razões diferentes. Lembro-me dele ter dito que seria o melhor presente do seu aniversário se acontecesse. Não aconteceu. A vida não é como queremos que seja, mas tenho a felicidade de, neste dia, há muitos anos atrás ter tido outro menino, o meu irmão.

Sensibilizaste-me com o teu texto. Espero que consigas atingir o teu grande objectivo e que o amor pelo teu irmão se mantenha intacto até ao fim.
ResponderEliminarLindo, lindo. Não há outra palavra.
ResponderEliminarBeijos
Passei aqui por acaso. Como ser humano e como pai, quero dar-lhe os parabéns pela suave beleza do texto e a maior força, para que consiga alacançar esse objectivo enquanto mulher, o de ser Mãe.
ResponderEliminarAcredite, sempre.
Um abraço solidário.
Que texto maravilhoso :)
ResponderEliminarPS - Revejo-me imenso no que li... Lá em casa também tratamos por menino o meu mano ;)
Beijinhos
Wendy,
ResponderEliminarSê bem-vinda!
Obrigada pelas tuas palavras.
Bjs
Uba,
ResponderEliminarObrigada. O amor por um irmão é incondicional. tal como o teu pelo teu filho.
Bjs
Sereno,
ResponderEliminarObrigada pelas suas palavras. São de força, acredite.
um abraço.
Sara,
ResponderEliminarObrigada pelas tuas palavras.
Temos mais esta similaridade.:)
bjs
LINDO.
ResponderEliminaradorei o texto, o amor pelo mano.
Talvez por também ter um menino-mano... este texto até me emocionou...
ResponderEliminarTexto lindíssimo, medimos a importância com a quantidade de pormenores que nos lembramos, e tu vais até ao mais ínfimo, ao descrever o inicio do grande amor que sentes pelo teu menino...
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