quarta-feira, 24 de abril de 2019

um dos presentes mais valiosos que eu pedi à vida


O meu pai tem dois irmãos (homens), sendo ele o do meio.
A minha mãe tem quatro irmãos (um irmão, o mais velho, e três irmãs), sendo ela a mais nova.
Os comportamentos destas duas famílias foram sempre distintos. Se do lado da minha mãe sempre assisti a pequenas quezílias (algumas vezes, nem tão pequenas assim), já do lado do meu pai, nunca mas nunca, os vi zangados.
Praticamente desde que passei a ter um irmão (sendo ele mais novo que eu, cerca de quatro anos e meio) que ouço o meu pai dizer que não gostaria que nos déssemos mal. Que, com ele e os irmãos, isso nunca ocorrera. Repetiu, repete isto, vezes sem conta.
Lembro-me do meu irmão ser um miúdo terrível para mim, e eu ter desgosto com isso. Talvez porque tinha sempre como base esta espécie de mandamento ditado pelo meu pai. Muito, porque sempre desejei (muito) ter um irmão rapaz. Hoje, ao ver os meus dois sobrinhos, o mais velho a adorar o mais novo e o mais novo a ser mau para ele, revejo-me no papel de irmã mais velha que assumi há muitos anos.
O maior, além do amor imenso que tem ao mais pequeno, vê nele uma criatura frágil e não retribui a maldade em igual medida. E sei o quanto lhe custa o mano não ter para ele actos de carinho, já que gosta tanto dele. Vê-se a adoração do meu sobrinho mais velho pelo mais novo. e quando estão separados, percebe-se que não é só o grande que sente falta do pequeno. e quando o pequeno está no mesmo comprimento de onda do pequeno dão-se lindamente.  A diferença de idade entre eles é maior do que a que existe entre mim e o meu irmão.
 eu e o meu irmão passámos a dar-nos muito bem, desde que ambos saímos de casa, e passámos a ter uma vida independente dos meus pais. Possivelmente deixámos de sentir (na nossa cabeça) as diferenças que achávamos existir quanto à preferência dos nossos pais, por um ou pelo outro. Assumimos mais o que cada um era em si, e não se cada um dos nossos pais, gostava mais de um ou de outro. Acho que foi isso. Estas desconfianças da nossa cabeça deixaram de ser um factor preponderante a dividir-nos. Até porque, os nossos pais (mãe e pai) sempre nos tentaram tratar de modo igual. e nem discutimos isso tão pouco.
Nem sempre dizemos um ao outro que gostamos muito. Não fomos criados dessa forma. eu e ele aprendemos, já em adultos, a conjugar o verbo amar. Ele, ainda mais desde que foi pai. Um pai exemplar a meu ver. O papel que me orgulho muito que ele saiba desempenhar na perfeição. e isso vê-se, pois os filhos não lhe largam o colo, o abraço.
Acredito piamente que nunca nenhum de nós prejudicará o outro. não estou a ver-me às bulhas com ele por causa de heranças, por exemplo. Ou qualquer outra treta. Embora tenhamos ideias completamente diferentes acerca do valor do dinheiro. Também temos responsabilidades diferentes.

O meu irmão começa no trabalho ainda antes de mim. Sei que, nestes dias, é da praxe fazermos para nos vermos; ontem ao final do dia aconteceu.  Contudo, não deixou de me dar os parabéns de outra forma, antes do encontro.
Uma das primeiras mensagens escritas da manhã de ontem foram dele. Rebentaram-me as lágrimas ainda antes de me começarem a dar os parabéns aqui no trabalho. De cada vez que a leio, sucede o mesmo.

Quero dar-te os Parabéns neste teu dia. E desejar que tenhas um óptimo dia. Espero que este novo ano te traga outra tranquilidade e outra paz. Que concretizes os teus objectivos.. Desejo-te também muita saúde. sei que, às vezes, posso parecer ausente mas não me esqueço de ti. Estou sempre aqui quando precisares. Um beijinho de quem te ama muito.

[as lágrimas estão de volta ao transcrever isto]

Respondi-lhe:

Sei que não te esqueces, tal como eu me lembro de ti todos os dias. És um dos presentes mais valiosos que eu pedi à vida e que ela me deu. Trago-te sempre no meu coração. Beijo. Obrigada pelo teu carinho.

Se algum dia eu apagar a mensagem que me enviou, sei que está registada por aqui. E eu sou muito de guardar coisas. Principalmente as boas.

Acho que, sobre o meu presente mais valioso de todos os dias, está tudo dito. Por agora.

6 comentários:

  1. Eu também tenho com o meu irmão um amor enorme e imenso. Temos imensa diferença de idades (quase 17 anos!), mas apesar de eu ter tratado dele muitas vezes, ajudando a minha mãe e o meu padrasto, o que é certo é que ele é meu irmão....por isso arreliei-o também muitas vezes, ou "deseduquei-o".... :) :) :) - ele tem 24 anos...e ainda vive com os pais.

    Não falamos todos os dias, mas sabemos que estamos SEMPRE um para o outro. No outro dia almoçámos juntos na minha mãe, já não nos víamos há uns dias nem falávamos e portanto demos muitos carinhos e abraços. Ele sentou-se ao meu lado ao almoço e deu-me um beijinho na mão. Ainda agora me vêm as lágrimas aos olhos a pensar nesse gesto tão carinhoso.

    <3

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    1. Procura dentro de ti:

      Obrigada pela tua visita e o teu testemunho. Lindo! Lindo!

      O amor fraternal, descrito desta forma, é fantasticamente enternecedor.

      Fala mais vezes com o teu irmão, verás que nunca haverá dia em que te falte amor.

      Lindo, ele beijar-te a mão. é como beijar a testa, tanta ternura no gesto.

      Também fiquei de lágrima no olho.

      Beijinho

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  2. Ohhh tão bom!!! Também gosto muito do meu irmão, quando vêm cá é uma alegria e quando vai embora sinto que me falta uma parte, e é um choro imenso durante dias...

    Vale as novas tecnologias que nos fez criar um grupo de família e todos dias vamos lá nem que seja mandar um beijinho!!!

    Achei maravilhosa a vossa troca de mensagens!!!

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    1. Titica

      Afinal há mais quem seja como eu...


      Nós estamos perto e, às vezes, também usamos as tecnologias. Principalmente para ver as façanhas do meu sobrinho mais pequenino.

      E não, não me consigo ver sem o meu irmão.

      A nossa troca de mensagens foi tão boa, que foi impossível não a deixar registada num local mais seguro.

      Beijinho

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  3. Também tenho uma boa relação com minha irmã e não entendo como alguns irmãos não se entendem. Já os meus dois filhos rapazes que têm quatro anos de diferença, só agora em adultos é que são amigos. Agora estou mais feliz por isso mas já me senti muito triste por eles não se entenderem.

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    1. Gaja Maria,

      Não te sei explicar a razão de dois irmãos não se darem bem. Em pequenos creio que seja por ciúmes muitas vezes infundados. Em adultos será porque estes ciúmes nunca foram resolvidos...

      Mas isto é só uma teoria minha. Talvez parva...

      Beijinho

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